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Peter Singer mudou de ideias

(imagem retirada daqui)

Nesta entrevista Peter Singer explica como a investigação para o seu próximo livro fez com que mudasse as ideias que há muito tinha estabelecido. Reconhecido como um defensor do utilitarismo das preferências, Peter Singer revê-se agora na posição do autor de referência deste novo livro, Henry Sidgwick (1838 – 1900), adoptando uma posição hedonista.

A entrevista percorre depois uma enorme gama de assuntos: o objectivismo em ética, o altruísmo eficaz, os direitos dos animais, a polémica na Alemanha (anos 80/90), etc. terminando com a sugestão do livro de Steven Pinker, "The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined".

Comentários

  1. Essa "mudança das ideias de Peter Singer" suscita-me algumas questões, que exponho brevemente.

    Como é sabido, uma característica fundamental das teorias consequencialistas é aplicarem-se directamente a actos individuais.

    Por outro lado, Hare, na esteira de Kant, considera que a "universalizabilidade" é a pedra de toque de uma teoria ética. A ideia de Hare é, em síntese, esta: qualquer raciocínio ou decisão ética tem de ter em consideração todos os seres moralmente relevantes afectados pelas nossas decisões, e tem também de avaliar imparcialmente os interesses de todos esses seres.

    A questão que coloco é se aquela exigência de "universalizabilidade" se coloca apenas em relação àqueles a quem a nossa decisão ética visa - ou se se deverá também colocar tal exigência do lado do agente; ou seja, se a acção ou a decisão ética não devem ser também pensadas a partir da perspectiva ou da acção colectiva, mormente na sua dimensão ético-política, que convoca considerações da ordem de uma cidadania cívica actuante e viva?

    Será que devemos separar a nossa identidade e as nossas exigências enquanto cidadãos da nossa identidade enquanto pessoas morais?

    Será que os problemas sociais de fundo, que interpelam a nossa consciência ética - como a pobreza galopante, outro tópico da abordagem de Singer -, devem ser vistos na óptica do "acidental", "conjuntural" ou "individual", e serão resolúveis no quadro das iniciativas particulares e altruístas, das "boas intenções"?

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  2. Caro José Oliveira

    Quero aqui expressar o meu agradecimento, por nos ter proporcionado a oportunidade de escutar raciocínios claros, argumentação precisa, conclusões sólidas, enfim: uma conversa inteligente. Daquelas de que os ouvidos tardavam já em escutar!
    Bem Haja.
    fc

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