11 de janeiro de 2012

Em defesa do diálogo

1 comentário:

  1. DIÁLOGO: o paradigma diplomático e o paradigma filosófico (algumas notas apressadas sobre a talk de Jonas Gahrstore)

    Gostei bastante desta "talk" e há alguns pontos desta perspectiva sobre o diálogo que me parece importante sublinhar e corrigir:

    O problema: "Não sabemos dialogar."
    A causa da nossa incapacidade para o diálogo está, a meu ver, em que somos educados através de monólogos e treinados para produzir monólogos. Durante toda a nossa escolarização em momento algum somos, de forma sistemática e pensada, incentivados a ouvir os nossos colegas e aprender com eles. Somos treinados para ouvir e aprender com os "especialistas" que nos metem à frente (professor, mestres, manuais, grandes filósofos, etc.) e ouvi-mo-los como se ouve a um guru.
    Para aprender a dialogar precisamos, desde muito novos de treino de diálogo real em que produzimos ideias sem medo de produzir um disparate, respeitamos o que nos diz um colega e não pressupomos logo que o que está a dizer é um disparate pois não é um "especialista" a falar.

    A solução apresentada por Gahrstore: "Usar melhor as «ferramentas diplomáticas» à nossa disposição."

    Esta solução é um pouco estranha, pois se por um lado nunca tivemos tantas oportunidades para comunicar uns com uns outros, por outro lado, nunca o fizemos de forma tão pouco eficiente, isto porque simplesmente deixámos de saber dialogar. Não sabemos dialogar pois confundimos dialogar com “disseminar o nosso ponto de vista” e confundimos debate de ideias com combate de ideias. Vemos o diálogo (e esta é a minha principal crítica a esta talk)como uma operação diplomática, ora um diplomata é alguém que representa um ponto de vista de uma sociedade, de uma cultura, de um momento histórico, porém, num diálogo devemos procurar suspender isso tudo, esse ponto de vista socio-histórico-culturas e procurar encontrar um ponto de vista de Deus. e Desse ponto de vista compreender e simpatizar com os pontos de vista em diálogo. A diplomacia não faz essa suspensão dos juízos essencial ao diálogo. O que a diplomacia faz é negociar, ceder aqui para obter ali. Ora com esse método de diálogo nunca conseguiremos uma verdadeira compreensão do ponto de vista do outro, que é mais que a mera compreensão do que diz, é também uma compreensão do "por que motivo o diz".
    A filosofia, e não a diplomacia, deve ser o paradigma que o diálogo entre povos deverá procurar atingir.

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