18 de maio de 2012

Fim?

Com esta notícia um tanto funesta me deparei logo agora: o Desidério decidiu declarar o fim da Crítica. Espero que não o seja realmente. De qualquer modo, fica aqui os meus sinceros agradecimentos a toda a equipe da Crítica e, principalmente, ao Desidério. Sem a Crítica certamente a minha formação teria sido um fiasco; grande parte de minha graduação foi feita através dos materiais ali disponíveis. A minha dívida para com a Crítica é impagável! 

49 comentários:

  1. Obrigado, Luiz! Foram muitos anos a pôr os interesses dos outros acima dos meus. É agora tempo de dar atenção aos meus interesses. Os materiais que estão na Crítica continuam disponíveis, como expliquei na despedida. Quanto a este blog, não escreverei também mais para ele. Continuará se os outros autores do blog quiserem continuar a escrever aqui.

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  2. Compreendo as razões, mas não deixo de lamentar o encerramento da que é, indiscutivelmente, a melhor revista de filosofia on-line em língua portuguesa. A comunidade filosófica lusófona ficará assim mais pobre. De qualquer modo, muito obrigado por tudo!

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  3. Faço minha as palavras do Luizinho. A formação de todos os estudantes lusófonos genuinamente interessados na filosofia tem uma grande perda com o encerramento da Crítica. O teu trabalho, Desidério, foi incrível e só merece aplausos. Você nunca teve a obrigação de criar e manter a crítica durante todos esses anos, mas o fez. Este gesto jamais será esquecidos por aqueles que já leram a crítica. Não devemos lhe pedir mais do que isso, pois você se dedicou com empenho em manter a revista. Agora, o que podemos fazer é agradecer. Você já fez o bastante, agora se dedique ao seu trabalho. Tenho certeza que bons resultados virão desta sua dedicação exclusiva aos teus interesses filosóficos, tais como floresceram durante os 15anos da Crítica.

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    1. Esqueci de lhe parabenizar por mais uma coisa. Meus parabéns pelo dia de hoje, um dia triste para a filosofia lusófona, mas um dia alegre para todos nós que convivemos com você. Feliz aniversário!

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  4. Epa Desidério assim não vale...agora que isto estava a começar a dar frutos decides fechar a porta? Compreendo as tuas razões mas tenho alguma esperança que não consigas, juntamente com outros, deixar de te manter ligado a esta via de divulgação. Mas se for esse o caso, deixa-me agradecer o contributo que deste e que concerteza continuarás a dar para a divulgação da Filosofia, e, em particular um a um certo modo de fazer e discutir Filosofia. Desde o grupo de discussão " Argumentos" até à Crítica, muito coisa mudou no panorama da Filosofia em Portugal e essa é uma marca que não se vai apagar.

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    1. Olá, Ismael! Muito obrigado, rapaz. Continua a cultivar o teu interesse pela filosofia. Quanto mais a estudamos, mais fascinados ficamos.

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  5. Desidério, imensamente grata pelo impulso que nos deste a todos/as. Compreendo que tenha chegado a tua vez. Um abraço grande. " A filosofia nao é uma batata!"

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  6. O Desidério sabe a priori a gratidão e admiração que tenho por ele. Porém ele também sabe a priori que a Crítica não irá acabar, pois não iremos deixar que isso aconteça. Nem que todos os colaboradores da Crítica tenham que se unir para substitui-lo. Eu pensei, contudo, que um nome bastaria para substitui-lo: o Aires Almeida. O que vocês acham?

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  7. Desidério

    Apenas queria deixar o meu sinal de gratidão por todo o trabalho que fez em prol da filosofia no nosso país.
    Desejo-lhe que se dedique afincadamente ao estudo daí saía um trabalho frutífero.

    Um abraço deste jovem que espera vir um dia dedicar-se de alma e coração à filosofia.

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    1. Obrigado, Pedro, e siga em frente com a sua paixão pela filosofia. Quanto mais estudo filosofia, mais entusiasmado fico com a filosofia.

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  8. Eu já agradeci ao Desidério por todo o trabalho de divulgação que tem realizado em nome dos países de língua portuguesa, mas principalmente Portugal porque é aquele com que estou mais familiarizado. Mas agradeço aqui outra vez, pelos esforços que são segundos para nenhum outro.

    Apesar disso, a decisão é a mais razoável. Aliás, se fosse eu tinha sido bem mais egoísta que o Desidério e não me tinha dado nem a um centésimo do esforço mas tinha dedicado o meu tempo exclusivamente a tópicos do meu interesse. Por isso, também temos de agradecer ao Desidério pelo seu enorme altruísmo.

    Por outro lado, é preciso reconhecer o enorme buraco que isto vai deixar no panorama cultural lusófono e seria bom que alguém ocupasse o lugar previamente ocupado pelo Desidério. Já tinha pensado, como o Mateus, que provavelmente seria o Aires a substitui-lo, mas isso vai depender como é óbvio da sua disponibilidade e tempo, que não faço a mais pequena ideia de qual seja (não por falta de interesse ou empenho, mas porque poderá ter outras ocupações que requeiram muito da sua atenção). Eu pela minha muito pequena parte, continuarei a escrever aqui no Blog de vez em quando até me impedirem disso.

    Ao Desidério, prometo continuar, como o faço desde há um bom tempo, a ser um leitor atento e crítico.

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    1. O blog continuará a existir enquanto os seus autores quiserem continuar a escrever nele. Apenas eu deixarei de escrever.

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    2. José, a tua sugestão (e do Mateus) é lisonjeira para mim, mas creio que a revista Crítica é mesmo para ficar como está. O Desidério foi o seu fundador e duvido que conseguisse manter-se afastado caso alguém continuasse com o trabalho dele. A tentação de voltar seria sempre enorme.

      Quanto ao blog, tudo continuará a funcionar como até aqui, embora sem os inestimáveis posts do Desidério. De qualquer modo, pode ser que uma vez por outra, num intervalo dos seus muitos afazeres profissionais e pessoais, ele passe por aqui e deixe um ar da sua graça. Sem pressões nem insistências. Ele sabe bem onde guardamos a chave da porta :-)

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  9. Eu também agradeço muito o trabalho do Desidério no Crítica, pois esta revista guiou muito da minha graduação e pós-graduações. Hoje em dia utilizo também os textos da Crítica com os meus alunos. Agradeço ao Desidério pelo incrível professor que é e incrível empreendedor na Filosofia. Obrigado a você e ao Crítica (além de outros professores e amigos na filosofia) pela minha formação.

    Um grande abraço,

    Rodrigo Cid

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  10. Realmente é uma pena não contarmos mais com as publicações do Desidério, sou aluno de licenciatura em Filosofia no Brasil e o Blog da Critica é recomendado por professores. Vamos sentir falta!

    Abraços e sucesso na realização dos seus objetivos.

    Renato Alves

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  12. Passe o entusiasmo - que também sinto - pela Crítica, há dois reparos que gostaria de fazer. Em primeiro lugar a Crítica não é só a melhor revista de filosofia em língua portuguesa como concorre em pé de igualdade com as suas congéneres em outras línguas. Em segundo lugar é errado pensar que o Desiderio deixa a Critica e está agora disponível para entrar na filosofia séria e dura. A esmagadora maioria dos textos publicados na Crítica, alguns da autoria do Desiderio, são já do melhor qye se produz hoje em dia na filosofia.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Ambos os reparos me parecem justíssimos. Obrigado também a ti, Rolando, pelo excelente trabalho (nem sempre fácil, calculo) que fizeste como assistente editorial da revista.

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    3. Rolando, você tem toda a razão. A Crítica é de longe a melhor revista em língua portuguesa. E os trabalhos do Desidério nesta revista eram comparáveis com o que há de melhor na filosofia. Felizmente, tenho certeza de que verei seus novos trabalhos em revistas com o mesmo padrão de rigor e excelência que a Crítica (mas, infelizmente, eu presumo que esses trabalhos serão em inglês).

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  13. O Luiz disse quase tudo o que eu tinha para dizer. A minha dívida com a Crítica também é impagável. Maior do que isso é a minha dívida para com o Desidério. Devo a ele o melhor da minha formação filosófica. E todo o interesse que despertei pela filosofia deve-se ao seu trabalho. O encerramento da Crítica é uma notícia que ainda me deixa confuso, e que é muito difícil de acreditar. Em todo o caso, tenho certeza que, seja qual for o trabalho que o Desidério decidir se empenhar mais, só teremos a ganhar.

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  14. Olá Desi

    Não quero deixar de agradecer o que também eu aprendi na Crítica.
    Apesar de não ser esta esta a minha área de paixão, muitos temas aqui desenvolvidos e discutidos são apaixonantes e moldaram muito do meu actual carácter e da minha forma de fazer investigação científica.
    Por isso os meus agradecimentos e um abraço do tamanho de Portugal até ao Brasil.
    Bem hajas, sempre.

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    1. Grande Caria, tudo bem? Obrigado pelas tuas palavras. A nossa amizade tem ainda mais anos do que a Crítica!

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  15. Antes da Crítica, fui responsável por uma brincadeira que, em poucos anos e numa altura em que não apenas não havia blogues como os sítios de filosofia eram escassos, teve 4 milhões e tal de cliques (com recorde semanal... astronómico). Sem qualquer apoio/publicidade institucional. Chamava-se, abreviadamente, "O Canto" (e, mais extensamente, "O Canto da Filosofia"). Está em mais do que um endereço, em todos desatualizado -- e definitivamente, desde que uma tal Maria de Lurdes decidiu chamar preguiçosos aos professores.

    Não teve nunca a qualidade da Crítica (nem nunca teve também a quantidade -- e a qualidade -- dos colaboradores da Crítica). Não faço, por isso, qualquer comparação -- mas isso não me impede um desabafo: "Como te entendo, Desidério!"

    (A. Gomes)

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    1. Gomes, foste realmente pioneiro, assim como alguns outros professores, cujos sites entretanto desapareceram. Mas lembro-me também do site do professor Álvaro Nunes, cuja segunda versão está ainda disponível.

      As tecnologias também eram diferentes e uma publicação como a Crítica, toda feita directamente em HTML e SSI, dá um trabalho enorme, mesmo apenas do ponto de vista informático. E depois são os textos: precisam todos de ser cuidadosamente revistos e corrigidos, convertidos então para HTML... enfim. Como sabes, mas outras pessoas não sabem, um texto de 20 páginas representava para mim um trabalho de mais de um par de horas, só para o corrigir e converter.

      Obrigado por todos estes anos, Gomes.

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  16. A Crítica na Rede me tem sido um grande apoio, tanto como pesquisador quanto como professor. Para citar um só exemplo: a tradução do Guia das falácias me vem sendo de grande utilidade em sala de aula, pois com ele consigo ensinar os sofismas de uma forma extremamente didática e agradável a alunos de todas as áreas nos cursos de Introdução à Filosofia (e sei de outros professores aqui da Federal de Sergipe que passaram a utilizar o mesmo material com sucesso em suas salas de aula). Essa revista consegue divulgar ao grande público, de forma agradável e legível, temas que em outras partes são tratados como arcanos cifrados cujos significados são reservados apenas à sapiente parentalha dos Deuses! Que a Crítica continue ou, se isso não for possível, que sirva de parâmetro para o surgimento de outras revistas do gênero. Minhas cordiais saudações, Desidério!

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  17. Eu já me manifestei pessoalmente junto ao Desidério sobre isso, mas gostaria de dizê-lo aqui também. Acho a Crítica um instrumento excelente de ensino e divulgação da filosofia, e creio que se o Desidério não quer mais continuar a editá-la, outras pessoas poderiam tomar o seu lugar. Eu próprio me disponho a colaborar e até a assumir esse posto, se o Desidério concordasse. Há diversas outras pessoas, mais qualificadas do que eu, que poderiam fazer o mesmo. A Crítica é talvez o instrumento de pesquisa e formação mais consultado por estudantes brasileiros. Eu uso o material disponível na Crítica em quase todos os meus cursos na UFSM. Por isso, acho que seria muito bom se o Desidério reconsiderasse a sua decisão de fechar a Crítica, e em vez disso passasse a sua edição para outra pessoa ou grupo de pessoas...
    Tenho muita gratidão pelo Desidério e a revistas, e espero não estar abusando da sua paciência nem me intrometendo demais onde não deveria...
    Abraços,
    --Rogério Passos Severo

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    1. Caro Rogério

      Antes de mais, os meus pedidos de desculpas. Fui muito seco no meu email porque recebi tantos e-mails e comentários neste blog, a que tenho a obrigação de responder. Isso pode ter dado a entender que a minha resistência à sua proposta teria algo a ver consigo em particular. Não tem. Você tem um currículo bem melhor do que o meu, e seria certamente capaz de dirigir uma revista como a Crítica bem melhor do que eu.

      As razões são puramente pessoais. Gostaria que a Crítica ficasse tal como está, porque é um documento histórico do que fiz durante 15 anos de dedicação à profissão, pondo os interesses alheios acima dos meus. Caso a Crítica continue, confunde-se esse registo histórico com o que de novo se fizer. Assim, penso que a melhor homenagem que colegas muito mais qualificados do que eu podem fazer, como é o seu caso, é fundar uma nova revista online, de acesso livre, e que vise, como a congénere britânica Think e a norte-americana Teaching Philosophy, ajudar estudantes e professores a fazer um trabalho de qualidade.

      Uma vez mais lhe peço muitas desculpas pela secura da minha resposta anterior (ainda por cima estava assoberbado de telefonemas porque era o meu aniversário), e lhe asseguro que de modo algum a minha recusa tem a ver consigo em particular. Não consigo imaginar outras pessoas melhor qualificadas do que o Rogério para fazer a sucessora da Crítica.

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    2. Rogério Passos Severo19 de maio de 2012 às 13:17

      Caro Desidério,
      ok, compreendo que você queira deixar registrada historicamente a sua contribuição. Mas a sua marca ficaria ainda mais evidente e será tanto mais forte quanto mais frutos a Crítica der. É comum uma revista ser fundada por um filósofo e depois de um tempo passar a ser editada por outro. A contribuição de Carnap, por exemplo, está registrada nos anos iniciais das revistas Erkenntnis e Philosophy of Science. Essas revistas seguem vivas e fortes até hoje, e isso em nada diminui a contribuição inicial de Carnap. As razões que tu dás para fechar a Crítica são todas de cunho pessoal. Mas a Crítica ao longo desses anos tornou-se algo maior e mais importante do que você mesmo. Pensando no que ela se tornou e no potencial que ela tem, continuo achando que seria melhor se você nomeasse outro editor, em vez de simplesmente fechá-la. A criação de outra revista pode ser interessante, mas o trabalho teria de começar do nada. É bem mais simples continuar uma revista que já está consolidada do que criar uma nova. Além disso, a Crítica funciona hoje não apenas como uma revista, mas como uma espécie de enciclopédia, em razão da grande quantidade de documentos importantes que contém. Uma revista nova teria de começar sem esses documentos e, portanto, seria bem menos interessante do que a Crítica já é hoje... Por isso, espero ainda que você possa reconsiderar sua decisão...
      Abraços,
      --Rogério Passos Severo

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    3. Caro Rogério

      Nem eu me comparo a Carnap nem a Crítica à Erkenntnis. Mas tem toda a razão que há imensos exemplos de continuidade. Contudo, também há exemplos de descontinuidade. Uma revista mais parecida à Crítica foi a Cogito inglesa, e esta fechou há uma ou duas décadas. Hoje em dia o seu espaço no Reino Unido foi ocupado pela Think. O mesmo pode acontecer no caso da Crítica.

      Peço-lhe que não insista e que respeite o meu desejo. Se a Crítica continuar terei muita dificuldade em desligar-me completamente dela. Penso que todos lhe devemos um imenso agradecimento pela sua disponibilidade. Aproveitem a vontade e fundem uma nova revista. A Crítica mantém-se online e qualquer pessoa pode fazer ligações para os artigos nela disponíveis. Mesmo em termos puramente tecnológicos (a Crítica não usa base de dados, é toda feita manualmente em HTML e SSI), seria uma má ideia continuar a manter a Crítica. E fazer um upgrade em mais de mil artigos, para os transferir para uma solução tecnológica que facilite o trabalho de formatação, seria um trabalho igualmente medonho.

      Uma vez mais, Rogério: muito, muito obrigado.

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  18. É realmente uma noticia triste que o Desidério tenha decidido encerrar a crítica. Todos os comentários aqui atestam a importância e o impacto que essa revista teve na comunidade filósófica de lingua portuguesa. Eu próprio não sou uma exceção, que devo muitissimo de minha formação e de meu interesse pela filosofia ao Desidério e ao trabalho dele, tanto em suas aulas quanto na Crítica.

    Deixo aqui também meus agradecimentos, e desejo boa sorte com com tudo para ti, Desidério.

    Abraços

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    1. Viva, Iago! Tudo de bom para ti também, continua o teu trabalho de qualidade. Obrigado pelas tuas palavras.

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  19. Desidério, apenas duas palavras: muito obrigado!

    Um grande abraço,

    Sérgio

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  20. Desde que os conteudos publicados possam permanecer disponíveis, há aí matéria de sobra para quem tem um interesse e um gosto genuinos pela indagação filosófica e pelo valor acrescentado em inteligência, alegria e felicidade com que nos enriquece a vida. É verdade que o seu sentido mais genuino, essencial e pragmático é descoberto a maior parte das vezes de uma forma marginal à instituição académica. Nunca cursei Filosofia. Permanece válido o que disse Epicuro numa carta a Meneceu: "Quem diz que não é ainda, ou já não é mais , tempo de filosofar, parece-se ao que diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de ser feliz."

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  21. Caro Desidério

    Vi hoje (19/05/2012) a notícia do anunciado fim da Crítica.Procurei entrar no "blog" nesse dia, para lhe deixar esta mensagem, mas não consegui.

    Se esse fim da revista se concretizar, ficarei com muita pena; e creio que todos os estudiosos de filosofia em língua portuguesa, a começar pelos universitários e académicos, como é o meu caso, terão razões para ficar tristes.

    A sua paixão e dedicação à filosofia; as suas traduções; as suas inúmeras contribuições para o posicionamento e discussão dos problemas filosóficos na actualidade; a sua eterna irreverência, sempre conjugada com a maior cordialidade, fazem de si, devo dizê-lo, uma figura ímpar no panorama filosófico português contemporâneo.

    Peço-lhe que reconsidere. Não será possível reequacionar os termos do seu investimento pessoal na Crítica, mantendo a mesma, apesar de tudo ?

    No que me diz modestamente respeito, saiba que pode sempre contar comigo.

    Um abraço sincero

    henrique


    ___________

    HENRIQUE JALES RIBEIRO
    Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
    3005-530 Coimbra

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    1. Caríssimo Henrique

      Muito obrigado pelas suas palavras! Depois de todos estes anos, quero poder dedicar-me exclusivamente aos meus interesses, e não é possível compatibilizar isso com a Crítica. A Crítica mantém-se online, apenas não será actualizada.

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  22. Repito aqui o que já escrevi no meu facebook, onde partilhei a despedida do crítica:

    Tudo tem um fim, dizem. Mas é quase sempre triste. Neste caso é tristíssimo. Resta o valioso espólio que continuará online e a nossa homenagem ao fantástico trabalho de divulgação filosófica de Desidério Murcho. Obrigado. E longa vida a novos projetos!

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  23. Tive o privilégio de conhecer a filosofia com o Desidério e a Crítica. Estou "engatinhando" na aquisição do conhecimento filosófico, isso graças à essa revista. Ser leitora da critica e estudante de Filosofia certamente fez de mim uma pessoa melhor.
    Criticanarede é sempre a melhor indicação que fiz às minhas filhas, aos meus alunos e amigos.
    Valeu Desidério!

    Flávia Singulano

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  24. Boa noite!
    Também eu lamento este fim. Venho aqui frequentemente e nunca saí de mãos vazias. Compreendo as razões do Desidério. E respeito-as. Pude testemunhar há uns anos, numa breve formação em Viseu, a sua imensa humanidade, inteligência, humor e simplicidade que só os melhores têm. Obrigado por tudo.
    vasco.

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  25. Em primeiro lugar gostaria de me desculpar (mesmo sabendo que não conheço pessoalmente nenhum de vcs da critica ) por não ter escrito isso antes, mas varias coisas impediram, a principal foi o não acompanhamento e o desconhecimento deste tópico no Blogdacritica, e também não costumo acompanhar essas coisas na internet.

    Tenho um profundo respeito e admiração pelo trabalho que o grupo da Critica tem desempenhado ate o fechamento da mesma. Conheço a Critica e a utilizo desde a graduação (UFSJ-2002-2006), e ate hoje a revista tem contribuído para minha formação/instrumentalização, e por extensão a de meus alunos na UFOPA/PA.

    Por isso, fui impulsionado, social e individualmente, a agradecer o trabalho que o Prof. Desiderio Murcho desenvolveu ao ter fundado e continuado com a critica, por mais de uma década, bem como a agradecer as pessoas que o ajudaram nessa empreitada: escrevendo os artigos e resenhas e mesmo na edição da revista.

    O Prof Desiderio também nunca conheci pessoalmente, mas no papel o conheço um pouco (rsrsrs) pois tenho lido um bocado de coisa que tem escrito nos últimos anos, e o material, por exemplo, de introdução e ensino de filosofia e logica (a formal porem mais da informal), tem me ajudado muito. Compreendo as razoes que o fez tomar essa decisão. O serviço social que prestou com as divulgações é algo que já é digno a priori (poucos professores aqui no brasil fazem isso, quando o fazem), e além disso o prestou com padrões altíssimos de rigor, profundidade e simplicidade que o tornam mais digno ainda (se é que é possível algo ser mais digno do que é, mas entenderam, né?); e mesmo assim o que fez com a Critica é algo inigualável aqui no Brasil (poucas pessoas e outras revistas compartilham da visão de filosofia que essa revista tem, pelo menos a meu ver ).

    A concepção de filosofia e de seu ensino e pratica, que esta como pano de fundo da revista, me fascina e continua me fascinando. Todo mes e semana sempre entrava na revista para ver uma publicação nova, sempre de boa qualidade, linguagem clara e rigorosa, analise profunda e sistemática. Ainda olho hj com essa esperança(rsrsrs). Infelizmente terminou essa empreitada. Mas muito tem a contribuir ainda, pois tem material para quase uma vida la, além das sugestões de leitura precisas e de ótima qualidade em cada artigo e resenha. Espero que inspirem e influenciem cada vez mais pessoas aqui no brasil com essa concepção e pratica da filosofia, como aconteceu comigo mesmo.
    Obrigado mesmo.

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