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Rebater um argumento por 20 mil dólares


Eis o argumento:

“A moral e os valores dependem da existência de mentes conscientes — e especificamente do facto dessas mentes poderem experimentar várias formas de bem-estar e de sofrimento neste universo. 

Mentes conscientes e os seus estados são fenómenos naturais, totalmente delimitados pelas leis do universo (sejam elas o que vierem a ser). 

Portanto, as questões de moral e dos valores devem ter respostas certas e erradas no âmbito da ciência (em princípio, se não na prática). 

Consequentemente, alguns povos e culturas estarão certos (em maior ou menor grau), e alguns estarão errados, no que diz respeito ao que consideram ser importante na vida.”

Este argumento é apresentado por Sam Harris no seu livro "The Moral Landscape" e aqui é lançado o desafio para que o rebatam.

A melhor resposta será publicada e receberá um prémio de 2 mil dólares e quem o convencer que está errado, receberá um prémio de 20 mil dólares.

E o nosso leitor, aceita o desafio?

Comentários

  1. Ao informar, como premissa, que a moral e os valores são dependentes da consciência o autor quis dizer que é condição necessária para aqueles existirem o fato de existir mentes conscientes. Entretanto, ele não analisa se essa condição é suficiente e passa para a premissa terceira de uma maneira imprudente, admitindo essa suficiência. Caso exista outro elemento que contribua de maneira relevante para a moral e os valores, além da consciência, e que não foi ainda motivo de reflexão nem da filosofia nem da ciência, seu argumento irá perder a força, pois poderá existir nesse elemento obscuro algo de que a ciência não dê conta.

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  2. Estou vendo mal ou o argumento é inválido mesmo? rsrsrs

    Mesmo aceitando (1) e (2), (3) não se segue... Mesmo que (1) a existência dos valores implique a existência de mentes conscientes, e mesmo que (2) o mental seja reduzido ao físico, não se segue que o utilitarismo de preferências é correto e o utilitarismo hedonista é errado. Como isso não é uma questão científica, mas sim filosófica, então (3) não se segue disso...

    Na verdade, de (1) e (2) nem se segue que existam verdades morais, de todo em todo... Só se segue que SE elas existem, então mentes conscientes existem também...

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  3. A primeira premissa é pouco segura.
    Se agora mesmo e "num piscar de olhos" um cataclismo eliminasse a humanidade e com ela (por hipótese) todas as mentes conscientes do Universo julgo que ainda assim esse acontecimento seria um mal. Ou seja, o Bem e o Mal não dependem de mentes conscientes.

    E mesmo aceitando a segunda premissa a terceira (uma conclusão intermédia) depende de um pressuposto duvidoso. A de que a ciência, mesmo em teoria, é capaz de dar respostas "certas ou erradas" a todos os fenómenos naturais. Mas se não aceitarmos este pressuposto (premissa escondida) a conclusão do argumento é um non sequitor.

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  4. Mesmo que aceitemos como válidos os três primeiros parágrafos, nada nos permite concluir que a resposta para o que é importante na vida seja única. Na falta de unicidade (no sentido matemático do termo), não se pode excluir a hipótese de que todas as culturas tendem a construir soluções satisfatórias -- não trivialmente equivalentes -- a essa questão.

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  5. Existem alguns problemas sérios com o argumento. Em primeiro lugar podemos imaginar uma infinidade de sistemas morais possiveis, pelo que na prática, não podemos analisar as infinitas hipoteses, e fazer corresponder a um sistema moral o atributo de "o sistema correcto". Depois existe o problema de atraves das leis matemáticas da ciência conseguir obter resultados em termos de felicidade. Isto até poderá ser possivel no futuro mas para já mantem-se a dúvida. Ou seja, atraves da análise objectiva do cerebro humano, conseguir medir a felicidade subjectiva de uma pessoa durante a sua vida. O caos determinista também poderá dificultar a vida à tentativa de simular a performance dos diferentes sistemas morais... Por fim gostaria também de salientar que um sistema moral unico para uma sociedade (apesar de ser o correcto segundo Sam Harris) , não obtem os mesmos resultados em termos de felicidade para todos os individuos, porque existem diferenças geneticas à partida. Também o facto de existirem diferentes ambientes ecologicos em diferentes partes do mundo, faz com que não existam sistemas morais perfeitos para todas as sociedades. Diferentes sistemas morais adequam-se melhor a diferentes condições ecologicas, tornando inviavel a pretensão da Universalidade do Sistema Moral que se procura!

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