27 de junho de 2012

Pesquisa tendenciosa?

Muitos historiadores e sociólogos do conhecimento afirmam com segurança que toda pesquisa é tendenciosa. Pergunto-me como esse fato foi descoberto. Não é tautológico ou mesmo autoevidente. Certamente foi preciso investigação -- isto é, pesquisa -- para descobri-lo. Mas na medida em que a pesquisa é tendenciosa, as conclusões a que ela chega não merecem confiança. Assim, essa conclusão, a de que toda pesquisa é tendenciosa, se correta, não tem de merecer confiança. E, naturalmente, se estiver incorreta, então também não merece confiança. Portanto, não merece confiança. Poderia ser verdadeira, mas não podemos ter boas razões para pensar que seja.
 Jarret Leplin, A novel defense of scientific realism; Oxford University Press, 1997.

31 comentários:

  1. Mas há alguma pesquisa que não seja tendenciosa?
    Quer dizer, há alguma pesquisa que não tenha uma tendência ou revele uma intenção, que não partilhe alguma ideia preconcebida, que não deva nada a um pressuposto, que não vise um propósito?
    Haverá ou será possível alguma pesquisa neutra ou completamente imparcial?
    A começar por esta própria pesquisa "pesquisa tendenciosa?"...

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  2. Pergunta aos lógicos-refutadores:

    E a conclusão de que existe pesquisa não tendenciosa por acaso está dispensada de pesquisa? Por que deveria ser mais confiável uma conclusão sobre pesquisa que nem sequer brotou de uma pesquisa? Se exigiu pesquisa, como confiar numa conclusão que brotou de uma pesquisa que nem sequer podia saber o que era uma pesquisa não tendenciosa?

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    1. Resposta ao refutador dos lógico-refutadores:
      O argumento acima não estabelece que haja pesquisa não tendenciosa. A última frase do argumento mostra isso: "Poderia ser verdadeira [a conclusão], mas não podemos ter boas razões para pensar que seja". Tudo o que mostra é que se as conclusões das pesquisas científicas não são confiáveis, não adianta usar conclusões obtidas de pesquisa científica (como é o caso da sociologia e da história) para sustentar que toda pesquisa é tendenciosa e que, por conseguinte, não merece confiança. O ponto é simples: se os historiadores e sociólogos do conhecimento estiverem certos, segue-se que estão errados. É autorrefutante!

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    2. Sim, acho que compreendi. Mas a crítica à pesquisa tendenciosa também se torna autorrefutante. Por outro lado, não faz sentido contestar dessa forma a perspectiva da pesquisa tendenciosa sem pressupor a possibilidade oposta.

      O problema todo, a meu ver, é que uma crítica como essa, baseada numa refutação lógica extremamente formal, acaba sendo trivial e não tem praticamente nada a acrescentar à questão. É um modelo de refutação geral, que pode se aplicar a quase tudo, e por isso mesmo não chega a esboçar qualquer reflexão sobre o tema abordado. Daí que mereça uma refutação do mesmo nível.

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    3. Mas de fato não tem nada a acrescentar. Se partimos da ideia comum de que a ciência é minimamente objetiva e que nos fornece algum conhecimento do realidade extramental, e que em certa medida o sucesso da própria ciência é um indício para pensarmos que seja assim, o ônus de mostrar que a ciência não tem um estatuto epistêmico privilegiado está do lado de quem alega tal coisa. Uma vez que o argumento oferecido é autorrefutante não oferece qualquer razão para que se abandone tal perspectiva comum acerca da ciência.

      obs 1: pode-se refutar um argumento mostrando que (i) pelo menos uma de suas premissas é falsa, (ii) que a sua conclusão não se segue das premissas, ou (iii) que as suas premissas não são mais plausíveis que a conclusão. No caso do argumento em questão a verdade de sua conclusão (Toda pesquisa é tendenciosa) enfraquece a verdade das premissas (que se baseiam em pesquisa). E veja, não é uma simples refutação, é uma autorrefutação! Quando um argumento é autorrefuntante não é preciso que alguém o refute, ele faz isso por si próprio.
      obs 2: essa crítica não se aplica a argumentos que não sejam autorrefutantes!

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  3. Penso que o que ocorre aqui seja uma utilização de 'tendencioso' num sentido pejorativo. Toda pesquisa, para ser uma pesquisa, precisa partir de algum pressuposto, nem que seja para que, após realizada essa pesquisa, se refute esse pressuposto. Se partir de alguma espécie de pressuposto é o que esses 'estudiosos' têm em mente com 'tendencioso', creio que estejam corretos em seu diagnóstico. No entanto, creio que eles tenham em mente algo pejorativo e, consequentemente tendencioso, em se tratando do meio de pesquisa científico...

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  4. Mais especificamente, esses historiadores e sociólogos do conhecimento são aqueles que constituíram o chamado programa forte na sociologia da ciência. Como é bem sabido, o programa forte se caracterizou principalmente pela rejeição de um estatuto epistêmico privilegiado por parte das ciências (principalmente das ciências naturais). Talvez a principal razão disso fosse o pressuposto partilhado de que a própria história da ciência mostra que a objetividade é nada mais nada menos do que um artigo de fé de cientistas e filósofos. Há fatores externos à própria atividade científica (políticos, religiosos, etc.), argumenta o programa forte, que são responsáveis pela "fabricação" dos próprios fatos científicos. É nesse sentido que se diz que toda pesquisa é tendenciosa, no sentido de que suas descobertas (ou invenções) não possuem objetividade, isto é, não dizem respeito a um mundo externo independente de construções humanas. Portanto, "tendencioso" nesse sentido não diz respeito aos pressupostos teóricos dos cientistas (esse sentido é trivial), mas sim a fatores externos à ciência e que à partida não deveriam contar como decisivos para a formulação de teorias e experimentos científicos.

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  5. Tal como é considerado trivial o sentido de "tendencioso" quando referido aos pressupostos teóricos dos pesquisadores/cientistas, também poderá ser considerado de certo modo trivial - num sentido que talvez não seja tão imediato ou óbvio - afirmar que "toda pesquisa é tendenciosa, no sentido de que suas descobertas (ou invenções) não possuem objetividade, isto é, não dizem respeito a um mundo externo independente de construções humanas".

    Com efeito, e pondo isto de uma forma sintética, a pesquisa é um processo de construção do conhecimento, e tal construção (e exactamente também por ser "construção") é incontornavelmente uma construção humana, com as características e consequências associadas; e nesse sentido - um Aristóteles ou um Kant também ajudaram a que não haja grandes ilusões sobre tal matéria -, traz sempre e já consigo a marca da subjectividade, pois tal processo é construído por sujeitos "humanos, demasiado humanos" (seja qual for o ponto de vista que se queira considerar: metafísico, epistémico, lógico, sociológico ou qualquer outro).

    Para não se andar apenas a passar de trivialidades para outras trivialidades, convirá talvez, em vez de se aceitar debater simplesmento o problema com os argumentos/pressupostos com que é apresentado - afinal, assim, não seria mais do que "um trivial caso de autorrefutação" -, começar por questionar o seu próprio horizonte de sentido, as condições da sua emergência ou possibilidade.

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    1. - "O problema todo, a meu ver, é que uma crítica como essa, baseada numa refutação lógica extremamente formal, acaba sendo trivial e não tem praticamente nada a acrescentar à questão".

      - "Mas de fato não tem nada a acrescentar".

      Assim sendo, qual é, de facto, o interesse dessa crítica?
      Simples exibição de um formalismo que evidencia a sua esterilidade através da autorrefutação do próprio argumento?
      Comprazimento pelo preciosismo técnico?

      Neste como noutros casos, em vez de se procurar simplesmente a forma como se resolverá o problema, aceitando os seus termos e deixando na sombra os seus supostos - e caindo assim, as mais das vezes, em questões sobretudo "técnicas" -, não se deve procurar antes saber qual o sentido que lhe subjaz, o que, ou como se, legitimou a sua constituição como problema?

      De resto, no meu 1º comentário, tentei logo mostrar que a questão da pesquisa ser "tendenciosa" não se podia circunscrever apenas aos termos em que o argumento era formulado, já que tal atributo/qualidade convocava também outros campos de significação e níveis de sentido, que podiam alterar a compreensão daquela questão, aquém ou para além do círculo da trivialidade autorrefutante.

      E se quiséssemos ir mais loge, quando, por exemplo, se fala de "objectividade" (aqui cingida à referência "a um mundo externo independente de construções humanas"), podemos questionar o significado de tal "objectividade", indagar qual o horizonte de sentido em que emergiu tal conceito, de onde colhe a sua legitimidade, qual o seu valor.

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    2. Ao invés de se incomodar com o apontamento de que o argumento em questão é autorrefutante, por que então não o reformulas de modo a torna-lo um argumento aceitável? Ao fazer isso penso que podes tocar em todos esses pontos que achas importante.

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    3. Rui, esquece-se também que o trabalho filosófico nem sempre é positivo. Na verdade, grande parte do trabalho filosófico consiste na avaliação de argumentos, em distinções conceituais, em desfazer confusões, etc. Muitas teorias filosóficas só vieram à luz devido ao trabalho negativo; por exemplo, Berkeley começa o seu Tratado refutando a existência do mundo externo. Kant, desenvolve sua filosofia crítica apenas porque achava que tanto o empirismo quanto o racionalismo não davam conta de explicar a possibilidade do conhecimento. Quine passa a maior parte de seu "Os dois dogmas", um dos textos mais influentes da filosofia do século XX, refutando a concepção tradicional de analiticidade, etc. Talvez consideres tudo isso também como "esterilidades" e "comprazimento pelo preciosismo técnico".

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    4. Não é bem assim, Luiz. O problema é que esse tipo de observação crítica formal deixa tudo como está, e sem desfazer qualquer nó epistemológico. Ela não tem nenhum mérito de iluminar o caráter autorrefutante da pesquisa tendenciosa já que a alternativa de uma pesquisa não tendenciosa pode se mostrar igualmente autorrefutante à luz da mesma crítica lógico-formal. E aí? Não se anda nem pra frente nem pra trás. Bem mais interessante seria discutir, por exemplo, por que, afinal, tanto a defesa de uma pesquisa 'objetiva' quanto a proposta de uma pesquisa que abra claramente mão de critérios objetivos esbarram em contradições e parecem insustentáveis.

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    5. Um argumento é autorrefutante se a verdade de sua conclusão implica ou a falsidade de pelo menos uma de suas premissas ou o seu enfraquecimento. Se puderes apresentar um argumento a favor da objetividade da ciência que seja autorrefuntante como afirmastes acima, ajudaria bastante. Certamente que há argumentos a favor da objetividade que são ruins; mas autorrefuntantes, fico à espera de que me apresentes pelo menos um.

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    6. O argumento a favor da objetividade calcada na possibilidade de uma pesquisa não tendenciosa pode se mostrar igualmente inconsistente quando se recorre aos mesmos critérios lógico-formais com que se desarma a idéia de uma pesquisa tendenciosa.

      E a conclusão de que existe pesquisa não tendenciosa por acaso está dispensada de pesquisa? Por que deveria ser mais confiável uma conclusão sobre pesquisa que nem sequer brotou de uma pesquisa? Se exigiu pesquisa, como confiar numa conclusão que brotou de uma pesquisa que nem sequer podia saber o que era uma pesquisa não tendenciosa?

      Mas isso é o que menos importa. Reivindicar a objetividade irrefutável da ciência significa se agarrar a Kant, à física clássica e à matemática euclidiana, desconsiderando a física e a matemática modernas e até mesmo as críticas do empirismo lógico ao plano transcendental kantiano- onde afinal estava amarrada toda a objetividade que sua filosofia garantia à ciência.

      Lamento, mas o ônus da prova cabe aos defensores radicais da objetividade da ciência. Cabe a eles demonstrar como podem existir proposições científicas cuja objetividade é completamente independente do contexto social e do sistema linguístico-cultural em que foram arquitetadas. Agora eu é que estou curioso pra saber no que se fundamentaria um argumento em prol dessa objetividade.

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  6. Toda esta conversa é imensamente tendenciosa, nomeadamente, "vai para algum lado" - para o fundo do ecrã do computador. Tenho sérias dúvidas quanto à objectividade de seja o que for, inclusive das minhas dúvidas e das minhas dúvidas sobre as minhas dúvidas. Na verdade, acho que estou a ser manipulado por um génio maligno, etnocêntrico, logocêntrico e falocêntrico, e ainda por cima ocidental, que é o pior tipo de etno-logo-falo-centrismo.

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    1. Vitor, desconfio que a manipulação do gênio do falo maligno seja apenas uma manipulação lógico-formal de esterilidades e comprazimentos técnicos! =P

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    2. Vitor, duvido de que você objetivamente duvida de que duvide.

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  7. Não há esterilidade na observação do Leplin. Pelo contrário. Notemos o seguinte: uma vez que aceitamos a observação e continuamos querendo defender que as pesquisas são tendenciosas, resta ou defender que algumas pesquisas não são tendenciosas (como a que mostra que as demais pesquisas são tendenciosas, por exemplo, o que seria bastante ad hoc); ou defender que a tendenciosidade não é determinante para o resultado da pesquisa (mesmo que eventualmente tenha alguma importância).

    O problema é que nenhuma destas opções serve ao defensor do programa forte ou coisa parecida, embora eles possam recuar para elas caso sejam criticados (com aquela conversa típica de "Eu não queria realmente dizer tal coisa..." que acompanha todo discurso de má qualidade argumentativa).

    Enfim, o importante é que a observação do Leplin não é meramente um "resultado formal" ou algo assim. Surpreende que ela seja vista de modo estreito por quem tenderia a reclamar de leituras estreitas. Em si mesma ela é um bom resumo do que há de errado com todo um projeto de investigação.

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    1. Gregory, até mesmo Wittgenstein reconheceu que uma afirmação aparentemente irrefutável como "2+2=4" não poderia ser considerada absolutamente objetiva (ou definitivamente incontestável), por depender do sistema matemático no qual está integrada. Caso esse sistema seja radicalmente alterado, talvez não caiba mais sustentar a afirmação nos mesmos termos.

      É ingenuidade acreditar que quem ressalta o caráter tendencioso de toda a pesquisa está querendo dizer algo muito diferente disso. Somente para um olhar similarmente simplório, seria o caso aqui de uma defesa trivial do subjetivismo. Pretende-se argumentar apenas que, de modo geral, qualquer pesquisa é condicionada historicamente pelo sistema de mundo (cultural, liguístico, social, como quiser) em que opera, assim como por critérios e interesses que estruturam esse sistema. Trata-se de algo bastante plausível.

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    2. O que você está dizendo é apenas o mesmo que adotar a segunda opção que identifiquei: relativizar a importância da tendenciosidade. Não sei porque você pensa que houve ingenuidade no que eu disse. Tampouco sei porque você precisou falar de Wittgenstein e alegar que segundo o mesmo "2+2=4" não seria uma verdade objetiva (o que eu acho contestável, mas irrelevante para a discussão).


      E cuidado para não confundir falibilidade com tendenciosidade, isso sim seria ingênuo.

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    3. "qualquer pesquisa é condicionada historicamente pelo sistema de mundo (cultural, liguístico, social, como quiser) em que opera, assim como por critérios e interesses que estruturam esse sistema".

      Essa afirmação admite pelo menos duas interpretações. Ela pode ser interpretada como a tese verdadeira, mas banal, de que toda pesquisa depende de crenças de pano de fundo e interesse em determinados problemas ou pode ser interpretada como a tese forte, mas falsa, de que toda pesquisa é tendenciosa, no sentido de não ser objetiva. Essa última tese não só é falsa como é auto-refutante, isto é, nunca poderá ser verdadeira. É claro que o Leptin tem em mente essa segunda interpretação.

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    4. Gregory, eu realmente não pensei em me dirigir a você quando falei em ingenuidade. Por favor, não se apresse em achar isso. Além do mais:

      1- relativizar a importância da tendenciosidade só torna o argumento que quer de tal modo criticá-la um pouco mais pueril: além de meramente formal, atinge algo sem grande relevância.

      2- citei Wittgenstein apenas para lembrar que mesmo alguém notoriamente associado a tendências filosóficas defensoras da objetividade reconheceu o caráter problemático dessa noção; isso não é privilégio do 'programa forte ou coisa parecida'.

      3- obrigado por me alertar sobre essa possível confusão entre falibilidade e tendenciosidade- não sei como descuidei disso...

      Matheus, se Leplin tem em mente a segunda interpretação, então, além de se servir de argumentações formais pobres, ele gosta de perder tempo chutando cachorro morto. Isso que você chama de 'tese forte' não passa de um estereótipo que só vem bem a calhar para a produção de refutações do tipo formal-estereotipadas. Essas visões se merecem e se destinam, ambas, à esterilidade. Não é tão simples, contudo, você declarar banal a tese da dependência de crenças e interesses e ainda assim falar tranquilamente em objetividade. Considerando o uso desse conceito, objetividade, não dá para conciliá-lo inteiramente sem problemas com a primeira tese (verdadeira, mas trivial). Dependendo da 'objetividade' que se tem em mente (qual será, afinal?), a primeira tese também não pode ser declarada objetiva.

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  8. Registo a capacidade de diálogo e até alguma bonomia do Luiz Helvécio perante o contraditório.

    Já quanto ao Vitor Guerreiro, parece que houve um génio maligno (ou tendencioso?) que apagou alguns posts ou comentários sobre questões de estética e filosofia da arte...
    Tal como eu, há muita gente que considera estarmos perante uma grande perda, logo num domínio em que a perspectiva analítica vem exibindo resultados tão promissores...

    Os comentários/objecções deixaram incólume o fundamental das minhas observações... (Berkeley, Kant: qualquer relação deles com aquele indigente argumentário não passará de fortuita coincidência).

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  9. O carácter auto-refutante da asserção reside apenas na sua pretensa universalidade. Retirando a palavra "toda" da primeira frase, a auto-refutação desaparece. Pode-se passar a um estádio mais fecundo, a saber, como caracterizar e a seguir identificar a pesquisa tendenciosa. É mais ou menos evidente que existe pesquisa tendenciosa, todos conhecemos bastos exemplos, do mesmo modo todos conhecemos também pesquisa feita com um alto grau de idoneidade. Na verdade, isto faz-me lembrar aquele juiz norte-americano quando dizia: I can't define what is pornography. But I know it when I see it. O mesmo é válido a propósito do que é a pesquisa tendenciosa.

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  10. Sim, primeiro apaguei posts e depois decidi passar a fazer posts sem comentários. Estou farto de trocas de tacadas "analítico" isto, "continental" aquilo, "redutor" isto, "abrangente" aquilo.
    Doravante só discuto o que me apetece. Aconselho os leitores a fazerem o mesmo com o seu tempo. Talvez escreverem uns ensaios sobre aquilo que os estimula, em vez de depenar a centésima milésima pena de uma troca fútil de "tacadas" metodológicas, do "devia dizer-se isto em vez de aquilo".

    Mas desejo boa sorte às vossas futuras discussões tendenciosas.

    (Este é o meu último comentário numa caixa de comentários deste blogue, por mais tendenciosamente graciosas e graciosamente certeiras que sejam as tacadas seguintes, e não tenho dúvida de que o serão.)

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    1. Entendo que voce não queira mais comentar e gastar seu tempo com 'tacadas'. Entendo que não tenha interesse em ler o que escrevem por aqui, que esteja farto disso tudo etc. Só não entendo por que você apagou sumariamente os textos já publicados de pessoas que cumpriram as regras do blog e dedicaram seu tempo a vir aqui, contribuir com a discussão, elaborar da melhor maneira um pensamento sobre o assunto- coisa que nem sempre é 'de tacada'. Acho que foi um certo desrespeito com aqueles que decidiram empregar seu tempo escrevendo os comentários. Mas, claro, logo eu, um reles anônimo descumpridor assíduo das regras do local, vou ousar lhe dizer isso?

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  11. Dado que o Vitor Guerreiro abandona o debate, apesar da forma intelectualmente pouco elevada, impõe-se que seja caridoso com ele.
    Não, não foi por causa das "tacadas" (quem seguiu o debate sabe que tal aspecto foi irrelevante) que ele apagou os posts e os comentários e bateu em retirada...

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  12. Em face do comentado, parece ser pertinente interrogarmos o que seja a natureza e função de um Problema, para tentar esclarecer alguns mal entendidos que por aqui vogam.

    o PROBLEMA tem três aspectos:
    1)DIFERENÇA DE NATUREZA em relação às soluções;
    2)TRANSCENDÊNCIA em relação às soluções que ele engendra
    a partir de suas próprias condições determinantes;
    3)IMANÊNCIA às soluções que vêm recobri-lo,
    sendo o PROBLEMA tanto melhor resolvido quanto mais ele se determina.

    Portanto, as ligações ideais constitutivas da Idéia problemática (dialética) encarnam-se, aqui, nas correlações reais constituídas pelas TEORIAS matemáticas
    e dadas como SOLUÇÕES aos PROBLEMAS.”

    Lautman,BOOK III New Research on the Dialectical Structureof Mathematics, p. 204.

    “dialectic is not part of mathematics, and its notions are unrelated to the primitive notions of a theory.
    We have already defined, in our thesis (Lautman 1938b),
    the priority of the dialectic as that of ‘concern’ or the ‘question’with respect to the response.

    It is a matter of an ‘ontological ’anteriority, to use the words of Heidegger, exactly comparable to that of the ‘intention’ in regards to that ‘for the sake of’.

    Just as the notion of ‘for the sake of’ necessarily refers to an intention oriented towards this purpose,it is of the nature of the response to be an answer to a question already posed, and this, even if the idea of the question comes to minnly after having seen the response.

    The existence of mathematical relations therefore
    necessarily refers back to the positive Idea of the search of similar relations in general.

    Having established this point allows us to specify that which constitutes the essence of the Ideas of the Dialectic.

    First of all let us point out that we distinguisnotions and dialectical Ideas


    The Ideas envisage possible relations between dialectical notions.
    Thus we examined in our thesis (Latman 1938b)the Ideas of the possible relations between pairs of notions such as whole and part, situational properties and intrinsic properties, basic domains and the entities defined on these domains, formal systems and their realization, etc.

    The essential difference between the nature of mathematics and the nature of the Dialectic can be inferred from thesedefinitions.

    While the mathematical relations describe the connections that in fact exist between distinct mathematical entities,
    the Ideas of dialectical relations are not assertive of any connection whatsoever that in fact exists between notions.

    Insofar as ‘posed questions’, they only constitute a problematic relative to the possible situations of entities.

    It then happens to be once again exactly as in Heidegger’s analysis, that the Ideas that constitutet his problematic are characterized by an essential insufficiency, and it is yet once again in this effort to complete the understanding of the Idea, that more concrete notions are seen to appear relative to the entity, that is, truemathematical theories”

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  13. Ainda não entendi inteiramente o significado exato de "pesquisa tendenciosa". De qualquer forma, creio que essa seja uma questão absolutamente irrelevante, pois o que importa a uma pesquisa científica é que leve a resultados verdadeiros, independente da "tendência".

    Se por "tendenciosa" se toma a pesquisa que pode levar a uma conclusão errada, basta um único exemplo para que siga trivialmente (veja a eletrodinâmica de Weber) que toda pesquisa é sim tendenciosa. Todavia, não creio que seja esse o significado pretendido do termo, caso contrário alguém já teria percebido a vacuidade de qualquer debate sobre o assunto.

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