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Compêndios


A qualidade dos compêndios da Blackwell, da Routledge e da Oxford sobre as diferentes disciplinas da filosofia é amplamente reconhecida (a propósito, será «compêndio» o termo mais adequado para traduzir os termos ingleses companion, handbook e guide?) e o seu sucesso mais do que merecido. Tal como é de assinalar a qualidade geral dos compêndios da Cambridge sobre os mais importantes filósofos e correntes filosóficas.

Claro que nem todos os compêndios têm a mesma qualidade, mas são, em geral, muitíssimo bons. Até porque contam com a colaboração de reconhecidos especialistas nas respectivas áreas. Basta pensar, por exemplo, no caso da estética, em que os compêndios da Blackwell (sim, há dois: um enorme companion e outro enorme guide) são organizados por Stephen Davies e Robert Stecker, entre outros, e por Peter Kivy, respectivamente. Por sua vez, o da Routledge é organizado por Dominic Lopes e Berys Gaut e o da Oxford por Jerrold Levinson. Todos eles são filósofos da arte de primeira linha, a que se acrescentam muitos outros colaboradores, igualmente destacados filósofos da arte e reconhecidos especialistas em estética. Nenhum destes compêndios me parece dispensável, mas o que penso ser melhor é o organizado por Levinson (Oxford) e o comparativamente menos conseguido (mas, mesmo assim, muito bom) é o organizado por Kivy (Blackwell). E poderia dar exemplos de outras disciplinas: a metafísica, a filosofia da mente, a ética ou a filosofia da ciência.

Mas o melhor de tudo é que não ficamos por aqui, pois também a editora académica Continuum decidiu acrescentar às anteriores a sua própria colecção de compêndios de filosofia, organizados por especialistas emergentes, mas com créditos já firmados, o que é de saudar. Depois de já neste ano terem sido publicados The Continuum Companion to Philosophy of Language, organizado Manuel Gracia-Carpintero e Max Kölbel, The Continuum Companion to Aesthetics, organizado por Anna Christina Ribeiro, e The Continuum Companion to Methaphysics, organizado por Neil Manson e Robert W. Bernard, acaba agora de sair The Continuum Companion to Epistemology, organizado por Andrew Cullison, contando entre os seus autores com nomes como Alvin Plantinga e Earl Conee. 

Como se vê, o panorama editorial filosófico de língua inglesa continua animado. Ainda bem para a filosofia.


Comentários

  1. Obrigado pelas dicas Aires, com tantas opções é bom saber por quais começar!

    um abraço

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  2. Muito obrigado pelas dicas. Este tipo de trabalhos são muito importantes, quer para estudantes, quer para filósofos, pois reúnem o trabalho de grandes especialistas reputados, juntando artigos de diversas perspectivas sobre um mesmo tema.

    Cumprimentos,
    Resto de bom trabalho,

    Jóni Coelho

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