5 de setembro de 2012

Filosofia - Uma Introdução por Disciplinas


Na próxima sexta-feira, às 16:40, será feito o lançamento, no 10º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, na Universidade Nova de Lisboa, do livro Filosofia - Uma Introdução por Disciplinas (Edições 70), organizado por Pedro Galvão, que será apresentado pelo próprio.

Na apresentação prévia da editora lê-se o seguinte:

Os autores deste livro partilharam o objectivo de conseguir um guia de estudo para a Filosofia estruturado tematicamente -- i. e. em função de questões, perspectivas e argumentos, sem qualquer preocupação primariamente histórica. Nos onze capítulos que compõem o presente volume, encontramos assim um mapa conceptual da Filosofia que cobre não só as suas disciplinas principais, mas também muitas das suas áreas mais especializadas.

Os capítulo e respectivos autores são os seguintes:

LÓGICA - Ricardo Santos
METAFÍSICA - Desidério Murcho
EPISTEMOLOGIA - Célia Teixeira
ÉTICA - Pedro Galvão
FILOSOFIA POLÍTICA - João Cardoso Rosas, Mathias Thaler e Iñigo González
FILOSOFIA DA RELIGIÃO - Agnaldo Cuoco Portugal
FILOSOFIA DA CIÊNCIA - António Zilhão
FILOSOFIA DA LINGUAGEM - Teresa Marques e Manuel Gracia-Carpintero
FILOSOFIA DA MENTE - Sara Bizarro
FILOSOFIA DA ACÇÃO - Susana Cadilha e Sofia Miguens
ESTÉTICA E FILOSOFIA DA ARTE - Aires Almeida

12 comentários:

  1. Excelente iniciativa! Já há muito que era necessário uma obra deste género em língua portuguesa.

    Só teria sido melhor, penso eu, com a inclusão de um capítulo dedicado à filosofia da matemática... Mas percebo que não se possa incluir tudo, que o livro tem de ter um certo número de páginas, que se possa considerar que a filosofia da matemática não é tão nuclear como outras áreas que necessariamente têm de aparecer num manual deste género (embora, sem duvida, seja tão ou mais importante que outras presentes), que talvez não houvesse ninguém adequado e outras questões que tais...

    Seja como for, é com sincero agrado que vejo um volume tão bom, escrito e organizado por profissionais de elevado nível de competência, que me parece ir ao encontro das necessidades educativas dos estudantes de filosofia e do leitor comum interessado português.

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  2. José, havia alguém adequado para escrever sobre filosofia da matemática, sim: o Fernando Ferreira. Suponho que o projecto incial o incluía, precisamente para fazer um capítulo sobre filosofia da matemática. Mas acabou por não se verificar devido certamente a outros compromissos mais urgentes e inadiáveis dele, imepedindo-o de escrever esse capítulo.

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  3. Luis, é bem possível que venha a ser lançado também no Brasil, até porque tem lá autores brasileiros e a editora tem publicado aí. Mas não tenho a certeza, irei perguntar ao Pedro Galvão.

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  4. Ótima iniciativa, e a edição parece bonita se for esta da foto!

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  5. José Gusmão, sem querer estás a sugerir o vol. 2. Também já temos alguém suficientemente habilitado para a filosofia da música, uma área interessante e praticamente desconhecida nos meios académicos portugueses, isto se colocarmos de lado os estudos sobre Adorno que, na minha opinião, não tem interesse algum se comparados com o que se faz hoje na filosofia da música. Seja lá como for, resta-me agradecer aos autores e dar os parabéns a todos. Cá espero pelo livro.

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  6. Estimado Aires Almeida:

    Os meus parabéns! O seu e outros nomes conhecidos aqui da Crítica são uma garantia de qualidade da obra; e fica em letra de forma a prova duma colaboração luso-brasileira que também neste sítio se tem confirmado e é desejável continue.
    As questões de nomenclatura não são inócuas, suposto que menos relevantes. A meu ver haverá, num ou noutro caso, excessivo acomodamento à terminologia dominante no contexto cultural anglo-saxónico. – São as designações “Epistemologia" e “Filosofia da Ciência”, que aliás se vão já impondo entre nós. (Nos meus tempos de escolar académico falava-se de “Epistemologia” a propósito especificamente do conhecimento científico, mais de acordo com a tradição filológica platónico-aristotélica da epistémê; e falava-se de “Teoria do Conhecimento” ou “Gnoseologia” para outras formas de conhecimento.) – Também o complexo de temas e problemas hoje inquiridos e debatidos pela “Philosophy of Mind” não se ajusta bem ao sentido, um tanto restrito, que damos em português à palavra “mente”. Talvez “Filosofia da Psicologia” fosse preferível, integrando os tópicos que têm sido debatidos na “Philosophy of Mind”, como outros mais recentes (e conexos) directamente relacionáveis com aspectos da ciência da Psicologia. (E recuperava-se uma designação que, mesmo quadro anglófono, é anterior ao clássico de Ryle, e já existia a propósito de Wittgenstein.) – Outrossim a “Philosophy of Religion” tem tratado de facto menos da religião que do conspecto de problemas tradicionalmente associados à “Teologia Natural” ou “Teologia Filosófica” (por analogia com a “Antropologia Filosófica” dos meus tempos); ou com o que, por influência leibniziana, se designava “Teodiceia”, termo que já tínhamos adaptado em português, inclusivamente em antigos livros escolares do secundário.

    Quanto a faltas, para além das já notadas nos comentários anteriores (sobretudo a da Filosofia da Matemática, mais que a jovem e ainda muito escassa da Música), a Filosofia da Biologia (sobretudo por causa de Darwin, que alguns já incluem mesmo em “pequenas” Histórias da Filosofia...) e, sobretudo, a Filosofia do Direito, já com alguma tradição entre luso-brasileiros e vasta produção estrangeira.

    Mas o livro apresentado julgo que não pretende ser um compêndio completo, mas uma introdução a algumas das principais áreas e, como tal, é suficiente. O seu lançamento num Encontro Nacional de Professores sugere um ensaio de lançamento duma nova proposta de organização programática
    (e talvez curricular) da Filosofia no ensino secundário. Parece efectivamente que estas áreas bem poderiam ser distribuídas pelos três desse ciclo de ensino, e os estudantes sairiam com uma ideia bem mais completa, organizada e precisa da disciplina do que saem hoje. Com os complementares textos de filósofos e a necessária perspectivação histórica, para os leitores e estudantes não pensarem que os problemas filosóficos são os problemas dos filósofos do século XX.

    Mais que tudo, a meu critério, impõem-se-me duas coisas. Primeira, cumpre prevenir a inferência infeliz de que já não haveria hoje e nem seria mais possível fazer simplesmente filosofia, sem especializações alienadas em estanques compartimentos e apartamentos disciplinares. Espero que ao menos na introdução desta obra de introdução isso tenha ficado claro. Segunda, que, desde as suas origens gregas no Ocidente, a Filosofia lida pelo menos tanto com implicações lógicas como existenciais, importando directamente com a maneira como cada um vive, sofre e morre. Tipicamente, Sócrates não foi apenas um dialecta, mas um exemplo vivo e perene. (Logo, “Sócrates NÃO é mortal” ...)

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  7. Obrigado pelas suas palavras, Duarte Meira.

    Quanto à nomenclatura, claro que não se trata de questões irrelevantes e penso que nenhum dos autores as considera como tal. Por isso se chama "epistemologia" à teoria do conhecimento, preservando precisamente a tradição platónico-aristotélica. E isso é diferente da filosofia da ciência, pois apesar de alguns problemas desta disciplina serem problemas de carácter epistémico, outros não o são, como é o caso dos problemas da causalidade e da explicação, para dar apenas dois dos mais discutidos problemas de filosofia da ciência. Na verdade, grande parte dos problemas de muitas disciplinas filosóficas são, afinal, problemas de epistemologia, metafísica e lógica aplicadas. Por exemplo, a discussão estética sobre a existência ou não de propriedades estéticas é uma discussão de metafísica aplicada, ao passo que a discussão sobre a justificação do juízo estético é uma discussão de epistemologia aplicada. No caso da filosofia da religião, o problema da existência de Deus é um problema metafísico, mas o conhecido problema do mal é uma questão de lógica aplicada. É por isso que a metafísica, a epistemologia e a lógica são as disciplinas centrais da filosofia, pois elas atravessam todas as outras disciplinas. Nos meus tempos de estudante universitário também se chamava "epistemologia" à filosofia da ciência, o que penso não abonar muito a favor da minha formação universitária.

    Também a filosofia da mente e a filosofia da psicologia são disciplinas diferentes, com problemas diferentes. Por sua vez a filosofia da religião e a teologia natural (por vezes também chamada "teologia filosófica") também não podem ser confundidas. Por exemplo a discussão acerca da epistemologia da crença em Deus e sobre o próprio conceito de religião nada têm que ver com a chamada "teologia natural", até porque filosofia não é, de todo, teologia.

    Em relação às faltas, tem toda a razão: faltam todas as disciplinas que não estão lá. E faltam também umas 70 páginas para chegar às 500. E, já agora, 170 para chegar às 600. Aliás, se o livro tivesse 600 páginas, não teria provavelmente a desvantagem de faltarem lá tantas disciplinas como as que lá faltam. Mas não leve a mal, pois estava a tentar ser apenas a ser um pouco brincalhão. A verdade é que temos de saber onde parar, dado o espaço disponível. Assim, a pergunta é: que disciplinas excluiria para incluir em vez delas a filosofia da matemática e a filosofia do direito?

    Mas nunca se sabe se não virá aí um segundo volume com as disciplinas que ficaram de fora. Tudo irá depender do sucesso deste volume, imagino.

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  8. Aires Almeida:

    Agradeço a atenção, e não me custa compreender e aceitar tudo o que me disse. Ou quase tudo: por mim, eu votaria na manutenção do temo aristotélico “theologia”, que o estagirita não duvidou herdar dos “theologoi” (como lhes chama, para os distinguir dos “physikoi”) pré-socráticos. Temos uma investigação racional (“logikê”) de um “theos”, levada a cabo pela razão natural e que pode ser feita a priori, independentemente de qualquer compromisso religioso. Temos, pois, própria e literalmente – “Teologia Natural” ou “ Teologia Filosófica”.

    Mas se o termo aristotélico (e neoplatónico) adaptado pela tradição cristã fere susceptibilidades ateístas, até compreendo e não faço questão de nomes. Verem no nome de uma disciplina filosófica nomeada uma entidade (Deus) que para eles significa “nada”, pode ser um incómodo insuperável; ora, como evidentemente “nada” não é a religião, fica esta no nome. E assim também fica mais claro como, não havendo “Deus” nenhum, o que é que realmente hoje está em causa...

    Para o mesmo Aristóteles, como bem sabe, a “Theologia” era a “Filosofia Primaz”, que mais tarde veio a chamar-se “Metafísica”; e sobre a relação deste nome com o póstero “Ontologia” também algo teria a dizer, de menos pertinência agora. O que digo é que, no respectivo capítulo, em livro feito para lusófonos, muito estimaria ver que o nosso caro Desidério dedicou ao menos uma rápida nota a uma clara e capital distinção – entre “existir” e “ser” – que a tradição cultural (alguns diriam o “génio da língua”) veio a fazer entre nós. (Ainda nesse monumento que é a enciclopédia Stanford, procuramos “being” e remetem-nos para “existence”...)

    Julgo ter deixado claro que acho suficientes as matérias desta obra, que se pretende introdutória. Esqueceu-me dizer que, se em futuras edições se quiser aumentá-las, talvez fosse de considerar a hipótese de incluir como novíssima disciplina a “Metafilosofia”. (Pessoalmente, sem me impressionar minimamente por nomes e pelo volume de trabalhos a respeito, votaria sem dúvida nenhuma contra.)

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  9. Sim, Duarte Meira, a metafilosofia seria uma boa ideia. E tem razão ao apontar que ultimamente a metafilosofia tem despertado bastante interesse.

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