18 de março de 2013

Putnam: valores, factos e linguagem

http://www.prospectmagazine.co.uk/blog/philosophy/hilary-putnam-philosophy-in-the-age-of-science-kant-wittgenstein/

There is nothing inherent in symbols (like words) which gives them content.  An ant running in the sand could randomly trace out the sentence "I'm half sick of shadows" regardless of humans ever existing. Any content in those symbols, even symbols which are contextually dependent on a speaker's intentions, derives from a very complex network of information, metaphor, and history entirely external from our mental states.

(via Instapaper)

1 comentário:

  1. Considere-se o padrão abstracto exemplificado nos três seguintes casos:

    a) um italiano dos nossos dias escreve na areia "i vitelli dei romani sono belli".
    b) um falante de latim clássico escreve na areia "i vitelli dei romani sono belli"
    c) a formiga a correr na areia produz acidentalmente o padrão "i vitelli dei romani sono belli" (estipule-se que no mundo em que isto ocorre não há sequer italiano nem latim).

    Parece claro que em a) e b) temos duas frases completamente diferentes, pois no primeiro caso significa "os vitelos dos romanos são belos" e no segundo "ide Vitélio, os deuses de Roma chamam à guerra" e em c) não temos sequer uma frase.

    Uma frase é uma entidade funcional (mais exactamente um artefacto) e aquilo que a faz ser a entidade funcional particular que é ultrapassa as propriedades do padrão abstracto exemplificado em cada ocorrência descrita nas alíneas anteriores.

    Podíamos talvez usar isto como base para um argumento contra diversas formas de platonismo, como o platonismo acerca de obras musicais:

    Dado que uma obra musical é uma entidade funcional, as propriedades que a fazem ser a entidade funcional particular que é ultrapassam as propriedades do padrão sonoro abstracto que as suas execuções correctas exemplifcam. Em particular, as propriedades relevantes dizem respeito ao modo como essa estrutura sonora se relaciona com a intencionalidade coordenada dos seres humanos que contam certos eventos sonoros (os que exemplificam a dita estrutura) como execuções bona fide de algo a que chamamos "a obra musical x".

    Resumindo: seja o que for que uma obra musical é, não pode ser *identificada* com uma entidade platónica (uma estrutura sonora abstracta) pois as propriedades que a fazem ser o tipo particular de entidade funcional que é têm de ser incluídas na definição de "obra musical". Isto seria verdade independentemente de aceitarmos abstracta na nossa ontologia, ou de reinterpretarmos de modo nominalista a referência a coisas como estruturas sonoras.

    Se tudo isto está correcto, podíamos talvez inferir que o funcionalismo estético como teoria geral do que é ser uma obra de arte é incompatível com a identificação das obras de arte com estruturas abstractas, *independentemente* de qual a nossa resposta preferida para o problema dos universais em metafísica geral.

    Alguém tem uma boa resposta a isto a favor do platonista? Será que, p.ex., a abordagem de Wolterstorff, para quem a estrutura sonora só se torna uma *obra* quando é *seleccionada* ou *indicada* por um compositor (que assim "torna sua" a dita estrutura sonora) consegue contornar a objecção que esbocei aqui?

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