8 de março de 2012

Bertrand Russell

Considero problemática a ideia de um deus que retira prazer da contemplação de tormentos; e caso houvesse um deus capaz de tal crueldade gratuita, seguramente que não o consideraria digno de qualquer veneração. Mas isso apenas mostra a que ponto fui corrompido pela depravação moral.

11 comentários:

  1. Decerto que Russell não se refere, quando fala aqui de deus, à concepção teísta. Não seria concebível que deus, sendo sumamente bom, pudesse infligir males aos homens e contemplar a desgraça daí resultante com prazer. Mas o argumento de Russel só poderia ser replicado, julgo eu, tendo em conta o deus teísta. De facto, é problemática a ideia de conceber deus como um sádico (e que os homens venerassem um deus assim sequer).

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  2. Pedro, no texto só se lẽ acerca de "um deus que retira prazer da contemplação de tormentos", não de um deus que que provoca males aos homens. Aliás, neste excerto nem é claro que "tormentas" se refira a males que os humanos sofram.

    Por outro lado, é óbvio que Russell se refere à concepção teísta, uma vez que está a falar de concepções de deus. Poderia era estar a pensar numa concepção teísta em particular, como qualquer um dos monoteísmos mais populares.

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    1. Ricardo

      Obrigado pela correcção. A minha interpretação da ideia de Russell baseia-se numa ideia que julgo estar implícita nele (a de que os tormentos que o autor fala são castigos ou torturas feitas por deus aos homens. Como o dilúvio por exemplo). Mas posso estar completamente enganado.

      Devo fazer esta observação. Russell provavelmente ataca aqui uma concepção de deus mais tradicional e mais próxima do significados literais das escrituras sagradas. Eu fiz aqui confusão também, supôs que a qualidade de se ser sumamemente bom fosse uma condição necessária para o deus teísta (o que provavelmente não o é).

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  3. Nunca acharam estranha a ideia de que "Cristo morreu pelos pecados dos homens"? Afinal qual era o fim daquela história toda? Deixar uns milhões de macacos muito impressionados com o sofrimento excruciante de um ser humano muito especial? Era o próprio Deus impressionar-se a si mesmo, visto que é a autoridade máxima? Se é a autoridade máxima, por que precisa de tanto "circo histórico" para chegar a esse fim almejado que é a redenção dos homens?
    Ou será que, como suspeito, nem quem acredita nestas coisas faz uma ideia minimamente clara do que para aqui vai, uma mistura de confusão mental com fascínio pelo misterioso, com morbidez, e sei lá que algo mais.

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  4. A parte que me deixa desencantado/decepcionado com o "rigor" do discurso é apenas esta: «Mas isso apenas mostra a que ponto fui corrompido pela depravação moral.».
    Quanto ao mais, tudo bem.

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    1. Carlos, penso que essa parte é irónica...

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    2. José, a ironia parece-me estar no texto todo, mas nessa parte, embora perceba o que ele diz, (independentemente de concordar ou não) não percebo o que é que quer dizer.

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    3. No resto do texto Russell está a ser bem literal.

      Isto é, Russell de facto acredita que seria problemático se houvesse um deus que tirasse prazer do sofrimento e que, se tal deus existisse, fosse digno de adoração religiosa (ou de outro tipo).

      Mas, na última frase do texto Russell está a ser sarcástico e não literal. Está a meter-se com as pessoas que acham que para se ser ateu, para não se acreditar no deus cristão (e afins) ou ainda para não achar que fosse uma coisa desejável que um deus desse tipo existisse, é preciso ser moralmente corrupto de algum modo.

      Como se a corrupção moral fosse a causa dessas crenças...

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    4. Seja como for (independentemente de concordar ou não com Russel), convenhamos que nem o texto de Russel nem a última frase do mesmo dão acesso à interpretação que o José Gusmão apresenta.

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    5. Pelo contrário, concordo inteiramente com a interpretação feita pelo José, aliás, este sarcasmo é bem típico de Russell, especialmente quando ele fala das religiões.

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