26 de novembro de 2011

Justiç, de Michael Sande

Peço aos leitores para não ficarem irritados com o título acima. Afinal, se o tradutor português pode amputar literalmente a parte final do livro de Sandel, por que razão não posso eu amputar as últimas letras do título e do autor do livro? 

Sim, a tradução portuguesa (Editorial Presença) do livro de Michael Sandel não está completa, pois o original inclui um útil e informativo índice analítico no fim, que simplesmente foi banido na tradução portuguesa. Ora, julgo que não compete ao tradutor alterar a obra que ele se deveria limitar a traduzir correctamente, amputando-a do que o próprio autor escreveu. Se o índice faz parte da obra original, então deve estar também na obra traduzida. 

A falta de respeito pelos leitores e pelos próprios autores por parte de alguns editores e tradutores portugueses parece não ter limites. Chama-se a isso atraso cultural.   

Já agora, a propósito de atraso cultural, a publicação de um livro como este, de um filósofo reputado como Sandel, é notícia nos melhores jornais dos países culturalmente mais activos, multiplicando-se as recensões críticas e até as entrevistas. Este livro foi recentemente traduzido no Brasil, e jornais como O Globo dedicaram-lhe a atenção que merece. Mas em Portugal continuamos entretidos com mais um opúsculo sobre as dores de barriga de Benjamin e com a milésima inanidade dos Zizekes.

4 comentários:

  1. Nem tinha reparado no original, mas realmente estive a ver no amazon e falta o INDEX. Ou seja, quem pretender usar o livro para fins académicos está tramado.

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  2. O Brasil dá lições a Portugal sobre como se publica civilizadamente um livro. A edição brasileira desta obra inclui o índice analítico.

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  3. Dizes bem, é uma questão civilizacional tratar os livros à matroca. Alguns editores e tradutores não percebem que isso é desrespeitar os seus autores e duvido mesmo que um editor tenha o direito de alterar unilateralmente a obra de outrém.

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  4. OK, mas a responsabilidade em princípio será só do editor, não do tradutor. Se o editor não pagar à parte da tradução do índice, que envolve um trabalho especialmente penoso, o tradutor não tem de se ocupar da tarefa.

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