7 de dezembro de 2012

O filósofo preferido dos filósofos


É curioso ouvir o podcast que, para marcar o lançamento do segundo livro de Philosophy Bites, da responsabilidade de David Edmonds e Nigel Warburton, eles disponibilizaram sobre o filósofo favorito de muitos dos filósofos e filósofas que entrevistaram. 

São quase 70 filósofos e filósofas das mais variadas áreas e tendências filosóficas que se pronunciam sobre o seu filósofo favorito, justificando brevemente a sua escolha. É certo que a maior parte dos filósofos são de língua inglesa, mas também os há, embora poucos, de língua francesa. Mesmo entre os filósofos de língua inglesa, muitos não são filósofos analíticos. Confesso que não conheço muitos deles, mas há outros que talvez sejam conhecidos dos leitores, como Ronald Dworkin (que referiu Kant), David Chalmers (Carnap), Kit Fine (Aristóteles), Michael Sandel (Hegel), Peter Singer (Henry Sidgwick), Michael Dummett (Frege), Tim Crane (Descartes), Susan Wolf (Aristóteles), Stephen Neale (Russell), Noël Carroll (Aristóteles), Brian Leiter (Nietzsche) mas também Pascal Bruckner (Sartre), Alain de Botton (Nietzsche) e ainda filósofos que têm uma perna nas ciências empíricas, como Patricia Churchland (Hume) ou Alison Gopnik (Hume).

Se esta amostra fosse representativa, dir-se-ia que David Hume é, de longe, o filósofo preferido dos filósofos contemporâneos. A lista dos preferidos ficaria ordenada assim:

1. Hume
2. Kant
3. Aristóteles, Nietzsche e Wittgenstein
6. Mill
7. Descartes, Sócrates, Hobbes, Rousseau e Bentham

Claro que houve muitos outros filósofos citados, alguns deles de filósofos bastante mais recentes (Smart, Armstrong, Lewis, Parfitt, Chomsky, Fodor, Bernard Williams, Ramsey e o próprio Dummett), mas também surgiram nomes como Tucídides, os estóicos, Gandi. Houve ainda quem dissesse não ter filósofo preferido. Mas a resposta mais inesperada foi que a favorita era a última mulher com quem tinha falado, seja ela quem for.

E o leitor o que acha? E porquê?

5 comentários:

  1. Aristóteles e Kant costumam ser considerados os grandes nomes da filosofia do ocidente. Sem surpresa estarem nas primeiras colocações. Hume em primeiro deve ser explicado por certo 'partidarismo' dos filósofos de língua inglesa. Assim como Wittgenstein e Nietzsche se justificam pela 'empolgação contemporânea'. Faltou Heidegger, que merece mais do que Nietzsche.

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

    ResponderEliminar
  3. "Mas a resposta mais inesperada foi que a favorita era a última mulher com quem tinha falado, seja ela quem for."

    E pode muito bem ser uma boa escolha, dependendo do que essa mulher tenha dito ao filósofo, ou, mesmo sem falar muito, lhe tenha transmitido pela sua atitude. De qualquer modo o filósofo ficou marcado pelo encontro ...

    ResponderEliminar
  4. Platão, Espinosa?...

    Ausências extremamente significativas.
    Porque são dois filósofos que viram o homem como ele já não se consegue ver.
    Estão a uma distância sideral de nós, como se estivéssemos em universos incomensuráveis.

    Talvez a questão não deva ser como vemos nós esses filósofos, mas como eles - as suas filosofias - nos vêem a nós...

    ResponderEliminar