Avançar para o conteúdo principal

Thomas Nagel vs Materialismo

Está confirmado! Em Setembro deste ano, Thomas Nagel vai publicar um livro, Mind and Cosmos, sobre o materialismo, a biologia evolutiva e o problema mente-corpo. Já agora, o subtítulo provocativo do livro é, traduzido para português, Porque é que a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase certamente falsa.

Deixo ao leitor interessado a descrição do produto, traduzida do inglês:

"Em Mind and Cosmos, Thomas Nagel argumenta que a visão amplamente aceite de naturalismo materialista é insustentável. O problema mente-corpo não pode ficar limitado à relação entre corpos animais e mentes animais. Se o materialismo não consegue acomodar a consciência e outros aspectos relacionados à mente da realidade, então temos de abandonar um entendimento completamente materialista da natureza em geral, estendendo isto à biologia, teoria evolutiva e cosmologia. Dado que mentes são características de sistemas biológicos, que se desenvolveram por evolução, então a versão materialista comum da biologia evolutiva é fundamentalmente incompleta. E, a história cosmológica que levou à origem da vida e que originou as condições de possibilidade da evolução não pode ser uma história completamente materialista. Uma concepção adequada da natureza teria de explicar o aparecimento no universo de mentes conscientes, irredutíveis à matéria, como tais. Nenhuma explicação assim está disponível, e não se pode esperar que as ciências físicas, incluindo a biologia molecular, possam providenciar uma. Este livro explora estes problemas através de uma análise geral de obstáculos ao reducionismo, com uma aplicação mais específica ao fenómeno da consciência, cognição e valor. A conclusão é que a física não é a teoria de tudo."


Uma coisa é certa, polémica e, esperemos, discussão frutífera não vão faltar!

Comentários

  1. É certo que é só um resumo, mas acaba com o vislumbre de um espantalho: desde quando é que a Física é a teoria de tudo? O que se espera é que as disciplinas científicas, nos seus diferentes níveis de abstracção, não incluam explicações incompatíveis, em princípio, com as leis científicas correntes (não se aconselham os saltos mágicos). Isto inclui a Física, mas também a Química, a Biologia, etc.

    Por mim, espero que este livro, de um filósofo tão importante e mediático, não seja um pretexto para um qualquer retorno à resistente tese do dualismo.

    Cumprimentos,

    ResponderEliminar
  2. O resumo não foi escrito pelo Nagel, certamente. O que Nagel vai dizer é provavelmente que a nossa ciência está fundamentalmente incompleta, porque os factos físicos não fixam todos os outros factos... Mas isso vamos ter de esperar para ver! Quanto à qualidade do livro, é certo que bons filósofos podem produzir maus livros mas é improvável...

    ResponderEliminar
  3. Os físicos reducionistas defendem uma teoria de tudo; os não-reducionistas pensam que isto não é possível porque há fenómenos emergentes. David Deutsch, que é físico, explica no artigo seguinte por que não aceita a teoria de tudo que geralmente os físicos têm em mente, mas como podemos conceber uma teoria de tudo não-reducionista: http://criticanarede.com/teoriadetudo.html. Nagel nada teria a opor à teoria de tudo não-reducionista que Deutsch propõe.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

O filósofo preferido dos filósofos

É curioso ouvir o podcast que, para marcar o lançamento do segundo livro de Philosophy Bites, da responsabilidade de David Edmonds e Nigel Warburton, eles disponibilizaram sobre o filósofo favorito de muitos dos filósofos e filósofas que entrevistaram. 
São quase 70 filósofos e filósofas das mais variadas áreas e tendências filosóficas que se pronunciam sobre o seu filósofo favorito, justificando brevemente a sua escolha. É certo que a maior parte dos filósofos são de língua inglesa, mas também os há, embora poucos, de língua francesa. Mesmo entre os filósofos de língua inglesa, muitos não são filósofos analíticos. Confesso que não conheço muitos deles, mas há outros que talvez sejam conhecidos dos leitores, como Ronald Dworkin (que referiu Kant), David Chalmers (Carnap), Kit Fine (Aristóteles), Michael Sandel (Hegel), Peter Singer (Henry Sidgwick), Michael Dummett (Frege), Tim Crane (Descartes), Susan Wolf (Aristóteles), Stephen Neale (Russell), Noël Carroll (Aristóteles), Brian Lei…

4 passos para argumentar de forma inteligente e generosa (Daniel Denett)

Costuma ser generoso quando critica os pontos de vista do seu oponente?
Qual será a vantagem dessa abordagem?
Numa discussão quer vencer o seu oponente ou fazer um aliado?
O confronto de ideias sem generosidade para com o interlocutor será uma procura sincera da verdade?

Daniel Denett apresenta o antídoto para a tendência de caricaturar as ideias do nosso oponente, resumindo assim a lista de regras criada pelo Psicólogo Anatol Rapoport:




Ver mais aqui.