4 de maio de 2012

Lógica ≠ Filosofia

É certo que a lógica, ou melhor, o uso dos desenvolvimentos técnicos da lógica como ferramentas que auxiliem na solução de problemas filosóficos é uma das coisas que diferencia a filosofia analítica da filosofia continental. Mas o que quero saber é se o lógico é um filósofo? E, mais especificamente, se o lógico é filósofo analítico? Afinal, fazer lógica é fazer filosofia? Mais, o trabalho do “lógico de laboratório”, digamos assim, é um trabalho filosófico? O cara que está preocupado com completude e correção do sistema que está montando e nada mais – É um filósofo? O cara para o qual os conceitos de verdade e falsidade são definidos dentro de um sistema, quase convencionalmente estabelecidos, e simbolizados por 0 e 1, faz um trabalho filosófico? Eu, particularmente, penso que não. Fazer lógica não é fazer filosofia. A lógica não é filosofia. Claro que há muitos lógicos que fizeram e fazem trabalho filosófico, mas isso não faz da lógica filosofia, talvez faça do lógico um filósofo, assim como, por vezes, o físico, o químico ou o biólogo acabam filosofando ao se meterem com problemas filosóficos. A lógica tem boas aplicações como ferramenta que auxilia na solução de problemas filosóficos. Além disso, há problemas diretamente relacionados à lógica que são problemas filosóficos; problemas de filosofia da lógica e da matemática, por exemplo. É apenas nestes dois casos – aplicação como ferramenta e filosofia da lógica – que a lógica tem relevância direta em filosofia.
Claro que não estou defendendo que a lógica deva ser excluída da grade de disciplinas da filosofia, ao contrário, acho que a lógica é uma das disciplinas mais importantes para se ensinar nos cursos de graduação, ensino médio e até pós-graduação, mas, ao contrário do que alguns parecem pensar, creio que fazer lógica não é, nem de perto, fazer filosofia. A lógica, neste sentido, está para a filosofia assim como o calculo diferencial integral está para engenharia. O bom engenheiro sabe calculo, mas não é um matemático. O bom filósofo sabe lógica, mas faz filosofia. E o leitor o que pensa destas ideias?

3 comentários:

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  2. João Vicente Stefanelli5 de maio de 2012 às 08:04

    Concordo com o fato da lógica ser condição necessária mas não suficiente para se fazer filosofia. Mas a maioria das questões que foram postas para negarem o espaço da lógica mostra necessário o esclarecimento do que é filosofia e o que se espera desta. Não pode-se excluir quem responde a todas, ou pelo menos a maioria, destas questões afirmativamente. Pois em nada mostra que esse modo não é filosofia, e vários filósofos no decorrer da história da filosofia trabalharam com conceitos de verdade e falsidade definidos dentro de um sistema, quase convencionalmente estabelecidos.

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  3. O que é ser QUASE convencionalmente estabelecido? Ou é ou não é! Não entendo a critica a respeito da verdade definida "dentro" do sistema. Ser definivel em um sistema é, em si, um defeito? "...simbolizamos por 0 e 1" é pura retórica: qual a importância dos signos utilizados, se os seus significados são estabelecidos com precisão?

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