28 de junho de 2012

Tim Crane: Arte e Arte*


Que importa, afinal, se o vinho é um objecto artístico? O vinho não é tradicionalmente valorizado como arte, mas e depois? Ainda assim, é valorizado. Por que não introduzir uma categoria mais ampla, arte*, que inclui tudo aquilo que agora concebemos como arte e também o vinho, mobiliário, certos pratos gastronómicos, etc.? "Arte*" poderia significar: artefactos humanos esteticamente avaliáveis. Poderíamos então substituir arte* a arte nas nossas discussões e a definição de "arte" seria remetida para o caixote do lixo das pseudo-questões.
Isto parece-me uma manobra superficial. O conceito de arte é demasiado importante na nossa cultura para que se rejeite a questão "O que é a arte?" como uma pseudo-questão. Mesmo não havendo uma resposta consensual para a questão, as tentativas de lhe responder produziram as suas próprias ideias sagazes. Mas na perspectiva do que é mais valioso para nós como consumidores de objectos estéticos, as semelhanças entre artefactos humanos esteticamente avaliáveis - obras de arte* - importam mais do que as diferenças entre elas e as obras de arte.  Noutras perspectivas, a distinção entre arte e arte* pode ser muito importante, mas se algo o vinho nos ensina é que no que diz respeito ao valor dos nossos artefactos, não raro o estético ou sensorial contam mais do que o artístico propriamente dito.

Tim Crane: Wine as an Aesthetic Object