9 de maio de 2012

O conselho de Ruth


"O meu único conselho é dizer o que pensamos, sermos nós mesmas, e sermos profissionais", respondeu Ruth Barcan quando lhe perguntaram como fazer para vencer os preconceitos machistas dos homens, segundo Diana Raffman, neste artigo. (Na foto, Ruth Barcan com 22 anos.)

15 comentários:

  1. Muito bem. Mas têm-se revelado mais difíceis ainda de vencer, os preconceitos machistas das mulheres.

    Maria

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  3. E têm-se revelado ainda mais difícil de vencer o feminismo exacerbado, que dá mais do que chuchu na serra e é apenas outro tipo de machismo às avessas. Eu já vi muita mulher que faz questão de se chamar de feminista não para defender direitos iguais (como faz uma feminista genuína como a Haack), mas para reformular todo o vocabulário (ai de mim se falar apenas de filósofos sem acrescentar o “as”), revolucionar a epistemologia e a moral (pois aparentemente a maneira como as mulheres conhecem o mundo e raciocinam moralmente é diferente dos homens) e manter todos os preconceitos machistas que são convenientes para as mulheres (por exemplo, apenas os homens têm que se alistar no exército, pois são dispensáveis como bucha de canhão e as mulheres são frágeis).

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  5. Feminismo, na sua forma mais pura e legítima nada mais é que um igualitarismo. Não entendo a expressão "feminimos exacerbado", o que significa?

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  6. Significa que algumas mulheres passam da defesa da igualdade de direitos entre homens e mulheres com uma defesa exagerada dos direitos das mulheres sobre os homens. No primeiro caso temos uma posição plausível, no segundo caso temos um machismo às avessas e guerra de sexos.

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  7. Logo no segundo caso não temos feminismo. Não basta se declarar feminista para ser feminista, é algo que se constroi em conjunto com atitudes e valores. Não adianta alguém se declarar contra o racismo , por exemplo, e suas atitudes refletirem outra opinião. Além do quê é muito mais difícil vencer o machismo , que se trata de uma construção cultural presente na humanidade a bastante tempo, que esse "machismo as avessas", sendo que este último é bem menos difundido socialmente e é politicamente insignificante. E justamente porque é politicamente irrelevante que lembrá-lo dentro de um contexto onde se pressupõe seriedade serve apenas para trivializar reivindicações que merecem atenção.

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  8. Assim como "eu conheço muitos negros racistas" ou "conheço muitos gays heterofóbicos" não diminui em nada as reivindicações contra o racismo ou homofobia. O que é discutido é um problema social, não delírios individuais irrelevantes do ponto de vista numérico.

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  9. Ora, se boa parte do que se chama feminismo nas redes sociais, em vários periódicos e no dia a dia é machismo às avessas, porque seria irrelevante lembrar disso? O feminismo-machista também é um problema social e também deve ser discutido. O contexto onde se pressupõe seriedade quando o tema é ética infelizmente é bem pequeno e todos os esclarecimentos devem ser feitos.

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  11. Para que seu "feminismo-machista" seja um assunto que mereça atenção na proporção que você sugere seria necessário que ele implicasse em problemas sociais mais palpáveis. Não de trata de pessoas que acham isso ou aquilo, mas de mulheres que ganham salário inferior apenas por serem mulheres, por exemplo. Ou que crimes sexuais são muito maiores direcionados às mulheres que aos homens, além de vários outros problemas sociais que podem ser medidos por estatística.
    Não se pode, quando se pretende tratar de maneira séria, tratar todos os problemas juntos ora, é quase certo que a discussão perderá o foco. Se estou dizendo que tal classe X sofre preconceito na sociedade, você responde "Ah, mas alguns indivíduos X tem preconceito contra Y" em que medida sua observação foi relevante para tratar do problema que é o preconceito sofrido por X?
    E voltando ao seu comentário inicial, o machismo justamente porque defende a superioridade física e intelectual masculina é que exige que a participação masculina no exército seja superior à feminina. É uma evidência, e existem várias outras, que o machismo é prejudicial ao homem também. E isso é algo que muitas vezes o senso comum não percebe.

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  12. Se me permitem, gostaria de explicar por que razão também penso ser política e eticamente ilegítimo o activismo político hoje em dia muito comum, e que se manifesta em movimentos como os feministas, os ecologistas e outros. Assim, penso que me inclino mais para o lado do Matheus do que da Bárbara, se me permitem.

    O que me parece que está em causa é o atropelamento de um princípio crucial do debate público e uma condição de possibilidade da própria legitimidade para debater publicamente. Esse princípio é a imparcialidade.

    Uma sociedade não se faz com gente a gritar à toa, tentando cada qual ou cada grupo de interesses impor os seus interesses à custa dos interesses alheios. Isto não é uma sociedade civilizada e justa: é uma selvajaria, em que ganha sistematicamente quem grita mais algo, quem tem mais poder mediático, quem tem mais poder retórico. O resultado disto não é uma sociedade melhor: é uma sociedade tão iníqua quanto a que tínhamos antes, mas agora de sinal contrário: em vez de serem as mulheres as vítimas, são os homens. E não se deu um só passo em frente.

    Uma condição sine qua non para que uma intervenção pública seja legítima é essa intervenção apresentar um discurso imparcial: não uma defesa dos meus interesses só por serem meus, mas uma defesa dos interesses legítimos seja de quem for. Quando eu defendo os interesses dos carecas só porque sou careca, ou das mulheres só porque sou mulher, e ao fazer isso não tenho em consideração os interesses de quem não é careca, ou de quem não é mulher, estou a contribuir para uma sociedade iníqua.

    Na verdade, estou a contribuir da maneira mais profunda que consigo imaginar para uma sociedade iníqua, em termos discursivos, porque estou não apenas a praticar um discurso iníquo, como a impedir o único género de discurso público que pode contribuir para uma sociedade melhor: um discurso imparcial.

    Ou estou a ver mal?

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    1. Pois, Desidério. O problema é exatamente este. Repare que ninguém que participa dessas discussões quer admitir que aquece a retórica do debate e defende posições de maneira tendenciosa, mas infelizmente é isto que acontece na maioria dos casos. Se um dos lados está certo ao defender um ponto de vista é por pura coincidência, pois o que mais importa é a agenda política que se quer empregar para empurrar o mundo numa determinada direção. Obviamente que isso afugenta as pessoas mais sérias que teriam o distanciamento necessário para abordar esses problemas.

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  13. O feminismo, entendido como a mera defesa da igualdade de direitos, é uma banalidade que qualquer pessoa sensata aceita. O curioso é que geralmente quem aceita de bom grado a igualdade de direitos não faz muito barulho sobre o problema social da mulher e nem faz questão de se denominar feminista. Pelo contrário, geralmente quem faz questão disso e se dedica a escrever sobre o assunto como se estivéssemos na idade média não defende a mera igualdade de direitos, mas toda sorte de tese com panfletagem multiculturalista. De modo que feminismo hoje em dia é um termo mal visto por muitas pessoas e com razão.

    Muito do que foi feito em nome do movimento feminista tinha como alvo de crítica uma sociedade patriarcal que não existe mais. As mulheres podem ser livres para escolher diversas profissões e sua inserção no mercado de trabalho nas últimas décadas tem sido muito superior a dos homens. Duvido muito que a diferença salarial seja tão grande quanto algumas alegam e se há essa diferença a tendência natural é diminuir cada vez mais. Não só não penso que o preconceito contra as mulheres diminuiu consideravelmente a ponto de perder o interesse pelo problema, como também penso que agora vemos uma reação histérica de certas mulheres que chegam ao ponto de defenderem uma posição de status superior aos homens – é óbvio que a minha principal evidência aqui é anedótica e baseada em experiências pessoais. A idéia de que muito do que foi feito em ética, epistemologia e metafísica privilegiou o ponto de vista masculino e de que deveríamos agora reformar essas áreas e atribuir mais importância ao ponto de vista da mulher é apenas a consequência natural dessa lógica feminista.

    A discrepância entre o que filósofas como Haack e a generalidade das feministas faz é tão grande que mais valeria abolir o termo de uma vez. A resposta de que esses exemplos não condizem com o feminismo genuíno é um caso típico de falácia “nenhum escocês de verdade”. Alguém afirma que “Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau” ao que replico lembrando um escocês que gosta de açúcar no mingau. A resposta falaciosa é dizer “Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca”. A lógica aqui é bem parecida: diz-se que nenhuma feminista de verdade defende a primazia da mulher quando mais 95% do que se escreve e fala sobre o assunto é pautado em exagero e panfletagem multiculturalista. Ou o feminismo não é nada disso, mas nesse caso é um truísmo que qualquer pessoa sensata aceita e não tem muito interesse. Ou o feminismo é exatamente isso e, portanto, é tolo e merece ser ignorado.

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  14. A insistência do Matheus Silva em desqualificar o feminismo me parece um exemplo exímio da razão do feminismo ser necessário. Essa tentativa de silenciamento intelectual do feminismo que ele denota é apenas um reflexo de uma sociedade que naturaliza o silenciamento da voz das mulheres. Acontece que enquanto confortavelmente ele diz ser armchair que as mulheres já podem 'até' trabalhar (!), elas também são diariamente agredidas e mortas (por companheiros, familiares e desconhecidos) e muitas vezes quando procuram auxílio do Estado (nas delegacias), dos familiares ou de grupos comunitários que participam como igrejas, a resposta que elas encontram é novamente um silenciamento, coisas como: 'Ela mereceu, afinal... Agindo como uma histérica' ou 'Você deve lutar pelo seu casamento, releve isso (as agressões)'. Vivemos numa sociedade que naturaliza sistematicamente reações como essas (na relações familiares, sociais e também na academia). E é por isso que o feminismo é necessário, para problematizar essas situações.

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