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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2012

Filosofia para crianças

Para quem pensa que a filosofia é uma disciplina muito avançada, complexa, abstrata, etc. para ser apresentada para crianças, a leitura de Big ideas for little kids de Thomas Wartenberg vem em boa hora. Esse pequeno livro, baseado na própria experiência do autor com o ensino da filosofia para os pequeninos, mostra o quanto as crianças podem se interessar por questões filosóficas e o quanto é fácil ajudá-las a pensar sobre elas. O método é simples e dispensa qualquer formalismo: através de estórias infantis. Tudo o que o professor precisa fazer é detectar as questões filosóficas que venham a surgir das estórias e incitar as crianças a discuti-las. É claro que não esperamos que crianças de 6 ou 7 anos consigam pensar sobre o paradoxo da condicional material ou sobre possibilidades relativas; é o suficiente que percebam a complexidade de certas coisas no mundo, como por exemplo, a dificuldade de se dizer o que é uma obra de arte, o que é que faz uma ação ser correta, por que há algo e não…

Arte e moralidade

A crítica moral da arte é um dos tópicos da filosofia da arte pelo menos desde Platão e Aristóteles. Porém, a forma sob a qual este tópico tem suscitado mais interesse hoje em dia remonta a Hume, na sua obra Sobre o Padrão do Gosto. (Hume colocou o problema do seguinte modo: se uma obra literária representa acções ou caracteres moralmente reprováveis sem indicar a sua reprovabilidade, isto impede-nos de reagir à obra do modo apropriado (fenómeno designado "resistência imaginativa"), o que constitui uma imperfeição na obra enquanto obra de arte.) A discussão antiga centrava-se nos efeitos moralmente relevantes da arte e este é ainda um ponto de interesse, mas a discussão actual abrange também o seguinte problema: qual é ao certo a relação entre as propriedades morais de uma obra de arte e as suas propriedades estéticas? (Supondo que uma obra de arte pode ter propriedades morais) Será que um mérito moral constitui sempre um mérito estético da obra e um demérito moral um demér…

O a priori

Se nunca tivéssemos razões a priori para pensar que se uma afirmação ou conjunto de afirmações são verdadeiros, alguma outra afirmação tem também de ser verdadeira, então simplesmente não poderia haver algo que constituísse o raciocínio genuinamente cogente. Sugiro, assim, que a rejeição de razões a priori é equivalente ao suicídio intelectual. Laurence BonJour

Relativismo Moral

Nesta semana a PUC-Rio contará com duas conferências de Jesse Prinz. Uma delas com o título "Moral Relativism". Resta saber se Prinz fará uma defesa - o que é mais provável -  ou  argumentará contra essa tese. Vale a pena conferir!

Da Certeza

Foi recentemente publicada pelas Edições 70 uma nova edição de Da Certeza, de Ludwig Wittgenstein. A principal novidade é que, à antiga edição bilingue (alemão-português), se acrescentou agora uma muito útil introdução de Sérgio Miranda, professor da Universidade Federal de Ouro Preto. Sendo reconhecida a dificuldade desta obra em particular, a introdução de Sérgio Miranda facilita-nos muitíssimo a sua compreensão e a sua contextualização filosóficas, o que constitui uma razão de peso para, mesmo os que já têm a edição anterior, adquirirem esta.
Vale a pena realçar o notório esforço das Edições 70 no sentido de renovarem o seu catálogo e também  de melhorarem substancialmente as edições mais antigas (até as capas passaram a ser mais simples e elegantes), sobretudo com excelentes introduções feitas por filósofos de língua portuguesa, como é o caso deste e de outros livros recentemente reeditados.

Comentários

Peço aos leitores que queiram discutir todos os posts aqui colocados, que o façam abertamente. Mas que discutam as ideias, não as pessoas que as defendem. 
Assim, as regras inicialmente estabelecidas neste blog, irão ser escrupulosamente cumpridas: todos os comentários que não contribuírem para a discussão das ideias expressas nos repectivos posts, assim como aqueles em que se usa o sarcasmo, a ironia e outros expedientes do género para diminuir, achincalhar ou ofender outros autores ou comentadores, serão eliminados. 
Também serão eliminados os comentários anónimos e os que, mesmo não o sendo, se limitem a protestar por se falar do assunto A em vez de B. Quem sabe sobre o que se deve postar, são os autores dos posts. 

Estética na Universidade do Minho

Noël Carroll (à direita) com o famoso escritor Stephen King
Quem se interessa por estética e filosofia da arte terá brevemente a oportunidade de assistir a conferências de alguns dos mais destacados filósofos mundiais da área. Será na Universidade do Minho (em Braga, mas também com sessões em Guimarães), durante a Conferência Anual da Sociedade Europeia de Estética, que decorre entre os dias 25 e 27 de Junho. 
São dezenas de filósofos especialistas nas diferentes áreas da estética e da filosofia da arte, muitos dos quais não conheço. Mas destaco os nomes de primeira linha que estarão presentes: Noël Carroll (que já tem uma excelente introdução à filosofia da arte publicada entre nós e é um dos nomes mais sonantes da filosofia da arte), Robert Stecker (da Universidade de Michigan, e autor da que penso ser a melhor introdução à estética e filosofia da arte, mas que não está infelizmente traduzida para português; irá falar de filosofia do cinema), Lydia Goehr (da Universidade de Nova Ior…

A filosofia de Keith Donnellan

Foi publicada, na semana passada, uma colectânea que reúne vários ensaios críticos sobre as ideias  de Donnellan. Entre os autores incluem-se John Perry, David Kaplan e Tyler Burge. Os temas são, como é de esperar, teorias sobre o conteúdo semântico (especificamente, a teoria da referência directa), referência e descrições definidas mas também o necessário a posteriori, o problema dos nomes vazios e o que é ter algo em mente, no sentido de Donnellan. O volume é especialmente bem-vindo, tendo em conta que a primeira colectânea a reunir exclusivamente os artigos deste filósofo vai ser publicada no próximo mês.

Filosofia deixa escapar talentos?

Tem-se discutido nos comentários de alguns posts neste blog a relevância de alguns autores como Heidegger para a filosofia. Ocorre-me deixar aqui um problema que, apesar de parecer paralelo à discussão, talvez não o seja quanto possamos pensar. O interesse da filosofia não vem do nada, tal como o interesse na ciência ou nas artes. Um dos antecedentes desse interesse tem que ver com o ensino. Em Inglaterra, por exemplo, segundo as informações que tenho procurado obter, a filosofia não é, como em Portugal, obrigatória no ensino secundário, mas opção. Acontece que é uma opção muito procurada e concorre directamente com física, química, biologia, etc... Em Portugal, com 16 anos de ensino, desconheço interesse pela filosofia de alunos que ao mesmo tempo sejam bons alunos e pretendam seguir carreiras científicas ou relacionadas com as ciências. Já me passaram pelas mãos bons alunos que me disseram, rapazes e raparigas de 15 e 16 anos, que apesar de terem gostado da filosofia não podiam com…

Murcho, de Nietzsche, por Fisher-Dieskau

Morreu há dias um dos maiores cantores do século, o prolífico barítono alemão Dietrich Fischer-Dieskau. Fisher-Dieskau não era um simples cantor, era também um intelectual que gostava de pensar sobre a arte musical. Aqui fica, em memória do grande barítono, uma canção composta por Friedrich Nietzsche, interpretada por Fisher-Dieskau. O título da canção é Verwelkt, que em português significa Murcho. O título é pouco nietzscheano. A avaliar pelo que aqui ouvimos, será que Nietzsche poderia ter sido um maior músico do que filósofo?

Diálogo socrático

Como os leitores devem ter reparado, a saída do Desidério deixou este blog mais cinzentão. Para compensar, aqui fica um momento de boa disposição inteligente, e um sincero agradecimento ao Desidério. Esperemos que gostes, Desidério, e que um dia mais cedo regresses a casa.

Uma Pequena História da Filosofia

O mais recente livro de Nigel Warburton, Uma Pequena História da Filosofia, acabou de ser publicado em Portugal, pelas Edições 70. É um livro destinado aos mais jovens, mas que é irresistível mesmo para quem já está bem familiarizado com a história da filosofia. O livro tem ainda um prefácio do Desidério. Quem quiser pode  espreitar aqui para ver o índice e ler o prefácio e as primeiras páginas do livro.

Russell sobre a covardia intelectual

As pessoas dirão que, sem os consolos da religião, elas seriam intoleravelmente infelizes. Tanto isto é verdadeiro, quanto também é um argumento de um covarde. Ninguém senão um covarde escolheria conscientemente viver em um paraíso dos tolos. Quando um homem suspeita da infidelidade de sua esposa, não lhe dizem que é melhor fechar os olhos à evidência. E eu não consigo ver a razão pela qual ignorar as evidências deveria ser desprezível em um caso e admirável no outro.         Bertrand Russell, Is There a God?

Jonathan Glover

Existem muitas formas de fazer Filosofia e nem toda a gente pode pensar em todos os assuntos. Há espaço para filósofos especializados em questões altamente abstractas e com um domínio restrito. Todavia, seria uma perda se isto se tornasse a norma. Tal coisa impediria a Filosofia de criar dificuldades à crendice.

Steiner e outros sobre Heidegger e o nazismo

Uma referência lateral ao nazismo de Heidegger, num dos meus comentários a este post do Desidério, deu origem a uma violenta indignação verbal de alguns leitores.
Alegaram, esses leitores indignados, que utilizar a "episódica ligação de Heidegger ao nazismo" para desvalorizar o seu pensamento filosófico não passava de uma "jogada rasteira", própria de "indigentes intelectuais" e de "analfabetos filosóficos ressentidos". Pois bem, estes adjectivos têm também de se aplicar a George Steiner.
Mas não é impossível que tenham razão quanto aos adjectivos utilizados para classificar os opinadores atrevidos. Isso é, contudo, irrelevante. O que interessa mesmo nem sequer é se a ligação de Heidegger ao nazismo é episódica ou não (e não foi, nem pouco mais ou menos), mas se a militância nazi de Heidegger decorre — ou se é, de algum modo, a expressão adequada — do seu pensamento filosófico. Heidegger poderia ter apoiado o nazismo por engano, por carreirismo…

Peter Railton no SELF

O Seminário Livre de Filosofia (SELF) da Universidade Federal de Santa Catarina convida a todos para a próxima apresentação que será realizada no dia 25/05/2012, às 14:30h, no auditório da Biblioteca Central. O comunicador será Peter Railton, que tratará do problema de Frege-Geach. O resumo da apresentação pode ser visualizado aqui.

Helena Melo

Um aspecto pessoal sobre o qual nunca escrevi, mas que é crucial para compreender estes mais de 17 anos de trabalho de divulgação e ensino da filosofia, é uma história que envolve a minha colega de curso Helena Melo que, pelo menos até há alguns anos, era professora de Filosofia em Luanda, Angola.

A filosofia que era ensinada nas escolas secundárias e na universidade não me interessava. Mas fui estudar filosofia porque me apaixonei pelo género de coisa que vi Descartes a fazer nas Meditações, quando andava no décimo segundo ano. Raciocínio intenso, objecção e resposta, teorização sofisticada sobre problemas muitíssimo abstractos e apaixonantes. Quando vi isto percebi que já gostava muito de filosofia antes ainda de saber que era filosofia. Mas a filosofia na escola não tinha qualquer relação com tal coisa, não nos ensinava a fazer isso. Na universidade descobri que era mais do mesmo. Apesar de as carências culturais, intelectuais e bibliográficas não serem tão profundas, o ensino esta…

Fim?

Com esta notícia um tanto funesta me deparei logo agora: o Desidério decidiu declarar o fim da Crítica. Espero que não o seja realmente. De qualquer modo, fica aqui os meus sinceros agradecimentos a toda a equipe da Crítica e, principalmente, ao Desidério. Sem a Crítica certamente a minha formação teria sido um fiasco; grande parte de minha graduação foi feita através dos materiais ali disponíveis. A minha dívida para com a Crítica é impagável!

A minha Oxford de filosofia

Por volta de 1996-97, o Ministério da Ciência e Tecnologia ofereceu um computador ligado à internet, por rede analógica, a todas as escolas básicas e secundárias do país. Coincidiu com o meu primeiro ano como professor do ensino secundário, após a conclusão do meu estágio profissional. Nesse ano tive uma colocação na pequena e pacata cidade de Lamego. A saída da festa da grande cidade foi alimentada por livros (os primeiros volumes da Filosofia Aberta estavam já no mercado) e pelas noites que passei na biblioteca da escola, após as minhas aulas do dia, sozinho, com a descoberta de centenas de textos de filosofia que antes só muito esporadicamente tive acesso. Uma das minhas descobertas foi o trabalho de Desidério Murcho e dos primeiros passos da Crítica. Na altura, confesso, interessavam-me particularmente das análises críticas ao ensino e ao trabalho dos  professores de filosofia. Nunca me passou pela mente, nessa altura, que viria a trabalhar directamente com a Crítica. Uns anos ma…

Ensino e prostituição

Talvez seja algo exagerado afirmar que o ensino se prostituiu quando se estatizou, mas não será um exagero assim tão grande. A estatização do ensino ocorre quando o estado dá à escola o poder de conferir estatutos reconhecidos pelo estado — diplomas que dão acesso a empregos. Na Grécia da antiguidade isso não acontecia: as diversas escolas de filosofia gregas — a academia e o liceu, o jardim de Epicuro e o pórtico dos estoicos, entre outras — não tinham, felizmente para eles, qualquer reconhecimento do estado, e não desempenhavam qualquer função em nome do estado. Os sofistas, cujo nome ganhou depois má reputação, sobretudo às mãos de Platão, eram professores itinerantes que respondiam às necessidades de ensino dos jovens gregos, que queriam ficar aptos a dominar diferentes assuntos por diferentes motivos — um dos quais, a persuasão a todo o custo, importante naquele tempo, como hoje em dia, para uma carreira política. Não sabemos em pormenor como se processava o ensino nas escolas d…

O segundo sexismo

The Second Sexism: Discrimination Against Men and Boys, de David Benatar (Wiley), vai fazer muita gente ficar muito irritada. Ele escreve coisas que irritam pessoas. No seu livro anterior, Better Never to Have Been: The Harm of Coming into Existence (OUP, 2008), defendeu que é imoral ter filhos porque existir é sempre pior do que não existir.

Pluralismo epistémico

Um leitor amável deste blog protestou por eu pôr aqui na mesma categoria teorias como a homeopatia, por exemplo, e autores como Heidegger. A razão de ser do protesto é, presumivelmente, que esse leitor considera a homeopatia lixo, mas não considera o mesmo de autores como Heidegger. Ora, eu penso que há aqui duas confusões cruciais.

Em primeiro lugar, muita gente não considera que a homeopatia seja lixo pseudocientífico; há quem pense isso, e eu penso isso, mas há quem não o pense. Um livro equilibrado sobre a homeopatia, entre outros temas das fronteiras da ciência, é 13 Things that Don’t Make Sense, de Michael Brooks, uma leitura que recomendo. Portanto, o leitor protestou precisamente por pensar que a homeopatia é lixo intelectual — mas isso é certamente ofensivo para quem pensa que não é lixo intelectual, e para quem, como no Reino Unido, é médico homeopata reconhecido pelo estado e com consultório aberto. O que se esconde então nesta confusão do meu leitor? A incapacidade para c…

John Stuart Mill

É imperativo que exista a mais ampla liberdade de professar e discutir, enquanto convicção ética, qualquer doutrina, por mais imoral que seja considerada.

O que somos nós?

What are We? A Study in Personal Ontology, de Eric T. Olson (OUP, 2007), é um dos muitos livros que marcam de modo nítido a diferença entre um interesse genuinamente cognitivo no que somos e uma ansiedade para-religiosa ou existencial quanto ao que somos. Neste caso, as pessoas podem não o conhecer porque está escrito na língua bárbara da Coca-Cola (podemos ignorar Shakespeare, que se esqueceu de ser alemão); já o caso de O Sentido na Vida, de Susan Wolf, tem a vantagem de estar traduzido na língua superlativamente culta de Camões. Mas também aqui as pessoas podem não conhecer o livro porque preferem comprar coisas mais interessantes do que livros. Nesse caso, poderiam ler o texto do poeta e filósofo John Koethe, "Estética e Sentido", gratuitamente disponível na Crítica. Este texto expõe a dificuldade seguinte: para alguns de nós, a entrega a  projectos de vida, nomeadamente artísticos, é vista como central para uma vida dotada de sentido; todavia, faz parte da natureza dest…

A lógica está fora de jogo?

Não devemos "subestimar a capacidade da nossa linguagem para funcionar como fórum de debate no qual se pode exprimir profundos desacordos teóricos", defende Williamson. Além disso, a lógica não é neutra, num certo sentido; e é informativa. Quantas mais ideias feitas sobre a lógica são postas em causa por Williamson? Para o descobrir, leia "Logic and Neutrality", o seu mais recente artigo de divulgação, no New York Times.

Schauer e Spellman na Puc-Rio

Na próxima semana a Puc-Rio terá a presença de um dos mais influentes filósofos do direito da atualidade. Schauer, além da filosofia do direito, tem se dedicado ao estudo da psicologia cognitiva aplicada ao direito. Na segunda-feira, Schauer falará sobre a importância da coerção no direito. O argumento que Schauer desenvolverá é o de que alguns filósofos do direito afirmam fazer uma espécie de filosofia do direito descritiva, isto é, uma filosofia que busca descrever aspectos teóricos importantes do direito existente, mas, ao mesmo tempo, ignoram o aspecto coercivo do direito, nomeadamente as sanções. O maior exemplo disso é H.L.A. Hart que diz fazer uma espécie de sociologia descritiva do direito, mas argumenta que as sanções são propriedades contingentes do direito e, portanto, desinteressantes. No entanto, se o que se pretende é descrever aspectos teóricos do direito tal como ele existe, deve-se levar em conta as sanções (e qualquer outra propriedade contingente), pois elas existe…

Putnam coligido

Hilary Putnam publicou uma colectânea de vários artigos intitulada "Philosophy in a Age of Science: Physics, Mathematics and Skepticism" (em português, o nome da obra seria "Filosofia numa Idade de Ciência: Física, Matemática e Cepticismo").


Eis a tradução do resumo da obra na Qualridge: "A incansável auto-crítica de Hilary Putnam tem levado a conhecidas mudanças de opinião pelas quais ele é conhecido, mas o seu pensamento também é marcado por uma continuidade notável. Um interesse simultâneo em ciência e ética -- pouco usual no clima de contenção currente -- caracteriza o seu pensamento desde à muito. Em "Philosophy in a Age of Science...", Putnam reúne os seus artigos para publicacação -- o seu primeiro volume em quase duas décadas. 
Na introdução Mario De Caro e David Macarthur identifica temas centrais para ajudar o leitores a negociar entre o Putnam passado e o Putnam presente: a sua crítica ao positivismo lógico; a sua persistente aspiração a …

Railton na UFMG

"Nietzsche's Normative Theory? The Art and Skill of Living Well" Palestrante: Peter Railton (University of Michigan)
Data: 17/05/2012         Hora: 16:00
Local: Auditório Baesse. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais

O lugar de Quine na filosofia

Scott Soames apresenta aqui as principais teses defendidas por Quine. O artigo sairá no A Companion to W. V. O. Quine, org. Ernie Lepore e Gilbert Harman, John Wiley and Sons Publisher.

A luz na filosofia analítica

A filosofia analítica até 1970 se encontrava nas trevas -- identificando o analítico/sintético como o necessário/contingente e o a priori/a posteriori, além de ser concebida meramente como uma atividade de clarificação da linguagem. Mas Kripke apareceu e a luz se fez -- distinguindo esses pares conceituais (em distinções semântica, metafísica e epistêmica, respectivamente) e principalmente mostrando que há verdades necessárias a posteirori.  Desde então a filosofia pôde voltar ao seu exercício tradicional de desvendar os aspectos não empíricos -- e não meramente linguísticos -- mais importantes da realidade. Caricaturas à parte, é mais ou menos assim que Scott Soames vê o desenvolvimento da filosofia analítica até meados da década de 70 do século passado em seu Philosophical Analysis in the Twentieht Century, em dois volumes. Nem todos pensam assim. P. M. S. Hacker, distinto estudioso da filosofia analítica do primeira metade do século XX, e principalmente da filosofia de Wittgenstei…

O novo livro de Colin McGinn é nojento

Aqui. Nina Strohminger faz duras críticas ao novo livro de Colin McGinn sobre o nojo.

Por que há físicos em vez de nada?

A Universe From Nothing: Why There is Something Rather Than Nothing, de Lawrence M. Krauss, tem um título promissor. Puxei uma amostra para o Kindle para ver se era bom e não gostei: pareceu-me mais um episódio da guerra política contra as pessoas religiosas, tristemente iniciada por Dawkins, com a agravante de ser filosoficamente pouco pueril. Não fui o único que achou o livro, digamos, pouco interessante. David Albert, especialista em filosofia da física (e ele mesmo doutorado em física), publicou no New York Times uma crítica devastadora. Vale a pena ler.

O conselho de Ruth

"O meu único conselho é dizer o que pensamos, sermos nós mesmas, e sermos profissionais", respondeu Ruth Barcan quando lhe perguntaram como fazer para vencer os preconceitos machistas dos homens, segundo Diana Raffman, neste artigo. (Na foto, Ruth Barcan com 22 anos.)

Williamson em Lisboa

É já no princípio do próximo mês de Junho, nos dias 5 e 6, que Timothy Williamson, sem dúvida um dos mais marcantes, interessantes e activos filósofos contemoporâneos, estará em Lisboa para as Petrus Hispanus Lectures 2012, da Universidade de Lisboa. As Petrus Hispanus Lectures têm contado com a presença de filósofos de primeiríssima linha, como Hilary Putnam, Daniel Dennett e David Kaplan, entre outros. Não é todos os dias que se tem a oportunidade de ouvir um filósofo da dimensão de Williamson. Williamson virá falar sobre Lógica, Ciência e Metafísica. E a entrada é livre.


Por que a beleza importa

Metafísica da Ciência

Eis aqui uma ótima bibliografia sobre metafísica da ciência organizada pelo AHRC Metaphysics of Science Project.

Lógica ≠ Filosofia

É certo que a lógica, ou melhor, o uso dos desenvolvimentos técnicos da lógica como ferramentas que auxiliem na solução de problemas filosóficos é uma das coisas que diferencia a filosofia analítica da filosofia continental. Mas o que quero saber é se o lógico é um filósofo? E, mais especificamente, se o lógico é filósofo analítico? Afinal, fazer lógica é fazer filosofia? Mais, o trabalho do “lógico de laboratório”, digamos assim, é um trabalho filosófico? O cara que está preocupado com completude e correção do sistema que está montando e nada mais – É um filósofo? O cara para o qual os conceitos de verdade e falsidade são definidos dentro de um sistema, quase convencionalmente estabelecidos, e simbolizados por 0 e 1, faz um trabalho filosófico? Eu, particularmente, penso que não. Fazer lógica não é fazer filosofia. A lógica não é filosofia. Claro que há muitos lógicos que fizeram e fazem trabalho filosófico, mas isso não faz da lógica filosofia, talvez faça do lógico um filósofo, ass…

Susan Haack sobre o formalismo na filosofia

Uma manifestação de inveja da ciência é o pseudo-rigor matemático ou lógico que assola boa parte da recente escrita filosófica. Isto, falando diretamente, é um tipo de obscuridade exagerada. Não que o recurso às linguagens da matemática ou da lógica nunca ajudam a tornar um argumento ou tese filosófica mais claros; claro que torna. Mas, pode também obstruir o caminho da real claridade, ao disfarçar com uma impressionante sofisticação lógica o fracasso de pensar de modo suficientemente profundo ou crítico sobre os conceitos que estão sendo manipulados. E isso passou a ser, muito frequentemente, o que Charles Sykes chama "Profescurso" -- usar símbolos desnecessários para transmitir uma falsa impressão de rigor e profundidade. Science, Scientism, and Anti-Science in the Age of Preposterism

Rawls em português

John Rawls (1921–2002) foi um filósofo moral de destaque e o principal responsável pelo revigoramento da filosofia política contemporânea. Sua maior obra, Uma Teoria da Justiça, representa um divisor de águas nas discussões sobre como podemos e devemos viver em sociedade. Nesta obra, Rawls tem como principal objetivo explicar como seria possível uma sociedade justa e propõe que os princípios da justiça são aqueles que pessoas livres e racionais escolheriam em condições que garantissem a imparcialidade da sua escolha. Isso seria possível numa situação hipotética de igualdade, a posição original, em que tais pessoas escolheriam contratualmente os princípios da justiça. Estes princípios regulamentariam instituições sociais básicas como a atribuição de deveres e direitos, a distribuição de riquezas, a constituição política, o mercado e a propriedade. O contrato da posição original é justo, pois seria realizado sob um véu de ignorância no qual os participantes do contrato, apesar de intere…

Isaiah Berlin em português

Filósofo político e historiador, Isaiah Berlin (1909–97) tornou-se conhecido pelas suas contribuições na área da filosofia política, mais especificamente nas discussões acerca da liberdade. A sua principal contribuição é uma defesa da liberdade negativa apresentada em Two Concepts of Liberty (1959). A liberdade enquanto norma política pode ser interpretada de várias maneiras. Duas interpretações interessantes estão na distinção entre a liberdade negativa e a liberdade positiva. A liberdade negativa é a liberdade interpretada como a ausência de constrangimentos ou obstáculos à ação individual. A liberdade positiva é a liberdade interpretada com uma noção de autogoverno moral ou autodeterminação do indivíduo enquanto membro de um grupo. As diferentes teorias em filosofia política acabam por privilegiar uma das duas interpretações, que sob certos aspectos são complementares. Se os liberais enfatizam a liberdade negativa devido à importância que atribuem à ausência de constrangimentos leg…

Dworkin em português

Ronald Dworkin é um dos filósofos do direito mais importantes da atualidade. É conhecido principalmente por sua crítica à Jurisprudência Positivista, que trata o direito como um conjunto de regras passíveis de análise independentemente da moralidade. Dworkin argumenta que isto é um engano, pois a distinção entre fatos e valores no domínio legal, entre o que o direito é de fato e o que o direito deveria ser, é mais imprecisa do que a Jurisprudência Positivista supõe. Deste modo torna-se impossível determinar o que o direito é em casos particulares sem recorrer a considerações morais e políticas sobre o que deve ser. Além disso, Dworkin sustenta que as decisões jurídicas adequadas se baseiam na melhor interpretação moral possível das práticas em vigor em uma determinada comunidade.Dworkin também é conhecido por ser um defensor influente do liberalismo político, tendo contribuído de modo significativo para os debates da filosofia política e da ética prática. Associada à sua teoria do dir…