6 de outubro de 2011

Os melhores anjos da nossa natureza

O novo livro de Steven Pinker, The Better Angels of Our Nature: The Decline of Violence in History and Its Causes, era por mim aguardado com alguma expectativa, porque já tinha lido alguns excertos na Internet. Estou infelizmente ainda nas primeiríssimas páginas, mas para já estou muito bem impressionado.

Em contrapartida, John Gray faz aqui uma recensão que me parece delirante. O livro está cheio de dados empíricos que sustentam a tese de Pinker de que há hoje muitíssimo menos violência do que alguma vez houve desde que os seres humanos surgiram no planeta; mas esta ideia é incompatível com as ideias pessimistas de John Gray. O que faz este então? Ignora todos os dados e diz que Pinker está iludido, mas não apresenta um só argumento minimamente credível. Fiquei siderado com a recensão de Gray, pois é um pouco como ignorar os dados empíricos de que há 100 mil milhões de estrelas na nossa galáxia porque eu sempre defendi que só há vinte e três, sem qualquer sustentação empírica.

Em contrapartida, Peter Singer faz aqui uma recensão muitíssimo mais equilibrada, até porque descreve as ideias de Pinker e os dados empíricos em que se baseia.

Não sei se o livro será publicado em língua portuguesa -- com as suas 800 páginas, não é qualquer editor que lhe vai deitar a mão. Mas, juntamente com The Rational Optimist, de Matt Ridley, é uma leitura fundamental, que muda a nossa maneira de ver as coisas, ainda que não concordemos cegamente, e desde que não sejamos cegamente dogmáticos como John Gray.

12 comentários:

  1. Pinker fez uma apresentação no TED defendendo a tese desse livro, ela está aqui: http://www.ted.com/talks/lang/eng/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html

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  2. Interessante saber, porque a tese do Pinker levantada em seu livro "O instinto da linguagem" é bem fraca, e já bem refutada no decorrer da história das ideias linguísticas.

    Fiquei curioso para ler este aí.

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  3. E qual é a tese de Pinker nesse livro? Por que razão é bem fraca? E como foi refutada?

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  4. A julgar pelo sub-título "The decline of violence in History" acho duvidoso que o Pinker consiga demonstrar tal tese. Se aceitarmos como variável para medir a violência o número de mortos durante conflitos militares (e por que razão não o fazer?), creio que existe documentação exaustiva que permite demonstrar que o século XX foi o mais violento da história humana.

    Miguel

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  5. O número bruto de homicídios é irrelevante. O que conta é a percentagem de homicídios face à população total. Isto não é arbitrário, pois o que queremos é que cada um de nós tenha menor probabilidade de ser vítima de homicídio. E hoje a probabilidade de sermos vítima de homicídio é muitíssimo menor do que na idade média, por exemplo. Se não pensarmos deste modo, era preferível nascer na idade média, quando a percentagem de mortalidade infantil era muito maior do que hoje, porque, afinal, em termos brutos, morrem hoje mais crianças do que nesse tempo.

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  6. É precisamente quem duvida seriamente das conclusões de Pinker que deve ler atentamente o livro, para ver se ele se enganou ou não. Infelizmente, a tendência é para se escolher de antemão o que se lê, lendo-se apenas aquilo que concorda com os nossos preconceitos preferidos.

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  7. Já é uma vergonha o fato de que, na época em que o respeito universal pela vida individual foi elevado à condição de bem mais precioso, ao contrário de várias outras épocas, haja tanta matança sistêmica de pessoas e descaso de Estados e autoridades pela perda diária de inúmeras vidas no planeta - coisas que se encontram até mesmo 'programadas' pelos institutos de estatística. Saber que existe um livro com a pretensão de nos convencer de que 'estamos indo bem' é de causar arrepios.

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  8. Causa sempre muitos arrepios ver os nossos dogmas mais queridos serem postos em causa. Presumo que algumas pessoas quererão até queimar o livro de Pinker, para não terem arrepios. Para não se darem ao trabalho de mostrar o que nele está errado.

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  9. Estudo Pinker no mestrado e vejo o seguinte: enquanto autores como Hobsbawm atentam para o número ABSOLUTO de mortes, Pinker leva em consideração o número RELATIVO.

    Aí vai da ideologia de cada um

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  10. Violência se traduz em número absoluto ou relativo de mortes? Vi o post do Pinker em sua pagina no facebook há uns meses atrás e, de fato, fiquei pasmo. Porém, nesses tempos de verdades passageiras, não tenho tempo nem saco pra ler em inglês um "calhamaço de oitocentas e tantas páginas". Mesmo assim, continuo intrigado, como todo amante da verdade. Melhor reler "Sobre a Violência" de Hannah Arendt.
    Abaixo um pequeno contraponto sobre a subjetividade da violência, meio assim, rápido, veloz, como diria Paul Virilio:

    http://www.activistpost.com/2013/10/psyop-psyence.html

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  11. Prezados,
    leiam diretamente em português br ePub: Os anjos bons da nossa natureza - Steven Pinker http://www.multiupload.nl/FA95L4A390

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  12. A companhia das letras publicou em português no brasil. Tem, mil páginas rsrs
    O livro é muito elogiado por que leu, comprei pela web, estou aguardando chegar :DD

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