Avançar para o conteúdo principal

A importância do casamento


Por que o casamento é importante? Para o filósofo conservador Roger Scruton, ele é importante, dentre outras coisas, porque é a instituição por meio da qual o capital social é transmitido às gerações futuras. No entanto, defende o filósofo, ele só pode ser bem sucedido se for um sacramento envolvendo um homem e uma mulher, e não apenas um contrato entre as partes. Scruton também argumenta que outros arranjos, como a união entre pessoas do mesmo sexo, não satisfazem as exigências de um casamento genuíno e não devem ser considerados como tal. Além de discutir o casamento, o filósofo também defende uma concepção particular de desejo sexual. Para ele, o desejo livre de perversões é o desejo por uma pessoa, vista como um fim em si mesmo, e não por seu corpo.

O ensaio compõe o livro A Political Philosophy, lançado em 2006. A tradução é de Aluízio Couto e a revisão é de Nayara Tozei. 

Comentários

  1. O texto defende a concepção de amor como:
    “O desejo sexual não é um desejo por sensações. É o desejo por uma pessoa, e com isso quero dizer pessoa, não o corpo dele ou dela concebido como um objeto no mundo físico, mas a pessoa concebida como sujeito encarnado, em cuja vida a luz da autoconsciência brilha e que me encara com os olhos nos meus olhos, de um eu para outro eu. O verdadeiro desejo é também um tipo de pedido: ele demanda reciprocidade, mutualidade e entrega conjunta. Ele é, portanto, comprometedor, mas também intimidador. Nenhuma busca por uma mera sensação poderia comprometer ou intimidar dessa forma.”
    Traz um grande problema, quem pode afirmar que aquela pessoa que tomo como meu objeto de sentimento, meu objetivo, minha intenção, irá se mantiver tal como é? Afinal não é de se estranhar uma pessoa mudar devido as suas vivências e experiências de tal modo a deixar de ser aquela por quem eu nutria o amor, ou então eu mudar de tal modo a não nutrir amor pela pessoa que anteriormente era o alvo de meu amor. Resumindo: não sei se eu e a minha amada somos constantes ou não nas características que nos fazem sermos amantes, e não tenho motivos para assumir que o amor seja ou não constante ou eterno.

    ResponderEliminar
  2. Respostas
    1. Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais ­que se movem rente ao chão". Criou Deus o homem à sua imagem,
      à imagem de Deus o criou;
      homem e mulher os criou. Deus os abençoou e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra".
      Gênesis 1:26-28

      Eliminar
  3. Se um dos aspectos mais importantes do casamento é a transmissão de capital social às gerações futuras, o que impede que um casal de pessoas do mesmo sexo transmitam capital social a seus descendentes? Uma criança criada pelos avós, criadas por uma mãe ou pai solteiro ou viúvo, não vai receber capital social?

    Ai, gente, não acredito que em pleno ano de 2015 há pessoas que tentam justificar comportamentos e instituições com base em uma narrativa mitológica feita para explicar o mundo para um povo simples, rudimentar e nômade que vivia num deserto há mais de 2 mil anos? Jura que vocês estão tomando literalmente um texto que perdurou apenas oralmente por séculos?

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

O filósofo preferido dos filósofos

É curioso ouvir o podcast que, para marcar o lançamento do segundo livro de Philosophy Bites, da responsabilidade de David Edmonds e Nigel Warburton, eles disponibilizaram sobre o filósofo favorito de muitos dos filósofos e filósofas que entrevistaram. 
São quase 70 filósofos e filósofas das mais variadas áreas e tendências filosóficas que se pronunciam sobre o seu filósofo favorito, justificando brevemente a sua escolha. É certo que a maior parte dos filósofos são de língua inglesa, mas também os há, embora poucos, de língua francesa. Mesmo entre os filósofos de língua inglesa, muitos não são filósofos analíticos. Confesso que não conheço muitos deles, mas há outros que talvez sejam conhecidos dos leitores, como Ronald Dworkin (que referiu Kant), David Chalmers (Carnap), Kit Fine (Aristóteles), Michael Sandel (Hegel), Peter Singer (Henry Sidgwick), Michael Dummett (Frege), Tim Crane (Descartes), Susan Wolf (Aristóteles), Stephen Neale (Russell), Noël Carroll (Aristóteles), Brian Lei…

O que é uma análise?

Há duas maneiras de entender uma análise, o que pode parecer surpreendente. Deparei-me recentemente com este aspecto ao trabalhar na segunda edição do Dicionário Escolar de Filosofia.

Podemos entender uma análise de um dado conceito como uma apresentação de outros conceitos mais básicos que captem inteiramente o primeiro. O exemplo típico é algo como a análise do conceito de virgem como pessoa que nunca teve relações sexuais. Esta é a concepção fraca de análise. Na concepção forte, o que resulta da análise, para ser realmente uma boa análise, terá de ser uma frase analítica. Realmente, “Uma pessoa virgem é uma pessoa que nunca teve relações sexuais” é uma frase analítica. As tentativas de análise filosófica são tipicamente vistas como tentativas de análise no sentido forte: se fosse realmente verdade que o conhecimento é crença verdadeira justificada, essa afirmação seria analiticamente verdadeira.

Isto colide com a ideia de que não só a filosofia, mas também as ciências como a física o…