31 de dezembro de 2011

29 de dezembro de 2011

O anti-racista racista

Será possível ser racista quando pensamos que somos anti-racistas? Defendo aqui que sim, mas o leitor talvez não concorde.

Morreu Dummett

Morreu anteontem Sir Michael Dummett, um dos mais influentes filósofos da linguagem do séc. XX. Um obituário, em inglês, da autoria de A. W. Moore está aqui.

28 de dezembro de 2011

As edições de 2011


Qualquer escolha dos livros mais significativos do ano começa por ser algo subjectiva. Digo “algo” e não “totalmente” pois há livros que são de importância decisiva para qualquer boa escolha. Assim, se escolher o livro de Ben Dupré na minha lista pode depender mais das minhas opções particulares no que respeita à divulgação e estudo da filosofia, o mesmo julgo não acontecer com edições como as de Anthony Kenny, essenciais a qualquer bom estudo que se pretenda fazer de filosofia com livros traduzidos ou escritos directamente em língua portuguesa. Em termos de quantidade as coisas são sempre reduzidas já que o nosso diminuto mercado não coloca grandes dilemas sobre o que escolher. Como tenho feito ao longo dos últimos anos, de seguida apresento os livros de filosofia que, no ano 2011, foram publicados em Portugal e que melhor contribuíram para o meu estudo contínuo deste maravilhoso e infindável saber.

 Anthony Kenny, Nova História da Filosofia Ocidental, 4 Volumes (Gradiva), Tradutores: Pedro Galvão, Fátima Carmo (Vol i), António Infante (Vol ii), Célia Teixeira (Vol iii) e Cristina Carvalho (Vol iv). Revisão de Aires Almeida




A Nova História da Filosofia Ocidental começou a ser publicada em língua portuguesa ainda no ano de 2010, sendo que somente os 2 últimos volumes foram publicados em 2011. Mas temos de novo uma história da filosofia actualizada. Mas esta história da filosofia é muito mais que uma história dos filósofos e das suas ideias. Trata-se de uma verdadeira obra de filosofia, uma vez que os problemas são discutidos como num bom livro de filosofia. Uma obra fundamental para quem se interessa pela filosofia e a sua história.



 Roger Scruton, As Vantagens do Pessimismo, Quetzal, Tradução de João A. F. e Silva

É um livro arrojado, mas provavelmente um dos que em 2011 mais me influenciou. A tese central é que nos tempos que correm vale a pena regressar a algum pessimismo coincidente com algumas ideias da direita tradicional. Scruton dá-nos razões para pensar que o optimismo desenfreado pode não constituir a saída mais adequada para os problemas políticos que assistimos hoje em dia. Dá que pensar.





 William Rowe, Introdução à filosofia da religião, Verbo, Tradução de Vitor Guerreiro

Numa boa tradução esta edição é muito significativa já que, até à data, não dispúnhamos de qualquer boa edição contemporânea de introdução à filosofia da religião. O livro é de leitura acessível, sem perder pitada de rigor, o que significa que é acessível mesmo a quem não tem formação em filosofia. E trata de problemas que interessa a qualquer ser humano expondo os argumentos principais e respectivas objecções. Isto para além de ser uma leitura que permanentemente questiona o leitor e coloca as suas crenças à prova.







 Desidério Murcho, Filosofia em Directo, FMFS

O ano de 2011 arrancou em Janeiro logo com uma edição de filosofia escrita em português do nosso colega e amigo Desidério Murcho. Pela primeira vez entramos numa cadeia de super mercados (do grupo da Fundação que publicou este ensaio e que também fez a distribuição do livro a par com as livrarias tradicionais) e deparamo-nos com um livro com o nome Filosofia em Directo. E de facto é nisso que consiste a proposta de Desidério neste pequeno grande livro, um contacto directo com as questões filosóficas contemporâneas.






 Desidério Murcho, 7 ideias filosóficas, Bizâncio

Um pouco na continuação de Filosofia em Directo, 7 Ideias filosóficas pega em algumas máximas famosas da filosofia e lança o mote para o desafio de pensar filosoficamente pela própria cabeça. De salientar a escrita do autor que está cada vez mais clara, cada vez mais apurada. Um bom livro de filosofia que pode servir de referência em qualquer contexto onde se faça filosofia. E um livro de um dos autores mais produtivos na filosofia em língua portuguesa.




 Susan Wolf, O sentido da vida, Bizâncio, Trad. Desidério Murcho

A ideia que passa na maioria dos cursos de filosofia em Portugal sobre a filosofia da existência, muitas das vezes reduz-se a escritos de Heidegger e Sartre. Mas há mais, muito mais para estudar nessa área da filosofia. E este livro é uma boa porta de entrada à discussão contemporânea desses problemas, indo mais além do que os lugares comuns da Universidade Portuguesa.






 Colin McGinn, O carácter da mente, Gradiva, Tradutor Fernanda O`Brian

Um dos principais textos introdutórios a esta área da filosofia, a filosofia da mente, agora disponível numa boa tradução. McGinn é um filósofo já com dois ou três livros traduzidos e um dos filósofos vivos mais apetecíveis do nosso tempo.






 Peter Singer, A vida que podemos salvar, Gradiva, Tradutor Vitor Guerreiro


Creio que Peter Singer dispensa apresentações. É na minha opinião – e de muitos – um filósofo notável, com uma invulgar mas desejável capacidade de nos deixar a filosofar sem que nos demos conta de que estamos a fazê-lo. Neste livro Singer dá-nos algumas razões para pensar que temos a obrigação moral de ajudar os povos mais pobres. Este livro deu, em Portugal, origem a uma página no Facebook, com centenas de amigos, com o nome do Livro.





 Bem Dupré, 50 ideias de filosofia que precisa mesmo de saber, D. Quixote, Tradutor. Jorge Pereirinha Pires

Este foi talvez o melhor livro que conheci de divulgação de  filosofia traduzido em 2011 que dá uma ideia correcta do que se faz nas mais diversas áreas da filosofia. Pertence a uma colecção que está a ser publicada pela D. Quixote e trata-se de uma pequena obra que se recomenda como mini enciclopédia de filosofia. Nota-se um ou outro atropelo na tradução que enganará o leitor desprevenido.






 Michael Sandel, Justiça, fazemos o que devemos?, Presença, Tradutor: Ana Cristina Pais

Este livro poderia aparecer logo no topo. É simplesmente o livro que mais gostei de ler de filosofia em 2011. Justiça é a compilação das aulas de Sandel em Harvard, onde lecciona. É extraordinário como se pode escrever filosofia deste modo. Aconselho vivamente a ler o capítulo sobre Kant e descobrir como é que se pode explicar Kant, um autor complexo, de um modo impecável, sem qualquer tropeção. É um livro de filosofia claramente acima da média.




A. C. Grayling, O livro dos livros, uma Biblia humanista, Lua de Papel. Tradutores: Ana Filipa Vieira, Carlos Leone, Joana Custódia Jacinto, Rosa Maria Fina e Rosalinda Rodrigues da Silva. 

Não é bem um livro de filosofia, mas uma Bíblia alternativa à Bíblia da revelação. Trata-se de uma Bíblia dirigida ao raciocínio e não à revelação ou à fé. O texto é disposto tal como na Bíblia, em duas colunas. Mas é um livro dirigido ao grande público e a pessoas que gostam de pensar activamente. 

Collins de borla

Um dos melhores dicionários de língua inglesa está agora inteiramente disponível online, gratuitamente: o Collins. Senhor de definições claras e rigorosas, é um modelo de dicionário. Além disso, inclui nomes próprios, o que faz dele uma pequena enciclopédia.

Dicker sobre Kant

Acabo de publicar aqui a recensão de Pedro Merlussi ao livro Kant's Theory of Knowledge, de Georges Dicker.

23 de dezembro de 2011

O Desafio de Singer

Os argumentos de Singer:
  1. A capacidade de sofrer (experimentar prazer e dor) é a base para o tratamento igual em uma comunidade moral.
  2. É garantido tratamento igual a alguém somente no caso do seu bem-estar contar igualmente para os outros independentemente de “como são ou que capacidades têm”, embora a forma assumida pelo nosso tratamento possa “variar de acordo com as características de quem é afetado”.
  3. Animais não-humanos têm a capacidade de sofrer.
  4. Logo, o bem-estar dos animais não-humanos deve contar igualmente para o bem-estar dos humanos.
  5. Logo, devemos fazer tanto esforço para evitar causar dor e sofrimento em animais não-humanos, como fazemos para evitar dor e sofrimento em humanos, levando em consideração os diferentes modos como podem sofrer os seres sencientes.
  6. Logo, “devemos fazer mudanças radicais em nosso tratamento dos animais que envolveria nossa dieta, os métodos de pecuária que usamos, procedimentos experimentais em várias áreas da ciência, nossa abordagem à vida selvagem e caça, armadilhas e a vestimenta de peles, e áreas de entretenimento como circos, rodeios e zoológicos.”
O Desafio de Singer: Você é capaz de encontrar alguma característica que todos os humanos têm e nenhum não-humano tem de forma a garantir a colocação dos humanos no interior da comunidade moral e os não-humanos fora dela, ou que nos permita considerar o sofrimento humano moralmente mais importante do que o sofrimento não humano?

Fonte: Haslanger, Sally. 24.02 Moral Problems and the Good Life, Fall 2008. (Massachusetts Institute of Technology: MIT OpenCourseWare), http://ocw.mit.edu (Accessed 23 Dec, 2011).

22 de dezembro de 2011

Libertação Animal



Desde o ano passado está disponível Libertação Animal (Martins Fontes, 2010, 488 pp.) de Peter Singer, traduzido por Marcelo Brandão Cipolla e Marly Winckler. A tradução é baseada na edição mais recente de Animal Liberation, de 2009, e contém um prefácio do próprio Singer escrito exclusivamente para a edição brasileira. O primeiro capítulo pode ser lido aqui.

Mente e materialismo

Acabo de publicar aqui a recensão de Bruno Angeli Faez do livro Psicologia e Neurociência, de Saulo de Freitas Araújo.

História da metafísica moderna

A CUP acaba de publicar The Evolution of Modern Metaphysics, de A. W. Moore. Incluindo Descartes, Espinosa, Leibniz, Hume, Kant, Fichte, Hegel, Frege Wittgenstein, Carnap, Quine, David Lewis, Dummett, Nietzsche, Bergson, Husserl, Heidegger, Collingwood, Derrida e Deleuze, será certamente uma leitura crucial para qualquer pessoa genuinamente interessada em metafísica.

20 de dezembro de 2011

Quine em português


Acabo de saber da publicação de De um ponto de vista lógico (262 pp.) de W. V. O. Quine (1908-2000) pela Editora Unesp. Não tive ainda acesso à edição, mas a julgar pelas publicações anteriores da mesma editora, é de se esperar um bom acabamento gráfico. Quanto à tradução, a editora não disponibilizou quaisquer excertos e nem mesmo o nome do tradutor; é uma pena!

16 de dezembro de 2011

15 de dezembro de 2011

O livro dos livros



Está nas bancas das livrarias portuguesas o mais recente livro do filósofo A. C. Grayling, intitulado O Livro dos Livros: Uma Bíblia Humanista (que no original é The Good Book: A Secular Bible), traduzido para a editora Lua de Papel. 

Trata-se de um livro diferente de todos os outros que Grayling escreveu, tendo levado mais de uma década a trabalhar nele. A ideia é apresentar uma espécie de alternativa humanista à Bíblia, na qual Grayling reúne algumas das melhores e mais inspiradoras ideias colhidas em mais de um milhar de livros escritos ao longo de 2500 anos. Daí o título português.

São quase 700 páginas, com duas colunas por página e 14 livros divididos em capítulos e versículos. Os livros são os seguintes: 1. Génesis, 2. Sabedoria, 3. Parábolas, 4. Concórdia, 5. Lamentações, 6. Consolações, 7. Sábios, 8. Canções, 9. Histórias, 10. Provérbios, 11. O Legislador, 12. Actos, 13. Epístolas e 14. O Bem.

Penso que A. C. Grayling dispensa apresentações, mesmo para o público português. E parece estar confirmado que será o convidado principal do próximo Encontro Nacional de Professores de Filosofia, a realizar em Lisboa em 2012.

Para quem gosta de oferecer livros no Natal, talvez este seja o livro ideal.


Carl Sagan

A cura para um argumento falacioso é um argumento melhor, e não a supressão de ideias.

11 de dezembro de 2011

Reabilitar a metafísica

Foto: Aires Almeida

É bem conhecida a intenção de Kant em reabilitar a metafísica que, em seu entender, estava enredada em disputas e discórdias intermináveis. Mas se a intenção de Kant era curar a metafísica das maleitas que tinha contraído, a cura não foi melhor. Deu-lhe um tal tratamento, que acabou por a deixar de quarentena durante tempo mais do que suficiente, entregando os seus pertences à razão prática. E foi assim que quase acabou por matá-la de solidão. Como é compreensível, a solidão doentia é propícia ao delírio. Deste modo, Kant entregou a metafísica que queria reabilitar no regaço dos delírios idealistas que ele mesmo despertou.

Com poucas excepções, a metafísica pós-kantiana acabou por se render à epistemologia ou aos devaneios idealistas ou a ambos. E chegou tão maltratada ao séc. XX que se tornou quase irreconhecível (basta ver o que os positivistas lógicos pensavam ser a metafísica). Foi assim que muitos concluíram que os problemas do livre-arbítrio, da existência de Deus, do sentido da vida, mas também da identidade através do tempo, dos universais, da causalidade ou da modalidade nem sequer mereciam ser discutidos. Pensavam que nem sequer cabia à filosofia discuti-los.

Felizmente, as coisas são agora muito diferentes e a metafísica acabou por ser filosoficamente reabilitada por filósofos como Saul Kripke, David Lewis, David Armstrong e Alvin Plantinga, entre muitos outros. Sem esquecer o resistente Bertrand Russell. Agora sim, podemos dizer que a metafísica recuperou uma tradição que, desde Platão e Aristóteles (sobretudo este), passando pelos medievais, tinha sido interrompida e cedido o seu lugar à epistemologia, em grande parte graças a Kant.

Como alguém de que não me recordo disse: ainda que nos esqueçamos da metafísica, a metafísica não se esquece de nós. A metafísica vem sempre ao de cima.

10 de dezembro de 2011

Como não justificar a filosofia

Este é o título do meu artigo de opinião, que acabo de publicar aqui. E o que pensa o leitor?

8 de dezembro de 2011

Filosofia e argumentos de autoridade

Foto: Aires Almeida

Não é raro vermos estudantes de filosofia ou candidatos a filósofos usarem expressões do tipo «como mostrou Nietzsche», «como sabemos desde Kant» ou «Hume ensinou-nos que». Expressões como estas revelam, contudo, uma forma falaciosa de raciocínio, pelo que devem ser evitadas quando se discutem questões filosóficas. 

O raciocínio subjacente a expressões como estas tem a forma do argumento de autoridade: fulano diz que P, logo PNeste caso, a autoridade a que se apela é algum reputado filósofo. Mas, como é sabido, nem sempre os apelos à autoridade são bons argumentos. Por vezes, como é aqui o caso, trata-se de apelos falaciosos à autoridade. Porquê?

Não porque a autoridade invocada não seja especialista na área nem porque não seja reconhecido como tal pelos seus pares. E também não é porque o especialista em causa tenha fortes interesses pessoais no que está a ser afirmado. Nada disso acontece aqui. 

Mas há ainda outra condição que tem de ser satisfeita para um argumento de autoridade ser bom: que os especialistas na matéria não discordem significativamente entre si. Ora, se há coisa que sabemos é que não há matérias filosóficas substanciais sobre as quais os filósofos não discordem significativamente entre si. 

Assim, quando usamos argumentos desse tipo em filosofia, estamos a apelar falaciosamente à autoridade. Até pode ser verdade que Kant disse que não se pode provar a existência de Deus. Mas daí não se segue que Kant mostrou que a existência de Deus não pode ser provada. Mesmo que ela não possa, efectivamente, ser provada.  

Podemos, contudo, interpretar caridosamente expressões como as referidas atrás. Numa interpretação caridosa, o que a pessoa que afirma «Como Nietzsche mostrou, não há factos, apenas interpretações» quer dizer é simplesmente que concorda com a ideia de Nietzsche de que não há factos, mas apenas interpretações. Só que esta é uma maneira muito enganadora de exprimir a sua concordância.

5 de dezembro de 2011

Cidadãos iluminados

Neo-realismo serôdio by AiresAlmeida
Neo-realismo serôdio, a photo by AiresAlmeida on Flickr.

Não são poucos aqueles que reclamam uma educação para a cidadania e para os valores nas nossas escolas. Ao que parece, trata-se de uma educação que seja capaz de formar cidadãos responsáveis, críticos e solidários. 

O que me deixa curioso é saber como essas pessoas que querem agora uma educação para a cidadania e para os valores conseguiram tornar-se eles próprios cidadãos responsáveis, a ponto de se baterem por uma educação para a cidadania. 

Será que estão a falar, afinal, de uma educação como aquela que tiveram nas suas escolas? Ou será que eles se tornaram cidadãos críticos e responsáveis apesar da escola que frequentaram?

1 de dezembro de 2011

David Deutsch

David Deutsch lançou em Março um novo livro, The Begining of Infinity: Explanations that Transform the World que prossegue o trabalho já presente em The Fabric of Reality  (1997). Na Crítica temos aqui a minha tradução da sua comunicação TED, que podemos ver abaixo.

Deutsch é professor na Universidade de Oxford, e deu contributos cruciais para a teoria da computação quântica. Cientista de formação, os seus livros são não apenas abrangentes -- incluindo a filosofia -- como constituem uma excepção entre cientistas, pela reflexão profunda e lúcida sobre a natureza da ciência, da teorização e do que é compreender melhor a realidade. Afastando-se dos convencionalismos, idealismos e instrumentalismos que andam associados ao empirismo, constitui uma lufada de ar fresco para quem tem fortes intuições realistas, como eu, e para quem desconfia que há algo de profundamente errado na mundividência empirista. Aconselho vivamente a leitura de ambos os livros; e não sou o único professor de filosofia a fazê-lo: David Albert faz o mesmo aqui.

Comprei The Fabric of Reality depois de ter visto e traduzido a palestra TED abaixo, mas quando recebi o livro fiquei decepcionado: saltei para um capítulo escrito sob a forma de diálogo com o título "A Conversation about Justification" que apresenta e defende a posição de Popper segundo a qual a indução não tem qualquer papel na ciência. Isto deixou-me uma péssima impressão, porque as ideias de Popper sobre a indução me parecem não apenas erradas, mas tolas. Contudo, fiz mal em abandonar o livro devido a esse capítulo. Meses depois voltei ao livro,  comecei pelo capítulo 1, e fiquei de novo fascinado: David Deutsch é excelente, inovador, inteligente e subtil. Infelizmente, está profundamente errado quanto à indução e quanto à justificação, mas não só tem razão quanto a muitas outras coisas, como os seus livros constituem leituras cativantes que em muito alargam a nossa compreensão das coisas. Recomendo vivamente estes seus dois livros.