24 de julho de 2013

Morreu Fred Dretske (1932-2013)


Fred Dretske era professor da Duke University e um dos mais importantes filósofos contemporâneos nas áreas da epistemologia e da filosofia da mente. O seu mais recente livro, Perception, Knowledge and Belief, foi publicado em 2000, quando ainda ensinava na Stanford University. 
Apesar de não ser tão estudado e discutido entre nós como merecia, os contributos deste filosófo americano para a epistemologia (mas não só) são da maior relevância, tendo sido distinguido com o prestigiado Prix Jean Nicod (França) em 1994.
Para quem quiser ver um pouco de Dretske em acção, aqui pode ser vista uma palestra sua, intitulada «What We See», proferida no âmbito das Howison Lectures in Philosophy, da Universidade de Berkeley (com uma curta intervenção de Searle no fim, no período de discussão).  

Consciência, o mais importante das nossas vidas — John Searle

Nesta palestra John Searle fala sobre a consciência humana por ser, segundo o que defende, o aspecto mais importante das nossas vidas, pois estarmos conscientes é uma condição necessária para que qualquer coisa seja importante. E exemplifica afirmando que nenhuma produção ou conhecimento humano nos interessa se formos um zombie ou se estivermos em coma.

No decurso da palestra apresenta uma definição para este termo e uma resolução do problema mente-corpo, para além de refutar alguns dogmas (da religião, do materialismo, do behaviourismo, etc.) sobre este assunto.



A sua definição de consciência estará correcta? E a resolução do problema mente-corpo? E as suas refutações colhem? O que pensa o leitor?

13 de julho de 2013

No dia mundial do Rock and Roll... um pouco de metafísica!


Para aqueles que gostam de rock and roll e alguma vez na adolescência gastaram algum tempo discutindo com os amigos os problemas (que naquela época não pareciam nada filosóficos) sobre as formações das bandas -- se o Deep Purple ainda continuaria sendo a mesma banda sem o Ian Gillan ou sem o Ritchie Blackmore, ou se seria impossível haver novamente Led Zeppelin depois da morte de Jonh Bonham, ou mesmo se o The Final Cult é mais um disco solo do Roger Waters do que um disco do Pink Floyd, dentre muitos outros -- é hora de relembrar isso um pouco. Eis um divertido texto, de James Bondarchuk, sobre a metafísica -- a constituição e a natureza -- do Black Sabbath. 

Julian Dodd: Será 4'33'' de John Cage música?



Julian Dodd argumenta que 4'33'' de John Cage não é música, ao passo que Imaginary Landscape nº4, uma peça para 12 rádios, do mesmo autor, é música. Dodd argumenta a favor desta conclusão com base no que pensa ser uma condição necessária para algo ser uma obra musical. Terá razão quanto à condição indicada ser mesmo necessária? Terá razão acerca das conclusões a que chega? Será que importa realmente se 4'33'' é ou não música? Se não importa, estaremos ainda a dizer algo interessante quando dizemos que 4'33'', ou seja o que for, é música? E o que pensa o leitor?

12 de julho de 2013

O valor da civilização



O cultivo de grandes realizações culturais é, assim, uma condição necessária, mas não suficiente, da civilização - conta-se que comandantes de campos de concentração choravam à noite ao som de Schubert, após um duro dia de matança em massa. Ninguém chamaria esses homens de civilizados. Pelo contrário, assemelhavam-se mais aos bárbaros antigos que, após invadirem e saquearem uma cidade civilizada, viviam em suas ruínas porque elas eram ainda muito melhores do que qualquer coisa que eles poderiam construir por contra própria. A primeira exigência da civilização é que os homens estejam dispostos a reprimir seus instintos e apetites mais baixos: falhar nisso faz deles, precisamente porque são inteligentes, muito piores que meras bestas.
 Theodore Dalrymple, O que temos a perder.

O ensaio completo pode ser lido aqui, em tradução de Aluízio Couto. 

11 de julho de 2013

Um carvalho invisível?


Neste livro, cuja tradução portuguesa estará disponível dentro de pouco mais de uma semana, o autor pergunta-nos em que filósofo pensamos ao ler os versos humorísticos que se podem ler abaixo. O leitor o que acha?

 Uma vez um jovem disse assim:
«Deus, acho deveras estranho,
Que aquele carvalho do jardim
Continue a sê-lo
Quando não está ninguém a vê-lo.»

«Caro Senhor, estranho é o seu espanto
Pois do jardim nunca arredo o pé
E é por isso que a dita árvore
Continua a ser como é.
Com a maior boa fé me subscrevo, DEUS.»

10 de julho de 2013

Philosophy Now Radio Show

A excelente revista "Philosophy Now" já tinha sido divulgada pelo Desidério na Crítica, mas na ocasião a revista ainda não contava com a série de entrevistas "Philosophy Now Radio Show". Ao contrário de boa parte do conteúdo do site, que é pago, os podcasts das entrevistas estão disponibilizados gratuitamente. Vale a pena conferir.

Filósofos na Tela


Eis uma interessante série de entrevistas que pretende aproximar o grande público do trabalho acadêmico dos filósofos contemporâneos. Os filósofos entrevistados respondem questões sobre as motivações que os levaram à filosofia, os aspectos mais satisfatórios e menos satisfatórios do seu trabalho, os temas da sua pesquisa atual, se as humanidades precisam mostrar algum impacto benéfico na sociedade que justifique a sua existência e se a própria filosofia tem algum impacto benéfico na sociedade. Vale a pena conferir. 

9 de julho de 2013

Filosofia Antiga

Mais uma entrevista da série No Jardim da Filosofia, desta vez sobre filosofia antiga, por António Pedro Mesquita, professor de Filosofia Antiga da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

5 de julho de 2013

Disputatio


Vale bem a pena ler o último número especial da revista internacional de filosofia Disputatio, publicada pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, e dirigida por João Branquinho (UL) e Teresa Marques (UL). Trata-se de um número inteiramente constituído por ensaios recentes de autores portugueses e brasileiros, organizado por João Branquinho e Guido Imaguire. Aí se pode confirmar que a discussão e a investigação actuais de nível internacional podem começar a contar cada vez mais com o contributo dos filósofos portugueses e brasileiros. 

4 de julho de 2013

Da “Teoria da Justiça” de Rawls à Prática?

Imagine que lhe era dado o poder de alterar o mundo como entendesse e que até poderia beneficiar-se a si próprio. O único problema é que você não saberia quem viria a ser nesse mundo, se seria homem ou mulher, rico ou pobre, forte ou fraco. O que faria então com esse poder?

Para responder a esta questão John Rawls sugeriu que se maximizasse o mínimo. Ou seja, você deveria garantir que as pessoas mais carenciadas ficassem o melhor possível, em comparação com outras alternativas, pois você poderia ser uma dessas pessoas.

Acreditando que este “véu de ignorância” nos levasse a considerar esta como a solução mais justa, seria possível tornar real a experiência mental de John Rawls?

Esta organização acredita que sim, e o nosso leitor?