2 de setembro de 2012

Dummett, metafilosofia e uma disputa sobre o tempo

Sobre o que é, então, a filosofia? Para Quine e alguns outros filósofos americanos contemporâneos, a filosofia é simplesmente a parte mais abstracta da ciência. Não faz, de facto, qualquer observação ou conduz quaisquer experiências próprias; mas pode, e deve, incorporar as descobertas das ciências para construir uma teoria naturalizada do conhecimento e da mente. Propriamente falando, pois, deve ser classificada com as ciências naturais. Continuar a ler...

7 comentários:

  1. A filosofia procura melhorar o nosso entendimento do que já sabemos? Mas o que quer isto dizer realmente: "melhorar o nosso entendimento"?

    Seja como for, não consigo ver bem como é que Dummett tira a conclusão que tira com base no que disse antes. Eu não chego lá.

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  2. A culpa não é tua Aires, nem do Dummett, provavelmente é minha porque parei aqui a linha de pensamento de Dummett principalmente porque o texto estava a ficar demasiado grande e porque a posição que Dummett quer atacar é a de Quine principalmente (embora certamente também se oponha a pessoas como Van Inwagen, Ted Sider, Fine e a maioria dos metafísicos contemporâneos, que acham que as respostas a questões metafísicas são sobre a estrutura profunda da realidade, por oposição a revelarem mais algo sobre a nossa estrutura conceptual do que propriamente sobre a 'mobília' do mundo). Mas já vou traduzir o resto do texto necessário.

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  3. Já está Aires. Agora se melhorou ou não a compreensão do texto, é outra questão (ou ainda se tornou a tese de Dummett mais clara ou até plausível).

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  4. Dummett já é no idioma original difícil de ler, e naufraguei no entendimento dos seus Seas of Language (que não fui capaz de concluir)

    Lamento dizer que a tradução de Gusmão Rodrigues não me ajudou a vir à tona. Temos aqui um texto que pede meças e até parece escrito por um... Heidegger!

    Sendo assim, parece que o texto serve bem a tese - "O único recurso do filósofo é a análise dos conceitos que já possui, mas sobre o qual está confuso"...

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  5. "Ela [a filosofia] difere da matemática na medida em que prefere territórios obscuros."

    Creio que o objetivo da filosofia deve ser clarear esses territórios, para que se possa caminhar com desenvoltura por eles. Para isso, talvez seja interessante aproximar a prática filosófica do método rigoroso da matemática. Não digo utilizar a matemática como instrumento da análise filosófica, o que seria uma inversão: a filosofia é a base de todo o conhecimento, inclusive o matemático. Penso que a filosofia deve ser assentada sobre uma firme base semântica para, a partir daí, construir, via a sintaxe da lógica clássica, todo um sólido edifício.

    Sobre o exemplo, talvez possamos definir nossos objetos de análise de forma a concluirmos que o tempo não passa, mas não creio que uma tal teoria que falhe em asseverar um fato tão fundamental quanto a passagem do tempo e a existência de mudanças seja muito útil na clarificação da realidade.

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  6. Olá a todos!
    Li com alguma atenção este post, e pareceu-me que Dummett tenta responder à perene pergunta 'Para que é que serve a Filosofia?'. E mantém-se, segundo percebi, na tradição de que a Filosofia serve para a clarificação conceptual.
    Creio, no meu ponto de vista cauteloso, que esta posição metafilosófica é preconceituosa. Por que o que a Filosofia tenta clarificar, surge sempre com um emaranhado de sombras de modo a iluminar aquilo que se quer clarificar.
    O clarificar é uma ilusão cartesiana, e é um mito. Aquilo que eu chamo 'mito da claridade'. O que um filósofo acha clarificado, um outro acha completamente obscuro.
    Um outro assunto metafilosófico é a questão de a Filosofia ser "a base de todo o conhecimento, inclusive o matemático" como diz o Leonardo Medeiros. Até porque a Matemática é bastante anterior, em termos históricos, à Filosofia.
    Para um debate metafilosófico é necessário ver que existem outras posições, por vezes bem mais radicais, mesmo que estas à partida não estejam alinhadas com um determinado pre-conceito de partida.
    Grande abraço!
    Luís Inácio
    (http://designdamente.wordpress.com/)

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