17 de março de 2013

A Síndrome do Macho Alfa


Eu já havia comentado neste blog sobre como a agressividade em discussões filosóficas torna o ambiente de cooperação acadêmica impossível. Eu penso que esse problema tem pelo menos duas causas. A primeira delas é a falta de civilidade. Um filósofo pode argumentar de maneira agressiva por falta de educação, pura e simples. A segunda causa é o complexo de querer se impor como melhor do que os outros em tudo, é a síndrome do macho alfa. A única diferença entre ele e alguns machos dominadores de outras espécies é que ao invés de demarcar o seu território com urina, ele o demarca com argumentos, erudição bibliográfica e comentários jocosos. Entre as duas causas, a síndrome do macho alfa me parece muito pior. Embora a grosseria também seja um problema, ela pode ser corrigida com bons modos e não causa tanto mal-estar quando a audiência reconhece que o filósofo não age de modo rude por mal. Até mesmo porque, em certas ocasiões, a atitude de ser curto e grosso não só é justificada como também é necessária. Se alguém pretende publicar um trabalho que não satisfaz exigências mínimas de rigor não temos outra denominação para esse trabalho que não seja a de lixo. Usar eufemismos para não ofender as pessoas nesses casos é desonesto e prejudicial, pois a crítica dura é imperativa para mantermos a salubridade da área. A síndrome do macho alfa, por outro lado, nunca traz benefícios para a área e não é corrigível. Não há qualquer manual de boas maneiras ou advertência ética que possam curar a falta de caráter. O macho alfa simplesmente toma como axiomática a suposição de que o objetivo maior na vida é pisar nos outros e se destacar como o superior. Não podemos fazê-lo mudar de idéia, pois ele pressupõe de maneira circular que todos aceitam o seu objetivo.  

23 comentários:

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  5. Como a própria Elba reconhece, o local adequado para o seu comentário não é este. Por isso o eliminei, assim como aos outros que se lhe referem.

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  7. Sem problemas, Aires. Eu sinceramente peço desculpas a você e aos leitores por ter escrito aquilo num impulso, tendo sido tomada por raiva motivada por parte do que está na postagem e por questões pessoais que não cabiam ter falado aqui. Desculpem-me.

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  8. As críticas duras são exigidas quando o trabalho é feito por pessoas despreparadas em ambientes nos quais a excelência acadêmica é fomentada e exigida. Eu não classificaria como lixo o trabalho de um aluno esforçado, mas despreparado: eu diria que o texto está ruim e sugeriria muitas correções. Mas classificaria como lixo o trabalho de um aluno que aprendeu todas as distinções conceituais relevantes, mas faz tudo mal feito por preguiça ou a submissão de um artigo de um doutor de filosofia que finge saber o que não sabe – em ambos os casos, também apontaria inúmeras correções. Isso é um de muitos casos em que essa atitude é obviamente justificada. Há exemplos bastante conhecidos. Um deles é a polêmica em torno de Alan Sokal e Jean Bricmont, que se tornaram célebres por afirmarem que autores famosos como Deleuze são impostores intelectuais por fazerem afirmações com termos científicos e acerca da ciência sem ter a menor idéia do que falavam – a Crítica tem uma ótima resenha do livro “Imposturas Intelectuais” nos quais fazem essas críticas. Outro exemplo ocorreu a alguns anos atrás, quando Colin McGinn também teve uma polêmica por fazer uma resenha ácida de um livro de filosofia da mente de Paul Horwich. Sua justificativa? Horwich estava publicando em formato de livro um amontoado de artigos que, segundo McGinn, já estavam obsoletos à luz dos desenvolvimentos bibliográficos recentes de filosofia da mente na altura em que o livro foi publicado. Curiosamente, o mesmo Colin McGinn foi alvo de uma resenha dura de Nina Strohminger, que o criticou impiedosamente por ignorar praticamente a maioria da bibliografia acerca do tema de seu livro – eu fiz um post sobre essa mesma resenha aqui no blog da Crítica. Em todos esses casos encontramos críticas duras munidas de muitos argumentos, distinções conceituais e uma atitude de zelo, de paixão acadêmica mesmo, por suas áreas. Isso acontece quando as pessoas estão mais preocupadas com a filosofia e menos preocupadas com mesquinharias pessoais, mais preocupadas em trabalhar e menos preocupadas (porque elas também não têm tempo para isso!) com rixas pessoais. Confundir críticas duras que são imperativas em contextos apropriados com insultos feitos à toa motivados por assuntos pessoais é ter a atitude precisamente oposta à desses autores. Eu ia pedir aos administradores do blog que não apagassem esses comentários insultuosos, pois eles ilustram muito bem o que eu afirmei no post, mas já apagaram. É pena.

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    1. Eu disse, tava na cara que a crítica ao texto feita por aquela senhora era coisa pessoal. Na boa, ela tá afim de vc!

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  9. Eu fiquei chocado de saber agora a pouco que um estude morreu de excesso de estudo gerado por pressão de um professor terrorista que adorava fazer bullying intelectual. Uma matéria sobre isso pode ser lida aqui: http://www.moreiranet.com/products/excesso%20de%20estudo%20e%20leitura%20leva%20universitario%20%C3%A0%20morte%20em%20francisco%20beltr%C3%A3o/#.T2tkv5U2Who.facebook.

    Esse também é um ótimo exemplo que ilustra muito bem o que eu não afirmei no post: crítica dura é uma coisa, bullying intelectual é outra muito diferente.

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  10. Qualifique melhor o que você diz na hora em que o faz, então. Dito como estava dava margem à interpretação que eu fiz, sim. Além do que, não há como conhecer a trajetória de quem submete o artigo, salvo exceções, e determinar, portanto se é ou não esforçado, já que você se referia à publicação. Dizer que é um lixo inibiria, sim, qualquer possibilidade de mudança satisfatória. Mais adequado seria fazer críticas construtivas sem empregar termos ofensivos.
    Posso ter usado expressões inadequadas, mas tudo é verdadeiro. É preciso inteligência e respeito para além das discussões filosóficas. Desculpe se te desrespeitei aqui. Pense no que eu disse e até nunca.

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  11. Só uma correção: no meu comentário afirmei que o Colin McGinn teve uma rixa com Paul Horwich. Na verdade a polêmica aconteceu com Ted Honderich!

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  13. Eu não pensei que a parte do post sobre a importância de manter a salubridade da área com críticas duras fosse irritar tanto algumas pessoas. Isso só mostra que eu tenho que escrever mais sobre isso.

    Quanto aos insultos anônimos: isso aqui é um blog para discutir filosofia e não um lugar para prostituí-la com ataques ad hominem. A filosofia não é um meio para a fofoca e rixas pessoais e quem tenta utilizá-la dessa forma não a leva sério.

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  14. Acho estranho que meu comentário seja considerado ofensivo e tenha sido apagado. Apenas segui a sugestão do próprio texto que era:

    "Se alguém pretende publicar um trabalho que não satisfaz exigências mínimas de rigor não temos outra denominação para esse trabalho que não seja a de lixo. "

    Ora, se p então q.

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    1. A diferença entre insultos baratos e críticas duras que são imperativas em contextos justificados é óbvia, mas eu ainda fez questão de explicar isso em pormenores. Simplesmente dizer que as coisas que eu estou dizendo são lixo, por puro despeito, é não entender o que eu estou dizendo e aproveitar a oportunidade para fazer xingamentos. Uma discussão séria em filosofia exige boa fé de ambas as partes e não uma atitude agressiva de querer derrubar o outro de quem discordamos.

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    2. Quais são as exigências mínimas de rigor que eu não satisfiz? Simplesmente pressupor isso sem argumentar não é falta de rigor?

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  15. "Um deles é a polêmica em torno de Alan Sokal e Jean Bricmont, que se tornaram célebres por afirmarem que autores famosos como Deleuze são impostores intelectuais por fazerem afirmações com termos científicos e acerca da ciência sem ter a menor idéia do que falavam – a Crítica tem uma ótima resenha do livro “Imposturas Intelectuais” nos quais fazem essas críticas."

    - Uma mentira reiterada não deixa de ser mentira...
    Tais imputações a Deleuze (e a outros) já foram devidamente rebatidas. As bestas céleres ("Imposturas Intelectuais") não passam disso mesmo: de bestas, ainda que céleres...

    Cf., nomeadamente, Jean-Michel Salanskis "Pour une épistémologie de la lecture", de que cito um pequeno mas significativo excerto.
    "De la sorte, toute lecture effective est esquivée : Sokal et Bricmont ne construisent pas une thèse ou un sens des textes qu'ils lisent pour soutenir que les contenus scientifiques sur lesquels reposent cette thèse ou ce sens sont inexacts ou allégués à tort (ne procurent aucun appui à cette thèse, à ce sens). Ils se contentent ou bien d'affirmer qu'il n'y a pas de sens, ou bien qu'ils ne retrouvent pas, dans le texte cité, leur compréhension usuelle d'un certains nombres de termes scientifiques.

    Je ferai observer, d'abord, que l'affirmation qu'un texte n'a pas de sens est l'affirmation théorique la plus ambitieuse et la plus difficile à étayer qui soit. Elle est du même ordre que l'affirmation qu'un énoncé n'est pas décidable dans une théorie, qui oblige à "contrôler" intellectuellement a priori les possibilités du mode démonstratif. Au moins, dans ce cas, s'appuie-t-on sur une mise en forme de l'activité démonstrative qui rend ce contrôle plausible (la définition contemporaine d'un système formel, et des règles de fabrication des démonstrations) : c'est pourquoi la preuve de Gödel, et les preuves d'indécidabilité qu'on a pu donner par la suite sont concevables et possibles. Mais établir qu'une phrase n'a pas de sens exigerait qu'on détienne une vue a priori des modes de la construction du sens, couvrant effectivement la multiplicité vertigineuse des possibilités en la matière, tenant compte de l'incidence de toutes les connivences et les partages de culture notamment. Le moins qu'on puisse dire est que personne aujourd'hui ne détient une telle vue théorique englobante, et que la plupart de ceux qui y ont réfléchi doutent qu'elle devienne jamais accessible. Je condamne donc la légèreté qu'il y a à professer dogmatiquement - et avec agacement par surcroît - que des phrases n'ont pas de sens.

    L'humanité rationnelle sait bien que ce problème du sens est immense et insurmontable. C'est ce qui justifie une déontologie de la lecture, spontanément partagée par tous ceux qui travaillent dans le domaine de l'étude des textes, ce qui est génériquement le cas des spécialistes des "sciences humaines et sociales". Cette déontologie demande, pour commencer, qu'on étudie les textes dans leur individualité, dans leur globalité et dans le contexte qui leur convient. Il est clairement contrevenu à ces trois règles dans le sottisier de Sokal et Bricmont".

    Para quem gostar de aprofundar a temática em vez de ficar pelas polémicas superficiais, do mesmo autor, v. "Philosophie des mathématiques", J Vrin, 2008.
    No "continente", também há quem saiba pensar...

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  16. O texto não é rigoroso. Vejamos por que razão:


    "Se alguém pretende publicar um trabalho que não satisfaz exigências mínimas de rigor não temos outra denominação para esse trabalho que não seja a de lixo. Usar eufemismos para não ofender as pessoas nesses casos é desonesto e prejudicial, pois a crítica dura é imperativa para mantermos a salubridade da área."


    * Deve-se chamar de lixo um texto que não satisfaz as exigências mínimas de rigor.


    "Eu não classificaria como lixo o trabalho de um aluno esforçado, mas despreparado: eu diria que o texto está ruim e sugeriria muitas correções. Mas classificaria como lixo o trabalho de um aluno que aprendeu todas as distinções conceituais relevantes, mas faz tudo mal feito por preguiça ou a submissão de um artigo de um doutor de filosofia que finge saber o que não sabe – em ambos os casos, também apontaria inúmeras correções." (Comentário 1)

    * Deve-se classificar como lixo somente o trabalho de alunos não esforçados.


    " Uma discussão séria em filosofia exige boa fé de ambas as partes e não uma atitude agressiva de querer derrubar o outro de quem discordamos." (Comentário ao comentário da Barbara)

    * Não devemos ter numa discussão filosófica séria uma atitude agressiva de querer derrubar o outro de quem discordamos.


    1. Deve-se chamar de lixo um texto que não satisfaz as exigências mínimas de rigor.
    2. Deve-se classificar como lixo somente o trabalho de alunos não esforçados.
    3. Não devemos ter numa discussão filosófica séria uma atitude agressiva de querer derrubar o outro de quem discordamos.


    Há uma inconsistência entre 1, 2 e 3 pelo seguinte:
    Não há como medir o esforço de quem publica, como criticou a Elba, exceto em alguns casos.
    Se não é o caso de ter uma atitude agressiva (3), por que a um aluno esforçado você não chama o trabalho de lixo (2) e, por outro lado, o de um não esforçado o chama? Se o caso não é pessoal, mas apenas a qualidade do texto está em questão, não há por que chamar de lixo o de um e o do outro não, a não ser que queira punir, envergonhar o não esforçado de alguma forma. Caso contrário, por que essa distinção, se o que importa é o conteúdo textual, que no caso, é um lixo (1)?
    Se é não é para ofender, para que chamar de lixo o trabalho de alguém que não é esforçado e o de outro que é não chamar? Desconsiderando-se as pessoas envolvidas, não é o caso de se avaliar somente o texto?

    E o pior: se é uma crítica à agressividade em discussões filosóficas, pelo que foi dito acima, parece o caso propriamente de uma forma de agressividade: chamar o trabalho alheio de lixo, ao invés de criticar seu conteúdo, apontando as falhas etc. Portanto, o texto peca em mostrar um comportamento a que ele mesmo critica.

    Logo, como a Barbara disse, o seu próprio texto é um lixo, pois é inconsistente, além de conter disfarçadamente um teor ofensivo, que é justamente contra o que ele se posiciona.

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  17. Não li todos os comentários, mas pelo que pude perceber a questão está na palavra "Lixo". Mas esse problema resolve-se bem: em vez de classificar um trabalho como "lixo" atribui-se uma classificação de Zero que é exactamente a mesma coisa, com o mesmo sentido, o mesmo significado. É uma perda de tempo discutir se "lixo" ofende ou não ofende já que parece certo que ofende em determinados contextos e não noutros. O livro de McGinn foi traduzido em português para "Não me f**** o juízo" omitindo na capa a palavra por se considerar ofensiva em Portugal, mas no original "mindfucking" parece não ser por aí além ofensivo. Do meu ponto de vista é uma opção pateta, pois dizer "f****" ou "fodas" é exactamente o mesmo e vale moralmente o mesmo. Em países como Portugal não é nada ofensivo publicar lixo disfarçado e tal vale até umas palmadinhas nas costas, mas é ofensivo se alguém ou uma instituição o declarasse como lixo. Invariavelmente com isso apenas se ganhavam uns inimigos e gritaria que, como referi, mais não é do que pura perda de tempo.
    Peço desculpa por não ter lido todo o conteúdo dos comentários, pois posso estar a desviar a questão.

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  18. Helena,
    Você se dispõe a argumentar que um texto não é rigoroso usando comentários do autor que não estão no texto? Isso me parece mau e não é rigoroso. Outra coisa, há muita hipocrisia nessa atitude de brigar pelo uso da palavra lixo ou não. Nesse ponto concordo com o que o Rolando disse acima: esse termo e outros como 0 dizem a mesma coisa. No entanto, as pessoas ficam ofendidas com um e nem tanto com outro. Alias a disputa pela palavra e qual termo devemos usar nem era o objetivo principal do texto. O ponto é que temos de ser rigorosos com textos ruins.

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  19. Aposto que foi um macho beta que fez este texto!

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  20. Aposto que foi um macho beta que fez este texto!

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