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Somos Livres? (Daniel Dennett)

Imagem retirada daqui
"Durante vários milénios, as pessoas têm-se preocupado com terem ou não livre-arbítrio. O que as preocupa exactamente? Nenhuma resposta é suficiente. Durante séculos, o assunto condutor era sobre a suposta omnisciência de Deus. Se Deus sabia o que íamos fazer, antes que o fizéssemos, em que sentido seriamos livres para fazer o contrário? Não estávamos apenas agindo segundo o nosso papel num Guião Divino? Seriam algumas das nossas ditas decisões, decisões reais? Mesmo antes da crença num Deus omnisciente começar a desaparecer, a ciência assumiu o papel ameaçador. Demócrito, o filósofo grego e proto-cientista, postulou que o mundo, incluindo nós, era feito de pequenas entidades  átomos e imaginou que a menos que os átomos, por vezes, imprevisivelmente e sem motivo, interrompessem as suas trajectórias com uma guinada aleatória, estaríamos presos a cadeias causais que chegavam até à eternidade, roubando-nos do nosso poder para iniciar acções por nós próprios.
[…]
Será o nosso livre-arbítrio real, ou temo-nos iludido ao longo de todos estes anos? Será que a ciência descobriu o segredo, e em caso afirmativo, quais serão as repercussões?
Nos últimos anos, um grupo crescente de neurocientistas cognitivos anunciaram ao mundo que fizeram descobertas mostrando que "o livre-arbítrio é uma ilusão". Esta é, naturalmente, uma notícia importante, que promete ou ameaça tornar obsoleto uma família de valores virtualmente sagrados: os justos merecimentos (tanto para elogios como críticas), a culpa, a punição, a honra, o respeito, a confiança, na verdade o próprio sentido da vida. Será que os cientistas descobriram uma peculiaridade secreta ou uma fraqueza no nosso sistema nervoso que mostra que nunca somos os autores responsáveis das nossas acções?”

(Continuar a ler aqui)

Daniel Dennett
Autor de alguns livros traduzidos em português: Tipos de Mentes, A Ideia Perigosa de Darwin e A Liberdade Evolui

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