25 de novembro de 2015

Kit para detecção de disparates

Carl Sagan




"Na ciência é possível começar com resultados experimentais, dados, observações, medidas e «factos». Inventamos, se isso for possível, uma lista interminável de explicações plausíveis e confrontamos sistematicamente cada uma delas com os factos. No decurso da sua formação, os cientistas recebem um kit para detecção de disparates, a que recorrem sempre que se confrontam com novas ideias. Se a nova ideia resiste à análise com os instrumentos do kit, recebemo-la de braços abertos, embora com cautela. Se uma pessoa estiver na disposição de não engolir disparates, ainda que seja tranquilizador fazê-lo, há precauções que pode tomar; há um método comprovado pela experiência.

Que contém o kit? Instrumentos para o pensamento céptico. O pensamento céptico é o meio de construir e compreender um argumento racional e — o que é particularmente importante — de reconhecer um argumento fraudulento ou falacioso.

A questão não é se gostamos da conclusão que resulta de uma série de raciocínios, mas se decorre de uma premissa e se esta é verdadeira.

Alguns dos instrumentos referidos são os seguintes:

· Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos «factos».

· Encorajar o debate substantivo das provas por parte dos proponentes de todos os pontos de vista.

· Os argumentos apresentados por autoridades na matéria têm pouco peso — as «autoridades» cometeram erros no passado e voltarão a cometê-los no futuro. Talvez uma maneira melhor de dizer isto seja afirmar que em ciência não há autoridades quando muito há «especialistas».

· Pense em mais de uma hipótese. Se há qualquer coisa a explicar, pense em todas as maneiras diferentes de o fazer. Depois pense em testes através dos quais possa refutar sistematicamente cada uma das alternativas. O que subsiste, a hipótese que resiste à refutação nesta selecção darwiniana entre «hipóteses de trabalho múltiplas», tem uma probabilidade muito maior de ser a resposta certa do que se se tivesse simplesmente aceitado a primeira ideia que nos agradou.

· Tente não ficar muito preso a uma hipótese só porque é sua, ela não passa de uma estação de paragem no caminho da procura do conhecimento. Pergunte a si mesmo porque lhe agrada. Compare-a com as alternativas. Veja se consegue encontrar motivos para a rejeitar. Se não consegue, outros conseguirão.

· Quantifique. Se o que está a explicar tem alguma medida, se envolve alguma grandeza numérica, estará muito mais bem equipado para escolher entre as várias hipóteses possíveis. O que é vago e qualitativo está aberto a muitas explicações. Claro que há verdades a ser procuradas nas muitas interpretações qualitativas que somos obrigados a confrontar, mas encontrá-las ainda é mais estimulante.

· Se há uma cadeia de argumentos, todos os seus elos têm de funcionar (incluindo a premissa) — e não apenas a maior parte.

· A navalha de Occam. Esta excelente regra prática incita-nos, quando confrontados com duas hipóteses que explicam dados igualmente bem, a escolher a mais simples.

· Pergunte sempre se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, refutada. As proposições impossíveis de verificar e refutar não valem grande coisa. Considere a ideia grandiosa de o nosso universo e tudo o que este contém serem apenas uma partícula elementar — por exemplo um electrão — num cosmos muito maior. Mas, se é possível que nunca venhamos a obter informações exteriores ao nosso universo, será a ideia susceptível de refutação? Temos de ser capazes de verificar a validade das afirmações. Os cépticos inveterados têm de ter oportunidade de seguir o seu raciocínio, de repetir as suas experiências e de ver se estas obtêm sempre o mesmo resultado."



Carl Sagan, “Um Mundo Infestado de Demónios”, pp. 266 a 268

Sobre este assunto a Crítica também já publicou dois artigos de Michael Shermer (aqui e aqui), bem como 1 excerto deste livro (Excerto 1).

11 de novembro de 2015

Ética Animal

http://www.animal-ethics.org/


Já está disponível em língua portuguesa o site Ética Animal.

Em termos académicos este domínio da filosofia aborda o relacionamento dos animais humanos com os não humanos e como estes últimos devem ser tratados. Aborda questões como os direitos e o bem-estar animal (e as inerentes implicações na legislação), salvaguardando os interesses dos animais, assim como questões de descriminação com base na espécie (o especismo) e, partindo da biologia, aborda questões relativas às capacidades cognitivas e de senciência, como base referencial de defesa dos animais, incluindo aqueles que vivem na natureza.

Para os interessados no assunto, numa das colecções da Crítica (Filosofia Pública), existe um livro com uma compilação de artigos dos autores mais relevantes nesta área, Os Animais Têm Direitos? Perspectivas e Argumentos, com organização e tradução de Pedro Galvão.

28 de outubro de 2015

Quer um Carro Utilitarista?

Imagem do carro de condução automática em diferentes situações e escolhas (retirada do artigo).


Em breve o Problema do Trólei deixará de ser uma experiência mental para testar as nossas crenças éticas e tornar-se-á uma realidade do dia-a-dia. Isto porque os carros de condução automática já aí estão e vão ter de tomar esse tipo de decisões.
  • Deverá um carro de condução automática matar os seus passageiros para evitar matar um grupo de pessoas que o inclui a si?
  • Deverá o seu carro de condução automática matá-lo a si para evitar um número maior de vítimas?
  • Será que o carro deverá responder da mesma maneira a estas duas situações e se não, porquê?
Foi em questões deste tipo que pensou um grupo de investigadores liderado por Jean-Francois Bonnefonda, na Toulouse School of Economics, e publicaram agora os seus resultados.

Outras questões que este projecto levanta podem ser as seguintes:

  • Deverá haver outras opções de carros que respondam a diferentes teorias éticas? Como?
  • Será que estes carros mostram que toda a gente é utilitarista, quando chegamos a questões de facto e saímos das teorias filosóficas?

[Agradeço ao Desidério as sugestões para melhorar este post.]

23 de setembro de 2015

Actualizações

Desde Junho último, a Crítica tem sido actualizada com materiais do defunto site filedu.com, de Álvaro Nunes. Entretanto, os materiais do também defunto site aartedepensar.com começaram já a ser integrados na Crítica. E há outros materiais ainda a integrar na Crítica, e talvez algumas surpresas mais.

As actualizações, contudo, não têm sido anunciadas neste blog. Para acompanhar as actualizações, subscreva a nova newsletter

22 de julho de 2015

Mais Aires



O Aires Almeida reformulou o seu blogue “Questões Básicas” e agora, para além dos seus textos, apresenta a sua participação em várias publicações, os seus artigos e a sua participação em palestras e conferências.

Talvez deste modo se perceba melhor a escala do seu envolvimento na divulgação da filosofia e a qualidade da sua obra filosófica.

13 de julho de 2015

Sete ideias ao preço da chuva brasileira


A versão Kindle do meu livro Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer (Bizâncio) estará em promoção na Amazon brasileira durante todo o dia de hoje, ao preço de 1.99 reais (preço normal: 6.64 reais).

12 de julho de 2015

26 de junho de 2015

Novos limites da Liberdade de Expressão


No livro mais recente da Filosofia Aberta, Nigel Warbourton aborda o problema da Liberdade de Expressão. É um livro introdutório traduzido pelo Vítor Guerreiro, do qual já se pode ler um excerto na CRÍTICA, bem como uma recensão por Aluízio Couto.

25 de junho de 2015

Filedu na Crítica

O site filedu.com, da autoria de Álvaro Nunes, prestou um importante serviço a professores e estudantes de filosofia durante vários anos, publicando materiais de inegável interesse filosófico, e também cultural em geral. O site, contudo, não está já disponível. O autor disponibilizou todos os materiais nele publicados, contudo, para que fiquem disponíveis na Crítica. Comecei hoje a publicá-los, e continuarei a fazê-lo, à medida das minhas disponibilidades, nas próximas semanas.

Corrupção que mata crianças

Vale a pena ver este vídeo sobre a corrupção angolana.

6 de junho de 2015

Ver para crer - Pinker em gráficos



Entre elogios e críticas o livro de Steven Pinker “Os Melhores Anjos de Nossa Natureza” tem causado polémica (como já se falou aqui e aqui).

Surge agora este documentário interactivo, “Os Caídos da Segunda Guerra Mundial”, que tem como inspiração e fonte de referência o livro de Pinker. Portanto pretende ilustrar os números das perdas humanas da Segunda Guerra Mundial, apresentando de seguida o declínio da violência desde aí e comparativamente com épocas anteriores.

Infografia a partir dos gráficos do vídeo (Clicar para aumentar).


Para mais detalhes pode ainda consultar o site deste projecto.

20 de maio de 2015

O Novo de Daniel Dennett


Imagem retirada daqui

O que é ser um pregador ou rabino que já não acredita em Deus? Nesta edição ampliada e actualizada do seu estudo pioneiro, Daniel C. Dennett e Linda Lascola, de forma abrangente e sensível, expõem uma verdade inconveniente que as instituições religiosas enfrentam na nova transparência da idade da informação — o fenómeno de membros do clero que já não acreditam no que pregam publicamente. Em entrevistas confidenciais, clérigos de todo o espectro ministerial — do liberal ao literal — revelam como as suas vidas de serviço religioso e estudo os levaram a uma verdade contrária às suas crenças professadas e à sua profissão (continua).
Esta é a descrição do novo livro de Daniel Dennett (em co-autoria com Linda Lascola), "Caught in the Pulpit: Leaving Belief Behind".
O prefácio de Richard Dawkins termina da seguinte forma:
O seu estudo aumentado examina em detalhe trinta casos individuais. Alguns desses homens e mulheres acreditaram apaixonadamente por muitos anos antes de perder a sua fé. Outros parece que já eram cépticos enquanto ainda estavam no seminário, mas foram em frente com a sua carreira sacerdotal por razões que precisam de ser exploradas — e são-no. Estes são seres humanos, cada um diferente, e às vítimas é-lhes permitido o espaço para contar as suas próprias histórias, entrelaçadas com inteligência e perspicácia pelos dois autores.

O livro é uma colaboração entre um paciente, uma assistente social sensível e um dos grandes filósofos do mundo. Vai surpreender, uma vez que fascina. Se, como espero e antecipo, os 500 apóstatas agora no The Clergy Project vierem a ser a ponta fina de uma cunha muito grande, ponta de um enorme icebergue tranquilizador, arauto de um ponto de viragem que aí vem e é muito bem-vindo, este livro será visto como — misturando mais uma vez metáforas com o desculpável regozijo — o canário dos mineiros. Ele vai ajudar-nos a compreender o que está a acontecer enquanto as comportas se abrem, como espero que em breve aconteça. Também espero que venha a ser lido pelo clero ainda crente e que isso lhes dê a coragem de se juntarem aos seus colegas que já viram a luz e se afastaram da sombra escura do púlpito.
Para mais informação pode ler também "As Igrejas já não podem esconder a verdade: Daniel Dennett sobre a Nova Transparência", um artigo de apresentação do livro que inclui uma pequena entrevista com Daniel Dennett, ou este artigo do próprio no The Wall Street Journal: "Porque é que o Futuro da Religião é Sombrio".

7 de maio de 2015

Novos Problemas de Filosofia Analítica


Trata-se de um volume, em língua portuguesa e de acesso inteiramente livre, que consiste em ensaios especializados sobre questões e problemas pertencentes a um conjunto de áreas nucleares da Filosofia Analítica contemporânea. Num primeiro momento, a ênfase é colocada em áreas que tratam da natureza da linguagem, mente e cognição. O volume está organizado em torno de três grandes domínios:
  • Lógica e Linguagem, incluindo a Filosofia da Linguagem, a Lógica Filosófica, a Filosofia da Matemática, etc.
  • Mente e Cognição, incluindo a Epistemologia, a Filosofia da Mente, os Fundamentos da Ciência Cognitiva, etc.
  • Metafísica, incluindo a Ontologia, a Filosofia da Ciência, etc

Os artigos do Compêndio em Linha são ensaios de estado da arte sobre tópicos salientes na reflexão e investigação filosófica actuais. Tipicamente, cada artigo formula e caracteriza um tópico segundo o estado corrente da sua discussão, introduz as concepções principais e os argumentos associados acerca do tópico e examina criticamente os prós e os contras de cada uma dessas concepções e argumentos.

28 de abril de 2015

AI já aí, e depois?



O que acontecerá quando os nossos computadores se tornarem mais inteligentes do que nós?

A inteligência artificial está a ficar mais inteligente a passos largos - ainda neste século, sugere a investigação, um computador AI poderá vir a ser tão "inteligente" como um ser humano. E, em seguida, diz Nick Bostrom, irá ultrapassar-nos: "As máquinas inteligentes serão a última invenção que a humanidade irá precisar". Um filósofo e tecnólogo, Bostrom pede-nos para pensar intensamente sobre o mundo que estamos a construir agora, impulsionado por máquinas pensantes. Será que as nossas máquinas inteligentes ajudam a preservar a humanidade e os nossos valores - ou será que elas têm os seus próprios valores?

24 de abril de 2015

Quem tem medo do conhecimento?

O Medo do Conhecimento tem merecido a maior atenção por todo o lado, como é confirmado pela sua tradução para várias línguas. A inegável relevância dos temas tratados, tanto para as ciências da natureza como para as humanidades, a luz clarificadora que lança sobre a sua discussão, tornarão este livro um clássico da epistemologia contemporânea. Paul Boghossian começa por expor com rigor e imparcialidade o que considera serem os melhores argumentos a favor das concepções relativista e construtivista da verdade, as quais se tornaram uma asfixiante ortodoxia em vastas áreas do mundo académico. O seu objectivo é avaliar criticamente esses argumentos relativistas e construtivistas, procurando mostrar, de forma acutilante e muito persuasiva, os vícios de raciocínio e os erros conceptuais insanáveis em que assentam...

Continuar a ler aqui.

7 de abril de 2015

"O Maior Bem Que Podemos Fazer" de Peter Singer


Imagem retirada daqui

Saiu hoje o último livro de Peter Singer cujo assunto, no domínio da Ética Aplicada, está bem patente no seu longo título: “O Maior Bem Que Podemos Fazer – Como o Altruísmo Eficaz Está A Mudar As Ideias Sobre Viver Eticamente”.

Numa entrevista ao The Wall Street Journal, quando foi confrontado com a questão de como é que se poderia aprender a ser mais altruísta, a resposta de Singer foi: "Suponho que estudar filosofia é realmente a resposta."

Segue-se o Prefácio, o Índice e um curto vídeo de apresentação do livro pelo próprio Peter Singer.

Prefácio
Um movimento novo e emocionante está a surgir: o altruísmo eficaz. Organizações estudantis estão a formar-se em torno dele e há discussões acaloradas nas páginas das redes sociais e dos sítios da Internet, bem como nas páginas do New York Times e do Washington Post.
O Altruísmo eficaz baseia-se numa ideia muito simples: devemos fazer o maior bem que podemos. Obedecer às regras habituais de não roubar, enganar, ferir e matar não é o suficiente, ou pelo menos não é o suficiente para aqueles de nós que têm a enorme sorte de viver com conforto material, que podemos alimentar, dar habitação, e vestir a nós mesmos e às nossas famílias e ainda ter dinheiro ou tempo de sobra. Viver uma vida ética minimamente aceitável envolve o uso de uma parte substancial dos nossos recursos extra para tornar o mundo um lugar melhor. Viver uma vida plenamente ética envolve fazer o maior bem que podemos.
Embora as pessoas mais activas no movimento do altruísmo eficaz tendam a ser da Geração do Milénio — isto é, a primeira geração a ter a maioridade no novo milénio — filósofos mais velhos, dos quais eu sou um, já discutiam o altruísmo eficaz antes de este ter um nome ou de ser um movimento. O ramo da filosofia conhecido como ética prática tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do altruísmo eficaz e o altruísmo eficaz reivindica, por sua vez, a importância da filosofia, mostrando que ela muda, às vezes até dramaticamente, as vidas daqueles que tiram esses cursos.
A maioria dos altruístas eficazes não são santos, mas sim pessoas comuns como você e eu, muito poucos altruístas eficazes afirmam viver uma vida totalmente ética. A maioria deles está algures no contínuo entre uma vida ética minimamente aceitável e uma vida totalmente ética. Isso não significa que se sintam constantemente culpados por não serem moralmente perfeitos. Os altruístas eficazes não vêm muito sentido em se sentirem culpados. Eles preferem concentrar-se no bem que estão a fazer. Alguns deles ficam satisfeitos em saber que estão a fazer algo significativo para tornar o mundo um lugar melhor. Muitos deles gostam de desafiar-se a si mesmos, para fazer um pouco melhor este ano do que no ano passado.
O Altruísmo eficaz é notável sob várias perspectivas, irei explorar cada uma delas nas páginas seguintes. Primeiro, e mais importante, isso está a fazer uma diferença no mundo. A filantropia é uma indústria muito grande. Só nos Estados Unidos há quase um milhão de instituições de caridade, que receberam um total de, aproximadamente, 200 mil milhões de dólares por ano, com um adicional de 100 mil milhões dólares doados a congregações religiosas. Um pequeno número de instituições de caridade são claramente fraudes, mas um problema muito maior é que muito poucas delas são suficientemente transparentes para permitirem que os doadores possam julgar se realmente estão a fazer o bem. A maior parte desses 300 mil milhões de dólares é dada com base em respostas emocionais a imagens das pessoas, animais, ou florestas que a caridade está a ajudar. O altruísmo eficaz procura mudar isso proporcionando incentivos às instituições de caridade para que demonstrem a sua eficácia. O movimento já está a direccionar milhões de dólares para instituições de caridade que estão efectivamente a reduzir o sofrimento e a morte causada pela pobreza extrema.
Em segundo lugar, o altruísmo eficaz é uma maneira de dar sentido às nossas próprias vidas e de encontrar a realização pessoal naquilo que fazemos. Muitos altruístas eficazes dizem que, ao fazer o bem, se sentem bem. Os altruístas eficazes beneficiam directamente os outros mas, indirectamente, muitas vezes, beneficiam-se a si mesmos.
Em terceiro lugar, o altruísmo eficaz lança uma nova luz sobre uma velha questão filosófica e psicológica: Seremos fundamentalmente impulsionados pelas nossas necessidades inatas e respostas emocionais, com as nossas capacidades racionais a fazer pouco mais do que colocar uma capa justificativa sobre as acções que já foram determinadas antes mesmo de começarmos a raciocinar sobre o que fazer? Ou poderá a razão desempenhar um papel crucial na determinação de como vivemos? O que é que leva alguns de nós a olhar para além dos nossos próprios interesses e dos interesses daqueles que amamos para os interesses de estranhos, das gerações futuras, e dos animais?
Por fim, o surgimento do altruísmo eficaz e o entusiasmo evidente e inteligência com que muitos da Geração do Milénio no início das suas carreiras o estão a abraçar, oferecem motivos para o optimismo sobre o nosso futuro. Há muito que existe cepticismo sobre se as pessoas podem realmente ser motivadas por uma preocupação altruísta para com os outros. Alguns pensaram que as nossas capacidades morais se limitam a ajudar os nossos parentes, aqueles com quem nós estamos, ou poderíamos estar, em relacionamentos mutuamente benéficos e os membros do nosso próprio grupo tribal ou sociedade de pequena escala. O altruísmo eficaz fornece evidências de que esse não é o caso. Mostra que podemos expandir os nossos horizontes morais, tomar decisões com base numa ampla forma de altruísmo e empregar a nossa razão para avaliar as evidências sobre as prováveis ​​consequências das nossas acções. Desta forma, permite-nos ter esperança que a próxima geração, e aqueles que a sigam, sejam capazes de cumprir as responsabilidades éticas de uma nova era em que os nossos problemas serão tanto globais como locais.
[Texto retirado daqui]



Índice

Prefácio
Agradecimentos

Capítulo I
Altruísmo Eficaz
1 – O que é o Altruísmo Eficaz
2 – O Aparecimento de um Movimento

Capítulo II
Como fazer o maior bem
3 – Viver Modestamente para Dar Mais
4 – Ganhar para Doar
5 – Outras Carreiras Éticas
6 – Dar Uma Parte de Si Mesmo

Capítulo III
motivação e justificação
7 – Será o Amor Tudo o que Precisamos?
8 – Um entre Muitos
9 – Altruísmo e Felicidade

Capítulo IV
escolher causas e organizações
10 – Nacional ou Global?
11 – Serão algumas Causas Objectivamente Melhores do que Outras?
12 – Comparações Difíceis
13 – Redução do Sofrimento Animal e Protecção da Natureza
14 – Escolher a Melhor Organização
15 – Prevenção da Extinção Humana

Posfácio
Notas
Índice Remissivo


30 de março de 2015

NO JARDIM DA FILOSOFIA


NO JARDIM DA FILOSOFIA é uma série de curtas entrevistas sobre tópicos filosóficos, com caráter elementar e introdutório. Os entrevistados são principalmente filósofos ou estudiosos das áreas sobre as quais são entrevistados. As entrevistas são realizadas por Aires Almeida, que conta com o apoio da Didáctica Editora. Novas entrevistas estão previstas e todas se destinam a ser publicadas neste canal do YouTube, de modo a que o seu acesso seja completamente livre.

NO JARDIM DA FILOSOFIA agradece, mais uma vez, aos entrevistados, que simpaticamente aceitaram o convite.


https://www.youtube.com/watch?v=EiOe4qgLevw












https://www.youtube.com/watch?v=kSm51RXrBVg


https://www.youtube.com/watch?v=o1rSMjZzXH0


https://www.youtube.com/watch?v=zc4fbyf33gs


https://www.youtube.com/watch?v=Jm5w9J1oBug


https://www.youtube.com/watch?v=efqHmO_5muA




Nota: este post será editado para compilar todos os vídeos do NO JARDIM DA FILOSOFIA




6 de março de 2015

Que livro para mudar o mundo?



Versões Portuguesa e Americana do livro "A Vida Que Podemos Salvar" de Peter Singer

Qual seria o livro das colecções da CRÍTICA (Filosofia Aberta, Filosoficamente e Filosofia Pública) que escolheria para oferecer a alguém se isso pudesse contribuir para mudar o mundo para melhor?

Partindo dessa questão, no site de Peter Singer com o mesmo nome de um dos seus livros, The Life You Can Save, falo da minha escolha: A Vida Que Podemos Salvar.

[Nota: o texto apresenta uma versão em português, basta clicar no botão do topo.]

E porque está directamente ligada ao assunto, aqui fica esta novidade:



É já daqui a um mês que sai o próximo livro de Peter Singer: "The Most Good You Can Do: How Effective Altruism Is Changing Ideas About Living Ethically". O livro aborda o crescente movimento social de carácter filosófico, o Altruísmo Eficaz, e é já apontado como podendo vir a ser o seu livro mais importante (Will MacAskill) e mais influente (Joshua Greene). Assim, numa era de oportunidades únicas, Peter Singer apresenta "um olhar optimista e convincente sobre o impacto positivo que fazer doações pode ter no mundo" (Bill e Melinda Gates).

23 de fevereiro de 2015

Pergunte ao autor (Pedro Galvão, "Ética com Razões")


A Crítica lançou o desafio ao Pedro Galvão de responder a algumas questões sobre o seu último livro, “Ética com Razões”. O desafio foi aceite.

Agora lançamos o desafio ao leitor: enquanto lia, houve questões que o inquietassem? Pois bem, terá agora a oportunidade de ver as suas questões esclarecidas pelo próprio autor. Das questões aqui colocadas (ou na nossa Página do Facebook) serão seleccionadas as melhores.

No final publicaremos aqui no blogue as perguntas e respostas.

21 de fevereiro de 2015

Boas Leituras! (Em português)





Carlos Pires, da Dúvida Metódica, escreve aqui sobre o Janelas para a Filosofia de Aires Almeida e Desidério Murcho:

Janelas Para a Filosofia está escrito de uma maneira clara e simples e pode ser compreendido por leitores que pouco ou nada saibam de filosofia. Está escrito de maneira simples mas não simplista, conseguindo um notável equilíbrio entre o rigor conceptual e a simplicidade requerida por uma obra destinada a leitores não especialistas. A filosofia é por vezes associada a um discurso obscuro e vago em que não se percebe muito bem o que cada frase quer dizer, não conseguindo o leitor ou o ouvinte perceber se concorda ou discorda. Infelizmente, foi esse discurso que muitas pessoas ouviram nas suas aulas de Filosofia. Contudo, não é esse o género de filosofia que Aires Almeida e Desidério Murcho praticam: aquilo que escrevem exprime literalmente e sem vagueza as ideias em causa, pelo que os leitores poderão discuti-las e concordar ou discordar delas.”



Pedro Galvão apresenta aqui o seu Ética com razões”:

“No livro discuto várias "questões fracturantes", como se diz agora: o aborto, a eutanásia voluntária e os direitos dos animais. O que têm os filósofos a dizer sobre questões deste género? O essencial. Estas questões são fundamentalmente normativas - respeitam ao que devemos fazer, não ao que as pessoas fazem de facto neste ou naquele lugar -, pelo que não é às ciências que cabe responder-lhes. Além do mais, numa sociedade que se queira laica é imperioso saber pensá-las sem a sombra da autoridade religiosa, em termos que façam sentido para qualquer pessoa razoável.”


Desta colecção da Fundação Francisco Manuel dos Santos também é recomendável o recente e polémico Pseudociência de David Marçal, embora não seja um livro de Filosofia (pode ver aqui uma entrevista com o autor e aqui Carlos Fiolhais faz uma curta referência ao livro), e o já não tão recente, mas um fenómeno de vendas, Filosofia em Directo de Desidério Murcho.



Portanto, termino como comecei: Boas Leituras!