16 de julho de 2012

Marx morreu?


«Deus morreu, Marx morreu, e eu próprio não me sinto lá muito bem», dizia Woody Allen.

Espero, sinceramente, que Woody Allen se sinta melhor. A avaliar pela sua actividade recente como realizador, parece estar de saúde. Quanto a Deus, também não vale a pena perder muito tempo com isso, pois ainda que morra, ele há-de saber como dar a volta ao assunto e acabará sempre por ressuscitar. 

Mas o que é feito de Marx? Estará mesmo morto? Terá ele resistido à queda do Muro de Berlim e à manifesta agonia dos regimes que diziam mantê-lo bem vivo? Será que os livros de filosofia política contemporânea ainda se dão ao trabalho de discutir Marx? 

Ora, basta folhearmos uma das mais prestigiadas introduções à filosofia política contemporânea, como é o caso de Contemporary Political Philosophy: An Introduction, de Will Kymlicka, para verificarmos que afinal o morto ainda mexe. E a avaliar pelo destaque que no seu livro Kymlicka dá ao marxismo (praticamente o mesmo que a qualquer outra grande teoria política contemporânea, como o liberalismo social de Rawls e Dworkin, o libertarismo de Nozick e Gauthier, ou o comunitarismo de Sandel, Walzer, McIntyre e Taylor), Marx não só não está sequer doente, como parece gozar de boa saúde. 

É certo que o marxismo actual abandonou ou reformulou algumas das teses defendidas por Marx. Mas isso tem-se verificado sobretudo em relação às suas teses empíricas, como é, em parte, o caso do materialismo histórico. Contudo, é precisamente quando o Muro de Berlim cai e os regimes comunistas inspirados por Marx se começam a render ao capitalismo reinante que o marxismo ganha um novo fôlego. E a esta curiosidade junta-se uma outra: a enorme revitalização do marxismo que se tem verificado a partir dos anos 80 do século XX deve-se quase exclusivamente a filósofos e pensadores políticos que, eles próprios, se reclamam de analíticos. A tal ponto que a esta recente redescoberta de Marx se costuma chamar «marxismo analítico», tendo como principais representantes filósofos e pensadores políticos oriundos do universo anglo-saxónico, entre os quais se destaca o filósofo G. A. Cohen. 

Os marxistas analíticos procuram não tanto reconstruir as teses empíricas de Marx, mas antes avançar com argumentos a favor da legitimação moral dos ideais comunistas, adoptando uma perspectiva marxista predominantemente normativa e desenvolvendo uma teoria marxista da justiça que evite as alegadas deficiências de teorias da justiça como a de Rawls. 

O capítulo do livro de Kymlicka discute criticamente, e com algum pormenor, os argumentos dos marxistas analíticos, nomeadamente as suas duas principais tendências: o marxismo perfeccionista e o marxismo kantiano. 

Como se vê, Marx está longe de morrer. Podemos não concordar com os marxistas, mas certamente não com o argumento de que está definitivamente morto e enterrado. Nada podia ser mais enganador.          

21 comentários:

  1. Guiando-me apenas pela descrição do post, e não conhecendo os autores referidos, fará sentido chamar a isso "marxismo"?

    Isto é, o que distinguia o marxismo da carrada de "socialismos" surgidos no século XIX e deu a Marx direito ao seu próprio "-ismo" foi exactamente a sua abordagem "positiva" ("o capitalismo está destinado a destruir-se") em vez de apenas "normativa" ("o capitalismo é mau"). Assim, um marxismo que seja essencialmente "normativo" ainda será "marxista", ou cairá naquilo a que Marx chamaria "socialismo utópico"?

    Será que esses autores não se dizem "marxistas" simplesmente porque, como o marxismo (nas suas várias versões) quase monopolizou o pensamento socialista anti-capitalista durante mais de um século, têm dificuldade em serem anti-capitalistas sem, automaticamente, se auto-designarem de "marxistas"?

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  2. Boas observações, caro Miguel. Devo, contudo, acrescentar que esse aspecto é abordado no capítulo do livro de Kymlicka e que, alegadamente, isso não constitui um problema sério para os marxistas analíticos, uma vez que, à parte o carácter dito científico (logo, não normativo) do socialismo marxista, os conceitos chave para pôr de pé uma teoria da justiça comunista são os de alienação e outros directamente tirados de Marx, não dos chamados socialistas utópicos.

    Uma das motivações do meu post foi precisamente motivar o leitor para ler o livro de Kymlicka e, em particular o capítulo sobre o marxismo.

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  3. Caro sr. Aires:

    Ainda há dias o jornal Guardian falava dum "regresso a Marx"... Também tenho ouvido outros manifestarem preocupações com um "retrocesso civilizacional"... Até parece que têm razão!

    Esforço inglório. O que lá vai, lá vai... São as recuperações revivalistas em que o marketing é fértil, tanto como a feira das novidades com seu carrocel de "filósofos" tontos a procurem chamar a atenção sobre si. Nem que seja com "marxismo kantiano"! Contradictio in adjectum ? Não,nem isso, apenas rematado disparate.

    Ainda há poucos anos saiu por cá uma notável Introdução à Filosofia Política, de Jonathan Wolff, e não me lembra que ele tivesse dedicado alguma página a estes cadáveres arqueológicos da sociologia e economia política oitocentista.

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  4. Caro Duarte, é curioso ter referido Jonathan Wolff e a sua excelente Introdução à Filosofia Política (na qual Marx é frequentemente referido, apesar de não haver qualquer capítulo sobre o marxismo) Mas digo que é curioso porque Wolff é precisamente o autor de um livro (escrito depois daquele e com tradução portuguesa) intitulado Porquê Ler Marx Hoje?

    Acho que não é boa ideia encarar as coisas como retrocesso civilizacional ou como avanço civilizacional, mas simplesmente como ideias às quais alguns filósofos procuram dar novo sentido e que, por isso mesmo, merecem ser criticamente discutidas. Já agora, nem Wolff nem Kymlicka são marxistas e este, na discussão crítica do marxismo analítico, aponta até várias objecções de monta.

    E as ideias, boas ou más, devem ser discutidas. Até porque, só depois disso, temos justificação para dizer se são realmente boas ou más.

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  5. Estimado sr. Aires:

    Tenho aqui e agora o livro de Wolff e, efectivamente, lá estão as “objecções marxistas ao liberalismo”(186-188), e mais de Marx e Engels nos “argumentos contra o mercado” (214-219) para além dalgumas outras referências de passagem, páginas que sobrepassei porque de somenos importância para mim.

    É mais do que encontro na Political Philosophy, de Dudley Knowles (Routledge, 2001) e no vasto Oxford Handbook of Political Theory (2006). O Politics, de Andrew Haywood (2002) dedica as 52-56 ao paleo-marxismo (duas das quais a Marx) e três parágrafos ao “modern marxism”, sem referências aos próceres mais recentes dos anos 80-90, como Negri ou Zizek (ignorados também por Dudley). Agradeço-lhe a indicação bibliográfica.

    A questão Porquê Ler Marx Hoje? é pelo menos tão boa como a questão Porquê Ler Moses Hess hoje. Se os “analíticos” querem estudar o marxismo, que lhes aproveite; mas sugiro que comecem por Demócrito, Epicuro Feuerbach ou Hegel. Talvez que depois achem Marx mero epígono, um tanto primário e insípido. Falo em termos de filosofia e de filosofia política, não de sociologia ou economia. Com tanto estudo, talvez que saia de lá, depois do “marxismo kantiano”, um “marxismo tomista”!...

    Como se vês pelo Guardian que citei, são os efeitos de mais uma “crise do capitalismo” (perdão: “neo-liberalismo”!), galvanizadores de cadáveres.

    Agora, há uma coisa que o sr. Aires disse que é muito sábia e que me permitirá eu repita aqui para minha edificação e perpétua lembrança: « E as ideias, boas ou más, devem ser discutidas. Até porque, só depois disso, temos justificação para dizer se são realmente boas ou más.»

    Vamos a isso.

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  6. Caro Duarte (permita-me que dispense o "sr.", pois parto do princípio que somos ambos senhores),

    Tem todo o direito de desaconselhar a leitura dos marxistas analíticos ou de quem entender. O que eu não compreendo é o seu manifesto incómodo, ainda que expresso de forma algo irónica, em haver quem os queira ler. E certamente haverá sempre outras coisas mais importantes que as pessoas devem ler antes de lerem o que querem. Mas talvez seja melhor, mesmo assim, deixar as pessoas lerem e estudarem o que bem entenderem. Até para tirarem as suas próprias conclusões e não ficarem apenas pelo veredicto sumário do Duarte.

    De resto, não coloquei qualquer questão sobre porquê ler Marx hoje. Trata-se simplesmente do título de um livro. Um livro de um autor que o próprio Duarte sugeriu não dispensar grande atenção ao "cadáver".

    Volte sempre, mas permita-me a sinceridade de lhe dizer que preferia que adoptasse um tom menos irónico e sobranceiro, pois aqui apreciamos mais a discussão aberta das ideias do que a exuberância na forma como se apresentam. Isso acaba por nos distrair do essencial e corre maiores riscos de ser mal interpretado.

    Entretanto, irei seguir a sua sugestão de estudar Epicuro para poder compreender melhor Marx. Que obra de Epicuro me recomenda?

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  7. Caro sr. Aires (permita-me que não dispense o "sr.", pois parto do princípio que somos ambos senhores)... Mas, como não quero parecer “irónico e sobranceiro”:

    Amigo Aires:

    De facto, parece-me que o sociólogo Marx merece menos a atenção de quem está mais interessado em filosofia do que em sociologia, economia ou política. É significativo que um dos grandes conhecedores de Marx no século XX, o padre jesuíta Jean-Yves Calvez, no 1º dos dois volumes (vejo a edição portuguesa) que dedicou ao “pensamento” do alemão, tem logo nas primeiras páginas uma rubrica titulada – “Marx Liberta-se da Filosofia (1836-43)”. A filosofia “burguesa” do tempo dele, era para Marx “alienação”; a dele próprio, como se sabe, não era “alienação”, era... “ciência”, a do materialismo histórico e dialéctico.Se é menos digno de atenção como filósofo e este é um blogue sobre filosofia...

    Mas, o Aires tem toda a razão: cada um que leia e estude o que quiser. E a quem o diz! Pois se eu até gostava que o “Estado” largasse de mão todas as veleidades “educativas” e totalitárias tutelas obrigatórias: cada um que aprenda o que quiser, com quem quiser, o tempo que quiser – ou não! E cada qual que trate da sua vida.

    Falei de Epicuro porque, como sabe, a tese de doutoramento berlinense do jovem Marx foi sobre as diferenças entre os “sistemas” da filosofia de Demócrito e Epicuro. Mas não preciso responder à sua (irónica) pergunta final.

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  8. Caro sr. Aires (permita-me que não dispense o "sr.", pois parto do princípio que somos ambos senhores)... Mas, como não quero parecer “irónico e sobranceiro”:

    Amigo Aires:

    De facto, parece-me que o sociólogo Marx merece menos a atenção de quem está mais interessado em filosofia do que em sociologia, economia ou política. É significativo que um dos grandes conhecedores de Marx no século XX, o padre jesuíta Jean-Yves Calvez, no 1º dos dois volumes (vejo a edição portuguesa) que dedicou ao “pensamento” do alemão, tem logo nas primeiras páginas uma rubrica titulada – “Marx Liberta-se da Filosofia (1836-43)”. A filosofia “burguesa” do tempo dele, era para Marx “alienação”; a dele próprio, como se sabe, não era “alienação”, era... “ciência”, a do materialismo histórico e dialéctico.Se é menos digno de atenção como filósofo e este é um blogue sobre filosofia...

    Mas, o Aires tem toda a razão: cada um que leia e estude o que quiser. E a quem o diz! Pois se eu até gostava que o “Estado” largasse de mão todas as veleidades “educativas” e totalitárias tutelas obrigatórias: cada um que aprenda o que quiser, com quem quiser, o tempo que quiser – ou não! E cada qual que trate da sua vida.

    Falei de Epicuro porque, como sabe, a tese de doutoramento berlinense do jovem Marx foi sobre as diferenças entre os “sistemas” da filosofia de Demócrito e Epicuro. Mas não preciso responder à sua (irónica) pergunta final.

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  9. O que talvez seja mais interessante - e de algum modo perene - em Marx resulta da circunstância de ele ter procurado não apenas construir uma teoria do proletariado revolucionário, visando enquadrar e apoiar a praxis desse agente da história do mundo, mas ser e ter-se mantido, antes de mais, filósofo.

    A obra de Marx pode ser entendida, então, como uma tentativa de realização da filosofia que desemboca numa maneira completamente diferente de filosofar.
    De facto, e de um modo algo paradoxal, essa energia filosófica manifesta-se finalmente na sua tentativa de ultrapassar a filosofia pelos seus próprios meios numa prática da revolução política.

    Reler Marx, o chamado profeta do determinismo económico, enquanto filósofo, permite sublinhar, o mais claramente possível, o carácter eminentemente político de tal opção. A economia não é neutra, as relações sociais não são naturais mas historicamente produzidas e, independentemente da nossa ideia do que seja uma sociedade justa, a sua justificação só pode ser política.
    Enquanto "Crítica da Economia Política", o Capital não constitui um guia para indicar a forma de administrar uma sociedade, é antes a demonstração dos pressupostos políticos subjacentes às opções económicas.
    O objectivo de Marx é mostrar que as relações económicas capitalistas pressupõem uma teoria do político. E é justamente a incapacidade de compreender este facto que condena o capitalismo.

    O Capital é uma crítica dos pressupostos políticos que, por não serem entendidos como políticos, permitem que a economia domine a nossa sociedade como se a política já não fosse necessária ou sequer possível.
    Marx não nos dá uma receita para o que fazer, e extraímos dele amiúde uma lição diferente daquela que nos pretendia transmitir: se não aprendermos a pensar politicamente, seremos, queira-mo-lo ou não, escravizados a um sistema cujos autores não são outros que nós mesmos.

    É esta, creio, a grande actualidade do pensamento de Marx.

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  10. Caro sr.Rui Gomes:

    Será isto uma "maneira completamente diferente de filosofar"? -

    « In the social production of their existence, men inevitably enter into definite relations, which are independent of their will, namely relations of production appropriate to a given stage in the development of their material forces of production. The totality of these relations of production constitutes the economic structure of society, the real foundation, on which arises a legal and political superstructure and to which correspond definite forms of social consciousness. The mode of production of material life conditions the general process of social, political and intellectual life. It is not the consciousness of men that determines their existence, but their social existence that determines their consciousness. »

    Duns apontamentos de Crítica à Economia Política (1859), por Marx, revistos por Engels.

    Respondo: - a mim parece-me uma variante do velho naturalismo, materialismo e determinismo metafícos, repintados com a novidade da ênfase no “mode of production os material life” e da “economic stucture” considerada a “real foundation”.

    E pergunto: - por qual milagre da dialéctica hegeliana (endireitada) é que os homens se poderiam libertar (“desalienar”) “independent of their will”; e, dando origem (supostamente revolucionária) a um novo modo de “produção material” em que os homens entrassem em novas relações “inevitabily”, que garantia é que teríamos de que estaríamos menos “condicionados” ? E por que é que o processo da dialéctica histórica haveria de parar e, sem nenhum “fim da História”, não haveria um nietzcheano eterno retorno do mesmo, ao “comunismo primitivo”, ad infinitum?
    Coisas que só um “profeta” saberia explicar, “enquanto filósofo”.

    Entretanto, como o profeta morreu, talvez que o sr.Rui Gomes, antes de se precipitar em qualquer resposta, queira dar uma vista de olhos no Making Sense of Marx, de Jon Eisler, para citar um dos “marxistas analíticos” aqui lembrados por Aires Almeida.

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  11. Exmº Sr. Duarte Meira,

    As competências hermenêuticas e argumentativas não parecem ser o seu forte. E logo por azar era delas que você aqui necessitava.

    A sua "crítica" passa ao lado do meu texto.
    Ele sublinha o lado mais incisivo e incómodo que podemos descortinar no pensamento de Marx, ou mais "intempestivo" (já que referiu Nietzsche), e que os profetas do status quo - os que dizem que a política e a ideologia não passam já de espectros do passado, causa em que militam muitos "analíticos" - fazem tudo para escamotear, sob o véu dos preconceitos, e tornar inoperante.

    Mas sempre lhe posso adiantar mais o seguinte, com outras nuances. Até para lhe mostrar que as coisas não são lineares - sobretudo se nos libertarmos dos guiões de leitura oficial (pró ou contra).
    Marx nunca tematizou o lugar do político na sua teoria da maturidade. A reconstrução do seu percurso sugere que passou de uma fase de separação do político e da sociedade para uma análise social que reduzia a sua autonomia. A seguir, passou para uma teoria económica e política que veio substituir o político, desembocando, por fim, no reconhecimento de que era a ausênciado político na economia que condenava essa modalidade de relações sociais.
    Esta interpretação utiliza os momentos filóficos da génese e da normatividade e os momentos metodológicos da fenomenologia e da lógica, com o intuito de mostrar que a tentativa sistemática do jovem Marx de unir "o mundo tornado filosófia" ao "tornar-se mundo da filosofia" desembocou num idealismo que acabou por recusar tanto à filososfia como ao mundo essa autonomia que Marx procurava.
    O flirt em relação a Hegel que Marx reconhecia no posfácio da 2ª edição alemã de O Capital era, com efeito, sinal de um problema mais profundo. Apesar das críticas de que será alvo, Marx permanece sob o encantamento do idealismo.
    Existe,de facto, um esqueme recorrente em todas as fases de desenvolvimento do pensamento de Marx: tal esquema apresenta o progresso através do qual um sujeito procura actualizar-se no mundo, depois apercebe-se que a sua manifestação ou aparecimento fenoménico não corresponde à sua própria essência, e regressa a si enriquecido pela experiência e volta a sair enriquecido, para aceder a uma actualização superior.

    Reler Marx, deixando de lado os seus comentadores (por mais "analíticos" que agora se queiram...), liberta assim uma perspectiva diferente sobre um mundo onde o liberalismo parece ter triunfado e isso, justamente, ao negar a sua própria natureza política. Afinal, não é por outra coisa que a teoria económica de Marx da maturidade denuncia, ao mesmo tempo que questiona, sem quere, as premissas filosóficas que o orientaram até esse momento.

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  12. Estimado Aires de Almeida:

    Seja-me permitida mais uma – e última – intervenção sobre o pensamento de Marx e a sua possível “actualidade”. Seleccionando e omitindo muito, por motivos óbvios, tenho afirmado aqui e afirmo que é historicamente factual e racionalmente argumentável com boas razões o seguinte. –

    1º Karl Marx – enquanto filósofo - é um epígono subalterno de velhas filosofias (Demócrito, Epicuro, Heraclito via Hegel), com a só novidade de endireitador da dialéctica (idealista) hegeliana.

    2º O pensamento que Marx reivindica para si pretende-se uma “ciência”, modelada pelos princípios de causalidade determinista da “ciência natural”(oitocentista), e logo aplicada a uma praxis social revolucionária. O próprio confessou : o que sobretudo lhe interessava era “transformar o mundo”. (Nada de novo nesta afã de agitação e “intervenção”: já talvez os velhos pitagóricos, e certamente Platão, para não falar dos philosophes e clubes de “iluminados” setecentistas, queriam o mesmo.)

    3º Não há sentido nenhum (racional) em falar de “libertação” (como o sr. Rui Gomes e muitos outros iludidos) acerca dum pensamento que é o de um determinismo absoluto.

    4º Tal determinismo, informando uma concepção materialista da História natural e humana, é consistente com o Retornismo cíclico e eterno de um Nietzsche, como já de Heraclito ou dos velhos estóicos. (A não ser que a “sociedade sem classes” comunista se fixasse num paraíso fora do Tempo.)
    5º Dos anteriores decorre que o pensamento de Marx é tão actual ou inactual quanto essas concepções metafísicas; sem esquecer o messianismo hebraico e o milenarismo cristão, filtrados e enviesados pelo velho gnosticismo.

    Não disputei sobre Marx, o ideólogo prático manifestante pelo comunismo e internacionais proletárias, nem sobre o teórico “cientista” social. Sob estes pontos de vista, ainda faz menos sentido falar num reorno a Marx, porque ele não deixou de estar entre nós. Acrescentarei, pois, a propósito da sua “actualidade”:

    6º Ainda aqui anda nesta parte ocidental do mundo, na obcecação de tanta gente com a “economia”, o “social” e a “mudança”. (Não esquecer que “capitalismo” e “socialismo” são membros oposto do mesmo corpo da dialéctica.) Em particular, ainda aí está na chusma de “sociólogos” e “economistas” auto-convencidos de conhecimento “científico” e automotivação “transformadora”.

    7º Ainda aqui está na memória do passado próximo e no presente (China, Coreia do Norte, Cuba) de centenas de milhões de seres humanos aprisionados, torturados e mortos por causa de ideologias e práticas sociais e políticas de que o “tranformador do mundo” foi, não o “profeta”, mas um patriarca. (Não é possível, senão por abstracção anhistórica, separar o pensamento de Marx do marxismo – movimento social e político revolucionário.)

    E nada mais direi sobre o pensamento do sociólogo Marx neste blogue que é de filosofia.

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  13. S. EXª o Sr. Duarte Meira rematou com chave de ouro a sua peroração acerca de Marx: um churrilho de clichés de filosofia de cordel, (em)bebidas no preconceituário ideológico.

    Ele tenta projectar em mim (não posso responder pelos demais) ilusões sobre o marxismo que nunca acalentei.

    E isso precisamente por ter tentado conhecer o pensamento de Marx, por si mesmo, procurando afastar os preconceitos e o entulho interpretativo (pró e contra) que o têm afogado, desmembrado e, bastantes vezes, desvirtuado.

    Talvez por isso mesmo não sou marxista.

    Mas podem captar-se no pensamento filosófico de Marx algumas possibilidades críticas que nos possam ajudar a abrir caminhos emancipatórios (algo a que a filosofia nunca foi nem poderá ser indiferente) nestes tempos de chumbo cujos guardiões asseveram não "terem alternativa".

    Como já fiz notar, interessa relevar em Marx uma incisiva crítica que nos faz comprender este ponto fulcral (a que ele próprio, como procurei mostrar, não acedeu imediata nem facilmente): são os pressupostos políticos que, por não terem sido entendidos como políticos, permitem que a economia domine a nossa sociedade como se a política já não fosse necessária ou sequer possível.
    Curiosamente - mas talvez não por acaso...-, têm sido as correntes neoliberais (mais as do lado americano do que as influenciadas pela escola alemã, para sermos rigorosos)que têm acabado por cair num severo determinismo economicista, cujo resultado - se dúvida houvera - está bem à vista de todos.

    Marx não nos dá uma "receita" para o que fazer (ao contrário do que as ortodoxias redutoras fazem crer) e, mais, extraímos dele amiúde uma lição diferente daquela que nos pretendia transmitir: se não aprendermos a pensar politicamente, seremos, queira-mo-lo ou não, escravizados a um sistema cujos autores somos nós mesmos.

    "E nada mais direi sobre o pensamento do sociólogo Marx neste blogue que é de filosofia": espero que isso, mais do que uma ameça, seja uma promessa, Sr. Duarte Meira.

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  14. Caros Amigos,

    Quem se interessa por estudos de filosofia do direito a partir de um viés crítico, que inclui o marxista, gostaria de indicar o meu blog: www.aslendasdodireito.blogspot.com.br, e também, aproveitando o espaço, o livro "O conceito do direito em Marx", publicado pela Ed. Sergio Antonio Fabris, de minha autoria e à venda no blog referido.

    Abraço a todos,

    Ronaldo Bastos.

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  15. « .... causa em que militam muitos "analíticos".»

    Caro sr. Rui Gomes:

    Seguramente cumprirei a minha promessa; quanto à ”ameaça”, julge-a por mais este “chorrilho de clichés”, como quem diz em bom vernáculo – uma fiada de chavões.

    A causa em que militam TODOS os com elementar instrução na ainda jovem (pouco mais que centenária) filosofia analítica é a da atenção à linguagem, por mor dum pensamento prevenido e preventor de equívocos e outras falácias básicas. Fica logo evidente a benemérita valiosidade deste cuidado de higiene social : minorar os mal-entendidos que envenenam tão facilmente as relações humanas.

    Mas não há apenas um benefício para a sociabilidade, também o há pedagógico. – Muitos dos jovens iniciados na filosofia fizeram a experiência da leitura dificultosa de velhos filósofos pouco cuidadosos na expressão rigorosa do seu pensamento. (É de lembrar Kant, confessando gostar mais de se ler traduzido em francês!) Ora, proceder por incorrigida imitação parece pouco digno da idade madura.

    Vejamos se o sr. Rui Gomes não deveria ter em maior estima essas virtudes. –

    « Marx nunca tematizou o lugar do político na sua teoria da maturidade. A reconstrução do seu percurso sugere que passou de uma fase de separação do político e da sociedade para uma análise social que reduzia a sua autonomia. A seguir, passou para uma teoria económica e política que veio substituir o político, desembocando, por fim, no reconhecimento de que era a ausênciado político na economia que....» Ora como é que algum M. pode “passar para uma teoria política” e “reconhecer que era a ausência do político”, sem (nem sequer na “maturidade”) “nunca tematizar o lugar do político” ?... E como é que (diz-se logo depois) algum M. que quer “unir ‘o mundo tornado filosofia’ ao ‘tornar-se mundo da filosofia’” (o que quer que isto seja), poderia, antes, NÃO ter recusado “tanto à filosofia como ao mundo” essa autonomia que depois “acabou por recusar” ? E já não falo de o que seja isso de “momentos metodológicos da fenomenologia e da lógica” (modos de proceder que se exercem num tempo e se descartam depois?)...

    Outro exemplo, de logo a seguir. – O que é isso de um “sujeito actualizar-se”? Qual seja essa “sua própria essência”? Que é isso de “regressar a si” e de “sair de si”?... Que sentido dar a este apelo às velhas categorias da metafísica aristotélica (como se houvera algum secreto dinamismo actualizador de qualquer oculta potência), misturada com tintas da dialéctica hegeliana? Será que é, não Marx, mas o seu leitor Rui Gomes que continua no “encantamento do idealismo”?...

    Lição: - Mus urbanus dente fastidioso dapes manducabat. Não se quer dizer que só com fastienta dentuça é que podemos tragar essas tiradas nebulosas, não. Podem fazer tanto sentido como a frase latina; mas a linguagem em que são apresentadas ao leitor desconhecido e eventualemnte desconhecedor dela... É o caso de dizer : - atenção à linguagem!

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  16. « .... causa em que militam muitos "analíticos".»

    Caro sr. Rui Gomes:

    Seguramente cumprirei a minha promessa; quanto à ”ameaça”, julge-a por mais este “chorrilho de clichés”, como quem diz em bom vernáculo – uma fiada de chavões.

    A causa em que militam TODOS os com elementar instrução na ainda jovem (pouco mais que centenária) filosofia analítica é a da atenção à linguagem, por mor dum pensamento prevenido e preventor de equívocos e outras falácias básicas. Fica logo evidente a benemérita valiosidade deste cuidado de higiene social : minorar os mal-entendidos que envenenam tão facilmente as relações humanas.

    Mas não há apenas um benefício para a sociabilidade, também o há pedagógico. – Muitos dos jovens iniciados na filosofia fizeram a experiência da leitura dificultosa de velhos filósofos pouco cuidadosos na expressão rigorosa do seu pensamento. (É de lembrar Kant, confessando gostar mais de se ler traduzido em francês!) Ora, proceder por incorrigida imitação parece pouco digno da idade madura.

    Vejamos se o sr. Rui Gomes não deveria ter em maior estima essas virtudes. –

    « Marx nunca tematizou o lugar do político na sua teoria da maturidade. A reconstrução do seu percurso sugere que passou de uma fase de separação do político e da sociedade para uma análise social que reduzia a sua autonomia. A seguir, passou para uma teoria económica e política que veio substituir o político, desembocando, por fim, no reconhecimento de que era a ausênciado político na economia que....» Ora como é que algum M. pode “passar para uma teoria política” e “reconhecer que era a ausência do político”, sem (nem sequer na “maturidade”) “nunca tematizar o lugar do político” ?... E como é que (diz-se logo depois) algum M. que quer “unir ‘o mundo tornado filosofia’ ao ‘tornar-se mundo da filosofia’” (o que quer que isto seja), poderia, antes, NÃO ter recusado “tanto à filosofia como ao mundo” essa autonomia que depois “acabou por recusar” ? E já não falo de o que seja isso de “momentos metodológicos da fenomenologia e da lógica” (modos de proceder que se exercem num tempo e se descartam depois?)...

    Outro exemplo, de logo a seguir. – O que é isso de um “sujeito actualizar-se”? Qual seja essa “sua própria essência”? Que é isso de “regressar a si” e de “sair de si”?... Que sentido dar a este apelo às velhas categorias da metafísica aristotélica (como se houvera algum secreto dinamismo actualizador de qualquer oculta potência), misturada com tintas da dialéctica hegeliana? Será que é, não Marx, mas o seu leitor Rui Gomes que continua no “encantamento do idealismo”?...

    Lição: - Mus urbanus dente fastidioso dapes manducabat. Não se quer dizer que só com fastienta dentuça é que podemos tragar essas tiradas nebulosas, não. Podem fazer tanto sentido como a frase latina; mas a linguagem em que são apresentadas ao leitor desconhecido e eventualemnte desconhecedor dela... É o caso de dizer : - atenção à linguagem!

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  17. Com intenção no meu caro, pois que me praz falar mais com vivos do que com mortos, apresentei um pequenos trecho de Marx-Engels. Não fui eu que vim aqui falar de “escravos”, “libertação” e “caminhos emancipatórios”. E deixei-lhe a questão decisiva - de como é que um (qualquer) sistema de pensamento determinista (absoluto) pode propor alguma genuína liberdade. Felizmente que o sr. Rui Gomes se confessa não marxista: ficam-nos esperanças de uma resposta sensata. A filosofia analítica também não é nada desapreciadora do senso comum e valoriza a lógica.

    Mas, se o não marxista continua atraído pelas sereia do “encantamento idealista”, fico preocupado. Veja o caso Hegel: tantas vezes que ele gosta de trazer a palavra “liberdade” à boca do texto; e, no entanto, aonde é que iríamos parar se déssemos ouvidos à cantiga do “em si”, que tem de “sair de si”, que tem de regressar “para si”?... Reparou no “tem de”, das detrminações “necessárias”. Ora, se tem de fazer o caminho das sucessivas “determinações”, por que não terá de refazê-lo? Mas, se o processo das “determinações” pode ser infinito (seria estranho que o “Infinito” da “Ideia” se cumprisse num período finito), por que teria de “regressar”, de ser “para si” ? Vamos parar a ver a “alma do mundo” entrar montada a cavalo em Iena, 1812; a ver Lenine sair de combóio para a Rússia, 1917; ou Mussolini a sair em marcha sobre Roma, 1922?... Por mim, a isto venho e nisto me fico: a ouvir aquele impetuoso que riscou o “alma do mundo” da partitura da sua 3ª sinfonia.
    Quando o professor Aires retornar aqui das suas férias, ele é que poderá dizer-lhe mais e melhor de outras “causas em que militam” os da filosofia analítica. Eu, nem pertenço à escola, nem tenho procuração dela.

    Entretanto, enquanto não temos aqui mais postagens, se o sr. Rui Gomes quiser contribuir para manter animado este digno blogue, conte comigo. Muito coisa ficou por dizer. (Talvez o senhor nos queira explicar o que vem afinal a ser esse famoso “neoliberalismo” com que as sereias mediáticas gostam de nos hipnotizar... Ou talvez prefira esclarecer-nos o que seja isso do “lugar do político”, supondo que não está a referir-se ao conceito des Politischen, do sr. Carl Schmitt...) Se o meu caro não é marxista, há uma probabilidade de nos entendermos. E eu não faço férias da filosofia.

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  18. O EXº Sr. Duarte Meira quebrou a promessa.
    E ameaça agora, não apenas o pensamento de Marx, mas a própria filosofia analítica.

    Esta última venha defendê-la quem lhe aprouver.

    Quanto a Marx, para ilustração póstuma do insigne polemista - e, principalmnte, para eventual proveito de quem queira estudar Marx mesmo -, aqui deixo, de uma forma mais sistematizada, embora obrigatoriamente apenas esquemática, os momentos pelos quais passou o pensamento de Marx, de acordo com a minha análise (que se estrutura segundo os momentos filóficos da génese e da normatividade e os momentos metodológicos da fenomenologia e da lógica), e que tanta confusão infligiram ao espírito do ilustre analítico Duarte Meira.

    1. Da filosofia à economia política;
    1.1. Realizar Hegel;
    1.2. Criticar Hegel.
    1.3. A Revolução substitui o Espírito como fundamento da nova filosofia.

    2. Da economia política à política.
    2.1. Economia política e proletariado;
    2.2. A economia política e a história;
    2.3. Economia política e filosofia.

    3. Regresso da política à economia política.
    3.1. A fenomenologia da política;
    3.2. A lógica do político;
    3.3. A economia política como sujeito político.

    4. Da crítica da economia política à descoberta do político.
    4.1. A crítica imanente;
    4.2. O capitalismo enquanto política;
    4.3. Política e luta de classes.

    5. Filosofar de outra maneira.

    Lamento deixá-lo aqui nesta discussão (apesar de tudo, gostei de rever as minhas fichas e apontamentos), mas vou dedicar a atenção a outras coisas que estou estudando, que tenho entre mãos.

    Para finalizar, talvez conviesse que o Sr. Duarte Meira não se distraisse tanto com o canto das sereias mediáticas, já que o barco europeu (e a restante armada a seguir...) está a naufragar porque os seus comandantes (frau Merkel e os seus acólitos de Bruxelas) mais não fazem do que prosseguir os mandamentos do neoliberalismo mais rigoroso (para não dizer ortodoxo, e, desgraçadamente, não tanto os da escola alemã, mas mais os da escola americana - e tem aqui também uma boa sugestão para se inteirar melhor desta problemática do neoliberalismo).

    Pensar politicamente.

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  19. «Elkyson dé sautón mallon diá tes dokusês arquêstu einai kaí kaluménes hypó tôn pollôn adolecsías …»
    Platão, Parm. 135d


    Rui Gomes:

    Os seus esforços para chegar à ironia (uma das benfazejas musas da filosofia) deram nisto. – Eu aleguei as virtualidades da filosofia analítica em benefício da higiene social e mental das pessoas; depois, disse eu que não pertencia a essa escola de pensamento; logo, infere o Rui, eu... “ameaço a própria filosofia analítica”! Eu afirmei que não diria mais nada sobre o pensamento do sociólogo Marx neste blogue de filosofia; depois lembrei que o trecho aqui citado de Marx-Engels tinha sido em sua especial intenção: logo, infere o Rui, “quebrei a promessa”... Isto é uma amostra do seu “pensar diferentemente” e do seu “filosofar de outra maneira” à la Marx? Pelo princípio de caridade: - só se for à maneira do Groucho Marx!

    Das suas fichas e apontamentos rebuscou para aqui um índice de tópicos que parece indicam plano de tese académica já feita. A satisfação de rever as suas fichas deve ser extensível à satisfação da nota que por certo teve com tal plano e tese: doutorado summa cum laude no novel departamento de filosofia (pós-moderna) do ISCTE, sob a direcção dessa eminência filosófica que é o prof. dr. Boaventura Santos.

    O Rui, pela precipitação, irreflexão e estilo das respostas é com certeza um jovem. Tenho pena que, depois da auto-promoção da sua tese, não possa aqui gastar mais alguma da sua “energia filosófica” com um velho como eu, e explicar-me o que seja isso de “ultrapassar a filosofia”. Apesar de velho, ainda tenho boas pernas. Em troca, dir-lhe-ia como se podem traduzir e actualizar aquelas palavras do Parménides (se é que este ou Platão não foram já “ultrapassados”... por si).

    Também tenho bom coração. Pelas amostras que aqui nos deixou da “lógica do político” e do “filosofar de outra maneira”, eu começava a recear pelos efeitos dos seus estudos: ainda bem que anda agora “estudando outras coisas”. Por isso mesmo, retribuo à sua sugestão de “pensar politicamente” com outra seguramente menos perigosa para si. Volte à sede do seu bloco de amigos e, num grande cartaz, pinte (pode ser a vermelho) com grandes letras esta revolucionária palavra de ordem:

    PENSAR LOGICAMENTE.

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  20. Bom, Marx morreu e com isso nos privou do legítimo direito de torturá-lo eternamente com cortadores de unhas...
    Convenhamos, Marx até que podia escrever de maneira complexa, transformar besteiras abissais em texto que impressionam até hoje os incautos, tal e qual Paulo Coelho faz tão bem - com a diferença que Paulo Coelho está putilionário às custas do que escreve.
    Marx morreu e até onde se sabe, até o seu último dia vida jamais aprendeu uma única vírgula de biologia ou comportamento animal pois se tivesse aprendido o básico elementar destas disciplinas teria saido pelo mundo afora, recolhendo todos os exemplares de O Capital para com eles aquecer-se no inverno.
    Marx nunca atentou para um fato básico, elementar e trivial da existência humana tanto individual quanto coletivamente - Somos animais, bichinhos mais ou menos como ratazanas, elefantes e zebras, com grande afinidade genética com a Chita do Tarzan ou seja, o comunismo é absolutamente inaplicável a qualquer espécie animal. Não existe um único mamífero, por mais evoluido ou primitivo que seja que pratique o comunismo ou algo vagamente similar a ele.
    Marx morreu. Por sorte Grouxo Marx existiu e nos divertiu muito mais...


    Brancaleone
    Boas noites

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