29 de janeiro de 2012

Churchland e Chomsky sobre o Hiato Explicativo

Patricia Churchland acha que a humildade requer que não podemos declarar que há fenómenos para sempre fechados à investigação científica. Por outro lado, Chomsky acha que a nossa estrutura cognitiva requer que haja fenómenos que simplesmente não conseguimos compreender (como certas propriedades do movimento e provavelmente a consciência). Veja ambos aqui.

E qual é a sua opinião?

A neurociência (ou neurofilosofia) vai resolver o problema da consciência ou esta irá permanecer um mistério irresolúvel?

4 comentários:

  1. Já agora, e uma vez que tens referido aqui várias vezes Colin McGinn, este é um dos que pensam que há problemas, como o problema da consciência, que são simplesmente intratáveis devido à nossa estrutura cognitiva. Por isso, McGinn acabou por se interessar mais por outros problemas da filosofia, deixando para segundo plano a filosofia da mente, área na qual se destacou como filósofo.

    ResponderEliminar
  2. McGinn foi buscar essa ideia conscientemente a Chomsky. Chomsky distingue entre problemas e mistérios de acordo com as capacidades cognitivas e a estrutura de resolução de problemas de um dado organismo. O próprio Chomsky sugeriu várias vezes que o problema filosófico do livre-arbítrio é, na realidade, um mistério. O que McGinn fez foi inicialmente aplicar essa distinção no caso da consciência e depois, de modo relutante, aceitou que algo semelhante tem de ser verdade de uma grande porção da filosofia.

    É verdade que McGinn se destacou como filósofo da mente mas publicou sobre todas as áreas filosóficas. Por exemplo, tem um excelente livro sobre Wittgenstein e a interpretação de Kripke, um livro provocativo sobre propriedades lógicas que é a antítese das opiniões de Quine, um inovador artigo em que apresenta uma teoria da referência alternativa à causal e descriptivista, outro que é das melhores objecções ao argumento de Kripke contra o materialismo de ocorrências e por aí adiante.

    Mas não se pense que McGinn já não é um filósofo sério. Ele publicou há um mês um livro sobre Filosofia da Física em que defende que há mistérios, não só na filosofia, mas no conhecimento humano como um todo - não se pense que se o filósofo vai mal, o físico está sem problemas! (Chomsky aqui menciona o movimento, mas McGinn outros exemplos como a natureza da electricidade e matéria). E ainda publicou outro também este mês passado sobre a natureza da filosofia, defendendo que é análise conceptual da realidade na procura de essências de re e refutando opiniões cépticas, como as de Wittgenstein, que acham que alguns conceitos são apenas semelhanças de família.

    Eu, pessoalmente, tenho uma grande admiração pelas capacidades filosóficas do McGinn que não deixam nada a desejar. Pelo contrário, quando acabo de ler um dos livros dele é me muito difícil discordar mesmo quando acho que está errado.

    Para além de ser um bom escritor. A melhor e mais divertida formulação do problema mente-corpo, na minha opinião, foi dada por ele: " Como é que a nossa fenomenologia technicolor aparece de matéria cinzenta empapada?"

    ResponderEliminar
  3. Aplicando (talvez de forma abusiva) o princípio de Copérnico à evolução biológica da espécie humana — com a implicação resultante de que não vivemos numa época especial no que diz respeito à adequação das nossas capacidades cognitivas à compreensão da natureza — leva-nos a aceitar como plausivel a ideia de que é bastante mais provável não estarmos equipados das capacidades necessárias para compreender uma série de fenómenos do que sermos capazes (em princípio, embora na prática a mera quantidade astronómica de informação a processar o torne impossível ) de entender tudo. Identificar quais são, em concreto, as nossas limitações cognitivas é que é mais difícil.

    Miguel

    ResponderEliminar
  4. Miguel, bem vindo. Concordo com a tua resposta.

    Mas tenho um comentário a fazer sobre quando dizes que é difícil identificar quais as nossas limitações cognitivas.

    Ora, se temos limitações cognitivas, deve ser numa área do conhecimento humano onde temos bem mais problemas que respostas. Alguém se lembra de uma área assim?

    ResponderEliminar