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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2012

Lacunar e redutor

Acabei de ler no suplemento Ípsilon, do Público de hoje (sem ligação), a desenvolvida recensão de David Teles Pereira (DTP) ao mais recente livro de Nigel Warburton, Pequena História da Filosofia (Edições 70). 
Em primeiro lugar, é de sublinhar o facto de, ao contrário do que é frequente na crítica portuguesa, o crítico não se limitar a escrever quase só para si próprio nem a utilizar o que tem pela frente como um mero pretexto para exibir o seu arsenal cultural. Ao invés, apresenta de forma clara e directa aqueles que, em sua opinião, são os pontos fracos e fortes do livro de Warburton, sem deixar de descrever abreviadamente o que nele podemos encontrar. É isso que se espera de uma boa recensão.
Até aqui, e já não é pouco, tudo bem. Quanto ao resto, parece-me que o crítico acerta quase sempre ao lado. Mas nada há de especial em eu não concordar com as principais críticas do autor da recensão. A discordância é normal e até saudável. O que me leva aqui a falar disso não é, pois, o fac…

Kripke, Putnam e Burge sobre o externismo

Externismo é um termo popular, e pouco claro, mas na filosofia da mente significa habitualmente que alguns conteúdos mentais são individuados parcialmente pelo ambiente (social ou físico) em que um indivíduo se encontra, na filosofia da linguagem que conteúdos semânticos não são individuados somente  pelo estado físico e psicológico em que um indivíduo se encontra independentemente do seu ambiente,  e na epistemologia que a justificação de uma crença não depende apenas de factores acessíveis ao indivíduo que possui a crença. Há mais variedades de externismo e mais coisas que a palavra pode significar, mas isto é o suficiente para uma caracterização inicial.  No youtube, é possível encontrar um vídeo interessante em que Putnam, Kripke e Burge (os três principais filósofos que são responsáveis pela discussão destas teses) discutem o externismo sobre a mente e linguagem. Burge dá uma útil e breve explicação e discussão sobre o externismo em várias áreas da filosofia (filosofia da percepç…

Mais de meio milhão

Foto de Aires Almeida
O Blog da Crítica, criado no Verão de 2008, acabou esta semana de ultrapassar o meio milhão de visitas (tem, neste momento, mais de 503 mil visitas e uma média mensal de cerca de 20 mil no último ano). 
Nada mau. Obrigado a todos os leitores, colaboradores e comentadores que nos têm acompanhado.

Compêndios

A qualidade dos compêndios da Blackwell, da Routledge e da Oxford sobre as diferentes disciplinas da filosofia é amplamente reconhecida (a propósito, será «compêndio» o termo mais adequado para traduzir os termos ingleses companion,handbook e guide?) e o seu sucesso mais do que merecido. Tal como é de assinalar a qualidade geral dos compêndios da Cambridge sobre os mais importantes filósofos e correntes filosóficas.
Claro que nem todos os compêndios têm a mesma qualidade, mas são, em geral, muitíssimo bons. Até porque contam com a colaboração de reconhecidos especialistas nas respectivas áreas. Basta pensar, por exemplo, no caso da estética, em que os compêndios da Blackwell (sim, há dois: um enorme companion e outro enorme guide) são organizados por Stephen Davies e Robert Stecker, entre outros, e por Peter Kivy, respectivamente. Por sua vez, o da Routledge é organizado por Dominic Lopes e Berys Gaut e o da Oxford por Jerrold Levinson. Todos eles são filósofos da arte de primeira li…

2 Anos no Facebook

Hoje, 15 de Agosto, completa-se o 2.º aniversário da CRÍTICA no Facebook. À questão “para onde vai a CRÍTICA?”, pode-se responder que isso depende daqueles que “gostam” de Filosofia e que “partilham” o interesse pela sua divulgação.
Obrigado a todos!

Prémio de ensaio filosófico

Agora sim, foi oficialmente confirmado o Prémio de Ensaio Filosófico da Sociedade Portuguesa de Filosofia para 2012, no valor de 3500 Euros.

A questão a concurso é a seguinte: O relativismo acerca da verdade refuta-se a si mesmo?

O prazo de envio de ensaios é 31 de Dezembro de 2012.

Clicar na imagem para ampliar.

Leituras de férias: o que é isso?

Mal se aproxima o Verão, não há jornal ou revista de actualidades que não brinde os leitores com sugestões de leituras de férias. A julgar pela prosa que costuma acompanhar tais sugestões, fica-se com a ideia que há leituras de férias e leituras que não são de férias.

A ideia é que nas férias precisamos de livros pequenos, ligeiros e pouco exigentes, talvez porque as pessoas estejam cansadas pelo exigente esforço intelectual despendido ao longo do ano a ler e estudar Kant e Proust, ou tentando demonstrar coisas tão difíceis como o Teorema da Densidade de Hales-Jewitt. Como chegamos todos ao Verão intelectualmente exaustos, pouco mais conseguimos aguentar além de umas historietas engraçadas que não dêem muito que pensar. 
Vem isto a propósito do comentário de um velho amigo meu que, ao ver-me há dias com um livro na mão, sorriu de forma trocista, saindo-se com a seguinte tirada: já vi que, para estares a ler isso, férias não é contigo!
Isso que estava a ler era Death, de Geoffrey Scar…