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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2011

Não há bom ensino com maus programas

Acabo de publicar aqui este artigo de Aires Almeida. E o que pensa o leitor?

O anti-racista racista

Será possível ser racista quando pensamos que somos anti-racistas? Defendo aqui que sim, mas o leitor talvez não concorde.

As edições de 2011

Qualquer escolha dos livros mais significativos do ano começa por ser algo subjectiva. Digo “algo” e não “totalmente” pois há livros que são de importância decisiva para qualquer boa escolha. Assim, se escolher o livro de Ben Dupré na minha lista pode depender mais das minhas opções particulares no que respeita à divulgação e estudo da filosofia, o mesmo julgo não acontecer com edições como as de Anthony Kenny, essenciais a qualquer bom estudo que se pretenda fazer de filosofia com livros traduzidos ou escritos directamente em língua portuguesa. Em termos de quantidade as coisas são sempre reduzidas já que o nosso diminuto mercado não coloca grandes dilemas sobre o que escolher. Como tenho feito ao longo dos últimos anos, de seguida apresento os livros de filosofia que, no ano 2011, foram publicados em Portugal e que melhor contribuíram para o meu estudo contínuo deste maravilhoso e infindável saber.
Anthony Kenny, Nova História da Filosofia Ocidental, 4 Volumes (Gradiva), Tradutores:…

Collins de borla

Um dos melhores dicionários de língua inglesa está agora inteiramente disponível online, gratuitamente: o Collins. Senhor de definições claras e rigorosas, é um modelo de dicionário. Além disso, inclui nomes próprios, o que faz dele uma pequena enciclopédia.

Dicker sobre Kant

Acabo de publicar aqui a recensão de Pedro Merlussi ao livro Kant's Theory of Knowledge, de Georges Dicker.

O Desafio de Singer

Os argumentos de Singer:A capacidade de sofrer (experimentar prazer e dor) é a base para o tratamento igual em uma comunidade moral.É garantido tratamento igual a alguém somente no caso do seu bem-estar contar igualmente para os outros independentemente de “como são ou que capacidades têm”, embora a forma assumida pelo nosso tratamento possa “variar de acordo com as características de quem é afetado”.Animais não-humanos têm a capacidade de sofrer.Logo, o bem-estar dos animais não-humanos deve contar igualmente para o bem-estar dos humanos.Logo, devemos fazer tanto esforço para evitar causar dor e sofrimento em animais não-humanos, como fazemos para evitar dor e sofrimento em humanos, levando em consideração os diferentes modos como podem sofrer os seres sencientes.Logo, “devemos fazer mudanças radicais em nosso tratamento dos animais que envolveria nossa dieta, os métodos de pecuária que usamos, procedimentos experimentais em várias áreas da ciência, nossa abordagem à vida selvage…

Libertação Animal

Desde o ano passado está disponível Libertação Animal (Martins Fontes, 2010, 488 pp.) de Peter Singer, traduzido por Marcelo Brandão Cipolla e Marly Winckler. A tradução é baseada na edição mais recente de Animal Liberation, de 2009, e contém um prefácio do próprio Singer escrito exclusivamente para a edição brasileira. O primeiro capítulo pode ser lido aqui.

Mente e materialismo

Acabo de publicar aqui a recensão de Bruno Angeli Faez do livro Psicologia e Neurociência, de Saulo de Freitas Araújo.

História da metafísica moderna

A CUP acaba de publicar The Evolution of Modern Metaphysics, de A. W. Moore. Incluindo Descartes, Espinosa, Leibniz, Hume, Kant, Fichte, Hegel, Frege Wittgenstein, Carnap, Quine, David Lewis, Dummett, Nietzsche, Bergson, Husserl, Heidegger, Collingwood, Derrida e Deleuze, será certamente uma leitura crucial para qualquer pessoa genuinamente interessada em metafísica.

Quine em português

Acabo de saber da publicação de De um ponto de vista lógico (262 pp.) de W. V. O. Quine (1908-2000) pela Editora Unesp. Não tive ainda acesso à edição, mas a julgar pelas publicações anteriores da mesma editora, é de se esperar um bom acabamento gráfico. Quanto à tradução, a editora não disponibilizou quaisquer excertos e nem mesmo o nome do tradutor; é uma pena!

A tradição socrática na sala de aula

Acabo de publicar aqui a dissertação de mestrado de Domingos Faria.

O livro dos livros

Está nas bancas das livrarias portuguesas o mais recente livro do filósofo A. C. Grayling, intitulado O Livro dos Livros: Uma Bíblia Humanista (que no original é The Good Book: A Secular Bible), traduzido para a editora Lua de Papel. 
Trata-se de um livro diferente de todos os outros que Grayling escreveu, tendo levado mais de uma década a trabalhar nele. A ideia é apresentar uma espécie de alternativa humanista à Bíblia, na qual Grayling reúne algumas das melhores e mais inspiradoras ideias colhidas em mais de um milhar de livros escritos ao longo de 2500 anos. Daí o título português.
São quase 700 páginas, com duas colunas por página e 14 livros divididos em capítulos e versículos. Os livros são os seguintes: 1. Génesis, 2. Sabedoria, 3. Parábolas, 4. Concórdia, 5. Lamentações, 6. Consolações, 7. Sábios, 8. Canções, 9. Histórias, 10. Provérbios, 11. O Legislador, 12. Actos, 13. Epístolas e 14. O Bem.
Penso que A. C. Grayling dispensa apresentações, mesmo para o público português. E par…

Reabilitar a metafísica

Foto: Aires Almeida
É bem conhecida a intenção de Kant em reabilitar a metafísica que, em seu entender, estava enredada em disputas e discórdias intermináveis. Mas se a intenção de Kant era curar a metafísica das maleitas que tinha contraído, a cura não foi melhor. Deu-lhe um tal tratamento, que acabou por a deixar de quarentena durante tempo mais do que suficiente, entregando os seus pertences à razão prática. E foi assim que quase acabou por matá-la de solidão. Como é compreensível, a solidão doentia é propícia ao delírio. Deste modo, Kant entregou a metafísica que queria reabilitar no regaço dos delírios idealistas que ele mesmo despertou.
Com poucas excepções, a metafísica pós-kantiana acabou por se render à epistemologia ou aos devaneios idealistas ou a ambos. E chegou tão maltratada ao séc. XX que se tornou quase irreconhecível (basta ver o que os positivistas lógicos pensavam ser a metafísica). Foi assim que muitos concluíram que os problemas do livre-arbítrio, da existência de…

Como não justificar a filosofia

Este é o título do meu artigo de opinião, que acabo de publicar aqui. E o que pensa o leitor?

Filosofia e argumentos de autoridade

Foto: Aires Almeida
Não é raro vermos estudantes de filosofia ou candidatos a filósofos usarem expressões do tipo «como mostrou Nietzsche», «como sabemos desde Kant» ou «Hume ensinou-nos que». Expressões como estas revelam, contudo, uma forma falaciosa de raciocínio, pelo que devem ser evitadas quando se discutem questões filosóficas. 
O raciocínio subjacente a expressões como estas tem a forma do argumento de autoridade: fulano diz que P, logo P. Neste caso, a autoridade a que se apela é algum reputado filósofo. Mas, como é sabido, nem sempre os apelos à autoridade são bons argumentos. Por vezes, como é aqui o caso, trata-se de apelos falaciosos à autoridade. Porquê?
Não porque a autoridade invocada não seja especialista na área nem porque não seja reconhecido como tal pelos seus pares. E também não é porque o especialista em causa tenha fortes interesses pessoais no que está a ser afirmado. Nada disso acontece aqui. 
Mas há ainda outra condição que tem de ser satisfeita para um argument…

Cidadãos iluminados

Neo-realismo serôdio, a photo by AiresAlmeida on Flickr.
Não são poucos aqueles que reclamam uma educação para a cidadania e para os valores nas nossas escolas. Ao que parece, trata-se de uma educação que seja capaz de formar cidadãos responsáveis, críticos e solidários. 
O que me deixa curioso é saber como essas pessoas que querem agora uma educação para a cidadania e para os valores conseguiram tornar-se eles próprios cidadãos responsáveis, a ponto de se baterem por uma educação para a cidadania. 
Será que estão a falar, afinal, de uma educação como aquela que tiveram nas suas escolas? Ou será que eles se tornaram cidadãos críticos e responsáveis apesar da escola que frequentaram?

David Deutsch

David Deutsch lançou em Março um novo livro, The Begining of Infinity: Explanations that Transform the World que prossegue o trabalho já presente em The Fabric of Reality  (1997). Na Crítica temos aqui a minha tradução da sua comunicação TED, que podemos ver abaixo.

Deutsch é professor na Universidade de Oxford, e deu contributos cruciais para a teoria da computação quântica. Cientista de formação, os seus livros são não apenas abrangentes -- incluindo a filosofia -- como constituem uma excepção entre cientistas, pela reflexão profunda e lúcida sobre a natureza da ciência, da teorização e do que é compreender melhor a realidade. Afastando-se dos convencionalismos, idealismos e instrumentalismos que andam associados ao empirismo, constitui uma lufada de ar fresco para quem tem fortes intuições realistas, como eu, e para quem desconfia que há algo de profundamente errado na mundividência empirista. Aconselho vivamente a leitura de ambos os livros; e não sou o único professor de filosofi…