10 de março de 2013

A mediocridade acadêmica brasileira


Não é novidade que as universidades brasileiras pouco, ou quase nada, contribuem para o desenvolvimento acadêmico mundial. Vários podem ser os fatores que contribuem para tal coisa, como por exemplo, a falta de investimento nas universidades, a falta de incentivo à carreira acadêmica, etc. Mas há, certamente, um fator que é proeminente: a comodidade das carreiras de professores universitários nas instituições públicas (vale lembrar que a quase totalidade dos centros acadêmicos brasileiros está concentrada em instituições públicas). Grande parte dos professores universitários brasileiros não produz; e mesmo quando produzem, publicam em periódicos sem expressão alguma (e que mais parecem -- eu disse "parecem"! -- ter sido criados para que um grupo de pessoas possa encher seus currículos). Soma-se a isso ainda a grande vantagem de se continuar empregado ainda que se seja o mais medíocre dos profissionais. Não é de se espantar, portanto, que numa política em  que a fraude e a procrastinação acadêmicas sejam permitidas, a irrelevância frente a produção intelectual de qualidade surja. Adonai Sant'Anna, professor do departamento de matemática da UFPR, publicou na Scientific American Brasil de fevereiro deste ano, um interessante artigo, também reproduzido em seu blog, expondo claramente como a comodidade das carreiras acadêmicas brasileiras é em grande parte responsável pela  nossa irrelevância acadêmica. Além de também explicar grande parte dos mau-caratismos cometidos em nome dos vantajosos cargos. A solução, como aponta o autor, é a falta de competitividade gerada pela velha ideia de que a meritocracia é sempre errada. 

12 comentários:

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  2. Eu já ia divulgar esse artigo! Se a generalidade das pessoas que publica em periódicos obscuros fizesse um trabalho modesto de divulgação filosófica as coisas ainda não estariam tão más, mas, pelo menos na filosofia, publica-se apenas plágio e paráfrases mal feitas de história da filosofia, e as pessoas se safam e prosperam com essa fraude. Um dos maiores problemas nessa história toda é a total inexistência de meritocracia, mencionada no texto. Geralmente, os alunos mais bem sucedidos no meio acadêmico são os puxa-sacos e discípilos dos professores e não os mais inteligentes ou com melhor produção acadêmica.

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  3. Quer se dar bem na carreira acadêmica brasileira?? Estude? Produza?

    NÃO

    PUXE O SACO E FAÇA O QUE MANDAM QUE VOCÊ FAÇA

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  4. Alguns departamentos brasileiros funcionam na política do coronelismo. Como os professores não são nunca mandados embora, acabam por se sentir donos do departamento. Daí naturalmente começam a selecionar seus pares através do puxa-saquismo e da política do rabo preso. O departamento não contrata professores pelo mérito acadêmico, mas sim pela amizade ou por favores devidos (incluindo-se as relações extraconjugais!).

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  5. Caros Luiz Helvécio e Matheus Silva,

    Foi uma sorte danada deparar com as observações dos senhores sobre as condições de ensino na universidade pública brasileira. Digo isso porque estou pensando em ingressar num curso superior de filosofia e- olha que inocência a minha!- estava inclinado em dar preferência justamente às universidades públicas- reconheço que, sobretudo, por uma questão financeira... Mas, agora que fui afortunadamente advertido pelos severos comentários dos senhores, tenho certeza de que o melhor a fazer é investir minhas parcas economias numa instituição de ensino privada, plenamente convencido de que colherei, em termos de saber filosófico, no mínimo o dobro do que gastarei em espécie. Depois do que relataram, é impossível que as universidades públicas de filosofia possam ousar competir com o ensino privado oferecido na mesma área, já que este deve ter nada menos que a própria competição como um de seus princípios básicos, enquanto, por seu turno, nas federais, estaduais e semelhantes, segundo o que acima afirmaram, ninguém deve estar muito preocupado com isso. Felizmente, há aqueles que acordam todos os dias incumbidos da bendita missão de adequar as diretrizes do saber filosófico aos parâmetros modernos de produtividade, às invejáveis leis do mercado atual e às metas sagradas do lucro. O que seria de nós, que amamos a nobre arte de Platão e Aristóteles, se não houvesse tais inciativas para garantir a preservação do alto nível da indagação filosófica? Como iniciante, ainda não estudei suficientemente a questão, mas é muito provável que os próprios gregos só tenham despertado para a filosofia por estarem motivados por tais interesses, por estarem devotados ao venerável espírito da mercadocracia. O único detalhe, no entanto, é que vou precisar de um valioso auxílio dos senhores (podem ficar calmos, não se trata de dinheiro ainda...), pois, como havia direcionado ingenuamente todas as minhas expectativas para o ensino público, não me preocupei em conhecer esses grandes cursos privados de filosofia, que os senhores certamente têm em mente quando, por comparação, denunciam a mediocridade dos cursos públicos. Conto então com a gentileza dos senhores e peço que me recomendem alguns desses cursos privados onde eu poderia travar contato com o saber filosófico impecavelmente desenvolvido. Por uma questão pessoal, gostaria que os senhores não citassem universidades ligadas a instituições religiosas- que, a propósito, nem são exatamente (e infelizmente, não é?) universidades privadas.

    Agradeço mais uma vez a nova luz que lançaram sobre meus planos intelectuais. Aguardo ansiosamente as recomendações.

    Saudações mercadocráticas! (ou meritocráticas?- eu sempre confundo...)

    Máximo Lucrécio.

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  6. Máximo Lucrécio (nome engraçado!)

    1) Gastaste 15 linhas para dizer isso: dado a ideia do post, os departamentos privados de filosofia deveriam ser melhores do que os públicos.
    2) E para piorar, gastaste mais 21 linhas para perguntar: há departamentos privados de filosofia melhores do que os públicos? Pois se não houver, a ideia do post será refutada.

    Em 6 linhas ficou melhor, não? (viu, pode-se ser retórico sem precisar ser verborrágico!).

    Além de escrever muito para nada, tens também o defeito de não saber entender aquilo que lês.
    1) Em nenhum momento é afirmado que todos os departamentos públicos, ainda que muito cômodos, sejam medíocres. Apenas muitos o são. Até porque a carreira oferecida pelo governo não é incompatível com o trabalho de qualidade; mas também não é incompatível com a coçação de saco exacerbada.
    2) Não foste capaz de compreender o significado de termos como "em grade parte", o "o mais proeminente", etc. A ocorrência desses termos no texto deixa explícito que a coçação é um dos principais fatores da falta de qualidade da academia brasileira, mas não o único.
    Até aqui, só problemas de compreensão básica de textos. Mas vamos à incapacidade de compreensão de ideias um pouco mais sofisticadas.
    3) Suponhamos que se a ideia do post fosse verdadeira, então teria de haver pelo menos um número razoável de instituições privadas melhores do que as públicas. Primeiro erro: não consideraste que a esmagadora maioria das instituições privadas brasileiras tem como finalidade o lucro e não a produção de conhecimento. Os alunos vão pra'li não para produzir conhecimento, mas para comprar seus diplomas. Assim, essas instituições sequer precisam fazer seu nome à custa de produção acadêmica. Segundo erro: para que a previsão -- a de que as instituições privadas seriam melhores -- funcione, as universidades privadas e públicas deveriam perseguir o mesmo objetivo: a produção acadêmica de qualidade. Mas não é isso que acontece; a maioria das instituições privadas tem como finalidade vender diplomas e a maioria das públicas distribuí-los.

    Bem, não vou me alongar explicando coisas óbvias sobre como a meritocracia ajudaria a acabar com a procrastinação acadêmica -- isso está suficientemente claro no texto do Adonai. Se não fores capaz de entender e fazer objeções menos verborrágicas e mais inteligentes, paciência.

    Ah! tenho uma ótima recomendação para investires seu dinheiro: Universidade Aplicada do Triângulo das Bermudas.

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  7. Ah, sim. Vamos fingir que extirpar a dimensão intensional de um texto não interfere nem um pouco em seu sentido.

    Vamos continuar a dissimulação e concordar que as objeções à suposta falta de compreensão do interlocutor não servem muito mais para iluminar a estratétiga argumentativa artificial e rasteira de quem as pronuncia.

    Com toda a certeza, a razão deve estar mesmo do lado de quem demonstra ser tão 'produtivo' contando linhas.

    Agora, ironias à parte, o que espanta é ver, num blog de filosofia, as mesmas críticas feitas ao ensino público superior que se encontram em rasos editoriais jornalísticos, na ponta da língua dos apóstolos da privatização e mesmo nas expressões mais previsíveis do senso comum. Além do mais, corrobora-se tudo isso com o ar de quem encarna uma audaciosa voz isolada, quando simplesmente repete-se uma litania vulgar, que pretende acima de tudo dobrar a universidade pública aos interesses de mercado e fazer do conhecimento uma atividade preponderantemente lucrativa.

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    1. Senhor,
      és uma toupeira! Ninguém aqui defendeu a privatização. As universidades públicas podem simplesmente exigir produção de seus funcionários sob a pena de perderem seus cargos caso não trabalhem. Não estamos falando só de publicações, estamos falando também de incompetência no magistério. Não vou repetir o que foste incapaz de ler no texto do Adonai.
      Mas seria muito interessante se nos emprestasse a sua prosa erudita e nada maçante a fim de expor, com a profundidade que nunca conseguirei atingir -- devido minhas tendências ao senso comum --, as incontáveis virtudes da academia brasileira.

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    2. Falaste muito bem - tanto na postagem quanto no rebate às críticas. Com pesar, vivo como estudante esta realidade indignante. Falta muito à universidade brasileira e, acredito, essa é de fato uma das fundamentais mudanças necessárias para que haja mais qualidade.

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  8. "És uma toupeira". Este é o seu nível de argumentação? Se for, é muito baixo, e como as toupeiras vivem debaixo da terra, você é quem demonstra guardar maior parentesco com elas.

    Você devia estudar melhor as condições de trabalho nas universidades públicas, antes de sair falando; procurar saber como, apesar de tudo, muitos dos melhores cursos ainda se encontram em tais universidades. Você acha que o servidor público não pode ser demitido? Qual o seu problema? Crê que deveria haver um patrãp, como na iniciativa privada? Então onde se encontra o grande curso de formação universitária da iniciativa privada, com todos os seus patrões? Seus comentários simplórios sobre a questão não chegam minimamente perto de fazer uma avaliação razoável do problema. Como já disse, apenas repete lugares comuns sobre o assunto. Posso estar errado, mas duvido que você trabalhe- e mesmo que tenha estudado- numa universidade pública brasileira.

    O anônimo acima diz "falta muito à universidade brasileira", e sugere que se comece demitindo pessoas. O fato de que não há investimentos suficientes nem em infra-estrutura nem em material humano deve ser, para ele, um mero detalhe, algo totalmente secundário. Como eu disse, multiplica-se, para todo lado, uma visão ordinária e estreita do problema da universidade pública.

    Mas os 'ceguinhos' ainda me chamam de toupeira...

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    1. Simplesmente não respondeste nenhum dos meus argumentos. Apenas disse que repito lugares comuns, blablablá. Desfaça-os então.

      Se costumas navegar na Crítica, acho que esqueceste de passar por esta seção: http://criticanarede.com/falacias.htm

      Saudações de um desempregado do senso comum.

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  9. Dado o grande número de asneiras postadas nesses comentários, a fim de manter a qualidade do blog, estão encerrados os comentários.

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