5 de outubro de 2008 Blog

Susan Wolf

Desidério Murcho
Dado que habitamos, cada um de nós, um mundo cheio de valor independente dos nossos eus individuais, viver de maneira a conectarmo-nos inequivocamente e a proteger alguns valores que não são subjectivos harmoniza-se melhor com a nossa situação objectiva do que uma vida cujas ocupações principais só possam ser subjectivamente defendidas.

5 comentários :

Musicologo disse...

O que é um valor objectivo? Como chegamos a ele por oposição a um valor subjectivo? Quais são os critérios para não cairmos mais uma vez no relativismo? Podiam dar exemplos e tentar explicar-me? Obrigado.

Rolando Almeida disse...

Caro musicólogo,
O problema da objectividade do gosto é um problema em discussão aberta que possui muitos e bons argumentos de ambas as partes. Já que manifesta curiosidade sobre o problema uma leitura muito útil é o livro , O que é a arte? de Nigel Warburton, Ed Bizâncio, 2007. Nele estão, em cerca de 150 páginas, expostas as principais teorias da filosofia da arte, de um modo acessível já que o autor fugiu à linguagem mais técnica.

Desidério Murcho disse...

Sobre o problema da objectividade e subjectividade dos valores temos três boas leituras na Crítica:

-- A Questão da Objectividade em Ética, de James Rachels
http://criticanarede.com/html/fil_objectietica.html

-- Ética e Subjectivismo, de Harry Gensler
http://criticanarede.com/fil_subjectivismo.html

-- Haverá Provas em Ética?, de James Rachels
http://criticanarede.com/eticaobjectividade.html

Do ponto de vista positivista os valores nunca poderão ser objectivos porque os positivistas têm uma concepção factualista da objectividade: só os factos podem conferir objectividade. Uma manifestação desta posição foi também recentemente publicada na Crítica: A Subjectividade dos Valores, de J. L. Mackie
http://criticanarede.com/html/subjvalores.html

Numa palavra: a teoria subjectivista dos valores só parece sustentar-se se tivermos uma concepção factualista da objectividade. Filósofos como Nagel e Rachels têm uma concepção epistémica da objectividade, segundo a qual esta resulta não dos pretensos factos, mas da justificação: uma afirmação, seja sobre valores ou sobre outra coisa qualquer, é objectiva se, e só se, puder ser adequadamente justificada. O trabalho filosófico de monta consiste então em articular melhor que tipo de justificação está disponível para as nossas valorações.

Rolando Almeida disse...

Lá mais acima no meu comentário, não sei por que razão, estava a pensar na filosofia da arte. Fiz uma confusão qualquer.

Musicologo disse...

Caro Rolando, sobre o gosto em arte, mais próximo da minha área, já li o livro mencionado, bem como o seu homónimo da Dinalivro. Ambos os livros acabam por ser extremamente parecidos utilizando maioritariamente os argumentos expostos por Clive Bell, Dickie, Weitz, Danto, Goodman...

A minha questão prendia-se mais com os valores éticos. Nesse ponto agradeço ao Desidério o apontamento e as referências mencionadas.

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