19 de outubro de 2014

Somos Livres? (Daniel Dennett)

Imagem retirada daqui
"Durante vários milénios, as pessoas têm-se preocupado com terem ou não livre-arbítrio. O que as preocupa exactamente? Nenhuma resposta é suficiente. Durante séculos, o assunto condutor era sobre a suposta omnisciência de Deus. Se Deus sabia o que íamos fazer, antes que o fizéssemos, em que sentido seriamos livres para fazer o contrário? Não estávamos apenas agindo segundo o nosso papel num Guião Divino? Seriam algumas das nossas ditas decisões, decisões reais? Mesmo antes da crença num Deus omnisciente começar a desaparecer, a ciência assumiu o papel ameaçador. Demócrito, o filósofo grego e proto-cientista, postulou que o mundo, incluindo nós, era feito de pequenas entidades  átomos e imaginou que a menos que os átomos, por vezes, imprevisivelmente e sem motivo, interrompessem as suas trajectórias com uma guinada aleatória, estaríamos presos a cadeias causais que chegavam até à eternidade, roubando-nos do nosso poder para iniciar acções por nós próprios.
[…]
Será o nosso livre-arbítrio real, ou temo-nos iludido ao longo de todos estes anos? Será que a ciência descobriu o segredo, e em caso afirmativo, quais serão as repercussões?
Nos últimos anos, um grupo crescente de neurocientistas cognitivos anunciaram ao mundo que fizeram descobertas mostrando que "o livre-arbítrio é uma ilusão". Esta é, naturalmente, uma notícia importante, que promete ou ameaça tornar obsoleto uma família de valores virtualmente sagrados: os justos merecimentos (tanto para elogios como críticas), a culpa, a punição, a honra, o respeito, a confiança, na verdade o próprio sentido da vida. Será que os cientistas descobriram uma peculiaridade secreta ou uma fraqueza no nosso sistema nervoso que mostra que nunca somos os autores responsáveis das nossas acções?”

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Daniel Dennett
Autor de alguns livros traduzidos em português: Tipos de Mentes, A Ideia Perigosa de Darwin e A Liberdade Evolui

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