31 de janeiro de 2012

Saul Kripke

As investigações lógicas podem, obviamente, ser uma ferramenta útil para a filosofia. Elas têm, no entanto, de ser informadas por uma sensibilidade filosófica ao formalismo e por uma mistura generosa de senso comum, bem como uma compreensão exaustiva tanto dos conceitos básicos como dos detalhes técnicos do material formal utilizado. Não deve ser suposto que o formalismo pode produzir resultados filosóficos para além da capacidade do raciocínio filosófico comum. Não há substituto matemático para a filosofia.

Uma imagem mais verossímil do Positivismo Lógico


Uma imagem comumente associada ao positivismo (ou empirismo) lógico é a de um projeto empirista radical, fundacionista, completamente hostil à metafísica, à ética, que desprezava a história da ciência, etc. A pesquisa histórica recente, no entanto, desmente essa imagem; e o Cambrige Companion to Logical Empiricism (2007), org. Alan Richardson e Thomas Uebel, é a prova disso. Esse volume, historicamente bem informado e filosoficamente bem argumentado, em 14 artigos de diferentes filósofos (entre eles Michael Friedman, os próprios organizadores, dentre outros), não só desmente a imagem do positivismo lógico como um programa filosófico bem delimitado e uniforme (e autorrefutante!), como também indica as novas tendências na pesquisa histórica sobre o positivismo lógico. Os artigos que compõem o volume mostram claramente os interesses dos positivistas pelas ciências sociais, pela psicologia, o abandono do critério de verificação e a adoção do critério confirmação, a aproximação com a filosofia kantiana, a relação com a história da ciência, etc. O resultado é uma imagem bastante rica e filosoficamente diversificada do positivismo lógico muito longe das caricaturas que comumente se vê por aí. Altamente recomendável!


30 de janeiro de 2012

SPF: candidaturas para a apresentação de comunicações


A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em parceria com o Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, organiza este ano a 10.ª Edição dos Encontros Nacionais de Professores de Filosofia. O encontro realizar-se-á nos dias 7 e 8 de Setembro, na F.C.S.H., e contará com o Prof. Anthony Grayling (Oxford) como orador internacional.
Estão abertas as candidaturas para a apresentação de comunicações em língua portuguesa sobre qualquer tópico de filosofia ou didáctica da filosofia, incluindo ainda propostas de sessões práticas ou workshops nesses âmbitos. As comunicações não devem exceder os 30 minutos, seguidas de pelo menos 20 minutos de discussão. As sessões práticas poderão ocupar 50 minutos, desde que seja garantida a oportunidade para a participação do público.
Os candidatos deverão enviar para o endereço spfil@spfil.pt, até 31 de Março, o título da sua comunicação/sessão prática e um resumo da mesma que não exceda as 500 palavras. Os resumos das propostas de comunicação devem indicar de forma clara a(s) ideia(s) a defender, e incluir um esboço do argumento proposto.  
As propostas serão apreciadas sob anonimato. A decisão do júri será comunicada aos autores por correio eletrónico, até 30 de Abril.

Pílulas da moralidade

Peter Singer e Agata Sagan colocam em causa aqui a ideia de que uma “pilula da moralidade” seria algo ruim. Em linhas gerais, o argumento é o seguinte: se formos capazes de criar uma pilula da moralidade, isso significa que a química de nosso cérebro afeta diretamente nossas ações morais. Nesse caso, por que ser afetado pela química natural de nosso cérebro seria melhor que ser afetado por algum medicamento artificial?

Que acham dessa ideia?

29 de janeiro de 2012

Recordar Peter Goldie (1946-2011)


A OUP tem aqui uma breve página de homenagem a Peter Goldie, que morreu prematuramente em Outubro passado. Peter Goldie foi um dos primeiros filósofos a reabrir o tema da filosofia das emoções, e organizou o importante volume The Oxford Handbook of Philosophy of Emotion. O seu livro The Emotions: A Philosophical Exploration (2002) foi um dos primeiros a explorar esta área; na Disputatio temos aqui uma recensão deste livro.

Churchland e Chomsky sobre o Hiato Explicativo

Patricia Churchland acha que a humildade requer que não podemos declarar que há fenómenos para sempre fechados à investigação científica. Por outro lado, Chomsky acha que a nossa estrutura cognitiva requer que haja fenómenos que simplesmente não conseguimos compreender (como certas propriedades do movimento e provavelmente a consciência). Veja ambos aqui.

E qual é a sua opinião?

A neurociência (ou neurofilosofia) vai resolver o problema da consciência ou esta irá permanecer um mistério irresolúvel?

História e Filosofia da Ciência


Eis mais dois bons livros publicados pela Unesp. A tensão essencial, de Thomas Kuhn, uma coleânea de ensaios principalmente sobre história da ciência; e O progresso e seus problemas, de Larry Laudan, uma defesa do progresso da ciência não com base no avanço das teorias rumo à verdade, mas na capacidade de resolverem problemas empíricos e conceituais.

Conhecimento sobre inobserváveis?


David Papineau expõe aqui os principais argumentos a favor e contra o realismo científico.

Ética prática em Portimão

Na próxima sexta-feira Pedro Galvão irá à Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, proferir uma conferência intitulada Quatro Perspectivas sobre os Direitos dos Animais. A entrada é livre.

Esta é já a XIII Conferência de Filosofia da Teixeira Gomes, ciclo inaugurado no ano de 2000, tendo Desidério Murcho como conferencista convidado. Os convidados dos anos seguintes foram Luísa Ribeiro Ferreira, António Costa, Adriana Silva Graça, Álvaro Nunes, Pedro Madeira, Ricardo Santos, Viriato Soromenho Marques, Porfírio Silva, Vítor Guerreiro e, agora, Pedro Galvão. Houve ainda um ano em que os conferencistas foram professores da casa e outro em que foram alunos também da casa. 


A Inefabilidade do Ordinário

Desidério Murcho argumenta convincentemente que a ideia de inefabilidade como acesso privilegiado à verdade tem tido uma influência nefasta em certos círculos intelectuais aqui.

Deixem-me, no entanto, citar uma passagem do livro de Bryan Magee Confessions of a Philosopher que contraria a afirmação de que o inefável é um mito, pelo menos, num certo sentido de incomunicabilidade por linguagem:

"Se ergo os olhos quando escrevo esta frase, a minha visão absorve imediatamente metade de um aposento contendo dezenas, se não centenas, de itens de formas multicoloridas com relações desordenadas entre si. Vejo tudo com clareza, nitidez e sem esforço. Não existe forma concebível de palavras nas quais eu pudesse condensar este acto visual e unitário. Durante a maior parte das horas em que estou acordado, a minha percepção consciente é uma experiência predominantemente visual - Como diz Fichte, "Sou um ver vivo" - mas não há palavras para descrever as formas irregulares dos objectos que vejo, nem há palavras para descrever as relações espaciais tridimensionais múltiplas e concomitantes nas quais vejo os objectos directamente uns em relação aos outros. Não há palavras para as gradações e nuances diferentes de cor que vejo, nem para as densidades variadas de luz e sombra.

Sempre que vejo, tudo o que a linguagem pode fazer é indicar, com generalidade extrema e nos termos mais amplos e grosseiros, o que estou a ver. Mesmo algo tão simples e corriqueiro como a visão de uma toalha caída no chão da casa de banho é inacessível à linguagem - e inacessível a ela de muitos pontos de vista simultâneos: nenhuma palavra para descrever a forma que assumiu ao cair, nenhuma palavra para descrever a gradação do sombreamento das suas cores, nenhuma para descrever a diferença de sombra nas suas dobras, nenhuma para descrever as relações espaciais com todos os outros objectos da casa de banho. Vejo tudo isso ao mesmo tempo com grande precisão e definição, com clareza e certeza, e em toda a sua complexidade. Aposso-me de tudo isso de modo completo e seguro na experiência directa e, entretanto, seria totalmente incapaz, como qualquer outra pessoa, de pôr essa experiência em palavras. Portanto, não é o caso de o mundo ser "o mundo como o descrevemos", de eu vivenciá-lo "através de categorias linguísticas que ajudam a moldar as nossas experiências", de meu "principal método de dividir as coisas estar na linguagem" ou de que o meu "conceito de realidade" seja "uma questão de categorias linguísticas".

Observações correspondentes valem para a nossa experiência directa através dos cinco sentidos. Imaginem aplicar as frases recém-citadas às experiências que tenho quando estou a jantar! Comer, como ver, faz parte do nosso contacto elementar com o mundo da matéria, sendo até mais necessário à nossa experiência do que a visão. Posso distinguir instantaneamente, sem esforço e com prazer entre os sabores da carne, das batatas, de cada legume, do gelado e do vinho. E, ainda mais, posso distinguir instantaneamente e sem esforço entre diferentes qualidade de carne (de vaca, porco, vitela, cordeiro etc.), tipos diferentes de batata (assada, cozida, frita, em puré etc.) e assim por adiante para cada exemplo possível. Será que há alguém que possa sustentar a sério que as categorias nas quais essas experiências me chegam são linguísticas, ou que o meu principal método de chegar a elas é linguístico? Existe mesmo alguém capaz de pôr essas experiências em palavras depois de ter passado por elas? Quem consegue descrever o sabor de batatas cozidas, de cordeiro ou de nabo branco, de tal forma que alguém que nunca tenha provado esses alimentos conheça, a partir das descrições, o sabor de cada um deles?

Como digo, podemos examinar todos os sentidos da mesma forma. Conheço as vozes individuais de todos os meus amigos e reconheço a maioria delas ao telefone após duas ou três palavras, mas as categorias segundo as quais faço a distinção não são linguísticas, e fica fora do alcance das possibilidades da linguagem pôr em palavras as características isoladas de cada uma. Este ponto é ilustrado pelo facto de não haver nenhum meio pela qual eu pudesse descrevê-las que permitisse a alguém identificá-las sozinho. A verdade pura e simples é que nenhuma das nossas experiências directas pode ser posta em palavras de modo adequado. E isto não vale apenas para as nossas experiências sensoriais do mundo exterior. O tempo todo dentro de mim corre um fluxo complexo, dinâmico e perpetuamente mutante de percepção, disposição de humor, resposta, reacção, sentimento, tom emocional, percepções de associações e diferenças, referências laterais, com vislumbres e pensamentos bruxuleantes e lembranças parciais passando velozes de um lado a outro como vários fios entrelaçados, tudo seguindo interminavelmente nalguma câmara de eco muito reverberante com ressonâncias, conotações e implicações. Eu seria capaz de imaginar tudo isso ser traduzido para algum tipo de música instrumental, mas sem dúvida não em palavras.

Exactamente como no caso da experiência exterior, mesmo as experiências pessoais mais incisivas e fortes não são verbalizáveis. Quem pode descrever um orgasmo? Ou uma reacção a uma grande obra de arte? Ou ainda a qualidade específica de terror num pesadelo?

Procurem contar uma peça musical. Um dos comentários famosos mais obviamente falsos na história recente da filosofia, que costuma ser citado em tom de aprovação, é de Ramsey: "O que não se pode dizer não se pode dizer e também não se pode assobiar." A meu ver, é um típico exemplo de cegueira (neste caso talvez de surdez) espantosa de alguns filósofos conhecidos. Tudo o que pode ser assobiado é algo que pode ser assobiado, mas não pode ser dito. Ou será que Ramsey era capaz de dizer uma melodia? Ele poderia ter sido capaz de ditar a notação musical de uma mas isso não seria verbalizar a melodia. E quando se considera a possibilidade de dizer uma sinfonia de Brahms ou um concerto para piano de Mozart... O mesmo vale, naturalmente, para outras artes. Como se diz a Mona Lisa ou a Última Ceia de Leonardo? A suposição de que tudo de significativo que se possa experimentar, conhecer ou comunicar pode ser expresso em palavras seria ridícula demais para merecer um instante de atenção, não fosse o facto de ela ter sido subjacente a grande parte da filosofia do século XX, e a grande parte de teoria literária também."

E o que pensa o leitor?

28 de janeiro de 2012

Somos Nojentos!

O brilhante filósofo da mente Colin McGinn publicou nestes últimos meses, entre dois outros livros, um livro sobre o significado do nojo. Deu recentemente uma conferência sobre este livro, em que ele propõe uma análise conceptual do nojo e extrapola uma teoria sobre a natureza humana.

Para quem acha que este é um tópico para a psicologia evolutiva, Mcginn argumenta que a teoria evolutiva do nojo não dá condições necessárias nem suficientes. Há muitas coisas tóxicas de que não temos nojo, como certas flores e metais, e há muitas coisas de que temos nojo como gordura que são especialmente nutritivas ou evolutivamente inócuas como o suor. Em virtude de que é que as coisas nojentas são nojentas? Para McGinn é em virtude das categorias de morte e vida se misturarem (o cadáver em decomposição, frutas podres, fezes e urina, menstruação).

Os existencialistas e Freud estavam redondamente errados, o que está no centro da condição humana não é a angústia ou os impulsos sexuais, mas o nojo. McGinn argumenta que nos sentimos enojados com nossa natureza humana biológica (fezes, saliva, fluidos sexuais, decomposição possível do nosso corpo). Mcginn nota que o conceito de nojo não se aplica a coisas inorgânicas, pois ninguém tem nojo de carros, estrelas ou robôs. É a nossa natureza orgânica que nos enoja, sendo nós incapazes de admitir que a nossa mente está inevitavelmente ligada a funções como urinar e defecar. É esta ambivalência que define, em parte, a nossa natureza humana - deuses e animais não se sentem assim. Seres pensantes são seres defecantes (deixo ao leitor a tarefa de modificar o "penso logo existo" nesta perspectiva).

Pode ver a conferência do McGinn sobre o nojo aqui, uma entrevista clara com o McGinn sobre o que o levou a filosofia (e sobre nojo também) aqui e a crítica do livro pelo igualmente brilhante Thomas Nagel aqui. E, se ainda não estiver enojado, ainda pode ir aqui para ver imagens do espectro de casos que o McGinn acha nojentos.

26 de janeiro de 2012

A Crítica no Facebook

Desde Agosto de 2010 a Crítica disponibiliza mais um espaço de divulgação na rede, refere-se concretamente a sua Página no Facebook. Das publicações diárias nessa rede social destacam-se as actualizações — tanto da revista como do blog —, imagens, vídeos, os artigos do vasto arquivo da revista, etc.

Desse modo a Crítica está cada vez mais acessível aos seus leitores e permite a passagem de um primeiro contacto (no facebook), para uma leitura reflexiva (na revista) ou para uma discussão fundamentada (no blog).

Este novo espaço permite ainda que os leitores manifestem as suas preferências (clicando “gosto”), ou que partilhem os conteúdos que entendam e desta forma cada leitor é também um interveniente na divulgação da filosofia.

Olimpíadas de Filosofia: medalha de prata dourada


Ao visitar o sítio português das Olimpíadas de Filosofia, recentemente criado pela PROSOFOS, uma associação constituída por professores da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (associação que tem a seu cargo a organização das primeiras Olimpíadas Nacionais de Filosofia), acabei por encontrar o ensaio do jovem português que ganhou a medalha de prata nas Olimpíadas Internacionais de Filosofia, realizadas no ano passado em Viena.

Confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade do ensaio de José Gusmão Rodrigues, um aluno do secundário que foi capaz de defender de forma argumentada, em inglês e em apenas quatro horas, o que a esmagadora maioria dos professores, tanto do secundário como universitários, não consegue fazer em português e em quatro semanas. Os candidatos tiveram de escolher um dos quatro tópicos que lhes foram apresentados sem conhecimento prévio, sendo de seguida avaliados anonimamente por um júri especializado. 

Cada tópico era acompanhado por uma citação de algum filósofo, tendo José Rodrigues escolhido o tema ilustrado pela afirmação «A arte não é uma cópia do mundo real. Uma dessas malditas coisas já é suficiente». Citação retirada de Linguagens da Arte, de Nelson Goodman, que serve para José Rodrigues discutir o problema do valor da arte. Uma das coisas que imediatamente se nota no ensaio de José Rodrigues é a clareza do discurso argumentativo e a articulação de ideias, aliados a uma sólida cultura filosófica e a um conhecimento notável das ideias discutidas (é o caso da breve discussão da teoria icónica da representação, de Suzanne Langer), recorrendo frequentemente a exemplos e a contraexemplos esclarecedores. Além disso, José Rodrigues não se limita a fazer uma espécie de relatório crítico sobre as principais teorias em causa. Como qualquer filósofo, procura avançar com ideias próprias. 

José Rodrigues começa por formular genericamente o problema do valor da arte e anuncia que irá defender no seu ensaio uma perspectiva instrumentalista. Esclarece, contudo, que o instrumentalismo defendido por ele é diferente do que é defendido por Goodman. Diferentemente do instrumentalismo construtivista de Goodman, José Rodrigues procura defender uma perspectiva instrumental inspirada no Wittgenstein das Investigações Filosóficas e na filosofia de Heidegger. Penso que este é o aspecto menos conseguido do seu ensaio, uma vez que, por um lado, não se chega a perceber bem em que sentido o desvelamento do Ser heideggeriano operado através da arte se enquadra numa perspectiva instrumentalista da arte e, por outro lado, em que sentido isso pode ser considerado conhecimento experiencial, como era suposto ser, de acordo com José Rodrigues. O ensaio não acaba, pois, da melhor maneira, embora seja de ter em conta que se trata de um pequeno ensaio com cerca de cinco páginas, não sendo assim possível justificar adequadamente tudo o que se defende. Seja como for, nada disso retira mérito ao ensaio de José Rodrigues, uma mente filosófica que não pode ser desperdiçada (espero que continue a estudar filosofia, pois tem claramente futuro). 

Por curiosidade, li também os outros ensaios medalhados em Viena e, em minha opinião, o ensaio de José Rodrigues merecia a medalha de ouro, juntamente com o também excelente ensaio do estudante sul coreano (também ele medalha de prata). Qualquer deles me parece bastante melhor do que a medalha de ouro que foi para o aluno dinamarquês. Mas estas coisas são mesmo assim e isso até nem é o mais importante. 

Entretanto, seria bom que outros alunos do secundário aparecessem e se candidatassem às Olimpíadas Nacionais de Filosofia, cujos vencedores irão representar Portugal nas Olimpíadas Internacionais de Filosofia de 2012, na Noruega.  

O que é a metafísica?

Neste episódio da série Philosophy Bites, Kit Fine fala sobre a natureza da investigação metafísica.

25 de janeiro de 2012

A história demasiado consciente de Freud



Mikkel Borch-Jacobsen e Sonu Shamdasani defendem em The Freud Files: An Inquiry into the History of Psychoanalysis (CUP, 2012, 450 pp.) que a psicanálise se impôs na cultura europeia graças em parte à reescrita da história.

Chamada de Artigos: Revista Fundamento

Fundamento - Revista de Pesquisa em Filosofia editada pelo Grupo de Pesquisa em Filosofia Contemporânea do curso de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) convida à submissão de artigos em filosofia que serão publicados nos 3º e 4º números. Os artigos devem explicitar rigorosamente argumentos e teses, podendo ser ou não de caráter introdutório.

Os interessados devem enviar dois arquivos do seguinte modo: o primeiro arquivo deve conter o artigo completo com título, resumo e abstract com no máximo 250 palavras (no idioma do artigo e em Inglês – quando o idioma do artigo for Inglês, o abstract pode ser em Espanhol ou Português, idiomas também aceitos para publicação), Times New Roman 12, espaço entre linhas 1,5 e margens 2,5.
No segundo arquivo, deve ser enviado o nome completo do autor, título do trabalho submetido, endereço de e-mail, Instituição e titulação. O endereço do e-mail é
revistafundamento@ufop.br
Fundamento: Revista de Pesquisa em Filosofia
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Ouro Preto

Aristotle and Contemporary Argumentation Theory

Organizado pelo Grupo de Investigação Ensino de Lógica & Argumentação, da Unidade de I&D Linguagem, Interpretação e Filosofia (LIF/FCT), realiza-se no dia 17 de Fevereiro de 2012, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Sala Victor de Matos, das 09:00 às 18:00 horas), um colóquio internacional intitulado Aristotle and Contemporary Argumentation Theory. São conferencistas alguns dos mais importantes especialistas mundiais sobre a retórica e a argumentação, em Aristóteles, e a teoria da argumentação contemporânea. A entrada é livre, embora sujeita a inscrição prévia. Mais informações aqui; contacto: tla.lif.fct@gmail.com.

23 de janeiro de 2012

Na máquina de prazer de Nozick

Mas afinal qual é o mal de viver na máquina de prazer de Nozick?, pergunta Belshaw aqui.

Karl Popper

Afirma-se muitas vezes que a discussão só é possível entre pessoas que têm uma linguagem comum e que têm  pressupostos básicos em comum. Penso que isto é um erro. Tudo o que é necessário é uma prontidão para aprender com quem discutimos, o que inclui um desejo genuíno de compreender o que essa pessoa quer dizer. Se esta prontidão existir, a discussão será tanto mais frutuosa quanto mais diferirem os pressupostos de fundo de quem discute. 

21 de janeiro de 2012

Filosofia em Directo


Acabo de receber notícia que durante o ano de 2011 os leitores compraram mais de 12 mil exemplares do meu Filosofia em Directo. A todos os leitores, os meus agradecimentos. Espero que o livro seja estimulante e esclarecedor.

19 de janeiro de 2012

Ética e animais não-humanos


A imparável Notre Dame Philosophical Reviews acaba de publicar aqui uma recensão do Oxford Handbook of Animal Ethics, org. por Tom L. Beauchamp e R. G. Frey.

16 de janeiro de 2012

Co-existir com outros animais


Acabo de ter conhecimento do interessante blog animalogos, coordenado pela etóloga Anna Olson, e com a participação do médico veterinário Manuel Magalhães Sant'Ana e do biólogo Nuno Henrique Franco. Quem se interessar pela área da ética aplicada que diz respeito aos animais não humanos tem agora mais uma leitura interessante.

15 de janeiro de 2012

Pensar Outra Vez, outra vez



Pensar Outra Vez: Filosofia, Valor e Verdade, o meu livro originalmente publicado em 2006, está agora disponível para venda na Amazon, em versão electrónica para Kindle. E é muito barato: apenas duas libras, na Amazon inglesa, ou 2.99 dólares, na norte-americana.

Acompanhar as novidades

Os leitores podem acompanhar facilmente as novidades tanto da Crítica como deste blog e até dos comentários, usando um leitor de feeds ou RSS. Quem usa o Internet Explorer pode ler os feeds directamente nesse navegador. Mas também pode preferir lê-los no Google Reader. Em qualquer caso, as ligações para os feeds respectivos estão na caixa ao lado.

Além disso, na Crítica encontra-se uma caixa com os títulos das últimas cinco entradas publicadas neste blog; e neste blog encontra-se uma caixa com os últimos cinco artigos publicados na Crítica.

Ao contrário do que acontecia até recentemente, os novos artigos publicados na Crítica não serão anunciados aqui.

14 de janeiro de 2012

História do Pensamento Político Ocidental


O conhecido político e professor de direito administrativo Freitas do Amaral publicou no final de 2011 o livro História do Pensamento Político Ocidental (Almedina), uma obra ambiciosa que não está ao alcance de qualquer um e que exige, sem dúvida, uma boa dose de cultura filosófica. O livro expõe e avalia criticamente as principais ideias políticas desde Péricles, na Antiguidade Clássica, até aos nossos dias - incluindo, por exemplo, o pensamento de Raymond Aron e do «pai» da comunidade europeia, Jean Monet.  É uma história centrada nos principais protagonistas do pensamento político ocidental, como Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Maquiavel, Hobbes, Locke, Kant, Rousseau, Marx, Lenin, Popper e Rawls, entre muitos outros, num total de mais de 50 filósofos e pensadores políticos.

Ainda não li o livro, mas uma vista de olhos pelo índice (curiosamente, o sítio da net da própria editora não inclui o índice, ao contrário do que seria de esperar), saltaram-me imediatamente à vista duas lacunas imperdoáveis: John Stuart Mill e Robert Nozick. Qualquer um destes nomes justificaria maior destaque do que, por exemplo, Erasmo, Lutero ou Raymond Aron.  

12 de janeiro de 2012

Eagleton sobre Alain de Botton

Terry Eagleton faz aqui uma recensão do último livro de Alain de Botton, que defende o lugar-comum de que apesar de não existir qualquer divindade, a religião é crucial para uma vida civilizada. O artigo de Eagleton é interessante porque menciona várias autores — Voltaire, Habermas, Gibbon — que não têm crenças religiosas, mas defendem a mesma ideia de Botton. Há dois problemas com essa ideia, mas Eagleton menciona apenas um deles: o insulto que isto representa para quem é genuinamente crente. Pois imagine-se a afronta que seria alguém defender que é evidente que o Sol não é feito de hélio, mas é socialmente útil que as pessoas pensem que o é. Conciliar esta atitude com a honestidade intelectual é pelo menos difícil, como menciona Eagleton.

O segundo problema, que sempre me impressiona, é a ignorância que esse género de posição manifesta: pois quando vemos em pormenor o que entendem estas pessoas por "religião" é sempre algo parecido a um cristianismo digno da Titi do Raposão (cf. A Relíquia, de Eça de Queirós). A pluralidade de manifestações religiosas — muitas delas bastante violentas — é delicadamente ignorado. Além disso, é também ignorado que civilizações milenares, como a chinesa, apoiaram-se num conjunto de preceitos não religiosos sobre a vida social e pessoal, formulados por Confúcio. Em suma, parece-me que a popular posição defendida por Botton pela enésima vez manifesta falta de imaginação e falta de cultura, porque a experiência humana é muito diversificada e pode atingir a excelência de muitas maneiras diferentes, com ou sem religião. 

Posso estar a ver mal, mas parece que é um pouco como as pessoas que fazem um grande alarido por não conseguirem acreditar no deus cristão, pensado que desse modo uma vida humana de excelência não pode ser atingida. Isto revela uma ignorância história incrível, dado que Platão, Aristóteles, os estóicos ou Epicuro também não acreditavam no deus cristão mas nem por isso pensavam que a vida humana estava condenada ao fracasso.

11 de janeiro de 2012

Em defesa do diálogo

Os Melhores Anjos de Nossa Natureza?














Aqui, o professor de história Timothy Snyder coloca em causa alguns pontos do novo livro de Steven Pinker. Entre suas críticas incluem o exagero na representação da violência na pré-história e a descrição simplista e tendenciosa de alguns eventos históricos.

10 de janeiro de 2012

Leis da natureza e deliberação racional


Publiquei os artigos "O Que é uma Lei da Natureza?", de A. J. Ayer, traduzido por Sérgio R. N. Miranda e Aluízio Couto, e "Deliberação e Decisão Racional", de Faustino Vaz. Mudei além disso o grafismo da revista, assim como outros pormenores. Todas as sugestões são bem-vindas.

6 de janeiro de 2012

Não somos seres humanos

No último número da revista Philosophy, Derek Parfit defende que não somos seres humanos. E o que pensa o leitor? A propósito de Parfit, algum dos leitores já leu a sua monumental última obra, em dois volumes?

1 de janeiro de 2012

Revista Fundamento: N.º 2 está online

Acaba de ser publicada a versão online da Número 2 da Fundamento - Revista de Pesquisa em Filosofia da UFOP. Destaco dois artigos interessantes: um pela relevância histórica - "Sobre a Liberdade e a Necessidade" de Thomas Hobbes e John Bramhall traduzido pela primeira vez para o português por Sérgio Miranda - e outro pela relevância para discussão contemporânea - "A Fórmula de Barcan" de Desidério Murcho e Pedro Merlussi. Além destes dois artigos compõem esta edição da Fundamento:
  • Problemas Centrais em Filosofia Contemporânea do Direito (Andrew Altman)
  • Cinco Teorías Sobre el Concepto de los Derechos (Antonio M. Peña Freire)
  • Uma Resposta Hedonista à Objeção da Máquina da Experiência (Leandro Shigueo Araújo)
  • Uma Resolução Exemplar (Frank Thomas Sautter)
  • A Relação Entre Os Mal-Entendidos e As Implicaturas Conversacionais: Uma Investigação Preliminar (Rodrigo Jungman)
  • A Teoria das Descrições de Russell a partir de On Denoting: Uma Explanação (Jaaziel de Carvalho Costa)
  • A Noção de Ser na Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant (Filício Mulinario)
  • Proclus, the Cambridge Platonists and Leibniz on Soul and Extension Leibniz on Soul and Extension (Martinho Antônio Bittencourt de Castro)
Esta edição completa de Fundamento pode ser lida aqui.