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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2012

Onde estão os filósofos neoliberais?

Será que «neoliberalismo» faz parte do vocabulário filosófico? Será o neoliberalismo uma teoria política?
«Neoliberalismo» é um dos termos que têm surgido com mais frequência na discussão pública de questões políticas. Muitas vezes não se chega a perceber bem se se está a falar de uma filosofia política ou de uma doutrina económica, que são coisas diferentes, embora não desligadas. Vale, pois, a pena tentar compreender melhor do que se está exactamente a falar quando se fala de neoliberalismo.
É certo que o uso frequentemente depreciativo do termo não ajuda a esclarecer a coisas, pois dá a ideia de que se trata de algo que é obviamente mau e indesejável. Mas, se o neoliberalismo for algo assim tão obviamente mau e censurável, como poderá alguém minimamente razoável assumir-se claramente como neoliberal? Postas as coisas deste modo, esperar que um neoliberal confesse o seu neoliberalismo é como esperar que um egoísta confesse o seu egoísmo, ou que um manipulador se assuma publicamente…

Marx morreu?

«Deus morreu, Marx morreu, e eu próprio não me sinto lá muito bem», dizia Woody Allen.
Espero, sinceramente, que Woody Allen se sinta melhor. A avaliar pela sua actividade recente como realizador, parece estar de saúde. Quanto a Deus, também não vale a pena perder muito tempo com isso, pois ainda que morra, ele há-de saber como dar a volta ao assunto e acabará sempre por ressuscitar. 
Mas o que é feito de Marx? Estará mesmo morto? Terá ele resistido à queda do Muro de Berlim e à manifesta agonia dos regimes que diziam mantê-lo bem vivo? Será que os livros de filosofia política contemporânea ainda se dão ao trabalho de discutir Marx? 
Ora, basta folhearmos uma das mais prestigiadas introduções à filosofia política contemporânea, como é o caso de Contemporary Political Philosophy: An Introduction, de Will Kymlicka, para verificarmos que afinal o morto ainda mexe. E a avaliar pelo destaque que no seu livro Kymlicka dá ao marxismo (praticamente o mesmo que a qualquer outra grande teoria …

Uma falácia à procura de nome

Chama-se falsas às notas que parecem verdadeiras. Esta parece verdadeira. Portanto, é falsa.
1. «Consideram-se falácias informais os argumentos que parecem ser dedutivamente válidos.»

A afirmação 1 ou é verdadeira ou é falsa. Um colega insistia ontem comigo que é verdadeira, até porque viu isso bem defendido algures. Mas tal afirmação é tão verdadeira como a seguinte:

2. «Consideram-se gatos os animais com pelos.»

Ora, qualquer pessoa sabe que 2 é falsa, mesmo sendo verdade que todos os gatos têm pelos. Isto porque não basta (não é suficiente) um animal ter pelos para ser considerado (ou chamado) gato.

Se substituirmos a expressão «falácias informais» por «gatos» e «os argumentos que parecem dedutivamente válidos» por «animais com pelos» verificamos facilmente que estamos perante afirmações idênticas, só que acerca de coisas diferentes.

Assim, se dizemos que 2 é falsa, temos também de admitir que 1 é igualmente falsa.

E de nada serve dizermos que estamos a falar de coisas diferentes: …

Temos maus alunos de Filosofia?

Foto: Aires Almeida
Foram ontem publicados os resultados dos exames de Filosofia do 11º ano, da 1ª fase e não parecem mesmo nada animadores. Vejamos:
A média nacional é negativa, de 8,9 valores, contando apenas os alunos internos. Se contarmos os internos e os externos, a média desce para 7,8 valores.  
Os valores anteriores atiram directamente a Filosofia para o pódio dos piores resultados, tendo apenas atrás de si as temidas disciplinas de Física e Química e de Matemática B.
Nenhum aluno é obrigado a fazer o exame de Filosofia, ao contrário do que acontece com os alunos que frequentam as disciplinas de Matemática e de História A, por exemplo. 
Por um lado, o exame de filosofia funciona, na maior parte dos casos, como uma espécie de joker que os alunos podem usar em vez de fazerem exames de outras disciplinas nas quais sentem mais dificuldades. Por outro lado, os que fazem o exame de Filosofia, não porque se sintam mais confortáveis com a disciplina, fazem-no porque pretendem ingress…

Grayling e José Gil no 10º Encontro Nacional de Professores de Filosofia

Os filósofos Anthony Grayling e José Gil serão os convidados principais do 10º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Filosofia em parceria com o Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. 
O encontro irá decorrer nos dias 7 e 8 de Setembro, nas instalações dessa faculdade (Av. de Berna, 26- C, Lisboa), tendo o recém-criado Centro de Formação da SPF solicitado a acreditação do encontro para efeitos de atribuição de 0,6 créditos de formação aos professores participantes.
Haverá ainda comunicações de António Zilhão (UL), Porfírio Silva (IST), Vítor Correia (UNL), Patrícia Fernandes (UM), Joana Pontes (IFUL), Pedro Galvão (UL), Dina Mendonça (UNL), Luís Bernardo (UNL) e Domingos Correia (E. S. Sebastião e Silva e Presidente da Comissão Organizadora das Olimpíadas Nacionais de Filosofia). Será também entregue o Prémio de Ensaio Filosófico SPF 2011 a Ricardo Silva (UL), seguido de uma …