13 de março de 2012

Marguerite Yourcenar

Sei que não sei aquilo que não sei; invejo aqueles que venham a saber mais, mas sei que, tal como eu, terão de medir, pesar, deduzir e desconfiar das deduções alcançadas, distinguir o que há de falso no verdadeiro e levar em conta a eterna mistura da verdade e da falsidade. Nunca me agarrei fixamente a uma ideia, por temer a confusão em que, sem ela, poderia vir a cair. Nunca temperei um facto verdadeiro com o molho da mentira, para me facilitar a digestão. Nunca deformei os pontos de vista do adversário para mais facilmente ter razão [...]. Ou talvez sim: surpreendi-me nesse acto, mas sempre me repreendi como se repreende um criado desonesto, confiando apenas na promessa que a mim mesmo fiz de vir a proceder melhor. [...] Abstive-me sempre de fazer da verdade um ídolo, preferindo designá-la pelo nome mais humilde de exactidão.

4 comentários:

  1. Vai-me perdoar a ignorância, mas o texto disse-me tanto. Vejo que gosta de filosofia, a disciplina que me mudou a vida. Gostaria de aprender mais. Será que este blogue me ajudará nesta demanda?

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  2. É maldade sua pôr um excerto tão belo da Yourcenar e não dizer de onde vem :-) Se não me engano, é da "Obra Ao Negro"

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