30 de novembro de 2012

Morreu Leônidas Hegenberg

Acabo de receber a triste notícia do óbito do Professor Leônidas Hegenberg. Como estrangeiro que conhecia parte do seu importante trabalho de tradução e autoria de livros importantes para a actualização do ensino brasileiro da filosofia, lamento profundamente a sua morte. Nunca tive o prazer de o conhecer pessoalmente, apesar de ter trocado com ele vários emails, geralmente relacionados com a publicação de várias recensões suas aqui na revista Crítica; mas tive o prazer de falar com ele pelo telefone uma vez, e pareceu-me uma pessoa muitíssimo afável. O valor do seu trabalho está para lá de qualquer dúvida, e merece a nossa homenagem. Obrigado, Leônidas, por tudo quanto deu à filosofia em língua portuguesa.

Eis alguns dos trabalhos de e sobre o Leônidas publicados na Crítica:

28 de novembro de 2012

Conversa fiada

Dei uma entrevista a Matheus Moura, para a revista Filosofia, da Escala Educacional, que pode ser lida aqui.

A leste da filosofia

Aconteceu-me por acaso ver ontem na RTP Informação uma entrevista de José Rodrigues dos Santos ao escritor de romances filosóficos (como ele próprio se classificou) Jostein Gaarder. 

Gaarder escreveu vários livros, o mais lido dos quais julgo ser O Mundo de Sofia. É o único livro dele que li e que, tenho de o dizer, achei francamente pobre, tanto em termos filosóficos como literários. No que diz respeito à filosofia, o que encontrei nesse livro foi um desfiar dos mais estafados lugares comuns que se vêem em qualquer das antigas sebentas, onde raramente há argumentos e muito menos qualquer discussão digna de registo. Em termos literários, pareceu-me de uma grande falta de imaginação e com uma narrativa algo simplória. Mas isso é ainda pouco para formar uma opinião definitiva sobre o autor. 

Contudo, a entrevista a José Rodrigues dos Santos, que até me parece um bom entrevistador, confirmou algumas das minhas suspeitas quanto ao conhecimento que Gaarder tem da discussão filosófica actual. Vê-lo lamentar-se por os filósofos actuais terem abandonado a discussão sobre a própria natureza das coisas é quase hilariante, dada a vitalidade da produção filosófica recente na área da metafísica. Vê-lo acrescentar, a título de exemplo, o problema mente-corpo, declarando que os filósofos deixaram de o discutir para passar a ser tratado quase só por cientistas, torna as coisas ainda piores. E, depois de tudo isto, ainda afirma que a filosofia se ocupa essencialmente dos problemas da existência humana. 

Está visto que há quase um século que o simpático Jostein Gaarder deixou de acompanhar o que se passa na filosofia. Ao ouvi-lo fica-se com a ideia de que não houve mais filósofos depois de Sartre ou coisa parecida. É demais!

Nota: a série de entrevistas de que esta faz parte intitula-se "Conversas de Escritores".   

20 de novembro de 2012

Perguntar directamente a Peter Singer


Peter Singer propõe-se a gravar um vídeo com respostas às questões sobre o livro A Vida Que Podemos Salvar. Se quiser colocar uma questão pode fazê-lo através da Página do projecto no Facebook (aqui) ou publicando no YouTube um vídeo com a sua pergunta (Canal do projecto no Youtube).

19 de novembro de 2012

Deus, a Liberdade e o Mal

Acaba de ser anunciada a publicação da minha tradução da conhecida obra God, Freedom and Evil, que Plantinga publicou originalmente em 1974. É aqui que se encontra a influente objecção ao problema lógico do mal, segundo a qual da divindade teísta é logicamente compatível com a existência de mal. Recorrendo a instrumentos da metafísica e lógica da modalidade, Plantinga mostra neste livro como se pode escrever sobre temas sofisticados numa linguagem relativamente acessível. O problema do mal ocupa aproximadamente metade do livro, sendo a outra metade dedicada a uma discussão mais acessível do argumento do desígnio, do argumento cosmológico e do argumento ontológico a favor da existência de Deus. Mais informação aqui. (São Paulo: Edições Vida Nova, 2012, 144 pp.)

Livros gratuitos

A partir de amanhã, dia 20, e até dia 24, a versão Kindle dos meus livros Essencialismo Naturalizado e Pensar Outra Vez estarão disponíveis gratuitamente na Amazon.

16 de novembro de 2012

Scruton sobre a moda

Em qualquer comunidade humana normal, a estética da vida quotidiana expressar-se-á através da moda ou, por outras palavras, através da adopção de um estilo comum. Uma moda é um indicador das opções estéticas que dão alguma garantia de aprovação dos outros; e também permite às pessoas jogar com as aparências, enviar mensagens reconhecíveis à sociedade de estranhos e sentirem-se confortáveis com a sua aparência num mundo em que esta importa.
Roger Scruton, 2009. Beleza. Lisboa: Guerra & Paz, p. 89.

7 de novembro de 2012

Finalmente!


Podíamos lê-lo e estudá-lo em quase todas as línguas europeias, mas faltava o português. Uma das mais importantes obras de filosofia do século XX e, em particular, dos últimos 50 anos, O Nomear e a Necessidade, de Saul Kripke, estará muito em breve também disponível numa cuidada tradução portuguesa. É consensualmente considerado um clássico da filosofia contemporânea, e presumo que os clássicos despertem o interesse de todos os que procuram acompanhar a discussão filosófica actual.

Mais informações aqui ou aqui.

6 de novembro de 2012


Nesta resenha, Elliot Sober expõe e ataca alguns dos prinicipais argumentos de Thomas Nagel em seu último livro, Mind and Cosmos.

1 de novembro de 2012

Novidades Editoriais



Eis mais duas novidades do mercado editorial brasileiro. Medo do Conhecimento, SENAC, trad. Marcos Bagno, de Paul Bogohssian, é um ataque claro e contundente ao relativismo e ao construtivismo -- duas posições bastante comuns, principalmente nas humanidades. Representar e Intervir, EDUERJ, trad. Pedro Rocha de Oliveira, de Ian Hacking, é uma introdução a alguns tópicos da filosofia da ciência relativos ao debate realismo/antirrealismo. É indispensável a quem quer se inserir nessas discussões.
Infelizmente ainda não tive qualquer das edições em mãos, de modo que não sei da qualidade das traduções.