2 de abril de 2012

Alexander Nehamas


A amizade, a totalidade dos nossos amigos - entre os quais os nossos amigos próximos são os mais importantes - é um dos principais instrumentos ou mecanismos que nós utilizamos para estabelecer um caminho na vida que é distintivamente nosso. A amizade, em outras palavras, não pode ser acomodada dentro dos limites da moralidade, porque a individualidade nem sempre é consonante com a moralidade. A amizade e a arte têm um valor distintivo próprio, que depende, como disse anteriormente, da individuação e diferenciação e não na semelhança e solidariedade com o resto do mundo. Mas ambos são essenciais para a vida e às vezes, para o melhor ou pior, entram em conflito. E, quando entram, não é claro para mim que a moralidade tenha de vencer sempre. Os filósofos têm muitas vezes suposto, - em parte, por influência de Kant - que os valores morais devem sempre prevalecer e, - em parte, por uma leitura moralista da discussão da philia (amizade) em Aristóteles - que eles sempre o fazem. Mas, eu não estou tão certo que devam.
Nigel Warbuton e David Edmonds, Philosophy Bites, pp. 44-45.

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