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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

The Battle over Free Will

Acabo de receber notícia deste apetitoso livro publicado pela Hackett: The Battle over Free Will: Erasmus & Luther. O livro foi organizado por Clarence H. Miller e traduzido por Clarence H. Miller e Peter Macardle. A introdução é de James D. Tracy (416 pp.).

P. T. Geach

Penso efectivamente que para o uso de uma palavra como nome próprio tem de haver em primeiro lugar alguém em contacto com o objecto nomeado. Mas a linguagem é uma instituição, uma tradição; e o uso de um dado nome para um dado objecto, como outras características da linguagem, pode ser transferido de uma geração para outra; o contacto exigido para o uso de um nome próprio pode ser mediato e não imediato. Platão conhecia Sócrates e Aristóteles Platão, e Teofrasto Aristóteles, e assim por diante numa sucessão apostólica até ao nosso tempo; é por isso que podemos legitimamente usar "Sócrates" como um nome do modo como o fazemos. Não é o nosso conhecimento desta cadeia que valida o nosso uso, mas a sua existência (...) "The Perils of Pauline", 1969 (reimpresso no seu livro Logic Matters)

Hilary Putnam

Se qualquer indício adicional fosse necessário do estado saudável da filosofia hoje, seria fornecido pelas hordas de intelectuais que se queixam que a filosofia é demasiado "técnica", que "abdicou" de qualquer preocupação com os problemas "reais", etc. Pois tais queixas têm sempre ocorrido precisamente quando a filosofia foi significativa e vital! Aristófanes achava Sócrates tolo e técnico; Berkeley era tido como rídiculo pela opinião leiga até que Hume e Kant apreciaram a importância do desafio que ele pôs; Hume e Kant, por sua vez, foram ridicularizados e mal compreendidos... O triste facto é que a boa filosofia é e sempre foi difícil, e que é mais fácil aprender os nomes de uns quantos filósofos do que é ler os seus livros. Aqueles que acham que a filosofia é demasiado "técnica" hoje, não teriam mais encontrado o tempo ou a inclinação de seguir as longas cadeias de argumento de Sócrates, ou de ler uma das Críticas, numa época anterior.Philos…

Filosofia da arte em Lisboa

Deixo aqui o anúncio do colóquio Actions in Art, a realizar na Universidade Nova de Lisboa no próximo mês. O colóquio conta, entre outros participantes, com dois dos mais destacados filósofos da arte da actualidade: Jerrold Levinson, da Universidade de Maryland (autor de uma extensa e influente bibliografia sobre quase todos os tópicos de filosofia da arte), e Peter Lamarque, da Universidade de York (que tem obra relevante sobretudo nas áreas da filosofia da literatura, da ficção e da metafísica da arte).

Ruth Barcan Marcus (1921-2012)

Morreu no domingo passado, dia 19 de Fevereiro, a influente filósofa e lógica Ruth Barcan Marcus, professora de filosofia da Universidade de Yale. Deixo aqui o pequeno artigo que Álvaro Nunes escreveu sobre ela para o Dicionário Escolar de Filosofia organizado por mim:
Lógica e filósofa americana, foi a primeira a desenvolver um sistema de lógicamodal quantificado, isto é, com operadores modais (possibilidade, necessidade) e quantificadores. Estabeleceu as chamadas «fórmulas de Barcan» e o teorema da necessidade da identidade. As fórmulas de Barcan são as seguintes: ◊$x Fx → $x ◊Fx (se é possível que algum objecto tenha uma certa propriedade, então algum objecto tem possivelmente essa propriedade); e a sua contraparte para a necessidade e para o quantificador universal, "x □Fx → □"x Fx (se tudo o que há tem necessariamente uma dada propriedade, então necessariamente tudo tem essa propriedade). Intuitivamente, as fórmulas significam que em nenhum mundo possível há mais objecto…

Anscombe sobre o Consequencialismo

“É uma característica necessária do consequencialismo que é uma filosofia superficial. Porque há sempre casos de fronteira em Ética. Ora, se fores um Aristotélico, ou um crente na lei divina, vais lidar com um caso de fronteira tendo em consideração se fazer tal e tal em tal e tal circunstância é, digamos, assassínio, ou um acto de injustiça; e de acordo com a tua decisão de que é ou de que não é, julgarás que é a coisa a fazer ou não. Este seria o método da casuística; e embora te possa levar a alongar um ponto na circunferência, não irá permitir que destruas o centro. Mas se fores um consequencialista, a questão “Qual é a coisa a fazer em tais e tais circunstâncias?” é uma questão estúpida a levantar. O casuísta levanta tal questão apenas para perguntar “Seria permissível fazer assim e assim?” ou “Seria permissível não fazer assim e assim?” Apenas se não fosse permissível não fazer assim e assim, poderia ele dizer “Esta seria a coisa a fazer”. Pelo contrário, apesar de ele poder f…

Ética Prática – Prostituição

Aborto, eutanásia, direitos dos animais, clonagem e ética profissional em geral são apenas alguns dos muitos assuntos debatidos à exaustão em Ética Prática. Curiosamente, de modo comparativo, há relativamente poucos artigos debatendo se há algo prima facie moralmente errado com a prostituição. A maior parte dos artigos, oriundos de autoras feministas, foca-se na questão de se há algo errado com as formas actuais de prostituição, na medida em que reflecte a desigualdade entre o homem e a mulher (como se não houvesse também prostituição masculina), um capitalismo desenfreado subjacente ou a simples exploração económica e coerção das mulheres prostituídas. Ora, a questão ética mais interessante não é se, por contingências históricas, a prostituição está ligada ao capitalismo, à desigualdade entre o homem e a mulher ou à coerção e exploração. A questão ética mais interessante é se a prostituição, independentemente destes factores, é moralmente permissível.Há, pelo menos, dois bons artigos…

O que haverá de errado em não salvarmos “a vida que podemos salvar”?

Logotipo do projecto A Vida Que Podemos Salvar


Imaginemos a seguinte experiência mental:

Primeiro caso: encontro-me numa ponte e o Fernando (um menino de 5 anos) está a atravessá-la. Sem um bom motivo que o justifique, atiro o Fernando abaixo da ponte. O Fernando morre.

Segundo caso: sei que a ponte vai ser demolida às 15 horas e sei que o Fernando atravessa a ponte todos os dias a essa hora para ir brincar. Posso avisar o Fernando que a ponte vai ser demolida, mas, sem um bom motivo que o justifique, não o aviso. O Fernando morre.

Tanto no primeiro caso como no segundo fiz escolhas conscientes (agir ou não agir) e sem um bom motivo que as justificasse. O resultado dessas escolhas é o mesmo: a morte do Fernando.

Será que moralmente uma escolha é menos condenável do que a outra?

Moralmente sei que devo fazer o bem e não devo fazer o mal, mas no segundo caso não fazer o bem equivale também a fazer o mal. No primeiro caso sou assassino porque faço o mal e no segundo sou assassino porque …

Pedro Galvão sobre os direitos dos animais

Deixo aqui um breve resumo da conferência que Pedro Galvão fez em Portimão sobre direitos dos animais.

E o leitor, o que pensa de tudo isso?

David Deutsch

Dizer que a previsão é o propósito de uma teoria científica é confundir os meios com os fins. É como dizer que o propósito de uma nave espacial é queimar combustível. Na verdade, queimar combustível é apenas uma das muitas coisas que uma nave espacial tem de fazer para cumprir o seu verdadeiro propósito, que é transportar a sua carga de um ponto no espaço para outro. Passar testes experimentais é apenas uma das muitas coisas que uma teoria tem de fazer para alcançar o verdadeiro propósito da ciência, que é explicar o mundo.

Arran Gare

Se a argumentação rigorosa fosse a base para determinar a aceitação ou rejeição de ideias, então o livro Darwinian Creativity and Memetics, de Maria Kronfeldner, deveria acabar finalmente com a teoria da cultura de Richard Dawkins, baseada na noção de "memes".

Um caso de popularidade merecida

O leitor sabia que Philosophy: The Basics (Elementos Básicos de Filosofia, na tradução portuguesa da Gradiva) de Nigel Warburton já ultrapassou o impressionante número de 100 000 exemplares vendidos? E que a série de podcasts com o título genérico Philosophy Bites, de Warburton e Dave Edmonds, já foi descarregada por mais de 11 milhões de pessoas? Trata-se de uma longa série de pequenas entrevistas (cerca de 12 a 15 minutos) a conhecidos filósofos sobre os mais diversos problemas filosóficos e cujo sucesso até já justificou a edição em livro com uma selecção de algumas dessas entrevistas.
Os números anteriores são referidos por Julian Baggini na recensão, para o The Guardian, de A Little History of Philosophy, o mais recente livro de Warburton, inspirado no inesquecível Uma Pequena História do Mundo, de Ernst Gombrich. São números que mostram bem que Warburton é um dos mais populares filósofos da actualidade. O que é completamente merecido, sobretudo como divulgador da filosofia, pela …