24 de julho de 2013

Consciência, o mais importante das nossas vidas — John Searle

Nesta palestra John Searle fala sobre a consciência humana por ser, segundo o que defende, o aspecto mais importante das nossas vidas, pois estarmos conscientes é uma condição necessária para que qualquer coisa seja importante. E exemplifica afirmando que nenhuma produção ou conhecimento humano nos interessa se formos um zombie ou se estivermos em coma.

No decurso da palestra apresenta uma definição para este termo e uma resolução do problema mente-corpo, para além de refutar alguns dogmas (da religião, do materialismo, do behaviourismo, etc.) sobre este assunto.



A sua definição de consciência estará correcta? E a resolução do problema mente-corpo? E as suas refutações colhem? O que pensa o leitor?

2 comentários:

  1. Costumo apreciar bastante estas conferências, mas quando o assunto abordado é algo tão vasto e complexo como a consciência, não se pode esperar que 18 min. sejam suficientemente conclusivos :D

    Opto por levantar aqui apenas uma questão (para ser sucinto) quanto à "common-sense definition" que Searle aqui dá:

    1 - Ao caracterizar a consciência como um conjunto de sentimentos, sensações, etc., não fica claro se é a percepção destes ou seu fundamento (leia-se causa) que explica a existência do estado consciente. Se for pela percepção, então temos que os sentimentos e as sensações estão ao mesmo nível de uma pedra, porque todos valem aqui na qualidade de objectos ou fenómenos, ou seja, é o facto de os percepcionarmos que nos identifica como seres conscientes. Se for pelo fundamento, então constatamos que a consciência é identificável pela presença de uma vontade, que motiva tais fenómenos, tal como Searle demonstrou quando levantou o braço. No entanto, esta hipótese do fundamento falha quando se prolonga para explicar os sentimentos e as sensações que Searle inclui na definição de consciência, uma vez que não as controlamos totalmente (o medo é um exemplo de um sentimento; o sabor amargo é um exemplo de uma sensação – são ambos incontroláveis nas condições certas). Assim, admitindo que é a percepção que explica a consciência, temos que todos os animais (no mínimo) são conscientes, pois são capazes de adquirir e processar informações sensoriais de vários tipos – definição de percepção.
    Sabendo que, obviamente, nem todos os animais são conscientes (pelos menos, ao nível da consciência humana, se é que se pode falar em nível de consciência…) como definimos então o que é a “consciência”? Fica, novamente, a questão ;)

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  2. O intrépido Searle, à imagem do que tem feito com outras temáticas (relembre-se desde logo a da "intencionalidade", por ser conexa com a presente),lança-se sobre a da "consciência" como se não houvesse... um ontem.
    Parece muitas vezes imbuído de uma espécie de "euforia inaugural", que, se tem o mérito de revelar uma genuína inquietude filosófica (que o preserva da atitude "ruminante" do comentador), o faz também debater-se, ingenuamente, em questões que um conhecimento mais cuidado da tradição metafísica (e da sua crítica) lhe pouparia algumas "escorregadelas".

    Não quero aqui invocar a velha e relha divisão entre "filosofia continental" e "analítica". Até porque, justamente, o que acontece é que, à imagem do que acontece com muitos outros filósofos ditos "analíticos", Searle está constantemente a "repisar" ou a "tropeçar" - sem disso dar nota - em questões, debates, impasses ou aporias que se reconhecem na tradição filosófica.

    Nada de grave, pois...

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