5 de janeiro de 2019 Blog

Dar palco ao Erro

José Oliveira
CC0 Creative Commons
Não só a crise da reprodutibilidade no mundo académico, como a crescente facilidade de criar e propagar notícias falsas no mundo digital, encontram neste projecto um desafio.


Trata-se do projecto da psicóloga Julia M. Rohrer – a que chamou Perda de Confiança – e que pretende mudar radicalmente a cultura científica. Para isso criou um espaço em que se publica exclusivamente artigos que coloquem em destaque e a descoberto o erro.

O tipo de estudos elegíveis para publicação terá então de acumular as seguintes características:
  1. O estudo em questão é um relatório empírico de uma nova descoberta;
  2. O autor responsável pela submissão perdeu a confiança no resultado original/central do artigo;
  3. A perda de confiança ocorreu principalmente como resultado de problemas teóricos ou metodológicos com a concepção do estudo ou com a análise de dados;
  4. O autor responsável pela submissão assume a responsabilidade pelos erros em questão.
Com a investigação que tem desenvolvido a autora do projecto refere que encontrou três grandes obstáculos no caminho para a humildade intelectual:
  1. Para que possamos adquirir mais humildade intelectual, todos nós, mesmo os mais inteligentes entre nós, precisamos avaliar melhor os nossos pontos cegos cognitivos. As nossas mentes são mais imperfeitas e imprecisas do que gostaríamos de admitir. A nossa ignorância pode ser invisível.
  2. Mesmo quando superamos esse imenso desafio e descobrimos os nossos erros, precisamos de nos lembrar que não seremos necessariamente punidos por dizer: "Eu estava errado". E precisamos ser mais corajosos a propósito de o dizer. Precisamos de uma cultura que celebre essas palavras.
  3. Nunca alcançaremos a humildade intelectual perfeita. Por isso precisamos escolher as nossas convicções de forma muito ponderada.

18 de junho de 2018 Blog

Uma estátua para Estaline?

Desidério Murcho

Tradução de Desidério Murcho

Já à venda

Escreve Peter Singer neste livro de leitura imprescindível:

Hitler e Estaline foram ditadores implacáveis que cometeram homicídios numa escala gigantesca. Porém, apesar de ser impossível imaginar uma estátua de Hitler em Berlim, ou em qualquer outro lugar da Alemanha, as estátuas de Estaline foram restauradas em várias cidades da Geórgia (onde ele nasceu), e outra está para ser erigida em Moscovo numa comemoração de todos os líderes soviéticos.

A diferença de atitude vai além das fronteiras dos países que estes homens governaram. Nos Estados Unidos, há um busto de Estaline no Memorial Nacional do Dia D, na Virginia. Em Nova Iorque, jantei recentemente num restaurante russo que alberga diversos itens soviéticos, cujas criadas se apresentam de uniforme soviético e que exibe uma pintura de líderes soviéticos na qual Estaline tem lugar de destaque. Nova Iorque tem também o seu Bar KGB. Tanto quanto sei, não há qualquer restaurante com temas nazis em Nova Iorque; nem há um bar Gestapo ou SS.

Ora bem, por que razão é Estaline visto como relativamente mais aceitável do que Hitler?

Numa conferência de imprensa no mês passado, o presidente russo Vladimir Putin tentou justificar o fenómeno. Interrogado sobre os planos de Moscovo de erigir uma estátua a Estaline, recordou Oliver Cromwell, o líder da facção parlamentar da guerra civil inglesa do século XVII, e perguntou: «Qual é a verdadeira diferença entre Cromwell e Estaline?» E depois respondeu à sua própria pergunta: «Rigorosamente nenhuma». E passou a descrever Cromwell como um «tipo ardiloso» que «desempenhou um papel muito ambíguo na história britânica». (Uma estátua de Cromwell encontra-se defronte da Câmara dos Comuns, em Londres.)

«Ambíguo» é uma descrição razoável da moralidade das acções de Cromwell. Apesar de promover o governo parlamentar na Inglaterra, de ter acabado com a guerra civil e ter permitido um certo grau de tolerância religiosa, apoiou também o julgamento e a execução de Carlos I e conquistou brutalmente a Irlanda em resposta ao que via como uma ameaça: a aliança entre os católicos irlandeses e os monárquicos ingleses.

Porém, ao contrário de Cromwell, Estaline foi responsável pelas mortes de civis em números elevadíssimos, fora de qualquer guerra ou campanha militar. Segundo Timothy Snyder, autor de Terra Sangrenta, morreram entre dois e três milhões de pessoas de trabalhos forçados nos campos do Gulag e talvez um milhão tenham sido fuziladas durante o Grande Terror de finais dos anos trinta do século XX. Cinco milhões mais morreram à fome na crise de 1930-1933, dos quais 3,3 milhões eram ucranianos que morreram em resultado de uma política deliberada relacionada com a sua nacionalidade ou estatuto como camponeses relativamente prósperos conhecidos como culaques.

O cálculo de Snyder do número total de vítimas de Estaline não leva em conta quem conseguiu sobreviver aos trabalhos forçados ou ao exílio interno em condições severas. Incluí-los poderia acrescentar qualquer coisa como 25 milhões ao número dos que sofreram terrivelmente em resultado da tirania de Estaline. O número total de mortes que Snyder atribui a Estaline é inferior ao comummente citado — vinte milhões — que foi calculado antes de os historiadores terem acesso aos arquivos soviéticos. Contudo, é um número horroroso — semelhante em magnitude aos homicídios nazis (que ocorreram num período de tempo mais curto).

Além disso, os arquivos soviéticos mostram que não se pode dizer que os homicídios nazis foram piores porque as suas vítimas foram seleccionadas com base na raça ou na etnia. Também Estaline escolhia as suas vítimas nesta base — não apenas ucranianos, mas também pessoas que pertenciam às minorias étnicas associadas a países que faziam fronteira com a União Soviética. As perseguições de Estaline incidiam também sobre um número desproporcionalmente grande de judeus.

Não houve câmaras de gás, e é defensável que a motivação dos homicídios de Estaline não era o genocídio, mas antes a intimidação e a supressão de qualquer oposição real ou imaginária à sua governação. Isso em nada desculpa a dimensão dos homicídios e encarceramentos ocorridos.

Se há alguma «ambiguidade» no registo moral de Estaline pode ser porque o comunismo faz vibrar alguns dos nossos impulsos mais nobres, a procura da igualdade para todos e do fim da pobreza. Não se encontra uma aspiração universal destas no nazismo, que nem fingia uma preocupação como bem de todos, mas antes com o bem de um suposto grupo racial, e que era claramente motivado pelo ódio e desprezo por outros grupos étnicos.

Porém, o comunismo de Estaline era o oposto do igualitarismo, pois deu poder absoluto a uns poucos, e negou todos os direitos à multidão. Quem defende a reputação de Estaline dá-lhe o crédito de ter tirado milhões da pobreza; mas teria sido possível tirar milhões da pobreza sem assassinar e encarcerar ainda mais milhões.

Outros defendem a grandiosidade de Estaline com base no seu papel no combate à invasão nazi e na derrota de Hitler. Contudo, as purgas de Estaline dos líderes militares durante o Grande Terror enfraqueceram criticamente o exército vermelho, a sua assinatura do pacto germano-soviético de não-agressão de 1939 abriu as portas ao começo da segunda guerra mundial, e a sua cegueira perante a ameaça nazi em 1941 deixou a União Soviética despreparada para resistir ao ataque de Hitler.

É ainda verdadeiro que Estaline levou o seu país à vitória na guerra, e a uma posição de poder global que não tivera antes e da qual caiu posteriormente. Hitler, em contraste, deixou um país estilhaçado, ocupado e dividido.

As pessoas identificam-se com os seus países e respeitam aqueles que os conduzem no auge máximo do seu poder. Isto pode explicar por que razão os moscovitas estão mais dispostos a aceitar a estátua de Estaline do que os berlinenses estariam a aceitar uma estátua de Hitler.

Porém, isso só pode ser parte da razão para o tratamento diferente concedido a estes homicidas de multidões. Continuo perplexo com o restaurante de temas soviéticos e com o Bar KGB de Nova Iorque.

14 de junho de 2018 Blog

Filosofia em banda desenhada?

Desidério Murcho

Já à venda
Compre aqui

Eis a apresentação de Aires Almeida, responsável pela Filosofia Aberta, da Gradiva:

Introdução à Filosofia em Banda Desenhada, com tradução de Vítor Guerreiro, já está nas livrarias. Aí encontramos uma forma diferente, estimulante e descontraída, de acompanhar o irresistível fluxo de algumas das mais importantes ideias e questões que, desde os alvores do século IV a. C. até aos nossos dias, abastecem o sempre renovado rio da filosofia.

Pela mão do premiado ilustrador Kevin Cannon e do filósofo Michael Patton, somos convidados para uma aliciante viagem, guiada pelo célebre filósofo Heraclito. Ao longo dessa viagem, o vetusto e sagaz filósofo vai saltando de embarcação em embarcação, atraído pelos grandes debates acerca do nosso conhecimento do mundo, da natureza da mente, da existência de Deus e do livre-arbítrio, sem esquecer a questão da validade dos nossos raciocínios e também a questão valorativa sobre o que torna as nossas acções moralmente boas ou más. À medida que descemos o rio sinuoso da filosofia, deparamo-nos com os seus mais audazes navegadores. Tudo começa com os filósofos ditos pré-socráticos, que primeiro questionaram a mitologia e se perguntaram sobre o mundo ao seu redor, mas não ignora importantes filósofos vivos, como David Chalmers e a sua explicação da consciência. Pelo meio deparamo-nos com gigantes filosóficos como Aristóteles, Tomás de Aquino, Descartes, Locke, Hume, Kant, Mill e Nietzsche, entre outros.

Um livro para todos, começando pelos amantes de banda desenhada, de filosofia, e sobretudo para quem acredita que as ideias sérias e importantes podem ser apresentadas e discutidas de forma alegre e divertida.

12 de junho de 2018 Blog

Crença cristã avalizada

Desidério Murcho

A editora Vida Nova anuncia para o final de Julho a tradução de Warranted Christian Belief, de Alvin Plantinga. Apesar de o site não indicar o nome do tradutor, e apesar do título diferente, presumo que seja a minha tradução. Eu usei o termo mais comum “garantida”, e não “avalizada”, mas a opção editorial não é inadequada.

Esta é a obra maior da epistemologia reformista de Plantinga, uma área da filosofia da religião que é de algum modo a descendente contemporânea do fideísmo. Plantinga enfrenta o desafio de jure lançado à crença cristã: a ideia de que é irracional acreditar no deus teísta, e especificamente cristão, mesmo que exista, porque não há provas ou indícios (evidências, como hoje se diz) de que existe. Plantinga mostra que é logicamente possível que a crença cristã seja racional, porque é logicamente possível que esteja garantida ou avalizada (warranted). 

Mas o livro é imenso — 512 páginas — e está repleto de muitas outras ideias, irrelevantes para o ponto filosófico central, mas muitíssimo interessante para compreender o pensamento religioso de Plantinga. Uma dessas passagens, particularmente herética e chocante para cristãos mais comedidos, é a parte em que ele fala de eros, e defende que a santíssima trindade basicamente está o tempo todo numa orgia literalmente cósmica. Houve na idade média quem tivesse sido queimado por menos. Na Crítica temos publicado precisamente esse excerto curioso. Finalmente, quem quiser saber o que penso da defesa de Plantinga da racionalidade da crença cristã, pode ler o meu artigo “Epistemologia Reformista e Fragilidade Epistémica”, publicado na Revista Brasileira de Filosofia da Religião.

Boas leituras!

11 de junho de 2018 Blog

Contacto e descrição, Russell, James e... Grote

Desidério Murcho
Bertrand Russell




Com a sua habitual perspicácia, Aires Almeida chama-nos aqui a atenção para a paternidade da distinção entre conhecimento por contacto e por descrição, comummente atribuída a Russell. Este apresentou-a em 1911 num artigo do mesmo nome, “Knowledge by Acquaintance and Knowledge by Description”, que se tornou no capítulo 5 do livro que traduzi dele, Os Problemas da Filosofia (30% de desconto, só até quarta-feira), originalmente publicado em 1912 e uma das mais admiráveis introduções à filosofia.

Aires Almeida faz notar que William James já havia usado essa distinção no seu livro de 1890, The Principles of Psychology, e que seria justo atribuir-lhe a paternidade. Na verdade, parece que a distinção é anterior tanto a James quanto a Russell, remontando a John Grote, que a terá introduzido em 1865 aproximadamente nos termos que William James retomou. Este começou por citar Grote no seu livro, mas depois retirou a nota, como relata John Gibbins no livro John Grote, Cambridge University and the Development of Victorian Thought, mencionado na Times Higher Education por Keith Sutherland.

Se me parece haver aqui alguma surpresa é ter sido preciso chegar ao século XIX para ver esta distinção trivial. O próprio Grote declara que a distinção é antiga, mas usada com diferentes terminologias. Não ficaria admirado se um bom historiador da filosofia a encontrasse bem explicada bastante antes do século XIX.

10 de junho de 2018 Blog

Essencialismo descontado

Desidério Murcho


O meu livro está em promoção, só hoje,
nas lojas Amazon: 70% de desconto.

A edição impressa está esgotada.

Para comprar, clique aqui se vive no Brasil,
ou aqui se não vive neste país.

2 de janeiro de 2017 Blog

Anular o Acordo Ortográfico

José Oliveira
​Imagem retirada daqui e transformada (autor desconhecido).

"Agora é mais fácil subscrever a Iniciativa Legislativa de Cidadãos para anular o Acordo Ortográfico, que nos obriga em Portugal a escrever de uma maneira inaceitável.

E faltam apenas 5 mil assinaturas para conseguirmos legislar juntos sobre a matéria.

Subscreva aqui (só para cidadãos portugueses)."
 Desidério Murcho


O AO90 no Blogue da Crítica:

2013
O golpe de estado ortográfico

2012
Que seria de nós sem o acordo?

2011
Quatro ortografias, ou duas apenas?

2010
Mentira ou ignorância
Mentir é feio
Vamos brincar à unificação
Proposta para uma nova ortografia
Horto-grafias
Agência Lusa adopta nova ortografia
Ortografia, de novo
Mentiras ortográficas

2009
Jornal Público não adopta acordo ortográfico
Ortografia e memória
Ortografia, gramática e estado

8 de dezembro de 2016 Blog

(Cont.) O Tesouro perdido de Wittgenstein?

José Oliveira


  LUDWIG WITTGENSTEIN | NCMallory Flickr

Como alguns dos leitores terão reparado a notícia do último post é de 2011. Por essa altura foram também publicadas estas duas notícias:

Em 2013 o Boletim Philosophy at Cambridge (pág. 6 e 7) e depois o Boletim British Wittgenstein Society, detalhavam assim os nove manuscritos que constituem o arquivo encontrado:
  1. O próprio Livro Castanho original, com frases novas nas suas páginas introdutórias, até então desconhecidas na escrita de Wittgenstein. (Também exibe um número significativo de parágrafos ou frases alemãs escritas à mão por Wittgenstein, nas páginas que estão de frente para o texto em inglês. Estas são muitas vezes traduções variadas, ou, às vezes, estendem a noção aí expressa em inglês.)
  2. Um Livro Cor-de-Rosa, intitulado Livro I e Livro II (composto de 14 200 palavras, bem como muitas ilustrações visuais). Parece ser uma cópia exacta, com revisões e parágrafos ocasionais adicionados por Wittgenstein. É muito diferente dos fragmentos do Livro Amarelo que Alice Ambrose publicou, com apenas algumas sugestões ocasionais de justaposição superior. Há motivos para supor que é o que Wittgenstein desejava escrever em vez do Livro Amarelo ou para o substituir.
  3. "Comunicação de Experiência Pessoal" (com 12 000 palavras, isto compreende a extensão até então desconhecida após o término da versão publicada do Livro Castanho), em forma de cópia exacta, com uma revisão finamente matizada de detalhes escritos à mão por Wittgenstein, e com referências cruzadas com o Livro Castanho.
  4. "Palestras sobre Filosofia" (este manuscrito tem 20 352 palavras, está repleto de datas de conferências, a primeira das quais é declarada como "4.ª f., 17 de Jan." [1934]). É uma série de notas cuidadosamente elaboradas com argumentos e estratégias contínuas que não correspondem a qualquer narrativa publicada.
  5. "Imagem Visual no seu Cérebro" (composto de 3 600 palavras, era provavelmente um ditado particular para Skinner). Observações refinadas em forma de notas de conferência.
  6. "Lições sobre auto-evidência e lógica" (20 544 palavras). Notas de aula com algum detalhe, com evidências de revisão antes da sua forma final. Compreende as palestras de um semestre, com evidências de que o manuscrito foi trabalhado e re-formatado no sentido de se transformar num manuscrito unificado. Embora volte à questão da auto-evidência no Tractatus e esteja preocupado em desafiar as visões de Russell sobre lógica e matemática pura, mesmo assim não é uma repetição de pontos de vista anteriores. Em vez disso, ele desenvolve novamente a negação da auto-evidência.
  7. «Caderno Norueguês» (4 400 palavras) em forma de projecto. Isto foi ditado talvez a Skinner na sua visita a Wittgenstein na Noruega, embora terminado em Cambridge.
  8. "Uma Investigação Matemática". Este manuscrito é inteiramente constituído de formas precisas e incomuns de cálculos. Uma vez que não tem a mão de Wittgenstein expressa nele de forma óbvia, há um problema de atribuição. No entanto, dado que faz parte de um Arquivo que o próprio Wittgenstein reuniu como uma expressão do seu trabalho em conjunto com Skinner, devemos pelo menos deixar espaço para que seja veiculado. Compreende 12 353 símbolos matemáticos — sem qualquer narrativa. Explora questões envolvendo o pequeno teorema de Fermat. O seu desvio das rotas usuais de cálculo complementa explicitamente como a própria filosofia de Wittgenstein expõe possibilidades inesperadas no uso de "regras".
  9. Uma cópia incompleta do Livro Azul. É o único texto dactilografado no Arquivo. Significativamente, termina de forma prematura, aproximadamente no mesmo ponto que uma cópia posterior manuscrita por Skinner.

Numa entrevista em Setembro de 2016, aquele a que chamam o homem mais inteligente do Reino Unido, Arthur Gibson, e que estava responsável pelo conteúdo deste arquivo, disse:
   
"Fiquei impressionado, porque é um arquivo inteiro nunca visto antes e, a maior parte, inteiramente nova. Fornece uma visão dos seus processos de pensamento – é quase como se espiássemos a sua mente".

Mas aparentemente ainda persistem algumas dúvidas sobre o material descoberto, para além das novidades:
"Isto pode ou não ser o item ausente chamado o livro cor-de-rosa ou livro amarelo que os académicos esperam há muito tempo. Há também uma série de milhares de cálculos matemáticos nos quais Wittgenstein examina o pequeno teorema de Fermat. É uma série de cálculos extraordinária, até mesmo bizarra, e ainda assim original"
 E dá a entender que uma avaliação definitiva ainda está por fazer:

"O arquivo mostra que questões revolucionárias imprevistas e novas ainda nos esperam na filosofia de Wittgenstein e no conhecimento científico que nós pensamos incorrectamente que já entendemos."

Em 2013 a nota biográfica de Arthur Gibson no Boletim Philosophy at Cambridge já referia que o arquivo estava preparado para ser convertido num livro cujo título seria "Ludwig Wittgenstein Dictating Philosophy: to Francis Skinner", mas aparentemente este livro ainda não foi publicado.

21 de novembro de 2016 Blog

O Tesouro Perdido de Wittgenstein?

José Oliveira


   LUDWIG WITTGENSTEIN | NCMallory Flickr

A notícia fala de um arquivo até aqui perdido e que supostamente dará uma nova visão da forma de pensar deste filósofo, do relacionamento com o seu secretário e sobre a importância deste último nesta investigação.

Sobre as mais de 170 mil palavras e equações matemáticas agora reveladas o académico de Cambridge, Arthur Gibson, responsável por este estudo, diz: "Fiquei impressionado porque é um arquivo inteiro, nunca visto antes, e na sua maior parte inteiramente novo. Fornece uma visão dos seus processos de pensamento – quase que espiamos a sua mente". 
Gibson adianta ainda a seguinte possibilidade: "Isto pode ou não ser o item ausente chamado o livro cor-de-rosa ou o livro amarelo que os académicos há tanto tempo esperavam." 
Quanto a uma série de milhares de cálculos matemáticos nos quais Wittgenstein examina o pequeno teorema de Fermat, Gibson diz: "É uma série extraordinária de cálculos, até mesmo bizarra, e ainda assim original."
E conclui: "O arquivo mostra que questões revolucionárias imprevistas e novas ainda nos esperam na filosofia de Wittgenstein e no conhecimento científico que nós entendemos incorrectamente que já entendemos."

Ver a notícia aqui.

16 de outubro de 2016 Blog

Utilitarismo para breve (introdução)

José Oliveira
Imagem retirada daqui.

Está para breve a saída de mais uma Very Short Introduction e desta vez é Peter Singer e Katarzyna de Lazari-Radek que escrevem uma introdução ao Utilitarismo. A descrição do livro é a seguinte:
O utilitarismo pode muito bem ser a teoria ética secular mais influente no mundo de hoje. É também uma das mais controversas. Colide, ou pensa-se amplamente que colida, com muitos pontos de vista morais convencionais, e com os direitos humanos quando estes são vistos como invioláveis. Será que, por exemplo, é correcto torturar um suspeito de terrorismo, a fim de evitar um ataque que poderia matar e ferir um grande número de pessoas inocentes?

Nesta Very Short Introduction, Peter Singer e Katarzyna de Lazari-Radek fornecem um relato confiável da natureza do utilitarismo desde as suas origens no século XIX, à sua justificação e às suas variedades. Considerando como os utilitaristas podem responder às objecções que são muitas vezes vistas como devastadoras, eles exploram a resposta utilitarista à questão de saber se a tortura pode alguma vez ser justificada. Também discutem o que é que os utilitaristas devem procurar maximizar, prestando especial atenção à visão utilitarista clássica de que apenas o prazer ou a felicidade têm valor intrínseco. Singer e de Lazari-Radek concluem analisando a importância contínua do utilitarismo no mundo, indicando como este é uma força para um novo pensamento sobre os desafios morais contemporâneos, como a pobreza global, o tratamento dos animais, as alterações climáticas, a redução do risco de extinção humana, as decisões de fim de vida para pacientes terminais, e a mudança para uma avaliação do sucesso das políticas governamentais em termos do seu impacto na felicidade.

Ver mais informação aqui.

24 de agosto de 2016 Blog

Inteligência Artificial (Desfazer Mitos)

José Oliveira
Clicar na imagem para ampliar | Imagem retirada daqui.


Texto original aqui (tradução em Português aqui).


Lista de Referências Sobre IA




Vídeos


Artigos nos Média


Ensaios por Pesquisadores de IA


Artigos de Pesquisa


Colecções de Pesquisas


Estudos de Caso


Publicações em Blogues e Palestras


Livros


Organizações




Fonte: Future of Life Institute - The Top Myths About Advanced AI

22 de julho de 2016 Blog

Basta de Democracia?

José Oliveira
Jason Brennan - Flickr

O mesmo autor que contrapôs ao "Socialismo, Por Que Não?" o "Capitalismo, Por Oue Não?", Jason Brennan, apresenta agora o "Contra a Democracia"
Pode ler o primeiro capítulo aqui.

15 de abril de 2016 Blog

Desidério Viral no Facebook

José Oliveira

Desidério Murcho


A publicação na página da Crítica no Facebook que foi mais vista até há bem pouco tempo, foi aqui destacada do seguinte modo: “teve um alcance cerca de 7 vezes superior à média das outras publicações (registando, até ao momento, 18 partilhas)”.

Mas este número foi agora largamente superado. Isso aconteceu com um meme do Desidério Murcho sobre os 8 princípios para um debate público melhor, do seu livro “Pensar Outra Vez”.

Esta é a estatística apresentada pelo Facebook:

Às 15:00 do dia 15 de Abril de 2016

Portanto, em apenas 2 dias, este meme foi partilhado mais de 280 vezes e foi visto por mais de 60 mil pessoas.

Lançamos a seguinte questão: este meme tornou-se viral porquê?


- Actualização 2 (15/04/2017): Até ao momento este meme foi partilhado 552 vezes e alcançou 104 111 pessoas.


- Actualização 1 (12/09/2016): Até ao momento este meme foi partilhado 469 vezes e alcançou 85 600 pessoas.


Arquivo