31 de março de 2011

Zen e a arte de manutenção da filosofia

"O raciocínio não é um instrumento mágico que possa ser usado unicamente para refutar aquelas ideias de que não gostamos. Quando se abre a caixa de Pandora do pensamento crítico, nada fica para lá do seu domínio de aplicação." Isto afirmo eu aqui, mas o leitor poderá não concordar.

28 de março de 2011

Sobre os erros ortográficos

Relembro que os comentários com erros ortográficos sistemáticos serão apagados, mesmo que não sejam de apagar por outras razões. Isto significa que apago alguns comentários que poderiam figurar neste blog. A prática de não acentuar as palavras que o Word não acentua automaticamente é absurda, pois significa que sempre que um verbo e um substantivo se distinguem pela acentuação, perde-se a distinção. Ainda recentemente, no mural do meu departamento, os alunos colocaram um cartaz dizendo algo como "Para quando uma maquina de Xerox?" sem se darem conta de que para quem é quase analfabeto a ponto de não distinguir o verbo maquinar do substantivo máquina não seria despiciendo proibir o acesso a máquinas de Xerox, não vá ele maquinar de modo a encher o mundo com ainda mais lixo ortográfico.

Recordo também mais uma vez que apago os comentários anónimos, mesmo que não tenham erros ortográficos nem outras razões para serem apagados. Do mesmo modo que uma revista académica não aceita artigos anónimos, eu não aceito discussões académicas da parte de quem se oculta, e não estou interessado em discussões frívolas.

Suporte para livros

Acabei de ter conhecimento que já é possível comprar no Brasil suportes para livros, que são muitíssimo úteis. Veja aqui.

Conviver com as diferenças

Acabo de publicar aqui a crónica desta semana. O que pensa o leitor?

27 de março de 2011

O Sentido da Nova Lógica


Já dispomos de uma "nova" edição de "O Sentido da Nova Lógica", de W. O. Quine, lançada em 1996 pela UFPR. Resultado de uma série de conferências ministradas na USP, em 1942, o livro expõe de maneira relativamente introdutória a lógica moderna (que alguns têm por hábito de denominar de clássica) e algumas de suas consequências filosóficas. O livro pode ser comprado aqui.

26 de março de 2011

Curiosidade bibliográfica

 

Quine foi, sem dúvida, um dos mais influentes filósofos da segunda metade do séc. XX e as suas ideias continuam a suscitar discussão. O que talvez muitos não saibam é que um dos primeiros livros de Quine foi originalmente escrito e publicado em português pela velha Martins Editora, de São Paulo. Trata-se do livro O Sentido da Nova Lógica, publicado em 1944, a partir de um conjunto de conferências que Quine foi convidado a dar em 1942 na Escola Livre de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo. Quine, que parece ter sido muito dotado para as línguas, decidiu aprender português, tendo apresentado as referidas conferências na nossa língua. A "nova lógica" referida no título do livro é a lógica desenvolvida por Frege, Russell e Whitehead, entre outros, a que entretanto deixou de fazer sentido chamar "nova".  É curioso referir que a tradução castelhana desta obra de Quine, feita em 1958 a partir do original português, é da responsabilidade de outro destacado filósofo: o argentino Mario Bunge. 

Contra a clonagem

Acabo de publicar o artigo "A Sabedoria da Repugnância", de Leon R. Kass, traduzido por Vítor João Oliveira.

25 de março de 2011

História da filosofia moderna

Acabo de publicar um excerto do terceiro volume da imprescindível Nova História da Filosofia Ocidental, de Sir Anthony Kenny, com tradução de Célia Teixeira.

23 de março de 2011

É preciso mais do que o juramento hipocrático


A ética biomédica é uma sub-área da ética prática que lida com questões associadas com as ciências médicas e a saúde pública: a ética da pesquisa médica em animais humanos e não humanos, a relação médico-paciente, a organização do transplante de órgãos, o racionamento de recursos escarsos da saúde pública, entre outras. "Princípios de Ética Biomédica" de Beauchamp e Childress é uma referência para os interessados nessa área e profissionais da saúde pública em geral. Os autores defendem que uma ética biomédica deve ser justificada com base em quatro princípios: respeito à autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça. Essa proposta enfrenta a objeção de que não são os princípios que orientam a conduta dos agentes morais, mas suas virtudes e caráter. A edição publicada em português é a quarta e precisa ser atualizada: a quinta edição em língua inglesa já contém um novo capítulo e novas respostas aos críticos.


Introdução à edição brasileira
Prefácio à quarta edição

Capítulo 1 - Moralidade e justificação moral
Moralidade e teoria ética
Dilemas morais
Método, justificação e verdade
Especificando e ponderando os princípios
O lugar dos princípios
Conclusão

Capítulo 2 - Tipos de teoria ética
Critérios para a construção da teoria
A teoria baseada nas consequências - o utilitarismo
A teoria baseada na obrigação - o kantismo
A teoria baseada na virtude - a ética do caráter
A teoria baseada nos direitos - o individualismo liberal
A teoria baseada na comunidade - o comunitarismo
Concepções baseadas nos relacionamentos - a ética do cuidar
O raciocínio baseado nos casos - a casuística
As teorias baseadas em princípios e na moralidade comum
As convergências entre as teorias
Conclusão

Capítulo 3 - O respeito à autonomia
O conceito de autonomia
Capacidade e escolha autônoma
O significado e a justificação do consentimento informado
A revelação de informações
Entender as informações
A voluntariedade
Modelos de decisão substituta
Conclusão

Capítulo 4 - Não-maleficência
O conceito de não-maleficência
As distinções tradicionais e as regras de não-tratamento
Tratamentos opcionais e tratamentos obrigatórios
Matar e deixar morrer
A justificação do fornecimento de assistência na morte
Decisões tomadas em nome de pacientes incapazes
Conclusão

Capítulo 5 - Beneficência
O conceito de beneficência
Beneficência ideal e obrigatória
Paternalismo: conflitos entre beneficência e autonomia
Ponderando benefícios, custos e riscos
Atribuindo valores a vidas
Valorizando os anos de vida com qualidade
O processo decisório: quem decide e de que modo?
Restrições da justiça distributiva
Conclusão

Capítulo 6 - Justiça
O conceito de justiça
Teorias da justiça
As teorias liberais
Oportunidade equitativa
O direito a um mínimo digno de assistência médica
A alocação dos recursos da saúde
Racionando por meio da definição de prioridades
Racionando tratamentos escassos para pacientes
Conclusão

Capítulo 7 - O relacionamento entre o profissional e o paciente
Veracidade
Privacidade
Confidencialidade
Fidelidade
O duplo papel de médico e pesquisador
Conclusão

Capítulo 8 - Virtudes e ideais na vida profissional
Quatro virtudes centrais
Conscienciosidade
Ideais morais
Excelência moral
Conclusão

Apêndice
Exposições de casos

Índice Remissivo

Bach, Mutter e Gubaidulina

João Rizek traz-nos aqui uma indicação musical preciosa.

22 de março de 2011

Filosofia da ciência hoje

David Papineau explica neste artigo os rumos mais recentes da filosofia da ciência, com tradução de Luiz Helvécio Marques Segundo.

Michael J. Sandel

Para chegarmos a uma sociedade justa temos de raciocinar juntos sobre o que significa a vida boa, e de criar uma cultura pública que acolha os desacordos que inevitavelmente surgirão.

18 de março de 2011

Filosofia sofisticada e acessível

Filósofos modernos é um livro que pretende demonstrar a relevância da filosofia para os que não estão familiarizados com o assunto. Encontramos aqui as contribuições de doze de alguns dos filósofos mais importantes da terça parte do século vinte: Quine, Rawls, Davidson, Williams, Rorty, Fodor, Nagel, Kripke, Nozick, Parfit, McDowell e Singer. Sim, a lista é controversa, como tudo em filosofia. Enquanto alguns podem reclamar da ausência de David Lewis, outros vão exigir a retirada de McDowell - eu, particularmente, posso viver sem os livros do Rorty. Os filósofos convidados para apresentar as idéias desses autores são os seguintes: A. W. Moore, Thomas Baldwin, Ernie Lepore, Kirk Ludwig, Catherine Wilson, Alan Malachowski, José Luis Bermúdez, Sonia Sedivy, Alexander Bird, A. R. Lacey, Jacob Ross, Marie McGinn e Lori Gruen. A apresentação desses filósofos é clara e direta: não é um livro só para iniciados.

17 de março de 2011

16 de março de 2011

Justificando a liberdade política

Agora temos em português "A Moralidade da Liberdade", de Joseph Raz, livro que é considerado por alguns como um dos mais importantes de filosofia política desde o clássico "Uma Teoria da Justiça", de John Rawls. O livro é uma defesa sofisticada do liberalismo político e uma contribuição relevante para uma série de problemas de ética, filosofia política e filosofia do direito tais como a justificação da autoridade política, a neutralidade política, a natureza dos direitos, deveres, interesses, igualitarianismo, perfeccionismo, consequencialismo e incomensurabilidade de valores. Assim como Rawls pretendeu fundamentar as aspirações do liberalismo político em uma teoria da justiça, Joseph Raz pretende o mesmo a partir de uma teoria da autonomia. A autonomia, defende Raz, é um bem imprescindível para qualquer vida satisfatória e por isso não deve ser violada ou invadida sob qualquer pretexto. Pelo contrário, as autoridades têm o dever de assegurar que tenhamos vidas autônomas. Mais do que isso, todas as pessoas têm o dever de promover condições que permitam que outras pessoas tenham vidas autônomas. A editora Elsevier está de parabéns pela edição do livro!

Antologia de filosofia da ciência


Acabo de publicar a recensão de Luiz Helvécio Marques Segundo da antologia The Philosophy of Science, organizada por David Papineau.

15 de março de 2011

Como matar de maneira ética


Os filósofos que trabalham com ética prática no Brasil não podem reclamar: a área tem crescido vertiginosamente nos últimos anos e o reconhecimento da sua relevância junto ao público é de fazer inveja aos filósofos das outras áreas. Atenta a essa demanda crescente, a editora Artmed acaba de publicar "A ética no ato de matar - Problemas às margens da vida", de Jeff McMahan. O livro é a referência mais completa sobre a ética de matar e aborda a moralidade de matar indivíduos cuja condição moral é incerta: animais, fetos e embriões humanos, bebês anencefálicos, seres humanos que sofreram danos cerebrais graves, seres humanos com retardo mental congênito e grave, seres humanos em coma irreversível. O livro é dividido da seguinte maneira:


Unidade 1 - Identidade
Capítulo 1. Preliminares
Capítulo 2. A Alma
Capítulo 3. Somos Organismos Humanos?
Capítulo 4. A abordagem psicológica
Capítulo 5. A abordagem que advoga a mente incorporada

Unidade 2 - A morte
Capítulo 1. Preliminares
Capítulo 2. O problema da comparação
Capítulo 3. O problema metafísico
Capítulo 4. O problema da sobredeterminação
Capítulo 5. A fortuna vitalícia global
Capítulo 6. As mortes de fetos e bebês
Capítulo 7. Um paradoxo

Unidade 3 - O ato de matar
Capítulo 1. O que há de errado em matar e o que há de ruim na morte
Capítulo 2. Animais e seres humanos com graves deficiências cognitivas
Capítulo 3. A igualdade e o respeito

Unidade 4 - Começos
Capítulo 1. O aborto precoce
Capítulo 2. O aborto tardio
Capítulo 3. O dano pré natal
Capítulo 4. Será pior um aborto tardio?
Capítulo 5. Os interesses temporalizados e a adaptação
Capítulo 6. O potencial
Capítulo 7. A santidade da vida humana
Capítulo 8. O infanticídio
Capítulo 9. O aborto como a negação do suporte vital
Capítulo 10. O aborto e a autodefesa

Unidade 5 - Fins
Capítulo 1. Quando morremos ou quando deixamos de existir?
Capítulo 2. A eutanásia e o suicídio com assistência
Capítulo 3. O desaparecimento do eu

Referências
Índice de casos
Índice

Filosofia e ensino em 1962

A escola onde lecciono tem uma história muito rica. Como seria de esperar um local a visitar é a sua biblioteca. Obviamente a minha biblioteca particular é muito mais rica em referências contemporâneas de filosofia. Mas vale a pena vasculhar o baú da biblioteca da escola. Hoje, por acaso, encontrei um manual de filosofia datado de 1962. Disponho de um prazo apertado para requisição desta obra dado tratar-se de um livro a preservar pela escola, pelo que ainda não li como devia partes deste livro, mas a primeira impressão que tenho é curiosa. Este livro datado de 1962 consegue, mesmo com alguma limitações notórias, ser melhor para ensinar filosofia que a esmagadora maioria dos manuais de que dispomos hoje em dia. Ao folhear o índice deste manual percebemos quase imediatamente que está organizado por problemas da filosofia e não por autores. A parte consagrada à lógica e ao que se chamava metodologia ocupa cerca de 250 páginas , mais de metade da totalidade do livro, o que não deixa de ser espantoso se compararmos que a lógica ocupa hoje em dia uma parte muito pequena do programa da disciplina e é até muito mal vista por muitos professores de filosofia. Uma das áreas com destaque no livro é a metafísica e, dentro dela, o problema da possibilidade do conhecimento. O cepticismo ocupa também um lugar de algum destaque, ao passo que hoje em dia ensinamos filosofia do conhecimento sem praticamente abordar o cepticismo. O livro apresenta ainda um capítulo daquilo que poderíamos hoje chamar filosofia da mente, inexistente nos programas actuais de filosofia. Esse capítulo chama-se “Psicologia racional” e aborda, entre outros problemas, o do dualismo mente-corpo (ali aparece como alma-corpo). Mesmo que em pouco tempo me tenha apercebido de alguns erros elementares, como o das definições de dedução e indução, ainda assim é um manual concentrado nos problemas da filosofia. Falta-lhe uma bibliografia que me mostraria se o manual não é apenas uma tradução de obras estrangeiras. Mas seja lá o que for, arrisco sem grandes margens de falhanço que o livro é mais competente para ensinar filosofia que a maioria dos livros do secundário de que dispomos actualmente, mais infectados pela sociologia do que pela filosofia. Fiquei mesmo com vontade de ler cuidadosamente este volume para perceber o quanto tem mudado a forma como encaramos o ensino da nossa disciplina. 

Fazendo um check-up nas idéias

Ganhei o dia ao saber que a Zahar publicou mais uma deliciosa introdução de filosofia da dupla dinâmica Julian Baggini e Jeremy Stangroom. "Você pensa o que acha que pensa? Um check-up filosófico" é o típico livro que demonstra o grande potencial de divulgação da filosofia feita a sério: é possível explicar praticamente todo o bê-á-bá de maneira direta, dinâmica e acessível para alguém que nunca leu nada do assunto. O livro é dividido da seguinte forma:

Introdução
Como usar este livro

1. O check-up filosófico
2. Você acha que você é lógico, é?
3. O “Siloginásio”
4. Monte o seu Deus
5. O Deus do Campo de Batalha
6. Tabu
7. O Jogo da Moral
8. Shakespeare versus Britney Spears
9. Você é oficialmente ético?
10. Estar vivo
11. Quão livre você é?
12. O teste filosófico definitivo

Mary a preto-branco


Acabei de publicar a tradução portuguesa de Ricardo Miguel do artigo "O Que Mary Não Sabia", de Frank Jackson.

Putnam em destaque

O Prémio Schock de Filosofia é atribuído de três em três anos pela Academia Sueca e é considerado como uma espécie de prémio Nobel da filosofia. Este ano o laureado foi o filósofo americano Hilary Putnam. Este importante prémio já distinguiu em anos anteriores filósofos como Thomas Nagel, John Rawls, Saul Kripke e W. V. O. Quine. 

Putnam nasceu em 1926 em Chicago e foi professor em Princeton, no MIT e em Harvard. Destacou-se sobretudo nas áreas da filosofia da linguagem, filosofia da mente, metafísica, epistemologia e filosofia da matemática. Defendeu, em filosofia da linguagem, as muito discutidas e influentes teorias causal da referência e do externalismo semântico. A este propósito tornou-se famosa a sua experiência mental da Terra Gémea. Defende também uma forma de pragmatismo muito diferente da de outros filósofos americanos, nomeadamente da de Richard Rorty. 

Putnam e sua mulher, Anna Ruth Putnam, em Portugal, ladeando os filósofos Charles Travis e João Branquinho.



14 de março de 2011

Tooley sobre a clonagem


Michael Tooley argumenta contra vários argumentos comuns contra a clonagem de seres humanos no artigo "O Estatuto Moral da Clonagem Humana", traduzido por Vítor João Oliveira.

Directo na Almedina e Bulhosa


Filosofia em Directo foi o quinto título mais vendido nas Livrarias Almedina e Bulhosa, na semana de 28 de Fevereiro a 6 de Março. A informação é dada aqui.

Agradeço muito a preferência dos leitores, e espero que o livro seja esclarecedor e estimulante. Todas as críticas e sugestões são bem-vindas. 

13 de março de 2011

Paradoxos


Acabo de publicar aqui a tradução de Aluízio Couto da breve introdução de R. M. Sainsbury ao seu delicioso livro Paradoxes.

Filosofia da música em Portimão


Na próxima sexta-feira, dia 18 de Março, Vítor Guerreiro irá falar de filosofia da música em Portimão. Não é bem uma tertúlia, mas vai dar para discutir serenamente e até inclui um breve aperitivo musical. A entrada é livre.

12 de março de 2011

As duas culturas


Na minha vida profissional são muitas as vezes que ouço dizer “ah, isso é para os de letras que eu cá sou uma pessoa muito prática, já que sou de ciências”, ou então: “ah, isso é para os tipos de ciências que são muito bons nos cálculos, mas maus a pensar e reflectir”. Ou ainda outros, como “quem faz a acta é o de português que está melhor preparado”. Estas situações são comuns e são reveladoras que as pessoas, na generalidade, não se importam muito de passar atestados de ignorância a si mesmas quanto às bases mais elementares de uma formação universitária que é saber pensar pela própria cabeça, seja a formação nas chamadas ciências exactas ou ciências humanas. O facto é que estas expressões que ouço com frequência são tiques que se apanham nas universidades, onde essa separação entre ciências humanas e ciências exactas explica a divisão dos departamentos académicos. Mas por que razão especial alguém licenciado em filosofia tem de escrever bem, mas não é obrigado a fazer cálculos matemáticos? Ou por que razão especial alguém licenciado em matemática, física ou biologia não tem obrigação de escrever tão bem e não tem de ter qualquer contacto com os livros de Kundera, Kafka ou Eça de Queiroz? Não parece haver qualquer razão bem pensada para esta divisão, a não ser cliché académico. Esta é a tese principal que C. P. Snow defende em As Duas Culturas (Editorial Presença, 1995, trad. Miguel Serras Pereira). Trata-se de um pequeno texto, resultado de uma conferência de Snow em Cambridge, corria o ano de 1959. Um texto que desmistifica esta separação e que merece a nossa atenção. É certo que muita coisa mudou após a divulgação das ideias de Snow, sendo que uma delas que mais se destaca é que hoje em dia temos muitos mais cientistas a escrever sobre ciência com uma qualidade literária digna dos melhores escritores da humanidade.

Clonar é manufacturar?


Acabo de publicar o artigo "Clonagem: A Objecção da Manufactura", de David Elliott, em tradução de Vítor João Oliveira.

11 de março de 2011

De se no Rio

Na próxima semana, entre 16 e 18 de Março, estarei na UFRJ, participando num workshop sobre atitudes de se, como debatedor, juntamente com Paulo Faria (UFRGS), Breno Hax Jr. (UFPR) e Ludovic Soutif (PUC-RJ). O workshop é co-organizado pelo Center for the Studies of Mind in Nature (Universidade de Oslo), pela Universidade de St. Andrews, e pelo PPGLM da UFRJ. O programa está aqui.

Contra a clonagem


Acabo de publicar aqui um artigo de Jeremy Rifkin contra a clonagem, traduzido por Vítor João Oliveira. E o que pensa o leitor?

10 de março de 2011

Rousseau e a vontade geral


O problemático conceito de vontade geral, crucial na filosofia política de Jean-Jacques Rousseau, é aqui lucidamente explicado por Anthony Kenny, um excerto do terceiro volume da sua monumental Nova História da Filosofia Ocidental, em Portugal publicada pela Gradiva, com tradução de Célia Teixeira.

Filosofia em directo em diferido

O livro Filosofia em Directo foi brevemente apresentado na televisão, como se pode ver abaixo. Agradeço a Rui Ramos e a Enrique Pinto-Coelho a atenção dada ao livro, e ao João Carlos Silva o envio da ligação.

9 de março de 2011

George Berkeley


Acabo de publicar aqui um informativo artigo de Michael Ayers sobre George Berkeley, com tradução de Jaimir Conte.

Avaliação de quem avalia


Acabo de publicar "Quem o Fez, Quem o Resolve e Quem o Corrige", artigo do professor Carlos Café que oferece algumas propostas para abrir a discussão sobre o recente teste intermédio de filosofia, ocorrido em Portugal no ensino secundário.

7 de março de 2011

O Carácter da Mente

A filosofia da mente é uma das disciplinas filosóficas que mais se tem desenvolvido nas últimas décadas e uma das áreas mais estimulantes da filosofia, dando origem a interessantes debates filosóficos que cruzam temas da metafísica, da epistemologia, da filosofia da linguagem e da acção, sem esquecer a psicologia cognitiva e a ciência cognitiva em geral. Pena é que os nossos estudantes de filosofia e o público interessado nestas questões não disponham de uma boa orientação em português que lhes permita acompanhar tão animada discussão filosófica. Felizmente, isso está em vias de ser resolvido com a publicação, já no final deste mês, de O Carácter da Mente, a excelente introdução à filosofia da mente, da autoria do prestigiado filósofo britânico, Colin McGinn

Trata-se da tradução da segunda edição inglesa (que acrescenta três novos capítulos à primeira edição) e que será o vigésimo título da colecção Filosofia Aberta, da Gradiva. O autor já dispensa apresentações e o leitor de O Carácter da Mente não irá encontrar notas de rodapé, citações de outros filósofos nem extensas bibliografias. Em contrapartida, terá pela frente uma prosa clara e rigorosa, própria de quem domina bem por dentro o assunto, além do convite permanente para avaliar criticamente as ideias que vão sendo expostas.

4 de março de 2011

Convite da Sociedade Portuguesa de Filosofia

A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em parceria com o Departamento de Filosofia da Universidade do Minho e com o apoio do Centro de Estudos Humanísticos da mesma universidade, organiza este ano a 9.ª Edição dos Encontros Nacionais de Professores de Filosofia. O encontro deste ano realizar-se-á nos dias 9 e 10 de Setembro, em Braga, e contará com o Prof. Simon Blackburn (Oxford) como orador internacional.

Estão abertas as candidaturas para a apresentação de comunicações em língua portuguesa sobre qualquer tópico de filosofia ou didáctica da filosofia, incluindo ainda propostas de sessões práticas ou workshops nesses âmbitos. As comunicações não devem exceder os 30 minutos, de modo a reservar pelo menos 20 minutos à discussão. As sessões práticas poderão ocupar 50 minutos, desde que seja garantida a oportunidade para a participação do público.

Os candidatos deverão enviar para o endereço spfil@spfil.pt, até 30 de Abril, o título da sua comunicação/sessão prática e um resumo da mesma que não exceda as 500 palavras. Os resumos das propostas de comunicações devem indicar de forma clara a(s) ideia(s) a defender, e incluir um esboço do argumento proposto. Na rubrica “Assunto” da mensagem deverão inscrever “9ºENPF Proposta”. O resumo deverá ser anexo em formato Word ou Pdf e não deverá conter nenhuma referência que permita identificar o autor ou instituições a que este esteja ligado. O mesmo será apreciado sob anonimato, sendo aceites no máximo duas comunicações. A decisão do júri será comunicada aos autores por correio electrónico, até 4 de Maio.

2 de março de 2011

Filosofia da Religião na Verbo


Acabei de rever as provas de Introdução à Filosofia da Religião, de William L. Rowe, obra traduzida por Vítor Guerreiro e revista por mim, a publicar em breve pela Verbo. Para abrir o apetite aqui temos um excerto de cada capítulo:

Introdução à filosofia da religião

1 de março de 2011

Contas à vida

Durante o mês de Fevereiro passaram pela Crítica 73 mil leitores, um acréscimo significativo face ao mês anterior (44 mil), e também face ao mesmo mês do ano anterior (61 mil).