11 de outubro de 2011

De facto?

Acabo de publicar o meu artigo "A Importância dos Factos". E o que pensa o leitor?

5 comentários:

  1. Desidério, quase tudo o que dizes se aplica, mutatis mutandis, à avaliação dos professores baseada no preenchimento de grelhas e registo de supostas "evidências", ultimamente muito em voga nas escolas secundárias portuguesas.

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  2. Curioso Aires, pois pensei exactamnete nisso enquanto lia o texto

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  3. Me parece que o texto deseja criticar algo mas não o faz diretamente, pois há poucos exemplos, nomeadamente, o das revistas acadêmicas e universidades. Mesmo assim, há um ponto mencionado no texto de extrema importância para a comunidade filosófica nacional: a falta de substância. Penso que muito do produzido em filosofia no interior do país está contaminado com esta preocupação com a forma. Produzem-se trabalhos que não estão nem remotamente preocupados com a contribuição que irão dar para o debate de idéias, tendo como objetivo somente o passaporte para as revistas com alto fator de impacto.

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  4. Olá, Bruno, obrigado pelo comentário. O que está em causa no meu texto é a leviandade com que todos nós fazemos avaliações sem dados relevantes da qualidade do trabalho de universidades, departamentos, revistas e até de colegas. Não está em causa se devemos ou não avaliar, mas antes que muitas das avaliações são baseadas em vento, ou em factores que na melhor das hipóteses são meramente indicativos, mas são muitíssimo falíveis.

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  5. Olá a todos

    Sem querer alcandorar-me ao nível da sofisticação da argumentação apresentada pelo Desi e compreendendo muito bem os argumentos relativos à replicabilidade do raciocínio para a "avaliação de professores", permito-me sugerir que o próprio sistema de avaliação dos alunos nas escolas portuguesas enferma de vícios idênticos.
    Como o artigo muito bem fundamenta, a importância dos factos pode variar consoante a percepção empírica que se tem dos mesmos. Quanto a isto o Michael Shermer tem desenvolvido um trabalho notável sobre a forma como tomamos consciência dos factos que nos rodeiam e de como isso tem sido determinante para a chegarmos à organização social contemprânea. Sugiro a propósito "The believing brain: http://www.youtube.com/watch?v=R6ijdDtOLLo&feature=player_embedded

    Ele também sugere um "Baloney Detection Kit" (http://www.youtube.com/watch?v=eUB4j0n2UDU), que com as devidas adaptações metódicas, deverá ser viável na avaliação de revistas (filosóficas ou outras) artigos (científicos ou outros) e outros trabalhos na área das humanidades e da opinião crítica.

    Gostaria também de lançar a ideia, de que há factos que podem ser mais "factuais" do que outros. Quer isto se deva à sua natureza (ou consequências) ou à forma como são definidos (ou apreendidos):
    Se um determinado artigo sobre o valor dos argumentos de autoridade for considerado por uma parcela de editores e filósofos como um artigo com contribuição importante para o corpo do conhecimento filosófico, mas na verdade não resistir dessa forma a uma análise crítica e, portanto, não for de facto um artigo importante para o corpo do conhecimento, de que gravidade se reveste este facto para a nossa felicidade em geral?
    Mas que dizer deste facto: "Measurement of the neutrino velocity with the OPERA detector in the CNGS beam" http://arxiv.org/abs/1109.4897
    Se realmente os neutrinos se deslocarem mais depressa do que a velocidade da luz, o que acarreta isto para o corpo do conhecimento científico dos últimos 100 anos? E mesmo para a nossa felicidade?

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