23 de setembro de 2012


O GEOFF (Grupo de Estudos de Filosofia da Física) é um grupo independente, sem vinculação direta com qualquer instituição. A participação é gratuita e aberta para qualquer pessoa, independentemente do nível de escolaridade e localidade. Seu principal  objetivo é estimular a pesquisa, a produção e divulgação da Filosofia da Física estabelecendo um ambiente de interação -– via grupo de e-mails e fórum de discussões -– entre estudantes de diversas localidades. Os trabalhos produzidos pelos participantes são discutidos e revisados por outros participantes. Para auxiliar a produção bibliográfica, eles têm a oportunidade de se inscrever como integrantes de módulos de estudo e projetos de tradução, havendo ainda, e principalmente, a liberdade de produção de trabalhos independentes. Tanto os módulos de estudo quanto os projetos de tradução são propostos e coordenados pelos próprios participantes.


19 de setembro de 2012

Extinção?



Eis dois ótimos livros introdutórios que ainda podemos achar enterrados em sebos Brasil a fora! Escolha e Acaso (Choice and Chance) de Brian Skyrms -- traduzido por Leônidas Hegenberg e Octanny S. Mota (Cultrix, 1971) --, e Filosofia da Ciência Natural (Philosophy of Natural Science) de Carl Hempel -- traduzido por Plínio Sussekind Rocha (Zahar, 1970) --, ambos originalmente publicados em 1966, estão entre os clássicos da bibliografia introdutória em filosofia. O que não consigo entender é como livros tão bons tenham sido esquecidos por essas editoras, que ainda estão na ativa. Certamente seria uma boa vê-los republicados. 

17 de setembro de 2012

De onde vêm os leitores da Crítica?

Um leitor escreveu-me a perguntar gentilmente sobre quem seriam os visitantes deste blog, mais precisamente sobre se a maioria eram leitores portugueses ou brasileiros. Fui consultar as estatísticas do Blogger e, para quem, como este leitor, tenha alguma curiosidade sobre quem costuma passar por aqui, ficam alguns dados muitíssimo gerais.

Durante o primeiro dos cerca de 4 anos de existência deste blog, o maior número de visitas tinha origem em Portugal. Porém, o número de visitantes do Brasil ultrapassou já, em muito, o de Portugal. Os cinco países com maior número de visitas são os seguintes (por ordem decrescente): Brasil, Portugal, EUA, França e Alemanha. 

Mas nos últimos meses verifica-se uma tendência curiosa. Apesar de o número mensal de visitas com origem em Portugal continuar a subir, este número tem sido ultrapassado pelo dos EUA (quase cinco mil por mês). E verifica-se também um aumento muito significativo de visitantes da China. Assim, nos dois últimos meses os cinco países com maior número de visitantes são (novamente, por ordem decrescente): Brasil, EUA, Portugal, França e China.

Não sei se isto terá alguma relevância, mas pode ser que haja outros leitores que gostem de saber destas coisas.  

15 de setembro de 2012

Pensar de A a Z

A Bizâncio acaba de anunciar a edição do livro de Nigel Warburton, Pensar de A a Z, na colecção Filosoficamente, dirigida por Desidério Murcho. A tradução é de Vitor Guerreiro, com introdução e notas de Desidério Murcho.

11 de setembro de 2012

Metafilosofia

São bem conhecidas as posições dos positivistas lógicos e de Wittgenstein sobre a natureza e metodologia da filosofia. Apesar de os primeiros estarem na origem da concepção naturalista da filosofia e do segundo influenciar fortemente a concepção metafilosófica da chamada «viragem linguística», a verdade é que a discussão filosófica sobre a própria natureza da filosofia nunca chegou a despertar o interesse que talvez merecesse. Foi assim que, tal como com as anteriores, também as concepções pragamatista, hermenêutica e ironista (ou pós-modernista) da filosofia só indirectamente foram desafiadas e discutidas. Isso parece, contudo, estar a mudar e há já sinais credíveis de que a metafilosofia está a conquistar o espaço próprio de uma verdadeira disciplina filosófica. Dois dos mais sólidos indícios são os livros The Philosophy of Philosophy (Blackwell, 2007), de Timothy Williamson, e What Philosophers Know (Cambridge, 2009), de Gary Gutting. Dois livros que vale mesmo muito a pena ler.






5 de setembro de 2012

Filosofia - Uma Introdução por Disciplinas


Na próxima sexta-feira, às 16:40, será feito o lançamento, no 10º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, na Universidade Nova de Lisboa, do livro Filosofia - Uma Introdução por Disciplinas (Edições 70), organizado por Pedro Galvão, que será apresentado pelo próprio.

Na apresentação prévia da editora lê-se o seguinte:

Os autores deste livro partilharam o objectivo de conseguir um guia de estudo para a Filosofia estruturado tematicamente -- i. e. em função de questões, perspectivas e argumentos, sem qualquer preocupação primariamente histórica. Nos onze capítulos que compõem o presente volume, encontramos assim um mapa conceptual da Filosofia que cobre não só as suas disciplinas principais, mas também muitas das suas áreas mais especializadas.

Os capítulo e respectivos autores são os seguintes:

LÓGICA - Ricardo Santos
METAFÍSICA - Desidério Murcho
EPISTEMOLOGIA - Célia Teixeira
ÉTICA - Pedro Galvão
FILOSOFIA POLÍTICA - João Cardoso Rosas, Mathias Thaler e Iñigo González
FILOSOFIA DA RELIGIÃO - Agnaldo Cuoco Portugal
FILOSOFIA DA CIÊNCIA - António Zilhão
FILOSOFIA DA LINGUAGEM - Teresa Marques e Manuel Gracia-Carpintero
FILOSOFIA DA MENTE - Sara Bizarro
FILOSOFIA DA ACÇÃO - Susana Cadilha e Sofia Miguens
ESTÉTICA E FILOSOFIA DA ARTE - Aires Almeida

4 de setembro de 2012

Teólogos e filósofos

Eis uma piada engraçada que me contaram hoje:

Um teólogo e um filósofo discutem os méritos relativos das disciplinas a que se dedicam.

O teólogo diz:   A filosofia é como um homem cego que procura numa cave completamente escura um gato preto que não está lá.

O filósofo responde: Pois, e a teologia encontra o gato.




3 de setembro de 2012

Grayling e Blackburn: duas entrevistas interessantes


O conhecidíssimo filósofo inglês Anthony Grayling (que no próximo sábado fará uma conferência em Lisboa, no 10º Encontro Nacional de Professores de Filosofia) tem-se visto envolvido recentemente  numa animada polémica em Inglaterra. A origem da polémica prende-se com a criação, no ano passado em Londres, do já famoso New College of the Humanities (NCH), uma instituição privada de ensino superior, que procura dar formação especializada de excelência na área das humanidades: filosofia, história, economia, direito e literatura. Parece que o NCH tem bastantes estudantes interessados, até porque o elenco de professores é uma verdadeira constelação de estrelas: Simon Blackburn, Daniel Dennett, Peter Singer (filósofos), mas também Richard Dawkins, Steven Pinker e Lawrence Krass (história natural, psicologia e ciência), além do filósofo do direito Ronald Dworkin, do crítico literário e professor Christopher Ricks e dos historiadores Linda Colley e Niall Ferguson. O cerne da polémica é a escola ser privada e de as propinas anuais rondarem as 18 mil libras.

Grayling, que abandonou o seu lugar de professor no prestigiado Birkbeck College, da Universidade de Londres, para fundar e se dedicar inteiramente ao NCH, tem sido acusado de virar costas ao ensino público e de promover um ensino elitista, inaceitável sobretudo vindo de alguém associado à esquerda e que tem sido um dos mais destacados defensores do humanismo contemporâneo. O crítico literário e colunista do Guardian, Terry Eagleton, sugere mesmo que Grayling se rendeu ao mercantilismo.

Vale, pois, a pena ler este artigo do último número da revista New Humanist, baseado numa entrevista com o próprio A. C. Grayling, e na qual este responde com muita ponderação às acusações que lhe são feitas. A ideia de Grayling é que ele está simplesmente a contribuir para salvar o ensino das humanidades, uma vez que o governo decidiu deixar de as financiar e não parece que as coisas tendam a inverter-se no futuro. Quanto às críticas de elitismo, sugere que o futuro das humanidades depende da qualidade da formação dos estudantes e não da sua quantidade, acrescentando que o montante das propinas é até inferior ao que se despende nas outras universidades, incluindo as públicas. Acrescenta que, para surpresa de muitos, um bom ensino das humanidades é mais caro do que o das ciências e que a escola tem previsto um sistema de bolsas e de angariação de estudantes sem capacidade financeira para suportar as propinas, de modo a garantir que os melhores não sejam excluídos.

Mas o melhor mesmo é o leitor ler o artigo.

Outra entrevista que vale muito a pena ler é esta entrevista de Simon Blackburn ao 3:AM Magazine. Blackburn, um filósofo desempoeirado que tanto escreve coisas estritamente destinadas à discussão com outros filósofos como escreve para o grande público, confessa que não gosta de ser descrito como um popularizador da filosofia. O que procura fazer, diz, não é tanto trazer (ou fazer baixar) a filosofia às pessoas, mas antes levar (ou fazer subir) as pessoas à filosofia. Entre muitas outras coisas interessantes para o leitor.


2 de setembro de 2012

Dummett, metafilosofia e uma disputa sobre o tempo

Sobre o que é, então, a filosofia? Para Quine e alguns outros filósofos americanos contemporâneos, a filosofia é simplesmente a parte mais abstracta da ciência. Não faz, de facto, qualquer observação ou conduz quaisquer experiências próprias; mas pode, e deve, incorporar as descobertas das ciências para construir uma teoria naturalizada do conhecimento e da mente. Propriamente falando, pois, deve ser classificada com as ciências naturais. Continuar a ler...