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Especialistas em lógica

Um dos sinais inequívocos da confusão mental e académica em que muitas pessoas estão mergulhadas diz respeito a conhecimentos elementares de lógica. Imagine-se o que seria alguém argumentar que para saber o que é um verbo é preciso ser especialista em linguística. Isto trai não apenas um desconhecimento curioso do que faz um especialista em linguística (que está muito além de saber o que é um verbo), mas também uma concepção algo exótica do que se espera que sejam as competências básicas de um académico de qualquer área.

Ora, quando se fala de argumento, premissa, conclusão, validade ou proposição, argumenta-se por vezes que é preciso ser especialista em lógica para dominar estes conceitos. Isto é uma tolice. Estes são não apenas conceitos elementares que qualquer estudante de filosofia deveria dominar para ser minimamente competente, como ainda por cima é algo que qualquer pessoa que não tenha sofrido uma lobotomia profunda pode entender numa tarde de estudo tranquilo, nos intervalos do jogo de futebol e de mais uma fotografia enviada para o Facebook.

Era bom parar de usar argumentos ridículos para ocultar incompetências elementares, permitindo assim a continuação desse aflitivo desporto que consiste em simular competências académicas profundas que na verdade não temos. Incompetências todos temos, mas ficaremos todos melhor, e o ambiente mais desanuviado e honesto, se pararmos de simular competências académicas que não temos, passando ao invés a fazer um trabalho modesto, mas honesto.

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