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Saul Kripke

As investigações lógicas podem, obviamente, ser uma ferramenta útil para a filosofia. Elas têm, no entanto, de ser informadas por uma sensibilidade filosófica ao formalismo e por uma mistura generosa de senso comum, bem como uma compreensão exaustiva tanto dos conceitos básicos como dos detalhes técnicos do material formal utilizado. Não deve ser suposto que o formalismo pode produzir resultados filosóficos para além da capacidade do raciocínio filosófico comum. Não há substituto matemático para a filosofia.

Comentários

  1. O que o autor pretende significar com o termo "formalismo"?

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  2. Neste contexto, por "formalismo" Kripke está-se a referir a sistemas de lógica formal e a falar sobre o seu uso em filosofia.

    Esclarecimentos sobre o que é um sistema de lógica formal - e a sua relação com a filosofia - podem ser obtidos na própria Crítica, que tem uma série de textos de introdução à lógica, no seguinte link: http://criticanarede.com/logica.html

    Como estudante de Lógica, recomendo o livro "Introduction to Logic" de Harry Gensler (se possível, a segunda edição) ou, se não conseguir arranjar ou não souber inglês suficiente, o livro "Lógica: Um curso introdutório" de W. H. Newton-Smith traduzido para português. Ambos são bastante claros e didácticos, sem perder o rigor, e esclarecem qualquer pessoa que queira saber mais sobre lógica mas tenha medo de perguntar.

    Ainda, se não tiver paciência para estudar lógica mas quiser somente saber ter uma ideia geral sobre o assunto, o livro "Logic: A very short introduction" de Graham Priest (também traduzido em português) é o ideal. Divertido, provocativo, tem aproximadamente 100 páginas (mais pequenas que A5) e não requer grande esforço do leitor para perceber o pouco simbolismo utilizado.

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  3. "Não deve ser suposto que o formalismo pode produzir resultados filosóficos para além da capacidade do raciocínio filosófico comum", mas será que o oposto é verdadeiro, i. e., será que o raciocínio filosófico comum produz resultados inacessíveis aos métodos formais? Se ambas as abordagens levarem aos mesmos resultados, acredito na superioridade do método formal por ser mais rápido e menos sujeito a erro que a filosofia tradicional.

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