Avançar para o conteúdo principal

Conhecimento metafísico


Este é o tema da conferência que o filósofo Jonathan Lowe, professor na Universidade de Durham, irá proferir na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, já no próximo dia 26 (sexta-feira, às 15:00 horas, na sala Mattos Romão).

A conferência promete ser muito interessante, ainda que se trate de uma questão abordada por Lowe em alguns dos seus livros, nomeadamente em The Possibility of Metaphysics (1998). Apesar de este título ter ressonâncias kantianas, Lowe tem procurado apresentar uma resposta em termos muito diferentes de Kant. Já aqui me referi ao que Kant acabou por fazer à metafísica, atirando-a para o beco sem saída do incognoscível e abrindo caminho para que o seu lugar acabasse aos poucos por ser ocupado pela epistemologia. Ora, é precisamente a isso que Lowe se opõe. Mas não só rejeita uma metafísica metodologicamente tutelada pela epistemologia, como rejeita também que tenha de recorrer a metodologias próprias da lógica, da semântica filosófica ou da filosofia da mente. A metafísica deverá, pois, ser feita directamente. Até porque, argumenta Lowe, todos esses ramos da filosofia assumem inevitavelmente certos compromissos estritamente metafísicos que dificilmente poderão ser garantidos pelos métodos usados nessas mesmas áreas.


Comentários

  1. Tem como elucidar (talvez com um exemplo) o que seria fazer metafísica diretamente? Obrigado.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

O filósofo preferido dos filósofos

É curioso ouvir o podcast que, para marcar o lançamento do segundo livro de Philosophy Bites, da responsabilidade de David Edmonds e Nigel Warburton, eles disponibilizaram sobre o filósofo favorito de muitos dos filósofos e filósofas que entrevistaram. 
São quase 70 filósofos e filósofas das mais variadas áreas e tendências filosóficas que se pronunciam sobre o seu filósofo favorito, justificando brevemente a sua escolha. É certo que a maior parte dos filósofos são de língua inglesa, mas também os há, embora poucos, de língua francesa. Mesmo entre os filósofos de língua inglesa, muitos não são filósofos analíticos. Confesso que não conheço muitos deles, mas há outros que talvez sejam conhecidos dos leitores, como Ronald Dworkin (que referiu Kant), David Chalmers (Carnap), Kit Fine (Aristóteles), Michael Sandel (Hegel), Peter Singer (Henry Sidgwick), Michael Dummett (Frege), Tim Crane (Descartes), Susan Wolf (Aristóteles), Stephen Neale (Russell), Noël Carroll (Aristóteles), Brian Lei…

O que é uma análise?

Há duas maneiras de entender uma análise, o que pode parecer surpreendente. Deparei-me recentemente com este aspecto ao trabalhar na segunda edição do Dicionário Escolar de Filosofia.

Podemos entender uma análise de um dado conceito como uma apresentação de outros conceitos mais básicos que captem inteiramente o primeiro. O exemplo típico é algo como a análise do conceito de virgem como pessoa que nunca teve relações sexuais. Esta é a concepção fraca de análise. Na concepção forte, o que resulta da análise, para ser realmente uma boa análise, terá de ser uma frase analítica. Realmente, “Uma pessoa virgem é uma pessoa que nunca teve relações sexuais” é uma frase analítica. As tentativas de análise filosófica são tipicamente vistas como tentativas de análise no sentido forte: se fosse realmente verdade que o conhecimento é crença verdadeira justificada, essa afirmação seria analiticamente verdadeira.

Isto colide com a ideia de que não só a filosofia, mas também as ciências como a física o…