30 de outubro de 2011

Thomas Nagel


O objectivo da metafísica é descobrir, nos termos mais gerais, como é realmente o mundo. Uma parte importante do projecto é determinar que tipos de coisas existem ou ocorrem independentemente das nossas respostas e crenças, e que tipos de coisas ou factos não têm existência independente das nossas respostas.

29 de outubro de 2011

Companions com 30% de desconto

Só durante o dia de hoje, a editora Idéias & Letras está a fazer um desconto substancial em todos os seus livros; uma boa oportunidade para comprar alguns dos Cambridge Companions to Philosophy.

28 de outubro de 2011

Nagel sobre Stroud sobre a metafísica

Vale a pena ler esta recensão de Thomas Nagel do último livro de Barry Stroud, Engagement and Metaphysical Dissatisfaction: Modality and Value (Oxford University Press, 2011). E também vale a pena ler regularmente o TLS.

23 de outubro de 2011

O baú dele

Vale a pena ler regularmente o novo blog O Meu Baú, de António Gomes.

22 de outubro de 2011

Assim falou Searle

Vale a pena ouvir este podcast em que John Searle, no seu habitual modo -- muito directo e terra-a-terra -- fala dos seus interesses em filosofia.

21 de outubro de 2011

20 de outubro de 2011

Sete ideias à venda

Está já à venda no site do editor o meu livro Sete Ideias Filosóficas Que Toda a Gente Deveria Conhecer. Nas livrarias físicas e nas restantes livrarias online o livro deverá estar disponível dentro de dias.

15 de outubro de 2011

A arte de argumentar

A Rulebook for Arguments, de Anthony Weston, é um dos livros que mais ajuda qualquer estudante que queira ganhar autonomia intelectual: que queira saber pensar por si mesmo. Ajuda a escrever com clareza, rigor e precisão; ajuda a argumentar correctamente; e em resultado disso ajuda também a ler activamente textos argumentativos, sejam de filosofia ou não. A edição portuguesa tem por título A Arte de Argumentar, e foi traduzida por mim; a brasileira tem por título A Construção do Argumento, e foi traduzida por Alexandre Feitosa Rosas.

A Hackett acaba de anunciar A Workbook for Arguments, de David R. Morrow e Anthony Weston. Este volume de 500 páginas contém o texto completo do livro original de Weston, mas é complementado com inúmeros textos e exemplos, que ilustram cada uma das regras simples do livro original. Pelo que já me foi dado ver, parece-me muitíssimo bom.

14 de outubro de 2011

Kripke coligido

A Oxford University Press anuncia para este mês o primeiro volume de 512 páginas de Philosophical Troubles, que reúne vários artigos dispersos de Saul Kripke, e inclui alguns inéditos. Entretanto, John P. Burgess prepara um livro sobre Kripke, e disponibiliza já alguns excertos aqui.

13 de outubro de 2011

Percepção e realidade

Acabo de ler Inverted World, de Christopher Priest, um autor britânico que desconhecia. Fiquei bem impressionado com o livro, que agarra desde o início. Trata-se de uma história sobre uma cidade móvel, que começa por estar escrita na primeira pessoa, mudando depois para o ponto de vista da terceira pessoa, e regressando à primeira pessoa. As mudanças de perspectiva são cruciais porque é precisamente sobre isso que trata o livro. A personagem, assim como todos os habitantes daquela cidade móvel, pensa que vive num planeta estranho, onde ocorrem fenómenos físicos que obrigam à deslocação contínua da cidade -- um planeta que não é esférico, como a Terra. Grande parte da atracção do livro resulta precisamente da descoberta progressiva que a personagem vai fazendo do seu planeta, e nós com ela. E depois, no final, temos uma grande surpresa, de que não vou falar para não estragar a história. Impressionou-me a sensibilidade da narrativa, que por vezes é comovente, outras vezes apenas estranha e opressiva, mas sempre estimulante.

11 de outubro de 2011

10 de outubro de 2011

7 ideias filosóficas

O meu novo livro, Sete Ideias Filosóficas que toda a gente deveria conhecer (Bizâncio), já tem capa, e deverá sair em breve. Um excerto do livro está aqui.

9 de outubro de 2011

Williamson sobre a ciência



Gostaria de regressar ao artigo de Williamson no NYT sobre o naturalismo, que tem sido aqui objecto de uma interessante troca de argumentos. Não venho retomar essa discussão, mas simplesmente expor a minha surpresa com uma passagem do texto de Williamson sobre as teorias científicas. 

Diz ele, no segundo parágrafo, que as melhores teorias científicas actuais serão provavelmente substituídas por desenvolvimentos científicos futuros. Na verdade, esta é uma ideia muito comum, que só surpreende pelo facto de ser partilhada também por Williamson. 

Note-se que Williamson não diz que mesmo as melhores teorias científicas poderão vir a ser substituídas por outras no futuro. Isso é uma banalidade, que não há como contrariar. Não se trata, pois, de reconhecer a mera possibilidade de as teorias científicas actuais virem a ser descartadas no futuro; trata-se de afirmar que é provável isso acontecer com as melhores teorias actuais - ou seja, por maioria de razão, com todas as teorias. 

Mas o que justificaria tal afirmação? Que todas as teorias científicas do passado acabaram por ser posteriormente substituídas ou abandonadas? Se isso fosse verdade, talvez se justificasse afirmar que todas as teorias actuais virão provavelmente a ser descartadas. Mas a premissa é falsa, sendo facílimo encontrar casos de teorias do passado que estão longe de ser descartadas. E mesmo algumas teorias do passado que por vezes se diz estarem ultrapassadas - a física newtoniana, por exemplo - não o foram realmente, tendo antes sido melhoradas, completadas ou corrigidas em alguns aspectos. O que se passa é que os casos de teorias bem sucedidas são frequentemente ofuscados pelo alarido dos insucessos científicos. E nem sequer vale a pena contabilizar insucessos estrondosos, como a cosmologia geocêntrica ou a teoria do flogisto, como o faz notoriamente Thomas Kuhn. Isto porque o geocentrismo não passa, em bom rigor, de uma teoria pré-científica, e a teoria do flogisto surge numa área científica de investigação ainda pouco madura. À medida que a investigação numa dada área científica vai amadurecendo, também as suas teorias se tornam mais robustas. Ora, isto deveria refrear a tendência para pensarmos que as teorias do passado são como as do presente e as do presente como as do futuro.  

Mas talvez Williamson não parta daquela premissa falsa. Talvez parta de uma outra, esta sim, verdadeira: a de que algumas teorias do passado acabaram mais tarde por ser abandonadas ou substituídas por outras. Só que, neste caso, a premissa não chega para concluir que todas as teorias virão provavelmente a ser abandonadas ou substituídas por outras. Concluir tal coisa é fazer uma generalização precipitada.

Não pretendo mostrar que Williamson está errado nas suas críticas a certo tipo de naturalismo cientificista muito em voga, pois o seu argumento central não depende disto. Mas se é importante denunciar certos preconceitos cientificistas, como justamente faz Williamson no seu artigo, também me parece importante não resvalar para o erro simétrico, que consiste na relativização em bloco dos sucessos científicos. Talvez todos estes sucessos sejam efémeros - e temos de ter isso em conta - mas não deixa de ser injustificado darmos isso como quase certo. A não ser que disponhamos de alguma razão misteriosa para pensar que a verdade é irremediavelmente inacessível.

É possível que esteja a ser injusto com um texto que se destina ao grande público e onde compreensivelmente não há espaço para grandes subtilezas. Seja como for, não deixa de ser surpreendente. Ou talvez não?

As ilusões do prémio Nobel

Vale a pena ler o artigo "What's Wrong With the Nobel Prize in Literature", de Tim Parks, para contrariar um pouco a mania de pensar que onde há muito dinheiro e instituições de peso há juízos ponderados e inevitavelmente sensatos. A importância que é comum atribuir ao prémio Nobel (não apenas da literatura) é exagerada; mas o pior é basear-se na ideia de que os prémios Nobel são sinais inequívocos de excelência, quando na verdade são apenas sinais das opiniões peculiares dos membros da Academia Sueca. O mais triste é a importância exagerada atribuída ao prémio Nobel exprimir a tolice humana do costume de fantasiar que há juízos infalíveis, feitos por autoridades anónimas que têm um acesso privilegiado à verdade e que por isso excluem a discussão pública.

Ciência e bruxaria

Acabo de publicar um dos capítulos do meu livro Pensar Outra Vez: Filosofia, Valor e Verdade (Quasi, 2006): "Ciência e Bruxaria".

6 de outubro de 2011

Os melhores anjos da nossa natureza

O novo livro de Steven Pinker, The Better Angels of Our Nature: The Decline of Violence in History and Its Causes, era por mim aguardado com alguma expectativa, porque já tinha lido alguns excertos na Internet. Estou infelizmente ainda nas primeiríssimas páginas, mas para já estou muito bem impressionado.

Em contrapartida, John Gray faz aqui uma recensão que me parece delirante. O livro está cheio de dados empíricos que sustentam a tese de Pinker de que há hoje muitíssimo menos violência do que alguma vez houve desde que os seres humanos surgiram no planeta; mas esta ideia é incompatível com as ideias pessimistas de John Gray. O que faz este então? Ignora todos os dados e diz que Pinker está iludido, mas não apresenta um só argumento minimamente credível. Fiquei siderado com a recensão de Gray, pois é um pouco como ignorar os dados empíricos de que há 100 mil milhões de estrelas na nossa galáxia porque eu sempre defendi que só há vinte e três, sem qualquer sustentação empírica.

Em contrapartida, Peter Singer faz aqui uma recensão muitíssimo mais equilibrada, até porque descreve as ideias de Pinker e os dados empíricos em que se baseia.

Não sei se o livro será publicado em língua portuguesa -- com as suas 800 páginas, não é qualquer editor que lhe vai deitar a mão. Mas, juntamente com The Rational Optimist, de Matt Ridley, é uma leitura fundamental, que muda a nossa maneira de ver as coisas, ainda que não concordemos cegamente, e desde que não sejamos cegamente dogmáticos como John Gray.

William Godwin

Que magia há no pronome "meu" que deva justificar a nossa rejeição das decisões da verdade imparcial?

Justiça em Portugal

Está já à venda em Portugal o livro Justiça, de Michael J. Sandel. O site do editor não menciona o nome do tradutor, infelizmente. O livro é das melhores coisas que se pode ler sobre ética e filosofia política. Altamente recomendado.

5 de outubro de 2011

Oferta de livros

Acabo de publicar um excerto de Justiça: o que é fazer a coisa certa, de Michael J. Sandel, traduzido por Heloísa Matias e Maria Alice Máximo (Civilização Brasileira, 2011). Em colaboração com a editora, a Crítica tem três exemplares para oferecer exclusivamente aos leitores brasileiros. Basta escrever um pequeno comentário discutindo os casos do bonde desgovernado. Os autores das três melhores respostas serão depois contactados por mim e o editor enviar-lhes-á um exemplar do livro de Sandel. Só serão consideradas as respostas enviadas até dia 10 de Outubro de 2011.

1 de outubro de 2011

Pensar de A a Z

Acabo de ter notícia do lançamento no Brasil do livro Pensamento Crítico de A a Z, de Nigel Warburton, traduzido por Eduardo Francisco Alves (José Olympio, 204 pp.). É um bom livro, esclarecedor e muito claro, que recomendo vivamente.

Mais leitores?

O número de leitores que passaram pela Crítica durante o mês de Setembro cresceu substancialmente relativamente ao mês de Agosto, de cerca de 67 mil para cerca de 85 mil leitores. Este número é inferior, contudo, ao número de leitores que passaram pela Crítica em Setembro de 2010: cerca de 94 mil.