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Mensagens

A mostrar mensagens de 2013

Pensar sobre a ciência

Aqui fica uma novidade editorial e, simultaneamente, uma sugestão para quem compra ou oferece livros no Natal. Introdução à Filosofia da Ciência, é um livro que a própria autora, a filósofa italiana Lisa Bortolotti, apresenta assim:
«Este livro é um guia para as questões filosóficas centrais levantadas pela prática da ciência. Não se destina apenas ao filósofo curioso pela ciência, mas também ao cientista que quer saber mais sobre filosofia. E também a todo aquele que se interessa pelo que confere à ciência um estatuto especial, pese embora a continuidade entre a investigação científica e as outras actividades humanas.»

A importância do casamento

Por que o casamento é importante? Para o filósofo conservador Roger Scruton, ele é importante, dentre outras coisas, porque é a instituição por meio da qual o capital social é transmitido às gerações futuras. No entanto, defende o filósofo, ele só pode ser bem sucedido se for um sacramento envolvendo um homem e uma mulher, e não apenas um contrato entre as partes. Scruton também argumenta que outros arranjos, como a união entre pessoas do mesmo sexo, não satisfazem as exigências de um casamento genuíno e não devem ser considerados como tal. Além de discutir o casamento, o filósofo também defende uma concepção particular de desejo sexual. Para ele, o desejo livre de perversões é o desejo por uma pessoa, vista como um fim em si mesmo, e não por seu corpo.
O ensaio compõe o livro A Political Philosophy, lançado em 2006. A tradução é de Aluízio Couto e a revisão é de Nayara Tozei.

Google: todos os filósofos são idiotas (menos um)!

A Google assegura que, quando fazemos uma pesquisa, os resultados sugeridos no preenchimento automático“são um reflexo da atividade de pesquisa de todos os usuários da Web e do conteúdo das páginas da Web indexadas pelo Google.”

Portanto ao fazermos pesquisa com a frase incompleta “o filosofo X é…”, o preenchimento automático irá completar a frase com aquilo que os utilizadores da Internet pensam sobre esse filósofo.

Eis alguns resultados:




(imagem retirada daqui)

Conclusões?

Arthur Danto (1924-2013)

Arthur Danto morreu em Nova Iorque no passado dia 25 de Outubro, com 89 anos de idade. Destacou-se sobretudo como filósofo da arte, em particular pelo seu influente artigo «The Artworld», de 1964, que está na origem das conhecidas teorias institucionalistas da arte. 
O seu livro mais importante é provavelmente The Transfiguration of the Commonplace, de 1981, mas escreveu também sobre filosofia da acção, epistemologia e até publicou mais do que uma introdução à filosofia. 
Danto foi durante largos anos professor na Columbia University, em Nova Iorque, e foi também crítico de arte. A notícia no Público da sua morte pode ser lida aqui, assim como este e este obituários.

Cientistas provam a existência de deus

A notícia surge nos jornais deste modo e refere-se à formalização do teorema relativo à existência de deus desenvolvido por Kurt Gödel.



Gödel, amigo de Albert Einstein, e que goza entre a comunidade científica de reputação semelhante, desenvolveu o argumento que agora foi “provado automaticamente em poucos segundos” e que poderá ter aplicações em áreas como a Inteligência Artificial ou a verificação de software e hardware.

Pode ler-se uma descrição detalhada do argumento ontológico de Gödel a favor da existência de deus na Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, segunda edição.



(agradecemos ao Pedro Lopes pela informação)

Peter Singer ensina Ética Prática (grátis)

A partir de Março de 2014, Peter Singer irá apresentar on-line o seu famoso curso de Ética Prática. Neste curso gratuito apresentará de forma introdutória algumas das questões éticas com que nos podemos confrontar no dia-a-dia ou como cidadãos do mundo.



Alguns dos tópicos abordados serão:
 Morte cerebral e estado vegetativo persistente (como devemos tratar os indivíduos que estão em estado vegetativo persistente?); Aborto e a condição moral dos embriões e dos fetos (quando, se alguma vez, se justifica o aborto?);Tomando decisões finais sobre a vida (pode a eutanásia e o suicídio médico assistido justificar-se?); Altruísmo eficaz (qual é a nossa responsabilidade para com as pessoas mais pobres do que nós, qual é a melhor causa e quais são as melhores opções de carreira?); Alterações climáticas (em que princípios devem as nações acordar quanto à extensão das suas emissões de gases de efeito estufa?); Animais (a igualdade só se aplica a seres humanos?); Valores ambientais (pode alargar-se…

Neurociência Homunculista (Colin McGinn)

"Aqui eu preciso dizer algo sobre a linguagem padrão que a neurociência veio a assumir nos últimos cinquenta anos. Mesmo livros sóbrios de neurociência nos dizem, rotineiramente, que partes do cérebro “processam informação”, “enviam sinais” e “recebem mensagens” – como se isso fosse tão incontroverso quanto a ocorrência de processos elétricos e químicos no cérebro. Nós precisamos examinar esse linguajar com cuidado. Por que exatamente se pensa que o cérebro pode ser descrito desse modo? Ele é uma coleção de células biológicas como qualquer órgão do corpo, à maneira do fígado ou coração, os quais não são suscetíveis de ser descritos em termos de informação. Dificilmente se pode afirmar que nós observamos transmissão de informação no cérebro, como observamos processos químicos; essa é uma descrição puramente teórica do que está ocorrendo. Então qual é a base para a teoria?

A resposta deve ser certamente que o cérebro está causalmente conectado à mente e a mente contém …

Democracia à venda é o fim da Democracia?

Nesta palestra Michael Sandel refere-se à passagem de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado, em que tudo vai estando à venda e depende do nosso poder de compra: a saúde, a justiça, a educação, a política, etc.



Numa mudança desta natureza, para além da óbvia acentuação da desigualdade, Michael Sandel aponta motivos para não se colocar um preço em certos bens morais e cívicos. E o nosso leitor, o que pensa?

Teoria do conhecimento

Publicado recentemente, a Introdução à Teoria do Conhecimento, de Dan O'Brien, é um livro acessível,  informado, rigoroso e actual. O autor começa por apresentá-lo assim:


Ao longo do livro usei vários exemplos retirados da literatura e, em especial, do cinema. As histórias dos filmes e dos livros são frequentemente do conhecimento geral, o que pode dar origem a animadas discussões nas aulas acerca dos aspectos filosóficos do enredo ou da caracterização das personagens de uma obra em particular. Este tipo de interdisciplinaridade deve ser incentivado. A filosofia não deve ser vista como uma disciplina árida e académica divorciada da vida quotidiana. Tempos houve ao longo da sua história em que tal aconteceu: ocorre-nos imediatamente o estereótipo dos filósofos medievais esgrimindo argumentos enigmáticos para determinar quantos anjos caberiam numa cabeça de alfinete. Ainda hoje, se atentarmos em certas revistas filosóficas, podemos observar que muitos artigos de investigação são igu…

Ensinar bem e mal filosofia

Especialmente para professores de filosofia, vale a pena ocasionalmente espiar o blogue de Adonai Sant` Anna, onde já publiquei este artigo sobre educação. A realidade apontada pelo autor do blogue no artigo que aqui destaco não é muito diferente do contexto científico de produção da filosofia em Portugal. Para bom entendedor escusado será dizer que em Portugal, como no Brasil como em qualquer parte do mundo, há casos isolados de excepção, mas que não traduzem o funcionamento geral dos cursos de filosofia. Creio que em Portugal será até um pouco pior. No artigo que aqui se destaca, Adonai reproduz uma parte de um mail recebido de um estudante de filosofia brasileiro que ingressou numa universidade americana.
"[s]into uma diferença imensa no método americano em relação ao qual fui ensinado no Brasil. Apesar de sempre ter gostado de filosofia analítica, o que era exigido de mim na graduação era simplesmente interpretação de textos; nunca me pediram para escrever se algo era certo o…

Novos Livros Introdutórios em Filosofia do Direito

Livros introdutórios são imprescindíveis para o bom ensino e aprendizado da filosofia. A filosofia do direito já conta com algumas obras de caráter introdutório (por exemplo, aqui, aqui e aqui ), mas duas novas obras prometem preencher algumas lacunas das obras passadas e fornecer um material mais completo para professores e alunos. A primeira é a de Stefan Sciaraffa denominada The Nature of Law: A Philosophical Inquiry. Como de costume, essa obra trata primariamente do problema da natureza do direito, mas inova ao estender alguns dos argumentos sobre esse tema para explicar alguns problemas associados aos sistemas jurídicos internacionais e ao raciocínio jurídico. O livro, apesar de introdutório, também promete avançar uma posição original acerca da natureza do direito, o que talvez não seja tão recomendável de se fazer em um livro introdutório, mas ainda assim não necessariamente torna o livro inapto para ser usado em aulas de graduação. A segunda obra é a de Jeffrey Brand-Ballard, …

Sobre o Conceito de Direito

Eis os vídeos completos de uma série de palestras comemorativas do aniversário de 50 anos do lançamento do livro The Concept of Law de H. L. A. Hart.  As palestras são ministradas por alguns dos filósofos do direito mais destacados da atualidade, tais como Frederick Schauer, John Gardner e Leslie Green. Para aqueles interessados em filosofia do direito vale perder algumas horas vendo o conteúdo. 



Stephen Mumford e Rani Lill Anjum em Lisboa

A convite do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, Stephen Mumford e Rani Lill Anjum farão as seguintes conferências no próximo dia 12, quinta-feira, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sala 8.2.10.:

11h - "Powers, Causation and Probability"
15h - "Metaphysics, Logic and Science".

conferências Mumford e Anjum

Stephen Mumford is Professor of Metaphysics and Dean of the Faculty of Arts at the University of Nottingham and Professor II at the Norwegian University of Life Sciences (UMB). He is the author of Dispositions (Oxford 1998), Laws in Nature (Routledge 2004),David Armstrong (Acumen, 2007), Watching Sport (Routledge 2011), and co-author of Getting Causes From Powers (Oxford 2011) and Metaphysics - A very short introduction (Oxford, 2012), Causation – A very short introduction (Oxford 2013).

Rani Lill Anjum is Researcher of Philosophy and Director of the 4 year research project CauSci – Causation in Science – funded by the Rese…

Rebater um argumento por 20 mil dólares

Eis o argumento:

“A moral e os valores dependem da existência de mentes conscientes — e especificamente do facto dessas mentes poderem experimentar várias formas de bem-estar e de sofrimento neste universo. 

Mentes conscientes e os seus estados são fenómenos naturais, totalmente delimitados pelas leis do universo (sejam elas o que vierem a ser). 

Portanto, as questões de moral e dos valores devem ter respostas certas e erradas no âmbito da ciência (em princípio, se não na prática). 

Consequentemente, alguns povos e culturas estarão certos (em maior ou menor grau), e alguns estarão errados, no que diz respeito ao que consideram ser importante na vida.”

Este argumento é apresentado por Sam Harris no seu livro "The Moral Landscape" e aqui é lançado o desafio para que o rebatam.

A melhor resposta será publicada e receberá um prémio de 2 mil dólares e quem o convencer que está errado, receberá um prémio de 20 mil dólares.

E o nosso leitor, aceita o desafio?

Boa nova

Acaba de sair pela Loyola, os dois volumes (I e II) de Apt Belief and Reflective Knowledge (2007; 2009, Oxford UP), de Ernest Sosa. Boa oportunidade para os leitores lusófonos entrarem em contato com a epistemologia contemporânea, mais especificamente com a epistemologia das virtudes. O leitor encontrá aqui uma resenha do primeiro volume, e aqui uma do segundo.

Filosofia em Directo... e ao vivo

Acabo de receber a agradável notícia de que o meu livro Filosofia em Directocontinua a merecer a preferência dos leitores portugueses, tendo já ultrapassado o bonito número de 21 500 exemplares vendidos. A todos os leitores do meu livro, o meu muito obrigado. Espero não desmerecer a vossa confiança, e espero que discordem do que escrevi, mas que o livro vos dê instrumentos para discordar de uma maneira mais sofisticada, reflectida e cuidada.

A edição brasileira do meu livro tem por título Filosofia ao Vivo e está à venda nas livrarias brasileiras. Em caso de dificuldade, pode ser comprado no site do editor.

Os leitores poderão gostar também do meu livro Sete Ideias Filosóficas Que Toda a Gente Deveria Conhecer, que é um complemento ao Filosofia em Directo. O Sete Ideias vende-se em Portugal em todas as livrarias, como é o caso da Wook, e no Brasil na Livraria Cultura.

Uma vez mais, muito obrigado a todos os leitores que fazem de Filosofia em Directo um inesperado sucesso de vendas…

Mais uma do mercado editorial underground brasileiro

Acabo de descobrir a tradução de Consciousness (Cambridge University Press, 2009), de Christopher Hill, publicada em 2011 pela Editora Unesp. Eis a descrição das costas do livro:

Este livro apresenta uma nova e compreensiva teoria da consciência. O capítulo inicial distingue seis principais formas de consciência e delineia um tratamento para cada uma. Os capítulos posteriores focam-se na consciência fenomênica, na consciência de, e na consciência introspectiva. Ao discutir a consciência fenomênica, Hill desenvolve a teoria representacional da mente em novas direções argumentando que estar ciente de algo sempre envolve representações, até mesmo dos estados qualitativos como a dor. Ele então usa essa perspectiva para enfraquecer as abordagens dualistas dos estados qualitativos. Os outros tópicos envolvem o estar ciente visual, as aparências visuais, os qualia emocionais e o processamento metacognitivo. Esta importante obra interessará a um amplo público de alunos e especialistas em filos…

E se o pensamento moral for irredutível ao pensamento amoral?

A propósito da nota do Lucas, considere-se o seguinte: imagine-se que a justificação moral é irredutível a outras justificações (penso que algo como isto faz parte da concepção de Enoch). Uma razão para isso seria que os conceitos morais são primitivos, irredutíveis a conceitos não-morais.

Agora considere-se três tipos de justificação última da moralidade: a utilitarista, a contratualista e a kantiana. Estas são as justificações mais influentes. Todas estão erradas, parece-me, se a justificação moral for irredutível a outros tipos de justificação. Vejamos porquê.

O utilitarismo defende que o princípio moral último é a maior felicidade para o maior número de agentes morais relevantes. Ou este princípio é circular ou comete uma versão da falácia naturalista, violando a irredutibilidade da moralidade. É circular caso não se explique de modo não-moral o que é um agente moral relevante e por que razão cada agente moral tem o dever de promover a felicidade máxima de todos os outros agentes …

Realismo Moral Não Naturalista

Acabo de saber do lançamento do livro Taking Morality Seriously: A defense of Robust Realism, escrito por David Enoch. Essa é uma ótima surpresa dada a onda irracional de naturalismo e cientificismo que tem atingido a filosofia. Um excerto sobre o livro disponibilizado pela editora diz o seguinte: 
"Em Taking Morality Seriously: A Defense of Robust Realism, David Enoch desenvolve, argumenta e defende uma posição realista e objetivista forte da ética e da normatividade em geral. Essa posição – segundo a qual há verdades morais e outras verdades normativas perfeitamente objetivas e universais que não podem de maneira alguma ser reduzidas a outras verdades naturais – é familiar, porém esse livro é o primeiro desenvolvimento detalhado das motivações positivas a favor dessa posição colocada em argumentos razoavelmente precisos. E quando o livro se torna defensivo – defendendo o Realismo Robusto contra as objeções tradicionais – ele mobiliza os argumentos originais positivos a favor d…

A Crítica a blogar há 5 anos

Exactamente há cinco anos atrás Desidério Murcho dava as boas-vindas
a este espaço de divulgação e discussão.


Que memórias têm daquilo que aqui se divulgou e discutiu?

O que foi para si o melhor e o pior?
Novo número da revista Investigação Filosófica.

Naturalismo

Eis outra boa nova editorial: Naturalismo, de Jack Ritchie. É a tradução, feita por Fábio Creder, e publicada pela Vozes, de Understandig Naturalism, Acumen, 2008. Embora não faça um levantamento completo do naturalismo filosófico,  Ritchie apresenta algumas posições naturalistas centrais em epistemologia, metafísica e filosofia da linguagem (deixando de fora a ética, infelizmente) -- a epistemologia naturalizada de Quine, o fiabilismo, o fisicismo, o deflacionismo quanto a verdade, a atitude ontológica naturalista, etc. Acessível e de leitura fácil, Naturalismo é uma boa introdução ao tema. Pode-se encontrar aqui uma resenha publicada na Notre Dame Philosophical Reviews. 

Sumário
Introdução
1- A filosofia primeira
2- Quine e a epistemologia naturalizada
3- O confiabilismo
4- A filosofia da ciência naturalizada
5- Naturalizando a metafísica
6- Naturalismo sem fisicalismo?
7- Significado e verdade
Conclusão

Morreu Fred Dretske (1932-2013)

Fred Dretske era professor da Duke University e um dos mais importantes filósofos contemporâneos nas áreas da epistemologia e da filosofia da mente. O seu mais recente livro, Perception, Knowledge and Belief, foi publicado em 2000, quando ainda ensinava na Stanford University.  Apesar de não ser tão estudado e discutido entre nós como merecia, os contributos deste filosófo americano para a epistemologia (mas não só) são da maior relevância, tendo sido distinguido com o prestigiado Prix Jean Nicod (França) em 1994. Para quem quiser ver um pouco de Dretske em acção, aqui pode ser vista uma palestra sua, intitulada «What We See», proferida no âmbito das Howison Lectures in Philosophy, da Universidade de Berkeley (com uma curta intervenção de Searle no fim, no período de discussão).

Consciência, o mais importante das nossas vidas — John Searle

Nesta palestra John Searle fala sobre a consciência humana por ser, segundo o que defende, o aspecto mais importante das nossas vidas, pois estarmos conscientes é uma condição necessária para que qualquer coisa seja importante. E exemplifica afirmando que nenhuma produção ou conhecimento humano nos interessa se formos um zombie ou se estivermos em coma.

No decurso da palestra apresenta uma definição para este termo e uma resolução do problema mente-corpo, para além de refutar alguns dogmas (da religião, do materialismo, do behaviourismo, etc.) sobre este assunto.



A sua definição de consciência estará correcta? E a resolução do problema mente-corpo? E as suas refutações colhem? O que pensa o leitor?

No dia mundial do Rock and Roll... um pouco de metafísica!

Para aqueles que gostam de rock and roll e alguma vez na adolescência gastaram algum tempo discutindo com os amigos os problemas (que naquela época não pareciam nada filosóficos) sobre as formações das bandas -- se o Deep Purple ainda continuaria sendo a mesma banda sem o Ian Gillan ou sem o Ritchie Blackmore, ou se seria impossível haver novamente Led Zeppelin depois da morte de Jonh Bonham, ou mesmo se o The Final Cult é mais um disco solo do Roger Waters do que um disco do Pink Floyd, dentre muitos outros -- é hora de relembrar isso um pouco. Eis um divertido texto, de James Bondarchuk, sobre a metafísica -- a constituição e a natureza -- do Black Sabbath.

Julian Dodd: Será 4'33'' de John Cage música?

Julian Dodd argumenta que 4'33'' de John Cage não é música, ao passo que Imaginary Landscape nº4, uma peça para 12 rádios, do mesmo autor, é música. Dodd argumenta a favor desta conclusão com base no que pensa ser uma condição necessária para algo ser uma obra musical. Terá razão quanto à condição indicada ser mesmo necessária? Terá razão acerca das conclusões a que chega? Será que importa realmente se 4'33'' é ou não música? Se não importa, estaremos ainda a dizer algo interessante quando dizemos que 4'33'', ou seja o que for, é música? E o que pensa o leitor?

O valor da civilização

O cultivo de grandes realizações culturais é, assim, uma condição necessária, mas não suficiente, da civilização - conta-se que comandantes de campos de concentração choravam à noite ao som de Schubert, após um duro dia de matança em massa. Ninguém chamaria esses homens de civilizados. Pelo contrário, assemelhavam-se mais aos bárbaros antigos que, após invadirem e saquearem uma cidade civilizada, viviam em suas ruínas porque elas eram ainda muito melhores do que qualquer coisa que eles poderiam construir por contra própria. A primeira exigência da civilização é que os homens estejam dispostos a reprimir seus instintos e apetites mais baixos: falhar nisso faz deles, precisamente porque são inteligentes, muito piores que meras bestas.Theodore Dalrymple, O que temos a perder.
O ensaio completo pode ser lido aqui, em tradução de Aluízio Couto.

Um carvalho invisível?

Neste livro, cuja tradução portuguesa estará disponível dentro de pouco mais de uma semana, o autor pergunta-nos em que filósofo pensamos ao ler os versos humorísticos que se podem ler abaixo. O leitor o que acha?

 Uma vez um jovem disse assim:
«Deus, acho deveras estranho,
Que aquele carvalho do jardim
Continue a sê-lo
Quando não está ninguém a vê-lo.»

«Caro Senhor, estranho é o seu espanto
Pois do jardim nunca arredo o pé
E é por isso que a dita árvore
Continua a ser como é.
Com a maior boa fé me subscrevo, DEUS.»

Philosophy Now Radio Show

A excelente revista "Philosophy Now" já tinha sido divulgada pelo Desidério na Crítica, mas na ocasião a revista ainda não contava com a série de entrevistas "Philosophy Now Radio Show". Ao contrário de boa parte do conteúdo do site, que é pago, os podcasts das entrevistas estão disponibilizados gratuitamente. Vale a pena conferir.

Filósofos na Tela

Eis uma interessante série de entrevistas que pretende aproximar o grande público do trabalho acadêmico dos filósofos contemporâneos. Os filósofos entrevistados respondem questões sobre as motivações que os levaram à filosofia, os aspectos mais satisfatórios e menos satisfatórios do seu trabalho, os temas da sua pesquisa atual, se as humanidades precisam mostrar algum impacto benéfico na sociedade que justifique a sua existência e se a própria filosofia tem algum impacto benéfico na sociedade. Vale a pena conferir.

Disputatio

Vale bem a pena ler o último número especial da revista internacional de filosofia Disputatio, publicada pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, e dirigida por João Branquinho (UL) e Teresa Marques (UL). Trata-se de um número inteiramente constituído por ensaios recentes de autores portugueses e brasileiros, organizado por João Branquinho e Guido Imaguire. Aí se pode confirmar que a discussão e a investigação actuais de nível internacional podem começar a contar cada vez mais com o contributo dos filósofos portugueses e brasileiros.

Da “Teoria da Justiça” de Rawls à Prática?

Imagine que lhe era dado o poder de alterar o mundo como entendesse e que até poderia beneficiar-se a si próprio. O único problema é que você não saberia quem viria a ser nesse mundo, se seria homem ou mulher, rico ou pobre, forte ou fraco. O que faria então com esse poder?

Para responder a esta questão John Rawls sugeriu que se maximizasse o mínimo. Ou seja, você deveria garantir que as pessoas mais carenciadas ficassem o melhor possível, em comparação com outras alternativas, pois você poderia ser uma dessas pessoas.

Acreditando que este “véu de ignorância” nos levasse a considerar esta como a solução mais justa, seria possível tornar real a experiência mental de John Rawls?

Esta organização acredita que sim, e o nosso leitor?

Peter Singer responde

Lançamos aqui o desafio de se colocar questões ao Peter Singer sobre o assunto do livro A Vida Que Podemos Salvar.



Acaba de ser publicado o primeiro vídeo com as respostas às seguintes questões:

1. "Como pode um estudante de dezasseis anos, sem rendimentos, contribuir para A Vida Que Podemos Salvar?" ~ Tom Cartwright (via Twitter) [00:15]

2. "O que pensa sobre o 'Problema dos pobres comedores de carne'?" ~ Peter Hurford (via Twitter) [01:10]

3. "Uma possibilidade suficientemente desanimadora seria uma criança cuja vida é salva apenas para viver mais 50 anos com problemas que impedem qualquer contentamento." ~ Charles Spohr (via email) [02:42]

4. "À luz de outras catástrofes, como a Super-tempestade do Furacão Sandy, questiono-me se uma doação à Cruz Vermelha Americana, por exemplo, para assistência à catástrofe, estaria dentro do espírito do Compromisso?" ~ Ann Howard (via email) [04:04]

5. "Onde traço o limite para as minhas acções…

Peter van Inwagen em Lisboa

É já nos próximos dias 12 e 14 de Junho que o destacado filósofo americano Peter van Inwagen dará duas conferências na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ambas as conferências, cujos resumos podem ser lidos aqui, fazem parte das LangCog Lectures e serão sobre tópicos de ontologia.
Peter van Inwagen, professor de Filosofia na University of Notre Dame, é um dos filósofos de topo mundiais em áreas como a metafísica, a filosofia da religião e a filosofia da acção. Na área da filosofia da religião, por exemplo, destaca-se a sua resposta ao problema do mal. Também merece destaque a sua tese incompatibilista acerca da questão do livre arbítrio e do determinismo, defendendo uma versão bastante original de libertismo, uma perspectiva pouco comum entre filósofos contemporâneos. 
Peter van Inwagen é um dos mais sonantes filósofos cristãos da actualidade (converteu-se ao cristianismo em 1980) e tem sido convidado para proferir conferências nas mais prestigiadas instituições académica…

Robert C. Bishop em Lisboa

Nos próximos dias 12 e 14 de Junho, Robert C. Bishop, físico e filósofo da ciência norte-americano, especialista nas questões da complexidade, não-linearidade, determinismo e emergência, fará duas conferências na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a convite do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa. Mais informações:

conferências Robert Bishop

Altruísmo eficaz: porquê e como

Nesta palestra TED, Peter Singer defende a tese do seu livro A Vida Que Podemos Salvar - Agir agora para pôr fim à pobreza no mundo. Neste contexto refere-se a um movimento em expansão, liderado por filósofos, economistas e matemáticos, o altruísmo eficaz.   
Apresenta algumas experiências mentais que nos questionam sobre como podemos equilibrar a emoção e a razão para ter o maior impacto possível ao agir segundo o que afirma ser uma obrigação moral: ajudar aqueles que se encontram na pobreza extrema. 
Será isto uma chantagem moral?
Ou será esta uma regra de ouro do comportamento ético?

Bondade e lucidez

Necessidade

Mais uma entrevista da série No Jardim da Filosofia, desta vez com Desidério Murcho.

Filosofia da educação de Locke

Acaba de ser publicado o livro Educar Para a Verdade e a Virtude (Edições Afrontamento), de Rui Cunha, baseado na sua tese de doutoramento sobre a filosofia da educação de John Locke. O livro tem, aliás, o subtítulo A Emergência da Modernidade Pedagógica no Pensamento Educacional de John Locke. 

Este livro exibe as excelentes qualidades que todos os que conheceram Rui Cunha lhe reconheciam quando com ele conversavam ou liam o que escrevia: a sua enorme bagagem filosófica, o seu rigor conceptual, bem como o profundo conhecimento das fontes directas e da bibliografia de referência. Tendo como fonte principal a obra de Locke, em particular Some Thoughts Concerning Education (livro entretanto traduzido para português pela Almedina, com o título Alguns Pensamentos Sobre Educação), facilmente se percebe que Rui Cunha não deixa um único detalhe por estudar nem por esclarecer, ao estilo do melhor scholarship. 
Tratando-se de um livro póstumo, o Rui não teve, infelizmente, oportunidade de faz…

Teorias da Correcção: Nível Factorial e Fundamental

Muitos filósofos que trabalham em Ética procuram descobrir critérios para distinguir as acções certas das erradas, e, habitualmente, também fazer distinções mais apuradas entre vários tipos de acções certas (entre acções permíssiveis e obrigatórias e acções permissíveis mas não obrigatórias, por exemplo), construindo para isso teorias que possuem um conjunto de principios que especificam o que é certo e errado (teorias da correcção). O utilitarismo e a ética kantiana são os exemplos mais bem conhecidos de teorias da correcção, apesar de estritamente falando o utilitarismo não ser uma teoria da correcção de acção, mas uma combinação de uma teoria de correcção da acção com um tipo de teorias do bem, especificamente as que obedecem à restricção de que os únicos estados de coisas que vale a pena promover por si mesmos são aqueles que envolvem o bem-estar de um certo conjunto de seres vivos. Uma teoria do bem seria assim uma teoria sobre que estados de coisas são intrinsecamente valiosos …