20 de abril de 2013

A educação que todos queríamos!

Eis um documentário sobre um dos melhores, senão o melhor, sistemas educacionais do mundo -- o sistema Finlandês. 


6 comentários:

  1. Não tive paciência para ver o documentário até ao fim, pois acontece com este documentário como com acontece com tudo o que li sobre o suposto milagre educativo: é tudo mentira. Isto porque 1) nunca dizem exactamente como se decidiu que os exames PISA realmente medem o que se quer na educação, 2) pressupõem que toda a gente quer o mesmo na educação, 3) nunca mostram realmente quais serão afinal os factores que tornam a educação finlandesa boa, 4) esquecem-se sempre que o que pode funcionar muito bem num país pode nunca funcionar noutro devido muitíssimos factores que ninguém domina adequadamente.

    Portanto, a minha posição é esta:

    1) Nunca se explica por que razão o sistema é assim tão bom: as pessoas limitam-se a pressupor que o que os exames PISA medem é o que vale a pena medir e que se alguém faz um bom exame PISA é realmente um bom aluno. Isto tudo é mentira, muito provavelmente, pois é como declarar que um aluno A é melhor do que um B porque fez um exame parvo que avalia exclusivamente competências que são completamente irrelevantes para tudo excepto para fazer aquele mesmo exame em particular.

    2) Mesmo admitindo que talvez o sistema educativo finlandês é realmente bom, e mesmo que se soubesse por que razão é bom (coisa que não acontece), seria uma imensa tolice pensar que copiar o sistema para outros países teria exactamente o mesmo resultado.

    Em conclusão: estou ainda à espera de ler algo inteligente e iluminante sobre o suposto milagre educativo finlandês.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Concordo com (1) e (2). Quanto a (3), talvez um fator relevante seja o incentivo à investigação e não meramente à repetição de resultados já estabelecidos. Às tantas no documentário, aparece um turma tendo uma aula sobre o teorema de Pitágoras, e sendo incentivada a descobrir o teorema e não meramente a aplicá-lo mecanicamente. Quanto a (4), supondo que o modelo finlandês seja realmente bom, o que temos de fazer é adaptá-lo, e não copiá-lo. Afinal, é para isso que os modelos servem

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  2. Aqui há umas semanas encontrei uma série interessante no youtube com uns 10 episódios, cada um sobre o sistema educativo de cada país, desde a China, Chile, Brasil, Finlândia, entre outros... Não tive tempo de os ver a não ser o finlandês. Na verdade creio ter ali visto alguns factores que explicam que o sistema educativo finlandês funciona para os finlandeses. Em todo o documentário (que penso ser diferente do aqui postado pelo Luís) destacam-se 2 factores que explicam o sucesso. O 1º é a exigência de preparação científica dos professores. Um agente educativo finlandês chega a afirmar que se exige que um professor na finlândia tem obrigatoriamente de ser muito mais culto que a generalidade da população. Desde os anos 70 que começaram a exigir mestrado para se ser professor. E notaram que os professores nem são das classes mais bem pagas na Finlândia, mas devido à exigência de preparação que lhes é pedida gozam de um estatuto social elevado. Ora, em países como Portugal qualquer tolo pode estar numa escola a ensinar. O 2º factor mencionado é social, já que na Finlândia não há assimetrias sociais muito evidentes. Não é assim de estranhar, penso, que os alunos finlandeses quando sujeitos a testes que medem raciocínio matemático, capacidade de leitura e interpretação acabem por se destacar. Ao que vi nesse documentário o segredo do milagres consiste basicamente em ter um ensino muito concentrado no saber dos professores. É uma explicação ainda assim que me parece vaga, mas que avança qualquer coisa de substancial. Há uns meses vi um documentário sobre o sistema educativo da Coreia do Sul que representa um milagre ainda maior que o finlandês, segundo o critério PISA. Os sul Coreanos gabam-se dos testes PISA serem alterados em virtude dos seus alunos terem bons resultados e que ainda assim eles continuaram a apresentar bons resultados. O caso do sul da Coreia que se destacava no filme é retratado como uma espécie de histeria da moda para o sucesso educativo. os miúdos vivem numa espécie de campo de concentração educativo. Os centros de explicação nos centros urbanos obtêm lucros astronómicos. Quanto à questão que o Desidério coloca. Sinceramente desconheço os testes aplicados (por acaso nunca me lembrei de procurar isso na net) mas segundo sei, testam capacidades mínimas como raciocínio, literacia entre outros. Não me parece, à partida, mal. O que por vezes me parece completamente descabida é a interpretação que se faz desses resultados.

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    1. O que li coincide com o que dizes: preparação superior dos professores finlandeses. Mas deixa-nos na mesma, porque então é preciso saber como conseguiram eles uma boa preparação. Não basta dizer que têm mestrado, é preciso que esse mestrado tenha qualidade.

      Mas o pior vem depois. Imaginemos que isolamos o que explica o milagre e que o conseguimos adaptar. É estúpido fazer isto sem nos perguntarmos se as competências avaliadas pelo PISA têm a mínima relevância. E eu aposto que não têm. Tudo o que o PISA testa é a capacidade para fazer coisas que nada, rigorosamente nada, têm a ver com a vida real da maior parte das pessoas. Por outras palavras, aposto que o PISA esta competências que só são relevantes... na escola! Mas que são irrelevantes para ser taxista, analista de software, empregado bancário, etc., que são as profissões da maior parte das pessoas.

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  3. “Mas o pior vem depois. Imaginemos que isolamos o que explica o milagre e que o conseguimos adaptar. É estúpido fazer isto sem nos perguntarmos se as competências avaliadas pelo PISA têm a mínima relevância. E eu aposto que não têm. Tudo o que o PISA testa é a capacidade para fazer coisas que nada, rigorosamente nada, tem a ver com a vida real da maior parte das pessoas. Por outras palavras, aposto que o PISA esta competências que só são relevantes... na escola! Mas que são irrelevantes para ser taxista, analista de software, empregado bancário, etc., que são as profissões da maior parte das pessoas.”

    O cerne do argumento do Desidério centra-se naquilo que em termos de avaliação, seja ela educacional, social, psicológica ou de outra natureza, se designa por validade. Serão os exames do PISA válidos? Isto é, avaliam de facto aquilo que desejámos que efetivamente avaliem? Existem diversos tipos de validade e o assunto reveste-se de alguma complexidade, embora possa ser estudado, até certo nível, por uma parte significativa das pessoas.
    O que discordo completamente do Desidério é que pretende fazer depender a validade dos testes do PISA da sua relação com competências que as pessoas devem que possuir para desempenharem as suas profissões. Isto é levar ao extremo o utilitarismo ao nível da educação. Apenas as competências que tenham uma relação direta com o mercado de trabalho é que merecem ser desenvolvidas na escola e ser objeto de avaliação. Isto é a capitulação completa das finalidades da escola aos desígnios da economia.
    E no seu caso, que é filósofo, a dúvida é ainda mais pertinente. Pergunto-me a razão pela qual um encarregado de obras da construção civil deveria dominar as subtilezas do imperativo categórico de Kant de forma a potenciar o seu desempenho profissional…

    P.S. Se desejar aprofundar um pouco mais as questões relacionadas com a validade ao nível da avaliação nas ciências sociais, que englobam a educação, sugiro-lhe a leitura de dois pequenos artigos sobre esta matéria:

    Carmines, E. G., & Woods, J. A. (2005). Validity assessment. Encyclopedia of Social Measurement, Volume 3, pp. 933-937. Elsevier.
    McDonald, M. P. (2005). Validity, Data Sources. Encyclopedia of Social Measurement, Volume 3, pp. 939-948. Elsevier.


    Paulo Santos

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