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Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2013

Joseph Carroll

As vantagens profissionais da doutrina pós-estruturalista deveriam ser óbvias. Permite que os professores de literatura adoptem uma postura crítica pré-fabricada que de nenhum modo depende da validade empírica das suas descobertas. Ao ligar a afirmação de uma forma superior de perspicácia, que transcende a razão, com a afirmação de uma autoridade moral superior, o pós-estruturalismo concede aos seus aderentes o tipo de autoridade apropriada a uma classe sacerdotal. Os iniciados nesta ordem doutrinal têm de fazer votos de pobreza intelectual. Renunciam necessariamente ao conhecimento positivo, objectivo. Mas em compensação ocupam automaticamente uma perspectiva crítica que é sempre desde logo superior às descobertas objectivas da ciência e que é sempre desde logo moralmente superior à ordem social em que eles mesmos participam.

O problema da indução

Mais uma entrevista da série NO JARDIM DA FILOSOFIA, com António Zilhão (Universidade de Lisboa) sobre o problema da indução.

A lógica que se ensina

Eis mais uma entrevista da série NO JARDIM DA FILOSOFIA. Vale muito a pena ouvir o que Ricardo Santos, professor de lógica (e de Filosofia Antiga) da Universidade de Évora, tem a dizer sobre o assunto.

A. C. Grayling no Jardim da Filosofia

NO JARDIM DA FILOSOFIA é uma série de curtas entrevistas sobre tópicos filosóficos, com carácter elementar e introdutório. Os entrevistados são principalmente filósofos ou estudiosos das áreas sobre as quais são entrevistados. As entrevistas são realizadas por Aires Almeida, que conta com o apoio da Didáctica Editora. Novas entrevistas estão previstas e todas se destinam a ser publicadas neste canal do YouTube, de modo a que o seu acesso seja completamente livre.
Esta é a primeira das entrevistas, com o filósofo britânico A. C. Grayling. Há outras. E seguir-se-ão mais.

Estudos mostram que...

Nesta ótima crônica, Gary Gutting argumenta que a maior parte dos anúncios de descobertas científicas resulta de jornalismo mal feito, que publica como o que há de mais inovador na ciência o que muitas vezes são apenas estudos preliminares com poucas correlações.

O que é a arte?

Já começa a chegar às livrarias o ensaio filosófico O Que é a Arte?, de Lev Tolstói. Trata-se do mais recente número da colecção Filosofia Aberta (Gradiva), com tradução directa do russo por Ekaterina Kucheruk. A revisão científica é minha e também a introdução à tradução portuguesa.
Que eu saiba, este ensaio é uma das primeiras tentativas de definir a arte. A ideia de que a arte é expressão de sentimentos não é uma inovação de Tolstói, mas foi ele quem procurou, pela primeira vez, definir a arte com base nessa ideia. Mas não é só a definição da arte que está em causa neste ensaio; é também o problema do valor e da avaliação da arte. É um livro, em muitos aspectos, tão desconcertante  (pelo que diz sobre Wagner, Beethoven, Baudelaire, Nietzsche e até sobre os seus próprios romances) quanto estimulante. Ainda hoje.





Educação, ineficiência e lavagem ao cérebro

O nosso leitor Paulo Santos teve a gentileza de responder a um breve comentário meu sobre o vídeo que o Luiz divulgou aqui, e a sua contribuição é preciosa. Contudo, o meu pensamento não é o que poderia parecer, dada a brevidade do meu comentário. Urge, pois, explicar um pouco melhor o que penso.
Para começar, não penso de modo algum que a escola serve apenas para formar taxistas ou banqueiros; pelo contrário, serve para formar seja o que for que as pessoas querem ser: pintores, filósofos, poetas, etc. Seria até estranho que eu, que sou professor de filosofia, fosse como aquelas pessoas muito provincianas que pensam que no mundo só há pessoas como elas: engenheiros, médicos, advogados e empresários. Felizmente, no mundo há muitas profissões, desde pintor abstracto a actor de teatro, passando por filósofo e cozinheiro, cientista e cineasta.
Ora, o problema é precisamente este: diferentes pessoas querem aprender diferentes coisas, querem ter diferentes competências porque têm diferen…

Entrevista a Robert Stalnaker

Robert Stalnaker is the grandmaster flash of contemporary metaphysicals. He thinks that a language-first approach to philosophy is ludicrous, Paul Grice an inspiration and Saul Kripke very important to his early thinking. He broods on issues about internalist and externalist doctrines and approaches, on our knowledge of the external world, about the nature of phenomenal knowedge, about the view from nowhere, the opacity of transparency, contextualism, relativism, possible worlds, the entanglement of semantics with metaphysics, haecceitism and the beauty of metaphysical theories, amongst other things. He is currently on a phased retirement at MIT and becoming a Visiting Professor at Columbia. He is simply a modern daddy of the mac!Chillin’!http://www.3ammagazine.com/3am/the-possible-worlds-hedgehog/

A educação que todos queríamos!

Eis um documentário sobre um dos melhores, senão o melhor, sistemas educacionais do mundo -- o sistema Finlandês. 

Especialistas em lógica

Um dos sinais inequívocos da confusão mental e académica em que muitas pessoas estão mergulhadas diz respeito a conhecimentos elementares de lógica. Imagine-se o que seria alguém argumentar que para saber o que é um verbo é preciso ser especialista em linguística. Isto trai não apenas um desconhecimento curioso do que faz um especialista em linguística (que está muito além de saber o que é um verbo), mas também uma concepção algo exótica do que se espera que sejam as competências básicas de um académico de qualquer área.
Ora, quando se fala de argumento, premissa, conclusão, validade ou proposição, argumenta-se por vezes que é preciso ser especialista em lógica para dominar estes conceitos. Isto é uma tolice. Estes são não apenas conceitos elementares que qualquer estudante de filosofia deveria dominar para ser minimamente competente, como ainda por cima é algo que qualquer pessoa que não tenha sofrido uma lobotomia profunda pode entender numa tarde de estudo tranquilo, nos intervalo…

Kripke sobre o naturalismo

I don’t have the prejudices many have today, I don’t believe in a naturalist world view. I don’t base my thinking on prejudices or a world view and do not believe in materialism. Kripke in an interview with Andreas Saugstad 

Seminário Internacional de Pensamento Crítico na Educação

Clicar na Imagem para melhor visualização. mais informações AQUI

Aposta Holandesa

Nas discussões filosóficas sobre probabilidades encontramos o famoso argumento da aposta holandesa (dutch book argument) a favor da ideia de que os graus de crença que atribuímos a um conjunto de proposições não devem violar os axiomas da probabilidade (ou axiomas de Kolmogorov, como também são chamados). A estratégia básica é mostrar que se violarmos esses axiomas, consequências ruins podem surgir. No caso da aposta holandesa, se o apostador fizer um conjunto de apostas (presumindo que há alguma conexão entre graus de crença e disposição para apostar) que violem os axiomas da probabilidade, ele certamente perderá dinheiro. Por exemplo, se eu apostar R$ 600 para ganhar R$ 1000 que amanhã vai chover, e também fizer a mesma aposta de que amanhã não vai chover, terei gastado R$ 1200 para ganhar apenas R$ 1000. De qualquer maneira perco R$ 200. Isso aconteceu porque atribuí 0,6 à  minha crença de que amanhã vai chover e também 0,6 à minha crença de que não vai chover amanhã. Somados os gr…

Ensino da filosofia e avaliação

Estarei em Porto Alegre, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos próximos dias 26 e 27 de Abril, para dar uma palestra e uma aula. A palestra do dia 26 tem por título "Avaliação em Filosofia: Conteúdos e Competências" e tem como destinatários alunos da licenciatura em filosofia. A aula do dia seguinte integra o curso de formação continuada para professores de filosofia do estado de Rio Grande do Sul, promovido por aquela universidade, e será uma aplicação prática das ideias apresentadas na véspera. Mais informações...
"Tome-se, por exemplo, a afirmação de Keats: "A beleza é verdade, a verdade beleza". Este é um exemplo interessante da separação entre a beleza e a verdade (e portanto entre a estética e a semântica), embora a frase negue que isso seja possível. A frase é claramente falsa embora seja bela. Pelo que é um exemplo da sua própria falsidade!" Nick Zangwill, "Aesthetics and Art"

Pesquisa em ensino da filosofia e em filosofia da educação, em Ouro Preto

É já daqui a oito dias que começa, na Universidade Federal de Ouro Preto (Brasil) o Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Filosofa e Filosofia da Educação  — ENPFFE 2013 —, no qual participarei com um minicurso sobre a avaliação das aprendizagens em filosofia. 
O ENPEFFE é organizado pelo Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto
Os objectivos do  ENPEFFE  são, como se pode ler na página oficial, «a promoção, a pesquisa e a reflexão sobre Ensino de Filosofia e Filosofia da Educação. De maneira mais específica, seus objetivos são: (i) cultivar o diálogo entre professores e estudantes das diversas Instituições de Ensino Superior no país que pesquisam nas áreas de Ensino de Filosofia e Filosofia da Educação; (ii) criar um espaço institucional e inter-acadêmico para a apresentarão das pesquisas dos alunos de Licenciatura da Universidade Federal de Ouro Preto e de outras instituições de Ensino Superior no país; (iii) promover a pesquisa e a reflexão sobre o Ensino …