30 de junho de 2011

Directamente em sexto

Filosofia em Directo esteve no sexto lugar da lista dos livros mais vendidos das livrarias Almedina, na semana de 13 a 19 de Junho. A informação é dada aqui. Aos amáveis leitores, os meus agradecimentos e a esperança de que o livro seja esclarecedor e estimulante. Todas as críticas e sugestões são bem-vindas.

29 de junho de 2011

Mahler por Boulez

Acabo de publicar a recensão de João Rizek da interpretação de Pierre Boulez do Adágio da décima sinfonia de Mahler e do seu Des Knaben Wunderhorn.

26 de junho de 2011

25 de junho de 2011

Aldrabar para denunciar a suposta aldrabice

Vale a pena ler este artigo de Clara Barata. Curiosamente, fiquei com a impressão de que Gould não era particularmente honesto no livro A Falsa Medida do Homem, precisamente por estar tão ansioso para provar que afinal não há qualquer diferença quanto à inteligência entre pessoas de diferentes etnias, e que Morton tinha sido inconscientemente levado a aldrabar os seus resultados para provar os seus supostos preconceitos racistas. Ao ler Gould tive a nítida impressão de que ele estava pelo menos tão ansioso por provar que a ciência contemporânea se alinhava com as ideias hoje politicamente correctas quanto, segundo ele, Morton estaria ansioso para provar as ideias na altura dele politicamente correctas. E agora prova-se que isso é mesmo verdade: Gould aldrabou para "provar" o que queria que provasse.

Também digno de nota é o comentário do filósofo da ciência Philip Kitcher, que sugere o que não afirma claramente, esquecendo-se todavia convenientemente de referir que medições são medições e tanto faz que seja um paleontólogo profissional a fazê-las ou um estudante de paleontologia, sendo na verdade mais dignas de confiança as medições feitas por um estudante que as faça por amor à precisão do que a do mais famoso paleontólogo, se este as fizer em defesa do politicamente correcto.

24 de junho de 2011

Salvar vidas humanas

Acabo de publicar a tradução de Vítor Guerreiro do prefácio de A Vida Que Podemos Salvar, de Peter Singer.

Novas respostas para velhas perguntas

Acabo de publicar o prefácio do livro de Nicholas Fearn, Filosofia: Novas Respostas para Antigas Questões, traduzido por Maria Luiza X. de A. Borges (Zahar, 2007).

23 de junho de 2011

A Vida Que Podemos Salvar, de Peter Singer

Já está disponível a tradução portuguesa (de Vitor Guerreiro) do mais recente livro de Peter Singer, A Vida Que Podemos Salvar - Agir agora para pôr fim à pobreza no mundo (Gradiva). Singer dispensa apresentações, tendo sido considerado pela influente revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo. O livro foi já traduzido para várias línguas (alemão, francês, italiano, sueco, coreano, espanhol, holandês, dinamarquês e até para o português do Brasil) e o seu impacto tem sido enorme, com recensões nos mais importantes jornais e revistas do mundo, como o New York Times, por exemplo. Quase aposto que os suplementos litrários dos jornais portugueses não lhe vão dedicar uma linha, como geralmente acontece com grande parte dos livros que em todo o mundo se discute.

22 de junho de 2011

Filosofia nos séculos XIX e XX

Acabo de publicar a Introdução do quarto e último volume da Nova História da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny, com tradução de Cristina Carvalho.

21 de junho de 2011

Filosofia em directo

Acabo de publicar uma longa apresentação de Artur Polónio do meu pequeno livro Filosofia em Directo.

Filosofia no Mundo Moderno, de Anthony Kenny

Finalmente, já se encontra nas livrarias o quarto e último volume da inigualável Nova História da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny. A obra completa (em edição de capa dura e com as excelentes e informativas ilustrações da edição original) termina com o volume intitulado Filosofia no Mundo Moderno, que abarca as várias disciplinas da filosofia e autores de Bentham e Nietzsche até Strawson e Derrida. A tradução é de Cristina Carvalho.

20 de junho de 2011

Os exames também podem ser maus?

Sim, podem. Deixo aqui o exemplo do exame francês (do bac) de Filosofia, realizado na semana passada. O aluno tem de escolher uma de três questões, tendo 4 horas para responder à questão que escolheu. No vídeo, uma professora de Filosofia apresenta uma resposta possível para uma das perguntas: A arte é menos necessária que a ciência?

Isto só me traz à cabeça a pergunta: quem é mais importante, a mãe ou o pai?

14 de junho de 2011

A filosofia de Ronald Dworkin

Foi publicado recentemente “Ronald Dworkin”, de Stephen Guest. Este livro é uma das apresentações mais completas da filosofia do direito de Dworkin, que é muito influente nos departamentos de direito do Brasil. Dworkin é conhecido por criticar o positivismo jurídico (a tese de que há separação total ou parcial entre o direito e a moral) e defender que o direito é composto não apenas por regras, mas também por princípios que têm obrigatoriamente conteúdo moral. Infelizmente muita gente no Brasil ainda pensa que o positivismo jurídico foi refutado de uma vez por todas por Dworkin, o que obviamente não é o caso. De qualquer modo é mais uma tradução bem vinda da coleção "Teoria e Filosofia do Direito" da editora Elsevier. E fica um agradecimento ao coordenador da coleção, Ronaldo Porto Macedo, professor da USP e da FGV, pelo trabalho importante nessa excelente coleção.

13 de junho de 2011

Frege em nova edição

A coletânea de textos de Gottlob Frege, “Lógica e Filosofia da Linguagem” (Ed. Cultrix, 1978) ganhou agora uma nova edição pela Edusp, com seleção, introdução, tradução e notas de Paulo Alcoforado. A edição anterior consistia em uma introdução sobre a vida e a obra de Frege e oito textos: “Função e Conceito”, “Sobre o Sentido e a Referência”, “Sobre o Conceito e o Objeto”, “Digressões Sobre o Sentido e a Referência”, “Que É Uma Função?”, “Aplicações da Ideografia”, “Sobre a Finalidade da Ideografia”, “Carta de G. Frege a H. Liebmann”. A nova edição contém um anexo com o Corpus Fregeanum, índice remissivo e seis novos capítulos: "Conceitografia, 'Prefácio' (1879)", "Sobre a Justificação Científica de uma Conceitografia (1882)", "Diálogo com Pünjer sobre a Existência (<1884)", "Dezessete Sentenças Básicas da Lógica (c.1906)", "Minhas Concepções Lógicas Fundamentais (c.1915)" e "As Fontes de Conhecimento em Matemática e em Ciências Naturais Matemáticas (c.1924)". A tradução da primeira edição da coletânea também foi revisada. Agradeço ao Rafael Ribeiro da UFPR por me informar essa excelente novidade!

12 de junho de 2011

Próximo à verdade

Closer to Truth é um programa de televisão da PBS idealizado/produzido/apresentado por Robert Lawrence Kuhn e produzido/dirigido pelo premiado Peter Getzels. Diferentemente da primeira versão do programa, esta nova edição tem um visual mais limpo com câmeras de alta-definição. Até o momento foram realizados mais de 100 episódios para a televisão e 1.400 vídeos on-line. O programa é dividido em três séries: Cosmos (natureza do espaço-tempo, implicações da mecânica quântica e outras questões de física e cosmologia de um modo geral), Consciência (cérebro, mente, livre-arbítrio, identidade pessoal, qualia), e Deus (argumentos contra e a favor da existência de Deus e problemas de filosofia da religião de um modo geral).

A receita do programa não é das piores: são entrevistados mais de 125 cientistas, filósofos e pensadores em locais variados como laboratórios, casas, escritórios e até mesmo igrejas. Você encontrará no programa filósofos como Walter Sinnott-Armstrong, Daniel Dennett, Keith Ward, Richard Swinburne, Quentin Smith, Bede Rundle, Peter van Inwagen, John Searle, Hubert Dreyfus, David Chalmers, Alva Noe, Michael Tooley, Colin McGinn, Ned Block, John Leslie e cientistas como Steven Weinberg, Freeman Dyson, Roger Penrose, Peter Atkins, Paul Davies, Carmine Clemente, Gregory Benford, Michio Kaku, Robert Laughlin, Joseph LeDoux, Andrei Linde e George Smoot. Como o apresentador possui uma inteligência afiada, faz objeções com precisão cirúrgica e revela familiaridade com todos os tópicos discutidos, não há o que criticar. Esse programa é imbatível.

11 de junho de 2011

A alameda da lógica

"Logic Lane" é o título de uma série de seis filmes de 1972 sobre a filosofia em Oxford. Os filmes são dirigidos por Michael Chanan e produzidos por Noel Chanan. Em "Appearance and Reality", Alfred Ayer e Bernard Williams discutem temas como o relacionamento da filosofia com a ciência, a importância atribuída ao senso comum por filósofos como Moore, Wittgenstein e Austin, o verificacionismo do positivismo lógico, as relações entre a ciência e o senso comum, entre outras questões. "I'm going to tamper with your beliefs a little", mostra a discussão de Isaiah Berlin e Stuart Hampshire sobre a filosofia em Oxford na década de trinta, passando também por algumas das idéias de Ayer, Austin, Berlin, Wittgenstein, Ryle e a influência do Círculo de Viena. "Language and Creativity" contém uma aula de filosofia da linguagem ministrada por Peter Strawson assim com uma série de discussões do mesmo com Gareth Evans: são debatidos temas como a natureza da filosofia e o papel do filósofo (Strawson defende que o filósofo é um gramático conceitual), o ceticismo de Strawson acerca das pretensões da aplicação da lógica formal na explicação da linguagem natural entre outros tópicos. Em "Logic Lane: A Philosophical Retrospective", Alfred Ayer apresenta uma retrospectiva do desenvolvimento da filosofia em Oxford de 1930 a 1972. Este filme também contém alguns excertos dos outros filmes com participações de Isaiah Berlin, Stuart Hampshire, Gilbert Ryle, Iris Murdoch e David Pears. "The Idea of Freedom", apresenta a discussão de Iris Murdoch e David Pears sobre questões como os benefícios do aprendizado da filosofia, diferentes maneiras de ensinar filosofia, a importância da história da filosofia, o problema do livre-arbítrio, auto-conhecimento, entre outras. "You might just as well say 'I see what I eat' is the same thing as 'I eat what I see'" começa com um excerto de "Alice no País das Maravilhas" e em seguida introduz Gilbert Ryle e J. O. Urmson. Ambos discutem temas como a identidade pessoal, o problema mente-corpo e a questão de saber se a filosofia torna o filósofo uma pessoa moralmente melhor.

Essa série de filmes é uma jóia para quem dedica sua vida à filosofia. Não temos aqui apenas um desfile de idéias de alguns dos maiores nomes da filosofia do século vinte, mas também uma impressão viva desses filósofos(as) no seu dia a dia em Oxford, um dos maiores centros de filosofia do mundo. O próprio título da série "Logic Lane" "Alameda da Lógica", faz referência a uma alameda de Oxford que possui o mesmo nome - é a alameda que aparece na foto desse post. Há também nos filmes inúmeras cenas maravilhosas e inesquecíveis como o tutorial de David Pears com uma de suas alunas, um excerto da única gravação existente de uma das aulas de Austin e as cenas de Gareth Evans estudando em seu pequeno chalé e caminhando pelo campo. Enfim, esses filmes não têm preço.

Os grandes filósofos

The Great Philosophers foi uma série de televisão da BBC transmitida em 1987 com quinze entrevistas conduzidas por Bryan Magee. A série apresenta de maneira direta o básico da história da filosofia passando pelas idéias de Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Descartes, Spinoza, Leibniz, Locke, Berkeley, Hume, Kant, Hegel, Marx, Schopenhauer, Nietzsche, Husserl, Heidegger e o existencialismo, os pragmatistas contemporâneos (C. S. Pierce, William James, John Dewey), Frege, Russell e a lógica moderna, e Wittgenstein. Os entrevistados que nos conduzem por esse percurso são Myles Burnyeat, Martha Nussbaum, Anthony Kenny, Bernard Williams, Anthony Quinton, Michael Ayers, John Passmore, Geoffrey Warnock, Peter Singer, Frederick Copleston, J. P. Stern, Hurbert Dreyfus, Sidney Morgenbesser, A. J. Ayer e John Searle. Essa série deu origem ao livro The Great Philosophers: An Introduction to Western Philosophy, publicada pela Oxford University Press no mesmo ano da série.

Homens de idéias

Em 1978 foi ao ar na BBC o programa Men of Ideas: uma série de quinze entrevistas conduzidas com maestria por Bryan Magee. Os entrevistados são Ernest Gellner, Iris Murdoch, Ronald Dworkin, Hilary Putnam, Noam Chomsky, John Searle, W.V. Quine, R.M. Hare, Bernard Williams, Alfred J. Ayer, Anthony Quinton, William Barrett, Herbert Marcuse, Charles Taylor e Isaiah Berlin. São discutidos inúmeros temas de filosofia política, filosofia da ciência, filosofia da linguagem, epistemologia, ética, metaética em particular, correntes filosóficas como a filosofia linguística, o positivismo lógico, o existencialismo, o marxismo, a escola de Frankfurt, a filosofia de Wittgenstein, a filosofia de Quine, as relações entre a filosofia e a literatura, o impacto dos movimentos sociais da década de sessenta sobre a filosofia política, o impacto das transformações sociais do século vinte na formulação de novos problemas filosóficos e a natureza da filosofia. Essa série deu origem ao livro “Talking Philosophy: Dialogues with Fifteen Leading Philosophers”. A maior parte da série está disponível aqui.

A filosofia no seu melhor

A Philosophy International foi criada em 1993 para fornecer uma biblioteca multimídia de filosofia feita por filósofos para filósofos. Um dos objetivos foi apresentar as contribuições de alguns dos filósofos contemporâneos mais influentes, mas o que me chama a atenção é que a série é uma demonstração ao vivo e a cores de como se pratica o genuíno rigor filosófico.

O primeiro grande filósofo convidado foi Peter Strawson: ele discute suas contribuições para a filosofia com Mark Sainsbury, Martin Davies e Maite Ezcurdia. O vídeo dessa discussão é dividido em cinco seções que incluem temas como particulares, esquema conceitual, verdade, referência e significado.

O segundo grande nome é W. V. Quine: sua filosofia é debatida em pormenor com Rudolph Fara, Daniel Dennett, Warren Goldfarb, Robert Fogelin, George Boolos, Burton Dreben, Paul Horwich e Ned Block. Ao todo são sete vídeos de discussão densa sobre temas como ceticismo acerca do significado, inescrutabilidade da referência, indeterminação da tradução, naturalização da epistemologia, Círculo de Vienna, a distinção analítico-sintético e a relatividade ontológica.

O terceiro grande filósofo convidado foi Donald Davidson: ele debate suas contribuições filosóficas com Rudolph Fara, W. V. Quine, Peter Strawson, Nancy Cartwright, Tim Crane, Martin Davies, Michael Dummett, Stuart Hampshire, Jim Hopkins, Jennifer Hornsby, Michael Martin, John McDowell, David Papineau, Richard Rorty, Mark Sainsbury, Gabriel Segal, Barry Smith e Barry Stroud. São dezenove vídeos de debate intenso sobre a posição de Davidson envolvendo temas como monismo anômalo, leis da natureza, causalidade, a tese de que uma teoria do significado deve ser uma teoria da verdade, irracionalidade, ação, conhecimento perceptivo, a natureza dos esquemas conceituais e teorias da verdade.

A produção de novos vídeos já está programada envolvendo os seguintes nomes: Noam Chomsky, Daniel Dennett, Michael Dummett, Ronald Dworkin, Hilary Putnam, John Searle e os laureados com o Nobel, Kenneth Arrow e Amartya Sen. A Philosophy International também planeja ampliar o alcance da sua audiência com vídeos introdutórios para os não iniciados em filosofia. Os vídeos da discussão de Quine estão disponíveis gratuitamente aqui, mas não deixem de comprar os outros vídeos, pois isso é essencial para que o projeto continue!

9 de junho de 2011

Russell, nominalismo e regressão

"A Regressão Infinita de Russell contra o Nominalismo da Semelhança" é o título da comunicação de hoje de Lucas Miotto Lopes, no SPF.

3 de junho de 2011

Samir Okasha

Acabo de publicar uma recensão do livro Philosophy of Science, de Samir Okasha, da autoria de Celso Neto.