29 de janeiro de 2012

História e Filosofia da Ciência


Eis mais dois bons livros publicados pela Unesp. A tensão essencial, de Thomas Kuhn, uma coleânea de ensaios principalmente sobre história da ciência; e O progresso e seus problemas, de Larry Laudan, uma defesa do progresso da ciência não com base no avanço das teorias rumo à verdade, mas na capacidade de resolverem problemas empíricos e conceituais.

4 comentários:

  1. Da Tensão Essencial já tínhamos há muito uma tradução portuguesa, mas o Larry Laudan é um ilustre desconhecido entre nós. Que eu saiba, o único texto traduzido em Portugal do Laudan encontra-se na colectânea Textos e Problemas de Filosofia (Plátano), organizado por mim e pelo Desidério.

    A propósito, sairá em breve uma edição brasileira deste nosso livro, bastante revista e melhorada. E até vai ter um título diferente.

    Voltando a Laudan, é um bom contraponto a Kuhn, bastante mais cuidadoso e argumentativo do que este, revelando a falta de solidez de muitos dos argumentos de Kuhn (e também de tipos como Lakatos, por exemplo).

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  2. Quem traduziu estes livros? Há qualquer coisa de doentio nas editoras de língua portuguesa. Repare-se no pormenor: a editora UNESP dá-se ao trabalho de nos informar que o livro de Laudan tem de 14 por 21 (centímetros, talvez?), e o de Kuhn tem 16 por 23. Isto é informação útil, dado que o internauta não pode ver o livro.

    Mas o tradutor é um cão irrelevante, que fez o seu trabalho, foi mal pago, depois mudaram-lhe o que escreveu, não lhe puseram o nome na capa e por sorte tem o nome nas primeiras páginas do livro.

    Na mentalidade da editora, o internauta não precisa saber quem é o autor da tradução; é como se isso fosse irrelevante. Mas não é irrelevante; e quanto mais cedo os tradutores começarem a ser reconhecidos, mais cedo podemos começar a exigir responsabilidade na tradução, rigor e qualidade.

    Em países com tradições culturais de muitos séculos, os nomes dos tradutores estão na capa do livro; para todos os efeitos, o tradutor é co-autor do livro. Quando chegaremos a este nível cultural?

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  3. Aires,
    é uma pena o Laudan ter demorado tanto para ser traduzido; é até algo curioso. Na década de 70 tivemos traduzidos, aqui no Brasil, diversos bons livros de filosofia da ciência (a maioria pelo Leônidas Hegenberg). A discussão acerca do progresso científico era um tanto famosa por aqui, tanto que o "Criticism and Growth of Knowledge" org. por Lakatos e Musgrave, também foi traduzido. Seria natural, portanto, esperar a tradução do "Progress and its Problems", que apresentava uma alternativa às concepções do progresso científico do racionalismo popperiano e da abordagem radical dos seguidores de Kuhn e cia.; mas infelizmente demorou mais de trinta anos pra isso acontecer.
    Podes encontrar aqui uma tradução de um texto do Laudan: http://www.cle.unicamp.br/cadernos/pdf/Larry%20Laudan.pdf
    Tens razão, em parte, quanto a superioridade de Laudan a Kuhn. É mais claro, direto e argumentativo. Quanto a mostrar a fraqueza de muitos argumento de Kuhn, isso é uma confusão dandada. E tal confusão se deve em grande parte por causa da vagueza e ambiguidade de muitos dos argumentos de Kuhn. Alguns autores, Hoynigen-Huene p. ex., fazem uma leitura bastante caridosa dos textos de Kuhn, afastando-o de um relativismo inconsequente, e tentando mostrar que, relacionando diversos textos, Kuhn tem recursos teóricos para evitar tanto as críticas de Laudan, quanto as de Shapere, Boyd, etc. Mas isso claramente indica uma das vantagens de Laudan: seus argumentos são muito mais diretos e fáceis de entender e, por conseguinte, de se discutir.

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  4. O novos links dos livros:
    - A tensão essencial, de Thomas Kuhn: http://www.editoraunesp.com.br/catalogo/9788539300792,tensao-essencial-a
    - O progresso e seus problemas, de Larry Laudan: http://www.editoraunesp.com.br/catalogo/9788539301430,progresso-e-seus-problemas-o

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