31 de janeiro de 2011

Frankfurt e o compatibilismo


Luiz Helvécio Marques Segundo argumenta aqui que Frankfurt não foi bem-sucedido na sua inovadora defesa do compatibilismo. E o que pensa o leitor?

29 de janeiro de 2011

Edmund Burke

Se uma investigação cuidadosa não nos conduzir por fim à descoberta da verdade, pode satisfazer um objectivo porventura igualmente útil, ao revelar-nos a fraqueza da nossa própria compreensão. Se não nos torna sapientes, pode tornar-nos modestos. Se não nos protege do erro, pelo menos pode proteger-nos do espírito do erro, e pode dissuadir-nos de fazer afirmações peremptórias ou apressadas, quando tanto trabalho pode acabar em tanta incerteza.

28 de janeiro de 2011

Filosofia em directo


O meu livro está já disponível nas livrarias: a edição de capa dura (5 euros, 4.50 euros com desconto) e capa mole (3.50 euros, 3.15 euros com desconto). Mais informação sobre o livro aqui.

19 de janeiro de 2011

John Rawls

Sendo as virtudes primeiras da actividade humana, a verdade e a justiça não podem ser objecto de qualquer compromisso.

Nietzsche e Clark Kent


Nietzsche é dos poucos filósofos que, como acontece com as estrelas de rock e de cinema, poderia dar-se ao luxo de ter clube de fans. As afirmações bombásticas e radicais, a impaciência para a argumentação cuidadosa e a loucura dão-lhe um ar de espectacularidade que, em grande parte, explicam a adesão quase incondicional e imediata de muitos que procuram sobretudo emoções fortes na filosofia. 

Esta relação quase emocional com a filosofia de Nietzsche costuma ter como consequência impedir que se estude cuidadosamente a sua obra e se avaliem criticamente as suas ideias, procurando distinguir o que é filosoficamente interessante do que o é menos. Em vez disso, a vulgata apologética e o lugar comum acrítico tornam-se moeda corrente. É o que, provavelmente, sucede com a tão badalada ideia nietzscheana do super-homem (Übermensch). O filósofo Brian Leiter, que é também um dos mais destacados estudiosos da obra de Nietzsche (daqueles que o estudam de forma crítica e desapaixonada), considera precisamente que a ideia do super-homem não só não é uma ideia central e estruturante do pensamento de Nietzsche, como defende nem sequer ter grande importância. Leiter, autor deste excelente blogue sobre Nietzsche, faz notar que, em toda a obra de Nietzsche, o Übermensch apenas é referido no prólogo de Assim Falava Zaratustra - livro que Leiter considera ser dos menos representativos - em termos filosóficos, embora não em termos literários - do pensamento do seu autor. 

Outra das noções que Leiter diz ter pouca importância é a noção de vontade de poder, que muito raramente aparece nos livros publicados em vida por Nietzsche. Tudo isto pode ser confirmado na curta entrevista que Leiter deu a Nigel Warburton para a excelente série Philosophy Bites.     

17 de janeiro de 2011

A religião de Darwin


Acabo de publicar aqui a habitual crónica semanal, desta vez sobre Grandes Questões: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

14 de janeiro de 2011

O companheiro de Platão em português


Acabo de ter conhecimento da edição brasileira, pela mão da Artmed, do Companion to Plato, dir. Hugh H. Benson, originalmente publicado pela Wiley-Blackwell na série Blackwell Companions to Philosophy. A obra reúne 29 artigos originais sobre Platão, de vários autores, dos quais se destacam Christopher Shields, A. A. Long (que por lapso surge apenas como A. Long!), Nicholas White, C. D. C. Reeve, Michael J. White, David Sedley, Charles Kahn, Gareth B. Matthews e Mary Margaret McCabe: a fina-flor dos especialistas em Platão. O livro está dividido em seis partes. A primeira, com quatro artigos, trata do método platónico e da forma do diálogo. A segunda, também com quatro artigos, trata da epistemologia platónica. A terceira é dedicada à metafísica de Platão e conta com seis artigos. A quarta parte tem quatro artigos dedicados à psicologia de Platão, e a quinta cinco artigos sobre a ética, a política e a estética de Platão. Finalmente, a sexta e última parte tem apenas três artigos dedicados ao legado platónico. Todas estas partes são antecedidas de três estudos sobre a vida de Platão, o problema da interpretação deste filósofo, e da interpretação de Sócrates.

A tradução brasileira é de Marco Antonio de Ávila Zingano, da Universidade de São Paulo. Infelizmente, fiquei mal impressionado com a tradução. Vejamos apenas um caso. No original lemos o seguinte, na página 103:
According to the picture we have of Socrates from the early Planotic dialogues, Socrates believed that recognizing a certain ignorance in himself was a form of wisdom, in fact a form of wisdom that otherwise inteligent people seem to lack. But what kind of ignorance? And what form of wisdom? As the considerable commentary on Socratic ignorance so eloquently testifies, it is difficult to be clear about 1) what exactly Socrates thought he did not know that, as he says, other people around him mistakenly thought they did know.
Uma tradução correcta deste trecho, ainda que exista sempre mais de uma tradução correcta, seria algo como o seguinte:
Segundo a imagem de Sócrates que nos é dada nos primeiros diálogos platónicos, Sócrates acreditava que reconhecer uma certa ignorância nele mesmo era uma forma de sabedoria, de facto, uma forma de sabedoria que pessoas que, noutros aspectos, eram inteligentes pareciam não ter. Mas que tipo de ignorância? E que forma de sabedoria? Como os consideráveis comentários sobre a ignorância socrática evidenciam tão eloquentemente, é difícil ver claramente 1) o que Sócrates pensava que não sabia e que, como afirma, as outras pessoas em seu redor erradamente pensavam que sabiam.
Na tradução publicada podemos ler:
Segundo o quadro que temos de Sócrates com base nos primeiros diálogos platônicos, ele acreditava que reconhecer um tipo de ignorância em si mesmo era uma forma de sabedoria, na verdade uma forma de sabedoria que pessoas inteligentes em outros campos pareciam não ter. Porém, que tipo de ignorância? E que tipo de sabedoria? Como prova tão eloquente o considerável comentário sobre a ignorância socrática, não é fácil ter clareza sobre 1) o que exatamente Sócrates pensava que não sabia que, como ele diz, outras pessoas em seu entorno pensava enganosamente que sabiam. 
Encontrei várias outras passagens assim: claras e directas no original, mas que custam a compreender na tradução -- e que muitas vezes não é possível entender, como nesta passagem a parte sobre a "prova tão eloquente", além da imprecisão de traduzir indiferentemente "kind" e "form" por tipo, e "picture" por quadro. De modo que não posso recomendar esta edição a quem dominar o inglês. Mas como infelizmente a maior parte dos alunos não lêem uma linha de inglês, é uma boa notícia que possam agora (tres)ler esta importante obra.

12 de janeiro de 2011

Arthur Schopenhauer


Usar o anonimato para atacar pessoas que não escreveram anonimamente é evidentemente desonroso. Um crítico anônimo é um sujeito que não quer assumir o que diz ou o que deixa de dizer ao mundo acerca dos outros e de seus trabalhos, por isso não assina. (A Arte de Escrever, L&PM Editores, p.75)

10 de janeiro de 2011

Epicuro

Um homem não pode livrar-se do seu medo relativo às coisas mais importantes se não souber qual é a natureza do universo, suspeitando antes que uma história mítica é verdadeira. De modo que sem ciência natural não é possível alcançar na perfeição os nossos prazeres.

John Perry

Mesmo que um feto seja uma pessoa, mesmo que matá-lo seja um homicídio, pode ser algo que uma mulher tem o direito de fazer. O homicídio pode ser justificado em autodefesa, ou na guerra, e talvez se justifique quando uma pessoa passou a residir dentro de si. 

9 de janeiro de 2011

Destruir arte


Haverá algo de errado em destruir obras de arte? Aires Almeida argumenta aqui que nem sempre, mas o leitor concorda?